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Para poder propor políticas públicas e gerar soluções frente às principais dificuldades da região metropolitana, é importante conhecer e analisar os principais aspectos econômicos e sociais dos nove municípios. Para tanto, fez-se uma breve descrição das principais características quanto à estrutura urbana, aspectos sociais e de condições de vida em cada município da RMBS. Utilizou-se como referência os eixos, grupos e indicadores da Plataforma Básica (CEAPG/FGV, 2010) desenvolvida como ferramenta de gestão, agregando as principais informações e dados municipais.

Foram também adaptados nesta base de referência outros indicadores relevantes à caracterização dos municípios da região. Desta forma, estão apresentados e brevemente analisados abaixo indicadores nos eixos de: gestão, desenvolvimento econômico local, e desenvolvimento social e redução das desigualdades.

Eixo – Gestão

Grupo – Transferências15

Tabela 11: Principais recursos obtidos por transferências (em reais)

Município FPM FUNDEB (ex FUNDEF

até 2007) FNS/SUS N° Absoluto Per capita N° Absoluto Per capita N° Absoluto Per capita Bertioga 10.683.531,17 259,52 8.954.683,17 217,52 3.058.796,34 74,30 Cubatão 19.237.286,00 159,16 29.676.071,00 245,53 14.172.249,00 117,26 Guarujá 28.552.147,58 94,51 43.870.999,33 145,22 27.363.594,78 90,58 Itanhaém 16.618.826,30 189,20 21.860.368,70 248,87 8.665.706,25 98,65 Mongaguá 11.575.156,71 267,28 9.506.794,75 219,52 3.936.696,13 90,90 Peruíbe 13.890.181,87 251,65 11.407.844,64 206,68 6.859.742,24 124,28 Praia Grande 29.480.308,43 124,11 53.071.763,44 223,42 28.759.257,69 121,07 Santos 29.480.308,43 68,62 46.187.759,35 107,50 69.230.748,54 161,13 São Vicente 29.480.308,43 90,56 68.975.287,37 211,89 866.821,52 2,66 RMBS 188.998.054,92 115,02 293.511.571,75 178,62 162.913.612,49 99,15

Fonte: Elaborada pela autora a partir de dados do Tesouro Nacional e Fundação SEADE.

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Os dados das Transferências Locais mais atualizados que se tem no Portal do Mistério da Fazenda são do ano de 2007. Para tabulação do per capita utilizou-se como referência a população do mesmo ano.

Os recursos apresentados acima representam as transferências repassadas para garantir políticas ou programas específicos. Como se pode observar, o município de Mongaguá representa o maior recurso per capita no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) na região, porém são os municípios de Praia Grande, Santos, São Vicente e Guarujá que apresentam os maiores valores absolutos, concentrando cerca de 60% do total da RMBS. Vale destacar que para os municípios de Bertioga, Mongaguá e Peruíbe, o FPM se configura como o recurso mais significativo no volume de transferências. Quanto ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), observa-se que este recurso de transferência é tido como o maior recurso per capita de cinco dos nove municípios da Baixada Santista (Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Praia Grande e São Vicente), com destaque para São Vicente, que concentra 24% do montante da região.

Quanto às transferências oriundas dos Repasses do Fundo Nacional de Saúde (FNS) para o Sistema Único de Saúde (SUS) é importante destacar o expressivo volume de recursos do Município de Santos, que representa 42% do total da RMBS. Vale destacar que o recurso do FNS/SUS é o maior valor obtido pelo município nas transferências apresentadas acima. Atribui-se também destaque ao baixíssimo valor per capita obtido pelo Município de São Vicente no que tange ao recurso do FNS/SUS, 2,66 FNS/per capita, seguido por Bertioga, Guarujá, Itanhaém e Mongaguá. O FNS atribuído ao município de São Vicente representa o menor valor per capita de todas as transferências citadas acima em todos os municípios. Esses dados são relevantes ao se pensarem os problemas relacionados à área de saúde na região, tema que será tratado no próximo capítulo.

