B) Makaleleri
3. Geniza Belgeleri Đle Đlgili Çalışmaları
Os objetos de leitura constituem marcos de significação para o tempo. Bosi (1994) fala sobre os objetos biográficos, daqueles que têm força e significado no cotidiano dos sujeitos e marcam as relações de afeto, os momentos e acontecimentos. No momento da entrevista com Sérgio, senti a força desse objeto biográfico - o livro - em sua vida, a partir das experiências vividas em casa com o pai e com a mãe de quem recebeu apoio, paciência e o incentivo, condições essenciais para formação de um leitor. E mais ainda: a leitura entrelaça-se ao tempo e à memória. Sérgio lembra dos livros presenteados e que tiveram muita importância em sua vida como “O tesouro da juventude, O mundo pitoresco, D. Quixote”. Esses livros foram especiais a ponto de serem ressignificados como lembrança, tantos anos depois. Os livros são objetos da memória de Sérgio:
Tesouro da juventude, uma coleção super interessante porque vinha dividida por assuntos e você lia um pouco de tudo: de história, contos, geografia, tinha muita imagem pra se vê (SÉRGIO).
E assim sendo o livro pode ser rememorado, constituindo-se marco da memória do sujeito e da memória coletiva, pois se torna um objeto portador de leitura e de lembranças que podem ser partilhadas.
Para Sérgio, a experiência íntima, pessoal e de paixão com a leitura está associada a um misto de sentimentos e sensações que sugerem algo próximo ao estado de êxtase diante do belo e do pleno, proporcionado por seu pai. Paralelo a esse aspecto Alberto Manguel (2006, p. 14) quando fala da paixão pelos livros e o prazer da leitura descreve algo semelhante: “[...] segurar um livro em minhas mãos e experimentar subitamente aquele sentimento peculiar de admiração, reconhecimento, calafrio ou calor que, por nenhum motivo discernível, uma certa seqüência de palavras evoca”. Assim sendo, o verdadeiro leitor, ressalta Manguel, precisa encontrar a própria maneira de ler para, realmente, apropriar-se dos livros que lhe chegam às mãos. Percebo também este movimento descrito por Sérgio e Manguel ao observar a narrativa de Carlos quando descreve sua felicidade clandestina diante do livro, também um objeto biográfico:
Tinha uma moça aqui na rua que era [...] sócia do círculo do livro, eu nem sabia o que era isso. Ela pediu As brumas De Avalon de Marion Zimmer Bradley e aí eu me apaixonei e minha paixão foi tão grande, tão
grande....são quatro volumes....que eu tenho o quarto volume e não tenho coragem de ler, porque se eu ler parece que vai acabar a magia, tanto é
que eu vi o filme e detestei o filme, porque tu sabes que o leitor é muito exigente, é muito crítico. Quando ele vai ao cinema vê todos os defeitos, todas as lacunas, ele nem sempre entende que aquilo é adaptação, uma linguagem diferente...eu vi o filme Frida, eu tenho o diário, mas eu não li...Eu acho que a leitura fazia parte da minha vida como minha própria respiração e acho também que cada um de nós, ao ter contato com a
leitura o faz de maneira pessoal e intransferível. Cada um dá o seu tom, a sua cara...eu, por exemplo, leio muito rápido, talvez para ler mais coisas
(CARLOS).
Em todos os excertos apresentados aparece de forma marcante a figura do adulto na formação leitora dos professores. Nesse sentido, as lembranças de leitura e das pessoas nela envolvidas constituem algo que não é exterior aos professores, sem significado, mas parecem assumir um caráter de ‘sentido’ na medida em que tais situações ocorreram permeadas por relações contextuais ligadas às vivências afetivas dos sujeitos. Daí a importância que a elas atribuem os professores. Importância tal que até hoje os professores guardam materialmente os objetos que lhes foram significativos, como os livros. Tal constatação encontra-se presente no fragmento de Sérgio:
Eu tenho hoje aqui em casa algumas obras que sobreviveram a essa época, que sobreviveram dessa biblioteca: Mobi Dick e Dom Quixote, são duas
edições antigas que tenho aqui em casa, que foram os primeiros livros sem imagem que eu tenho recordação de ter sentado pra ler (SÉRGIO).
