A- AVUSTURYA MACARİSTAN OKULLARI 85
1) Genel Olarak Okulların Ortaya Çıkışı 88
Nº HOMENS INTERIOR Nº MULHERES CAPITAL Nº MULHERES INTERIOR AVERIGUAÇÕES 751 9610 38 647 ALCOOLISMO 2669 9261 478 1218 DESORDEM 5176 5114 900 1106 AGRESSÃO 287 355 24 28 DESOBEDIÊNCIA 91 927 18 212 ESCÂNDALO 48 133 60 285 INSULTOS, OFENSAS E PROVOCAÇÕES 198 363 24 67 ÓCIO OU VADIAGEM 22 932 17 138 MENDICIDADE 263 168 81 53 JÔGO 12 213 - - PEQUENO FURTO 8 137 3 8 DE ORDEM DE AUTORIDADES DIVERSAS --- 343 --- 9 TOTAL 9579 27551 1643 3771 TOTAL GERAL 42544
Sobre estes dados, um primeiro ponto que merece destaque é a grande di- ferença no número de homens e mulheres detidos, sendo diminuto o índice de de- tenção feminino em comparação ao masculino, tanto na capital quanto no interior, cenário que se repete nos anuários anteriores a 1943. As mulheres detidas na capital e no interior em 1943 representam 12,7% do total de detenções ocorridas, enquan- to os homens foram 87,3%.
O alcoolismo foi, no ano de 1943, a principal causa geradora de detenções correcionais. Em todos os anuários analisados, aparece como principal “responsável pela degeneração social e moral dos indivíduos”. Segundo texto do Anuário de 1943, “(...) o governo deve cada vez mais tomar medidas saneadoras e protetoras da coleti- vidade evitando que o alcoolismo degenere a raça, formando irresponsáveis bandos de deficientes, atrasados mentais, vagabundos, criminosos, pequenos delinquentes, e o contingente enorme de mortalidade infantil” (EPCSP, 1944, p. 15). Fator de ris- co para a ordem pública, o alcoolismo preocupava as autoridades policiais, que bus- cavam contê-lo por meio do aprisionamento dos ébrios, uma vez que “agindo impul- sionado por esse freio inibidor da vontade, o alcoolista por um nada descamba para o terreno das imoralidades das inconveniências quando não é levado a perpetrar de- litos de maior gravidade” (EPCSP, 1944, p. 14). É alta a quantidade de mulheres detidas por alcoolismo tanto na capital quanto no interior, representando 31,3% do total das detenções femininas.
Sobre a rubrica de desordem foram detidas 37% do total das mulheres apreendidas na capital e no interior. Apesar de não ser uma contravenção tipifi- cada na Lei das Contravenções Penais, a desordem abrange inúmeros comporta- mentos considerados anti-sociais, como aquele previsto no artigo 42 dessa Lei, que prescreve pena aos que perturbam o trabalho ou o sossego alheios, ou o previsto no artigo 61, que considera contraventor aquele que importuna a ordem pública de modo ofensivo ao pudor. De todas as condutas responsáveis por detenções cor- recionais e policiais na capital e no interior do estado de São Paulo, a única pela qual o número de mulheres detidas supera o de homens detidos é o “escândalo”. “Causar escândalo” em público, prática associada à embriaguez, prevista no arti-
go 62 da Lei das Contravenções Penais, foi conduta responsável pela detenção de 181 homens e 345 mulheres no estado de São Paulo, diferença numérica que não representa uma surpresa, considerando o recato esperado das mulheres em suas atitudes públicas.
As contravenções penais em geral, mas em especial aquelas constantes no capítulo VII da Lei, relativas às políticas de costumes, são as condutas consideradas antissociais em uma sociedade que buscava edificar-se sob a égide da ordem, da mo- ral e dos bons costumes. A valorização do trabalho e do recato e o combate aos ví- cios guiam muitos dos tipos de contravenção previstos na Lei. Por exemplo, segundo o sociólogo Luís Antônio Francisco de Souza, em pesquisa histórica sobre a Polícia Civil e práticas policiais na São Paulo republicana (de 1989 a 1930), a definição de vadiagem como contravenção penal foi manobra política para a valorização do tra- balho. As preocupações centrais nesse sentido eram: “a) coibir a vadiagem, fazendo com que os indivíduos fixassem suas residências; b) refrear a criminalidade; c) pu- nir e regenerar o criminoso; e d) construir uma nova ordem social baseada na idéia de ordem pública” (SOUZA, 2009, p. 407).