Eixo – Gestão

Grupo – Receitas locais16

Tabela 12: Principais tributos arrecadados

Município IPVA IPVA/per

capita %IPVA/ Total IPTU IPTU/per capita %IPTU/ Total ISS ISS/per capita %ISS/ Total ICMS ICMS/per capita % ICMS/ Total Bertioga 1.525.346,95 37,05 1,4% 37.909.212,67 920,86 6,4% 6.762.088,19 164,26 2,2% 9.802.890,10 238,12 1,6% Cubatão 4.853.617,00 40,16 4,6% 25.109.202,00 207,75 4,2% 53.709.656,00 444,38 17,2% 301.284.568,00 2.492,76 48,3% Guarujá 12.408.584,91 41,08 11,7% 149.679.710,30 495,47 25,2% 52.368.078,28 173,35 16,8% 54.669.181,49 180,97 8,8% Itanhaém 2.908.232,36 33,11 2,8% 24.237.406,58 275,93 4,1% 2.981.475,85 33,94 1,0% 11.683.272,26 133,01 1,9% Mongaguá 1.182.058,13 27,29 1,1% 21.363.554,78 493,30 3,6% 1.297.108,60 29,95 0,4% 6.062.737,31 139,99 1,0% Peruíbe 2.350.576,12 42,59 2,2% 21.101.084,82 382,29 3,6% 1.690.219,81 30,62 0,5% 9.338.507,26 169,19 1,5% Praia Grande 10.262.382,50 43,20 9,7% 115.415.524,30 485,88 19,4% 9.380.663,17 39,49 3,0% 32.600.050,65 137,24 5,2% Santos 56.615.932,36 131,77 53,6% 153.586.382,80 357,47 25,9% 172.728.054,30 402,02 55,3% 158.837.369,00 369,69 25,5% São Vicente 13.602.693,52 41,79 12,9% 45.502.101,62 139,78 7,7% 11.514.813,31 35,37 3,7% 39.150.377,25 120,27 6,3% RMBS 105.709.423,85 64,33 100,0% 593.904.179,87 361,44 100,0% 312.432.157,51 190,14 100,0% 623.428.953,32 379,40 100,0%

Fonte: Elaborada pela autora a partir de dados do Tesouro Nacional e Fundação SEADE.

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Os dados das Receitas Locais mais atualizados que se tem no Portal do Mistério da Fazenda são do ano de 2007. Para tabulação do per capita utilizou-se como referência a população do mesmo ano. Sendo tributos estaduais o IPVA e ICMS, e municipais os recursos oriundos do IPTU e ISS.

Estão agrupados na tabela acima os principais tributos arrecadados pelos municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista no ano de 2007, em valores absolutos, per capita e relativos ao total da região. Estes são importantes indicadores dos recursos disponíveis para o gestor municipal no que tange as suas ações políticas.

Quanto ao Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) destaca-se a arrecadação do município de Santos, que corresponde a quase 54% do total da região, o que gera uma elevação na arrecadação per capita deste tributo para a RMBS, a ponto de colocar os demais municípios abaixo da média estabelecida na região.

Em termos também per capita observa-se que o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) é o tributo arrecadado mais significativo para as receitas dos municípios menores, como Bertioga, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe, elevando a média para a região. No entanto, os municípios de Santos e Cubatão concentram a maior parte da arrecadação desse tributo na região, que significa mais que 50% do total arrecadado. Isso ocorre provavelmente devido à quantidade e valoração dos terrenos e construções nesses municípios.

Quanto ao Imposto sobre Serviços (ISS) de qualquer natureza, Santos continua liderando a arrecadação na região, sendo responsável por 55%, seguido por Cubatão, que concentra quase 18% dessa receita. Já a arrecadação do tributo de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é liderada por Cubatão, responsável por 48,3% do total da RMBS, e Santos, que concentra 25,5%. Juntos, os dois municípios arrecadam quase 75% do ICMS e ISS da Região Metropolitana, o que ocorre devido às atividades econômicas dos dois municípios, que envolvem grande circulação de mercadorias e prestações de serviços, como o porto e atividades correlatas, e as indústrias.