Ao expressar-se de tal forma Sérgio nos lembra que a história das histórias de nossas vidas é a história das narrações que temos ouvido e lido e que, de algum modo, temos posto em relação conosco mesmos, pois a
reconstrução do sentido da história de nossas vidas e de nós mesmos nessa história é, fundamentalmente, um processo interminável de ouvir e ler histórias, de mesclar histórias, de contrapor umas às outras, de viver como seres que interpretam e se interpretam uma vez que já estão constituídos nesse gigantesco caldeirão de histórias que é a cultura (LARROSA, 1999, p. 47).
Os depoimentos ratificam que na interação com seus pares, seja por meio de observação da leitura de um adulto leitor, ou ainda pela participação em práticas de leitura
mais direta, espontaneamente e menos relacionadas com o mundo escolar, as crianças vão construindo uma concepção do que seja ler. A esse respeito Morais (1996) assim se manifesta:
O primeiro passo para a leitura é a audição de livros. A audição da leitura feita por outros tem uma tripla função: cognitiva, lingüística e afetiva. No nível cognitivo geral, ela abre uma janela para conhecimentos que a conversação sobre outras atividades cotidianas não consegue comunicar. Ela permite estabelecer associações esclarecedoras entre a experiência dos outros e a sua própria. Mais importante ainda, talvez: pela própria estrutura da história contada, pelas questões e comentários que ela sugere, pelos resumos que provoca, ela ensina a compreender melhor os fatos e os atos (MORAIS, 1996, p. 171).
Se por um lado um grupo de professores apresenta a leitura como algo mais leve e solto, permitindo que seja apontada uma representação de leitura como prática compartilhada, outro grupo mostra a outra face da leitura no ambiente familiar evidenciando que o investimento da família em relação à leitura está em que tal prática assegure o sucesso profissional de seus filhos por meio dos estudos. Nesse sentido, outro discurso começa a circular: a valorização do estudo e, por conseguinte, da escola como forma de ascensão social.
3.2.5 “Ser alguém na vida”: valoração da leitura e do estudo
Um pressuposto evidente neste grupo é o de que por meio da leitura há maior apreensão do conhecimento. A leitura torna-se um projeto de vida. Vejamos então como os professores experienciam, narram e representam suas práticas de leitura na família tendo como elemento norteador uma representação escolar de leitura.
Minha criação foi rigorosa. Meus pais queriam que eu estudasse para ser
alguém na vida com metodologias antigas, na tabuada, lendo tudo o que
aparecesse, porque eles achavam muito importante ler para ser alguém na vida. Para ir para a escola já tínhamos que saber ler um pouco, entende? E
isso acontecia às vezes em casa. Confesso que nessa época aprendi com
situações de medo. Hoje, quando penso nisso penso que devo ser diferente daquilo que enfrentei na minha vida como estudante (CRISTIANO).
Fui pra escola com 7 anos, mas antes disso quem me ensinou as primeiras letras lá na cartilha foi minha mãe, ...porque ela acreditava que os seus
filhos já tinham que chegar na escola sabendo as primeiras letras.Ela
lugar, era lá que iríamos aprender realmente tudo o que interessava a nossa formação (PEDRO).
Eu sou a mais velha de dez filhos e sempre vivemos com muita dificuldade. Em casa não tínhamos nada de bens materiais e na minha vida, como toda criança, eu tinha os meus desejos, como, por exemplo, o de morar numa boa casa, embora eu não tivesse vergonha da minha pobreza. Meus pais, apesar
de pouco estudo, sempre me incentivaram a ler pois acreditavam que aquilo me levaria a adquirir mais conhecimentos e a uma posição melhor na vida. Era preciso ler os bons livros para ser um bom leitor (RAQUEL).
