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3. ALIŞVERİŞ MERKEZLERİ DEĞERLEMESİ SÜRECİ VE

3.1 Değerleme Kavramı ve Yöntemleri

3.1.3 Gelir indirgemesi yöntemi

Vede, pois, quem sois, irmãos, vós que recebestes o chamado de Deus; não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de família prestigiosa. Mas o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e, o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura possa se vangloriar diante de Deus (I Co. 26-28, Bíblia de Jerusalém, Paulinas).

Este texto bíblico é usado por Shaull (1999, p. 159) na sua análise do pentecostalismo no capítulo “Reconstrução da vida no poder do Espírito”. Os fundadores da Assembléia de Deus jamais imaginariam que, noventa anos depois de eles usarem esse texto bíblico para se defenderem e justificarem sua falta de cultura e riqueza, um dos principais teólogos da libertação faria o mesmo.

As leituras são distintas, mas têm o mesmo objetivo: a identificação da ação do Espírito em solidariedade com os pobres. O risco de estereotipação e a carga ideológica desta leitura são patentes. Mas o que mais chama a atenção é que, há noventa 96 anos, um grupo de pobres, semi-analfabetos, com posturas eclesiásticas fora da normalidade da época (línguas, risos, curas, etc.) se insurge contra as estruturas seculares das instituições e se inicia como um novo modelo, segundo eles mesmos melhor e com a verdade completa. No início, ridicularizados, perseguidos. Mas esse grupo resolveu ler toda a perseguição e ridicularização de uma outra forma; transformando o “mal”, em “bem”- e partir daí cresceu.

A Assembléia de Deus foi iniciada e construída a partir dos pobres, analfabetos e gente da periferia, que fora isto era visto pejorativamente. Mas os assembleianos “assumiram” estas categorias como “bênção” – era a marca legalizadora da verdadeira identificação com os Atos dos Apóstolos. O novo convertido, que poderia ser um seringueiro do Norte, um agricultor do Nordeste ou um operário do Sul, na Assembléia de Deus não era apenas mais um a assistir aos

cultos, ele era participante da celebração. Afinal, era uma celebração que ele entendia. Diferente de alguém do mesmo estrato social assistindo um ofício religioso na Igreja Católica, em latim, na Luterana, em alemão, na Anglicana, em inglês, ou mesmo na Congregação Cristã, em italiano. Ele participava dos cultos, não assistindo, mas cantando, pregando, glorificando, construindo a igreja. Ele era a igreja.

Vingren pregando na Suécia, em 1922, explica o sucesso da missão no Brasil da seguinte forma: “experiências, uma fé simples e verdadeira obediência aos mandamentos do Senhor” (Vingren, 1973, p.110). Excluindo a teologia da “verdadeira obediência”, sociologicamente percebe-se a simplicidade e a experiência como componentes fundamentais da construção desta igreja.

A Assembléia de Deus no Brasil foi um “acidente”. Os suecos não vieram fundar uma igreja, nem depois de a fundarem queriam que ela fosse a Assembléia que se tornou. Os brasileiros que aderiram não sabiam o que viria a ser a Assembléia, mas queriam construir algo. Foi nessa mistura de intenções e tensões que ela nasceu. Conseguiu desagradar a muitos fazendo a alegria de muitos outros. A Assembléia de Deus nasceu e se tornou a maior igreja do Brasil apesar dos suecos, apesar dos brasileiros. Ou, exatamente, por causa deles.

Weber tem um conceito muito importante - os tipos de dominação - que foi fundamental para a compreensão do crescimento da Assembléia de Deus em seu início, tendo como protagonista Gunnar Vingren e Daniel Berg e posteriormente na Assembléia de Deus em São Mateus Deiró de Andrade. Segundo definição do próprio, dominação “é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis”. Dentro de sua classificação há três tipos de dominação: a racional, a tradicional e a carismática que foi a mais detalhada neste trabalho, pois era a que mais nos interessava.

A dominação carismática é “baseada na veneração extracotidiana da santidade, do poder heróico ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por esta reveladas ou criadas”. Enquanto as anteriores, para funcionarem e serem legitimadas, necessitam de um corpo burocrático, ordens impessoais, qualificação pessoal, prebendas, etc., esta se legitima a partir dos adeptos. Adeptos - isto é algo de suma importância para entendimento do fenômeno pentecostal.

