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2. İKİNCİ BÖLÜM

2.3. Banka Türleri

2.3.1. Geleneksel Bankacılık

O presente trabalho é resultado de um projeto mais amplo - o projeto “Diálogos sobre o Ensino de Ciências Naturais”, mencionado acima. Tal projeto foi realizado entre os anos de 2011 e 2012 em uma escola da rede pública do Estado de São Paulo, com a participação inicial de 4 professores da área de Ciências da Natureza. O objetivo geral do projeto, no aspecto da extensão universitária, era o de contribuir para a formação continuada dos docentes interessados. Inicialmente, e por solicitação dos participantes, o projeto focalizou a questão das atividades práticas no ensino de Ciências. Durante tal processo, os integrantes do projeto se depararam com situações em que a relação entre fatos e modelos não poderia ser traçada de forma simples e direta. As dificuldades que apresentaram neste momento nos interessaram, levando-nos às seguintes questões: qual o posicionamento que os professores tiveram diante deste desafio? Quais os saberes que carregavam consigo sobre a relação entre modelos e atividades práticas? Como o projeto contribuiu para tais discussões? Sendo assim, tentando responder tais questionamentos, o presente trabalho analisa alguns diálogos desenvolvidos pelos professores participantes do projeto sobre temas que remetem às relações entre fatos e modelos, pensando em possíveis alternativas de desenvolvimento de situações de ensino-aprendizagem de conteúdos abstratos com utilização de recursos como simulações, animações e modelos tridimensionais.

Neste sentido, o projeto foi desenvolvido por meio de reuniões periódicas com os professores (geralmente quinzenais, e em datas combinadas em comum acordo entre os participantes das atividades). Durante essas reuniões os interesses e demandas dos professores foram colocados e incorporados e numerosas discussões foram feitas sobre o ensino de diversos tópicos integrantes do currículo oficial vigente.

A dinâmica dos encontros de formação continuada, nessa parceria entre universidade e escola básica, geralmente se constituía em duas etapas. A primeira era o momento inicial, quando chegávamos à escola para os encontros quinzenais. Nessas ocasiões os professores, em conversa bastante informal, costumavam relatar acontecimentos da semana referentes à escola, às ações da Diretoria de Ensino (unidade local da Secretaria Estadual da Educação), à sua vida extraescolar etc.; também falavam sobre suas turmas de alunos, as dificuldades de trabalho enfrentadas etc. Esses momentos, que muitas vezes se constituíam em verdadeiro “desabafos”, tornaram-se muito relevantes para a manutenção dos vínculos de confiança com os pesquisadores, além de serem importantes fontes de dados sobre as concepções que estes professores apresentavam sobre os diferentes temas envolvidos com seu trabalho.

Num segundo momento, o grupo se reunia no laboratório didático de Ciências da escola ou outro local, onde eram realizadas diversas atividades:

--- discussões sobre os rumos a serem adotados durante o trabalho quinzenal;

--- atividades práticas (professores e colaboradores externos, em conjunto, manipulavam materiais e realizavam observações e experimentos, analisando diversos de seus aspectos);

--- discussões sobre conceitos de Química, Física, Biologia, Astronomia etc.; --- discussão sobre questões didático-pedagógicas associadas aos temas de ensino e atividades práticas propostos;

--- leitura de algum material de apoio (roteiros, textos etc.);

--- comentário e ou discussão sobre diversos episódios da história da ciência; --- análise de alguns documentários;

--- discussão de questões epistemológicas (por exemplo, articulação entre fatos e modelos, papel da observação e do experimento etc.);

--- identificação, nos Cadernos do Aluno, de textos e Situações de Aprendizagem que não se mostravam adequados para o trabalho em aula; análise desses textos e Situações, a fim de propor formas de contornar as lacunas constatadas;

--- análise de vídeos, animações e simulações, passíveis de uso no ensino de Química, Biologia, Ciências etc.;

--- outras atividades, conforme interesse do grupo.

As atividades práticas para discussão com o grupo foram selecionadas, ora pelos próprios professores, que manifestavam interesse ou dificuldade com determinado assunto, ora pelos pesquisadores, pela necessidade em discutir algum aspecto, metodologia didática ou conceito, inclusive a fim de obter maiores informações em relação aos saberes, concepções e dificuldades dos professores frente às atividades práticas. Bassoli (2014) acredita que se devam discutir as atividades práticas em contextos reais, nos quais se conflitam as deficiências formativas dos professores e dos alunos com a falta de “infraestrutura”, tanto das escolas, como dos professores, dos alunos e de suas famílias.