Quantas pistas e reflexões sobre a representação e o valor da leitura para a família estão contidos nesses fragmentos! Quais as relações entre o que dizem os professores e os discursos históricos que atravessam as apropriações sobre leitura? Dos aspectos acima apontados, depreende-se uma representação da leitura como deflagradora de prestígio social, como possuidora de uma função “redentora”, uma vez que permitirá aos sujeitos que modifiquem substancialmente suas vidas.
Então vejamos: os materiais de leitura distribuem-se em cartilhas, livros didáticos, tabuada, mas me parece que não é isso o que importa, mas sim a perspectiva dos pais diante da apropriação da leitura pelos filhos. Observam-se indícios da possibilidade de um sujeito superar-se a partir da leitura, constituir-se como outro, resgatando um sentido diferente para ser e estar no mundo. Dessa forma, o primeiro destaque eu daria ao papel de revezamento e à representação e o valor da leitura para a família, à importância que esses pais e mães, muitas vezes com pouca escolarização, dão à escola como o lugar em que se aprende realmente a ler. Por que será que pessoas que muitas vezes nem foram à escola dão tanta importância à leitura escolar? Por que a leitura é tão importante para essas pessoas?34
Talvez porque eles saibam que se aprende na escola coisas que não podem ser aprendidas em outros lugares. Em muitos casos excluídos da escola quando alunos, esses pais e mães tentam criar condições de continuidade para a trajetória escolar dos filhos. Muitas são as formas familiares de investimento pedagógico: a ajuda aos filhos nas tarefas da escola, a limitação dada aos espaços e horários de brincadeiras para que seja cumprida a tarefa escolar, a participação efetiva dos pais nas atividades da escola, entre tantas outras. Esses pais parecem saber que o sucesso escolar de seus filhos depende, e muito, de uma adequação a determinados parâmetros sociais que a escola privilegia e dos quais essas famílias se
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Castanheira (2002) chama de “revezamento” a troca de papéis no ensino da leitura e da escrita. As famílias ensinam essa prática com o objetivo de garantir tal aprendizado, exatamente pela representação escolarizada que têm dessas práticas.
encontram distantes. É unânime a concepção de que a leitura é importante para todo ser humano, independentemente de ter profissão ou de ser leigo, e que o incentivo a sua prática é fundamental, não só em casa, mas especialmente na escola. Formas, razões e fontes diversas de incentivos levam as pessoas ao desenvolvimento e à prática de leitura.
Quando Raquel enfatiza a importância que seus pais dão à leitura em sua casa, apesar do pouco estudo que possuem, nos coloca diante de um dos mitos do letramento qual seja: a hipervalorização do saber escolarizado, muito bem justificado por Descardeci (2004, p. 45) quando diz que
a hipervalorização do saber escolarizado tem raízes tão profundas nas crenças das pessoas em geral que estas incorrem em contradições quando solicitadas a refletir e a decidir sobre questões relativas a usos e funções da leitura em outros contextos que não o da escola.
Essa mesma idéia é sinalizada por Castanheira (2002) quando diz que isso ocorre porque o valor da leitura se dá em função de um valor cultural dessa prática na sociedade e o fato de alguns pais não dominarem o código escrito não lhes impede de reconhecerem o valor cultural dessa prática. Esses pais e mães passaram suas vidas ouvindo dizer que ler é fundamental, que é inquestionável seu aprendizado. Não há como escapar dessa prática que nos envolve e nos rodeia a cada momento, pois somos constituídos em uma sociedade letrada, marcada pela escritura. Sobre essa força do escrito Chartier (1996, p. 23) esclarece que:
Dos Autos-de-fé da inquisição às obras queimadas pelos názis, a pulsão de destruição obcecou por muito tempo os poderes opressores que, destruindo os livros e, com freqüência, seus autores, pensavam erradicar para sempre suas idéias. A força do escrito é de ter tornado tragicamente derrisória esta negra vontade.
