O tema logística reversa tem sido mencionado de forma crescente em diversos segmentos como livros modernos de Logística Empresarial, artigos internacionais e nacionais, assim comprovando sua aplicabilidade e interesse em diversos setores empresariais, além de proporcionar novas oportunidades de negócios (LEITE, 2002; PEREIRA et. al., 2012).
Segundo Leite (2009), os primeiros estudos sobre esse assunto foram entre as décadas de 1970 e 1980, tanto no meio acadêmico, empresarial e público, onde o principal foco era o retorno de bens, sendo reciclados os materiais ao serem processadas. Essa prática era denominada e analisada como canais de distribuições reversos.
Em 1990 o tema conseguiu ganhar progressos no cenário empresarial, como consequência do aumento de volumes que começou a integrar ao mercado, da difusão de suas principais ideias, da melhor compreensão de seus objetivos, possibilidades de estratégias e das oportunidades empresariais para os agentes responsáveis pela cadeia de suprimentos. No ano de 2003, mais de 80% das empresas que operavam com logística no Brasil, ofereciam o serviço de logística reversa. A Tabela 3 mostra o breve histórico da evolução dos estudos em logística reversa entre os anos de 1971 até 2010.
Tabela 3 - Breve histórico da evolução dos estudos em logística reversa.
Ano Autor(es) Enfoque(s)
1971 Zikmund e Stanton Distribuição reversa.
1978 Ginter e Starling Canais de distribuição reversos; recuperação de materiais. 1982 Barnes Importância da reciclagem no processo de negócios. 1983 Ballou Canais de distribuição diretos, reversos, pós-consumo. 1988 Constituição Federal
Brasileira – Art. 23
Proteção ao meio ambiente.
Rogers Custos logísticos de retorno de bens. 1989 Brasil – Lei 7.802/1989 Embalagens de agrotóxicos.
Murphy e Poist Conceitos e definições de logística reversa. 1990 Institute of Scrap
Recycling Industries (ISR)
Desenvolvimento de cadeias reversas.
1991 Stilwell Evolução do tratamento de resíduos plásticos. 1992 Ottman Marketing vede.
1993 Council of Logistic Managment (CLM)
Canais reversos, logística reversa, reúso e reciclagem. Ministério da Indústria
Ciência e Tecnologia (MCIT)
Estudo setorial sobre reciclagem de metais não ferrosos.
Rosa Reciclagem do plástico.
1995 Fueller e Allen Fluxo reverso, resíduos, disposição final de bens. Fenman e Stock Revalorização econômica de bens de pós-consumo. Miles e Munilla Imagem corporativa e logística reversa.
1996 Valiante Seminário brasileiro de reciclagem de alumínio (Associação Brasileira do Alumínio – ABAL).
1997 Wilt e Kincaid Descarte e reciclagem na indústria automotiva. 1998 Calderoni
Revista Tecnologística
Coleta, reciclagem e lixo. Logística reversa e canais de distribuição reversos (CDRs).
Stock Reúso, reciclagem e logística reversa. Nijkerk e Dalmijin Técnicas de reciclagem.
Carter e Dllram Revisão da literatura de logística reversa 1999 Leite Logística reversa e meio ambiente.
Rogers e Timber- Lembke
Canais de distribuição reversa de pós-venda (CDR-PV), fluxos reversos de pós-venda e pós-consumo.
2000 Anpad (diversos autores)
Ano Autor(es) Enfoque(s)
2001 Business Association of Latin America Studies (Balas)
Artigos diversos sobre logística reversa.
Bowersox e Closs Fluxo direto e fluxo reverso.
Fleischmann Modelos quantitativos de logística reversa. 2002 Brasil – Decreto
4.074/2002
Embalagens de agrotóxicos e disposição final. Lacerda Logística reversa, conceitos e práticas operacionais. Daugherty, Myers e
Richey
Logística reversa. 2010 Brasil – Decreto
12.305 de 02/08/2010
Política Nacional dos Resíduos Sólidos.
Fonte: Pereira et al., 2012.