O carisma é uma dotação pessoal extracotidiana, e como o próprio Weber diz, é impossível avaliar isto “objetivamente” com critérios estéticos, éticos, etc., pois o portador dos “carismas” é reconhecido por seus adeptos. O pentecostalismo se realizou, cresceu e expandiu-se a partir do reconhecimento endógeno dos carismas; líderes - homens e mulheres - na condição de “enviados por Deus” que reúnem em torno de seus dons um grande grupo de adeptos e causaram a guinada. Só que esse carisma, por mais fenomenal que seja, tende a se “rotinizar”, daí aparece um novo personagem extracotidiano (de preferência mais extracotidiano que os anteriores), com um novo carisma (ou o mesmo carisma, mas com uma nova roupagem), consegue novos adeptos e dá nova guinada.

Esse carisma já se rotinizou em São Mateus, porém o carisma que o foi atribuído no início continua mais forte do que nunca, pois Deiró de Andrade continua crescendo cada vez mais em popularidade e sua fama começa a ultrapassar os muros da Assembléia de Deus ministério de Madureira, chegando em outras denominações. Isto foi possível concluir pelos diversos convites que recebe para pregar em igrejas e convenções no Brasil e exterior.

Na vida real da Igreja Assembléia de Deus, na ordem dos fatos, mas não dos conceitos magia e religião, convivem formando um sistema de conexão ora expostas, ora ocultas, mas delineadoras de uma forma de pensar específica. Devido aos ensinamentos da Igreja Assembléia de Deus, o termo magia tomou uma conotação contrária e até mesmo ofensiva à religião. Dessa forma nenhum fiel admitirá existir um pouco de magia em seus procedimentos

ou crenças. Mas, basta uma observação mais cuidadosa de seus atos e conversas cotidianas para se perceber a convivência harmoniosa dos dois fenômenos, magia e religião.

Na igreja Assembléia de Deus, vemos a expansão da esfera do sagrado para fora dos limites oficial da igreja. Segundo Rubem Alves,

o sagrado não pode crescer em jardins internos e protegidos, que ele é selvagem e indomável... Já não fazem sentido as divisões que separam os espaços sagrados internos dos espaços seculares externos. Os muros caem por terra... Deus sai da cela onde o havíamos colocado. Alguns ficam horrorizados e dizem: Deus morreu! O sagrado chegou ao fim!, mas não percebem que é justamente o oposto, que Deus escapuliu das estufas religiosas que construímos e invadiu o mundo. Agora o mundo inteiro é sagrado (1985 Apud Ribeiro, 2005, p. 367).

Como uma grande liturgia cósmica, a vida cotidiana do fiel na Igreja Evangélica

Assembléia de Deus se desenvolve num universo que transpira a presença divina numa constante eucaristia. O sagrado não se contém dentro do templo, mas extravasa também nas casas de seus fiéis, mas o templo ainda mantém sua importância centralizadora das esferas religiosas, psíquicas e sociais. No pentecostalismo que se desenvolveu na Assembléia de Deus, não há a ausência de magia, mas esta se encontra permeando as relações sociais, as relações com os seres sobrenaturais e mesmo nas relações com Deus.

A Igreja Assembléia de Deus (sede), urbana e erudita e a Assembléia de Deus (congregação), rural, rica em magia, pertencem a um mesmo sistema organizacional e histórico, fazendo parte de uma estrutura que se inter-relaciona, com reuniões periódicas, onde os membros de ambas as instituições se encontram e partilham de suas crenças em comum, embora as representações sociais de seus membros tragam originalidades de suas culturas locais.

O reconhecimento social e a eficácia das bênçãos foram verificados nos depoimentos das pessoas, da Igreja Assembléia de Deus. Isto certamente é um dos motivos para persistência desta arte da cura popular, o que por sua vez estimula o trânsito religioso.

Finalizando, queremos que esta obra possa contribuir para o aprimoramento do nosso tema. Não tivemos em momento algum, a pretensão de esgotar qualquer tema discutido, mas sim estimular o debate na direção da superação do que está posto, pois acreditamos ser este o maior objetivo da academia.