Mas se a escola é o lugar da leitura propriamente dita, por que alguns pais e mães vão em suas casas “ensinando as primeiras letras”, a exemplo do que contou Pedro? Para essas famílias a escola é apontada como o local onde se ensina a ler. Esse discurso traz consigo um problema que ainda hoje enfrentamos, pois marca historicamente um tempo, uma idade certa para ler e para começar a ensinar a ler de verdade. Por isso antes mesmo desse ensino “de verdade”, as famílias se encarregam de fazer valer a importância da leitura em casa, porque compreendem o seu poder na sociedade e por isso efetuam atividades de leitura, mandando as crianças ler os livros para exercitar, treinar a leitura, mesmo naquelas famílias cujos pais são
analfabetos. O desejo dessas famílias, a preocupação parece ser a de garantir, legitimar, validar, assegurar este saber às novas gerações antes mesmo do ingresso de seus filhos na escola. Esse revezamento que a família faz com a escola no papel de ensinar nos coloca diante da constatação de que a dimensão educativa da escola vai além do que ela mesma possa imaginar ou prever.
Quantos de nós não vivenciamos como professor ou como mãe/pai a experiência de revezamento, no qual o papel de ensinar ler e escrever ocorre fora do ambiente escolar? No início de minha carreira como docente, muitas vezes no intuito de garantir a organização de meu trabalho durante o ensino em turmas de alfabetização, pedia em reunião com os pais que ao ensinar em casa o fizessem com base nas letras que estavam sendo ensinadas na cartilha que eu adotava e eles iam relatando suas investidas nos processos de leitura, com seus métodos diversificados e seus treinos preparatórios. Aquilo “bagunçava” meu trabalho porque, às vezes, eles ousavam “adiantar” as lições e eu, claro, achava que aquilo era tarefa da escola.
Esse papel de revezamento parece servir de alguma forma para que se garanta o aprendizado da leitura como bem cultural. O que essas famílias trazem de particular em suas práticas, em suas formas de pensar a leitura se relaciona com os modos de ler construídos historicamente. Dessa forma, suas histórias convergem também para uma história mais ampla, uma esfera social. Talvez por isso Chartier e Hébrard (1995, p. 257) informem que:
[...] as finalidades que atribuímos hoje à leitura aparecem tardiamente nos discursos relativos à escola. Nas “petites écoles” do século XVIII, a alfabetização atende à demanda de instrução por parte das famílias ao desejo da igreja de inculcar a ciência da salvação pela catequese e escolarização. Na concepção dos pais as crianças deveriam ser capazes de dominar, ainda que com bastante esforço, a escrita que penetrava na vida cotidiana da sociedade, por isso muitas vezes, o nível de escolarização se limitava tão somente à aquisição das primeiras letras.
A validade da leitura está também no reconhecimento que a família lhe atribui como um saber legítimo, importante e às vezes até salvacionista, como disse Cristiano, “Meus pais queriam que eu estudasse para ser alguém na vida”, ou Pedro quando relata, “porque ela acreditava que os seus filhos já tinham que chegar na escola sabendo as primeiras letras”, e ainda como os pais de Raquel, “Meus pais, apesar de pouco estudo, sempre me incentivaram a ler pois acreditavam que aquilo me levaria a adquirir mais conhecimentos e a uma posição melhor na vida”.
Curioso perceber o quanto os fragmentos de Pedro, Raquel e Cristiano convergem, quando neles a importância da leitura se relaciona ao desenvolvimento do homem em vir a ser alguém na vida por meio da aquisição e apropriação da leitura. Essa é uma herança própria do discurso religioso da boa-leitura e a família demonstra essa influência quando assume uma representação de leitura como um elemento salvacionista, redentora do sujeito. Nesse sentido, não será qualquer leitura que servirá para que o aluno seja alguém na vida, somente as boas leituras, aquelas lidas em livros.