Eixo – Desenvolvimento econômico local Grupo – Infraestrutura e serviços

Tabela 13: Níveis de atendimento à coleta de esgoto, coleta de lixo e abastecimento de água na RMBS Município Esgoto Sanitário (%) – 2000 Coleta de lixo (%) - 2000 Abastecimento de água (%) - 2000 ESP 85,72 98,9 97,38 Bertioga 19,49 97,67 92,1 Cubatão 44,37 98,35 85,07 Guarujá 72,07 98,46 92,86 Itanhaém 14,95 94,02 85,62 Mongaguá 18,82 94,9 93,92 Peruíbe 9,26 96,74 89,11 Praia Grande 57,64 99,07 98,18 Santos 94,42 99,62 99,66 São Vicente 66,72 99,55 99,44 RMBS 67,0 98,74 95,03

Fonte: Elaborada pela autora a partir de dados da Fundação SEADE.

De todos os indicadores analisados, o que mais demonstrou variações entre os municípios da RMBS foi o nível de coleta de esgoto sanitário. Como pode ser visto na tabela acima, cinco dos nove municípios da RMBS apresentam menos que 50% de atendimento, com destaque para Peruíbe, com o menor nível de atendimento da região, de apenas 9,26%. Observa-se também que três municípios da região, Guarujá, Santos e São Vicente, estão acima da média da RM no período, porém quando se trata da média estadual, apenas o município de Santos encontra-se acima da média prevista.

Para os níveis de coleta de lixo e abastecimento de água, observou-se que os seis municípios, Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe, estão abaixo tanto da média estadual, como abaixo da média da própria região metropolitana.

Eixo – Desenvolvimento social e redução das desigualdades Grupo – Saúde

Tabela 14: Taxas de mortalidade infantil e natalidade (%)

Município Taxa de Mortalidade Infantil (mil nascidos

vivos) - 2009 Taxa de Natalidade (mil hab.) – 2009 ESP 12,48 14,39 Bertioga 10,58 19,19 Cubatão 24,23 14,94 Guarujá 17,72 14,99 Itanhaém 18,04 13,89 Mongaguá 31,91 14,5 Peruíbe 17,72 19,23 Praia Grande 19,73 15,45 Santos 15,25 11,38 São Vicente 20,64 15,34 RMBS 18,8 14,32

Fonte: Elaborada pela autora a partir de dados da Fundação SEADE.

É dado preocupante a taxa de mortalidade infantil para a RMBS, pois além de todos os municípios da região estarem acima da média estadual, a taxa de mortalidade infantil na RM está 50% maior que as ocorrências médias no Estado de São Paulo. Os municípios de Mongaguá e Cubatão apresentam os maiores índice de mortalidade infantil na região, cerca de 32% e 24%, respectivamente. Quanto à taxa de natalidade, a exceção de Santos, com 11,38% e Itanhaém com 13,89%, todos os municípios estão acima da média da RMBS e do Estado de São Paulo, com destaque para Peruíbe, que apresenta o maior índice de natalidade, 19,23%.

Eixo – Desenvolvimento social e redução das desigualdades Grupo – Educação

Tabela 15: Taxas de analfabetismo e distorção idade-série na RMBS

Município Taxa de analfabetismo

da população de 15 anos e mais (em %)- 2000

Taxa de distorção idade- série no ensino fundamental – 2006 ESP 6,64 10.8 Bertioga 8,26 14.5 Cubatão 9,06 22.2 Guarujá 8,45 17.3 Itanhaém 8,19 10.7 Mongaguá 7,36 13.9 Peruíbe 8,62 13.3 Praia Grande 6,49 19.3 Santos 3,56 13.7 São Vicente 6,31 11.4

Fonte: Elaborada pela autora a partir dos dados do INEP/Sistema de Estatísticas Educacionais.

Os dados educacionais para a RMBS são preocupantes, pois, com exceção de Santos, São Vicente e Praia Grande, todos os demais municípios da região apresentam taxa de analfabetismo para população de 15 anos e mais acima do que é tido como medial estadual, com destaque para Cubatão, município com o pior índice, 9,06%. Além disso, no que tange à taxa de distorção idade-série, que “mede a diferença entre a idade real dos alunos que estão em cada série escolar e a idade para o qual a série foi projetada e construída” (CEAPG/FGV, 2010, p. 24), observa- se que Cubatão continuou, a partir de dados de 2006, como último lugar da RMBS apresentando uma taxa de distorção duas vezes maior que a média prevista no Estado de São Paulo. No entanto, apenas o município de Itanhaém, com uma taxa de distorção de 10,7%, configura-se melhor que a média estadual.