As atividades e discussões foram sempre realizadas de modo a ter relação com tópicos de ensino e Situações de Aprendizagem propostos nos Cadernos do Aluno do Currículo Oficial do Estado de São Paulo. Além disso, no decorrer do projeto, muitas atividades de discussão e estudo tiveram lugar como desdobramentos e aprofundamentos de questões levantadas anteriormente; nesse caso, os colaboradores externos utilizaram o feedback colhido em cada etapa quinzenal para então criar novas atividades, como, por exemplo, a discussão sobre objetivos das atividades práticas, ou a discussão (em etapas) sobre características da atividade científica.

Como o projeto Diálogos sobre o Ensino de Ciências Naturais, por interesse de todos os participantes, deu destaque especial ao estudo sobre atividades práticas, resultou que os professores integrantes do grupo acabaram realizando em aula, com seus alunos, algumas das atividades as analisadas durante as reuniões.

Após a formação de equipe que iria participar do projeto passamos, no mesmo dia (09/02/2011), a levantar as demandas dos professores e a identificar as dificuldades e interesses que os mesmos apresentavam. Neste sentido, solicitamos que os mesmos pudessem explicitar tais aspectos da sua prática.

Como dificuldades, os mesmos apresentaram os seguintes aspectos:

 O conteúdo do currículo oficial é extenso frente às poucas aulas disponíveis para cumpri-lo;

 A abordagem apresentada pelo currículo é superficial, em virtude da reduzida carga horária das disciplinas Química, Física, Biologia e Ciências no currículo das escolas estaduais;

 Ausência de explicações teóricas e questões excessivamente abertas (nos Cadernos do Aluno);

 Falta de equipamentos;

 Caráter abstrato dos conteúdos aliado ao grande desinteresse dos alunos;  Indisciplina dos alunos;

 Dificuldades do professor em desenvolver atividades práticas.

Tal levantamento nos levou ao questionamento sobre a influência que as políticas públicas adotadas podem ter no desenvolvimento profissional dos professores e a importância de discutir tais questões em nossas pesquisas. Por exemplo, a implementação do currículo oficial não deixa espaços para decisões dos professores, de forma que os mesmos não conseguem mobilizar seus saberes para tomar decisões de natureza pedagógica, sendo as reuniões de planejamento repetitivas e pouco frutíferas. As professoras relataram que o mais comum nessas reuniões era os professores combinarem alguma alteração na ordem dos tópicos e atividades, a fim de facilitar a aprendizagem dos alunos.

Conforme indicado acima, os professores enfatizaram, nessa conversa preliminar, as dificuldades dos alunos com a aprendizagem de uma série de conteúdos altamente abstratos que caracterizam o ensino das Ciências (modelos atômicos, forças intermoleculares, biologia celular, origem e evolução da vida etc.). Isso fez com que os professores se mostrassem interessados em que o projeto

abordasse o uso de atividades práticas nas aulas de Biologia, Química e Ciências, entendendo que essas atividades contribuiriam para diminuir o caráter abstrato dos conteúdos propostos. Assim, pode-se dizer que o presente trabalho nasce de uma necessidade intrínseca dos docentes.

Neste sentido, a partir das dificuldades apresentadas pelos professores da escola, o trabalho colaborativo seria caracterizado por dois focos:

a) O estudo permanente de possibilidades para a implementação do ensino prático;

b) A abordagem calcada na discussão de determinados conteúdos e Situações de Aprendizagem propostas pelo currículo oficial do Estado de São Paulo através dos Cadernos do Aluno.

Durante o período de desenvolvimento do projeto houve certa rotatividade entre os professores que trabalharam na escola; assim, quando o projeto foi iniciado, participavam dele B, Q e F; após alguns meses, F desligou-se; mais tarde, C passou a integrar o grupo, prosseguindo até o final; e, no último semestre do projeto, Q afastou-se, enquanto que Q2 e C2 tiveram participações de curtíssima duração (uma ou duas reuniões apenas). Portanto, na maior parte das reuniões realizadas, contamos principalmente com a participação das professoras B, Q e C. Apesar disso, em alguns momentos, outras pessoas (professores, coordenadores etc.) também contribuíram pontualmente para as discussões realizadas e serão citadas em caso de necessidade.

Assim, para responder as questões apresentadas neste trabalho, três professoras de uma escola da rede pública do Estado de São Paulo (B, Q e C) foram acompanhadas pelos pesquisadores, que tiveram a função de mediação universidade/escola, promovendo um processo de formação continuada por meio do qual os dados foram coletados.