Assim, na memória desses professores a família é considerada muito importante para sua formação leitora e para a crença de que a leitura serve como forma de ascensão social. Assim, por meio de um conjunto de valores de seus familiares, por meio de modelos considerados positivos, eles vão tomando tais modelos como herança e projeção do tipo de pessoas que serão. Quando penso nisso hoje percebo que essa representação escolar é plausível, afinal todos nós estamos envolvidos existencialmente com a escola, passamos parte de nossas vidas dentro dela, seja como aluno, seja como professor, pai, mãe, usamos, às vezes, o livro didático, a cartilha (material escolar) como o maior suporte textual.
Além desse contato com o adulto em atividades de letramento vividas no espaço familiar e da escola, os professores têm inúmeras possibilidades de aprendizagem informal:
Eu ficava vendo as pessoas lerem na biblioteca das freiras, na rua e aquilo me chamava muito a atenção. Outra coisa interessante que eu descobri
ainda moleque por meio da leitura foi a questão da economia. Eu comecei a adquirir conhecimento do mundo, ampliar esses conhecimentos porque eu
ficava olhando a Miriam Leitão da rede globo falar na TV sobre economia e eu não compreendia nada do que era dito, daquela linguagem técnica
usada e aí comecei também a me interessar por este tipo de assunto, e pelas leituras sobre questões da natureza também, talvez porque eu morasse em Mosqueiro e tivesse contato mais direto com a natureza. Se eu for parar pra pensar na minha trajetória de leitura, vejo diferentes fases, leitura de diferentes textos que foram tendo ou não importância dependendo do momento, do meu objetivo e desejo e vejo também o quanto nessas fases os objetivos de leitura mudaram. Nessa trajetória percebo que li para muitas coisas: para aquisição de muitos conhecimentos, para conhecer sobre diferentes religiões, para enriquecer meu vocabulário, para saber mais coisas sobre sexo, enfim...li para muitas coisas porque sempre achei que deveria fazer boas leituras e para isso era preciso ler muito e de tudo um pouco! (CÉSAR).
César mostra que entrou em contato com as diferentes funções da escrita na sociedade também quando assistiu a atos de leitura e escrita nem sempre dirigidos a ele, mas que trouxeram algumas informações do valor social dessas práticas em diferentes contextos.
Como se vê, numa sociedade grafocêntrica, como a nossa, que se organiza em torno da escrita, as pessoas vivem imersas em ambientes letrados, ainda que seja vivenciando o uso generalizado da oralidade e isso vai contribuindo sobremaneira para sua formação leitora.
É por meio desses usos iniciais como os apontados nas narrativas dos professores que os sujeitos vão aos poucos entrando em contato com a funcionalidade dos objetos de escrita encontrados nos diferentes contextos sociais, podendo assim aprender a lidar com cada um deles nas situações cotidianas. Nesse sentido, a partir dos aspectos acima discutidos, pode-se perceber a necessidade de darmos importância aos diferentes contextos na formação do leitor, permitindo uma reflexão sobre a prática leitora desses ambientes, considerando, por exemplo, a multiplicidade cultural resultante de diferentes tipos de letramento e as variações dos usos e funções da leitura de acordo com cada leitor.
Outro destaque a ser dado no fragmento narrado por César diz respeito às mudanças sofridas pelas práticas de leitura em diferentes épocas e o quanto essas práticas são atravessadas por um discurso histórico da leitura. Também em épocas passadas se leu com diferentes finalidades: “ler para salvar suas almas, para melhorar seu comportamento, para seduzir seus enamorados, para tomar conhecimentos dos acontecimentos de seu tempo, e ainda simplesmente para se divertir” (DARNTON, 1992, p. 212). César afirma também ter lido de tudo um pouco porque considerava que deveria fazer boas leituras e para isso era preciso ler muito e de tudo um pouco. Novamente está presente aqui como pano de fundo a concepção da “boa-leitura”, tão difundida pela igreja, do que deve e do que é perigoso ser