Eixo – Desenvolvimento social e redução das desigualdades Grupo – Renda familiar

Tabela 16: Caracterização da renda familiar da RMBS

Município Estimativa de famílias pobres – perfil BF (PNAD 2006)17 Estimativa de famílias de baixa renda – perfil cadastro único (PNAD 2006)18 Número de famílias cadastradas no perfil BF – 2010 Número de famílias beneficiárias habilitadas ao BF – Benefício Liberado – 2010 ESP 1.445.140 3.188.926 2.324.623 1.174.844 RMBS 60.735 129.833 105.203 61.164 Municípios da RMBS N° Absoluto % da RMBS N° Absoluto % da RMBS N° Absoluto % da RMBS N° Absoluto % da RMBS Bertioga 2.118 3% 4.391 3% 2.840 3% 1.954 3% Cubatão 6.133 10% 13.142 10% 7.214 7% 4.155 7% Guarujá 14.409 24% 29.826 23% 27.741 26% 16.280 27% Itanhaém 4.763 8% 9.522 7% 8.194 8% 5.087 8% Mongaguá 2.124 3% 4.326 3% 5.005 5% 2.462 4% Peruíbe 2.804 5% 5.689 4% 5.045 5% 2.716 4% Praia Grande 9.635 16% 20.543 16% 12.799 12% 9.524 16% Santos 6.396 11% 15.680 12% 11.217 11% 6.834 11% São Vicente 12.353 20% 26.714 21% 25.148 24% 12.152 20%

Fonte: Elaborada pela autora a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

A partir dos dados de 2006 e 2010 do Ministério do Desenvolvimento Social quanto às estimativas de famílias pobres e de baixa renda, como também do numero de famílias cadastradas e beneficiárias do Programa Bolsa Família (BF), é possível observar principalmente as seguintes características da região: o município do Guarujá lidera todos os indicadores apresentados acima, concentrando aproximadamente um quarto das famílias pobres e de baixa renda da região metropolitana, e 27% das famílias beneficiárias pelo BF. O município de Praia Grande também apresenta um número expressivo de famílias pobres e de baixa renda, aproximadamente 16% do total da RM.

Os indicadores apresentados acima caracterizam os nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista em termos de receita, infraestrutura e serviços

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Este dado representa, de acordo com o MDS, a “quantidade de famílias pobres estimada com o perfil de inclusão no Programa Bolsa Família, renda familiar per capita de até R$ 140,00”.

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Este dado representa, de acordo com o MDS, a “quantidade de famílias de baixa renda, com o perfil de inclusão no Cadastro Único, renda familiar per capita de até meio salário mínimo”.

básicos, saúde, educação e renda familiar. Com base neles, foi possível verificar as diferenças e semelhanças entre os municípios e os desafios que precisam enfrentar. Nessa perspectiva, identificaram-se incentivos à cooperação e para pactuação de agendas comuns. Ficou evidente o problema comum quanto à infraestrutura e oferta de serviço de atendimento de esgoto sanitário, coleta de lixo e saneamento básico na região. Como visto, cinco dos nove municípios da Baixada Santista encontram-se com menos de 50% de atendimento a esgoto sanitário, e todos, com exceção de Santos, estão abaixo da média estadual. O mesmo ocorre com os níveis de atendimento a coleta de lixo e saneamento básico. Todos são problemas recorrentes na maior parte dos municípios da região e que demandam atuação coletiva para solução eficaz.

Os indicadores de saúde e educação também representam a proximidade dos desafios regionais. Mesmo o município de Cubatão, com altas receitas e PIB elevado, apresenta problemas na área de saúde, como alta taxa de mortalidade infantil: 24%, ao passo que a média regional é de 18,8%; e na área da educação, como altas taxas de analfabetismo e distorção idade-série.

Desta forma, apesar de os indicadores apresentarem problemas semelhantes e desafios comuns, algumas áreas de políticas públicas ainda carecem de soluções cooperadas. Visando complementar os indicadores regionais, estão apresentados no tópico a seguir os principais desafios reconhecidos para a RMBS, a partir do diagnóstico realizado pela EMPLASA e pelos próprios entrevistados nesta pesquisa.

Benzer Belgeler