A possibilidade da detenção para averiguação, bem como de detenções cor- recionais e policiais nos casos de práticas de contravenções penais, dava ampla mar- gem para a atuação policial, que deveria zelar pela ordem pública, podendo retirar temporariamente do convívio social aqueles que provocassem algum tipo de desor- dem nesse cenário. Vale ressaltar que o processo para a condenação de contraventor era realizado majoritariamente pelo delegado de polícia, que encaminhava um pare- cer valorativo ao juiz, para que este pudesse, então, sentenciar. O processo policial, como era chamado, dava amplos poderes ao delegado, uma vez que ao conduzir o processo, inclusive a audiência, produzindo um relatório final, dava pouca margem para o juiz desautorizá-lo e pedir novas diligências, pois fora ele, a autoridade poli- cial, quem acompanhara o processo desde sua abertura. Souza, ao falar da prática da contravenção de vadiagem, ressalta a possibilidade de a polícia deter os cidadãos sem que houvesse ordem judicial para tal, em uma dinâmica na qual “a justiça parecia se convencer da necessidade social da perseguição à vadiagem, mesmo que as regras do
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direito saíssem um pouco chamuscadas. Portanto, no processo policial, o acusado era detido e mantido preso sem base legal (...)” (SOUZA, 2009, p. 443).
Em relação à faixa etária das mulheres detidas no estado de São Paulo em 1943, pode-se notar um predomínio de mulheres jovens, entre 18 e 30 anos de ida- de. Trata-se de faixa etária de maior vulnerabilidade em relação ao sistema de justiça
criminal.57 O gráfico 1 mostra a proporção de detenções por faixa etária.
GRÁFICO 1. DISTRIBUIÇÃO DE MULHERES
DETIDAS NA CAPITAL E NO INTERIOR SEGUNDO FAIXA ETÁRIA (1943)
Em relação ao estado civil, a maioria das detidas no estado de São Paulo em 1943 era solteira – 53% das mulheres na capital e 49% no interior. Do total de de- tidas, as casadas representavam 32% das mulheres da capital e 35% no interior, e as viúvas, 15% na capital e 14% no interior. Enquanto 51,7% das mulheres detidas na capital declararam não ter filhos, apenas 23,8% declararam tê-los. Já as mulheres que foram fichadas como sendo solteiras representam 52,5% do total de detidas na ca- pital, ao passo que as casadas, 32,4% e as viúvas, 15, 6%. Ainda, das detidas na capi- tal, 34% declararam não ter frequentado a escola, enquanto 66% receberam educa- ção primária, ou seja, nenhuma foi além do primário.
57 Dados atuais do aprisionamento no Brasil mantêm concentração semelhante de detenção e aprisio- namento de jovens entre 18 e 30 anos, segundo estatística do Ministério da Justiça disponível em http://portal. mj.gov.br/data/Pages/MJD574E9CEITEMIDC37B2AE94C6840068B1624D28407509CPTBRNN.htm. Aces- so em 01/11/2011.
Interior
Meretrizes 35,8% Criadas de Servir 59,5% outras pro7issões 4,7%Capital
Meretrizes 16% Criadas de Servir 76,5% outras pro7issões 7,5%Capital
18 a 30 anos 65,5% mais de 30 anos 34,5%Interior
18 a 30 anos 69,6% mais de 30 anos 30,4%No tangente à nacionalidade, no ano de 1943, aproximadamente 7,2% do total de mulheres detidas na capital eram estrangeiras, sendo esta proporção de 3,7% para o interior. Em outras palavras, a maioria das mulheres detidas no estado de São Paulo era brasileira. A Tabela 2 expõe dados sobre a nacionalidade das detidas, indi- cando os países de origem das estrangeiras.
TABELA 2. DISTRIBUIÇÃO DE MULHERES DETIDAS NA CAPITAL E NO INTERIOR SEGUNDO NACIONALIDADE (1943)
Enquanto, segundo Fausto, entre 1894 e 1916 foram presos, em São Pau- lo, mais imigrantes, (55,5%), que brasileiros, (44,5%), os dados de detenções poli- ciais e correcionais da década de 1940 mostram um cenário bem distinto, no qual os imigrantes correspondiam a 7,1% do total de detidos na capital. Tal diferença se dá por algumas razões principais, sendo a mais relevante o fato de que, na década de 1940, a geração na faixa etária de maior incidência criminal já era filha e neta de
NACIONALIDADE ESTRANGEIRAS DETIDAS
NA CAPITAL