Segundo os autores Gonçalves e Marins (2006), antes de se conceituar logística reversa, deve-se atentar para três aspectos relevantes com respeito aos produtos:
a) Do ponto de vista logístico: o ciclo de vida de um produto não se encerra com a sua entrega ao cliente. Produtos que se tornam obsoletos, danificados ou não funcionam devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados;
b) Do ponto de vista financeiro: existe o custo relacionado ao gerenciamento do fluxo reverso, que se soma aos custos de compra de matéria-prima, de armazenagem, transporte, e estocagem e de produção, já tradicionalmente considerados na Logística;
c) Do ponto de vista ambiental: devem ser considerados e avaliados, os impactos do produto sobre o meio ambiente durante toda sua vida. Este tipo de visão sistêmica é importante para que o planejamento da rede logística envolva todas as etapas do ciclo do produto.
As diferentes definições e citações de logística reversa mostram que o conceito ainda está em evolução, devido as diferentes vertentes de novas possibilidades de negócios relacionadas com o crescente interesse empresarial (SOUZA; FONSECA, 2009).
A logística reversa pode ser entendida como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque, bem como do seu fluxo de informação, do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado (LEITE, 2009; JAYARAMAN et al., 2003).
Segundo Fleischmann et al. (1997), logística reversa é um processo que engloba as atividades logísticas não mais utilizadas pelo usuário, para produtos novamente utilizáveis em um mercado, além de englobar aspectos de distribuição, gerenciamento de estoques e gerenciamento da produção.
A logística reversa é definida por Rogers e Tibben-Lembke (1999) como:
[...] o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência e custo efetivo do fluxo de matérias-primas, estoques em processo, produtos acabados e as informações correspondentes do ponto de consumo para o ponto de origem com o propósito de recapturar o valor ou destinar à apropriada disposição.
De acordo com Leite (2009), ´´ logística reversa é uma área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valores de diversas naturezas: econômico, de prestação de serviços, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, dentre outros.
Segundo a PNRS (Lei N° 12.305/2010), a logística reversa é definida como:
Instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (BRASIL, 2010).
A finalidade da logística reversa é a recuperação de valor através do retorno dos bens ao processo produtivo ou ao ciclo de negócios. Além disso, fatores relacionados a questões ambientais, de relacionamento com o cliente e imagem corporativa, ressaltam o papel estratégico da logística reversa (SABBADINI et al., 2005; CHAVES, 2009).
As atividades de logística reversa são variadas, que vão desde a simples revenda de um produto até processos mais complexos que envolvem inúmeras etapas como coleta, inspeção, separação, induzindo a uma remanufatura ou reciclagem (SOUZA; FONSECA, 2009). Assim, o foco de atuação, envolve a reintrodução de materiais ou produtos na cadeia produtiva, com atividades logísticas destinadas a coletar, desmontar e processar produtos e/ou materiais (FIGUEIRÓ, 2010).
Com o crescimento do consumo, os produtos têm sua vida útil cada vez menor. Muitas empresas que antes não tinham a preocupação com o descarte destes produtos, hoje se voltam para esta área, seja por pressões da legislação ambiental ou por uma melhora no marketing empresarial (BARROS et al., 2013).
O processo de logística reversa vem mostrando retorno considerado para as empresas viabilizando vantagem competitiva com sua utilização dessa forma contribui para a sociedade e o meio ambiente (LEITE, 2009).
De acordo com os autores Roggers e Tibben-Lembke (1999), as principais razões que levam as empresas atuarem em logística reversa são:
Legislação Ambiental que força as empresas a retornarem seus produtos e cuidar do tratamento necessário;
Benefícios econômicos do uso de produtos que retornam ao processo de produção, ao invés dos altos custos do correto descarte do lixo;
A crescente conscientização ambiental dos consumidores; Razões competitivas – Diferenciação por serviço;
Limpeza do canal de distribuição; Proteção de Margem de Lucro;
Recaptura de valor e recuperação de ativos.
A logística reversa pode ser ainda dividida em duas áreas de atuação: logística reversa de pós-venda e logística reversa de pós-consumo. A primeira pode ser entendida como área da logística reversa que trata do planejamento, do controle e da destinação dos bens sem uso ou com pouco uso, que retornam à cadeia de distribuição por diversos motivos: devoluções por problemas de garantia, avarias no transporte, excesso de estoques, prazo de validade expirado, entre outros. Já a
logística reversa de pós-consumo pode ser vista como a área da logística reversa que trata dos bens no final de sua vida útil, dos bens usados com possibilidade de reutilização (embalagens) e os resíduos industriais.