3. ÜÇÜNCÜ BÜLÜM
3.3. Bankacılıkta Erken Uyarı Sistemi
3.3.1. Arap Merkez Bankalarının ve Para Otoritelerinin Erken Uyarı
Muitos são os trabalhos oriundos das pesquisas em educação em Ciência nos quais o termo atividade prática aparece com concepções diversas, ou seja, o conceito de atividade prática não é consensual na literatura, sendo que várias denominações são usadas para tal: experimentos, atividades práticas, trabalho de laboratório, entre outros. Silva et al (2012) inclusive utilizam as denominações atividade prática e experimentos como sinônimos. Não obstante, o segundo termo se refere a apenas um dos tipos de atividades práticas que podem ser utilizados pelo professor, a experimentação (abordaremos essa questão mais adiante).
Rosito (2003) retoma as ideias de Hodson (1994) e define como atividade prática qualquer trabalho em que o aluno esteja ativo e não passivo. Assim, algumas destas atividades poderiam ser de análises gráficas, realização de experimentos, interpretação de dados, resolução de problemas, elaboração de modelos, pesquisas bibliográficas dentre outras. Portanto, o aluno necessita apenas estar ativo intelectualmente não sendo necessário, por exemplo, a aquisição de dados, mas apenas a interpretação dos mesmos.
Barreto Filho (2001) apud Andrade e Massabni (2011) assim define atividade prática
[...] modalidades de procedimento que objetivam conseguir informações, como nos casos da observação ambiental, observação laboratorial, da leitura, da escrita, do dialogar com colegas e professor, e ainda, desenvolvidas de forma que se complementem e possam contribuir com o aluno, no sentido de chegar a internalização do conhecimento formal (BARRETO FILHO, 2001 apud ANDRADE; MASSABNI 2011, p.839).
Dourado (2001) em uma tentativa de clarificação dos termos define Trabalho Prático (TP) como aquela atividade em que o aluno esteja ativamente envolvido. As atividades de pesquisa em biblioteca, de desenho de estratégias e as atividades de resolução de problemas de lápis e papel, segundo o autor, também podem ser consideradas como TP, visto que as mesmas requerem participação ativa do estudante. Assim, o autor considera como “prático” todo trabalho que envolva investigação ou resolução de problemas.
Verifica-se, portanto, que algumas das definições trazidas acima englobam fazeres muito diversos sob o mesmo rótulo, considerando-os todos como atividades práticas. Assim, qualquer tarefa em que se reconheça algum grau de envolvimento ativo por parte do aluno poderia ser classificada como atividade prática (participação em um debate, estudo de um texto, confecção de um cartaz temático, realização de um experimento etc.). Em outras palavras, essas definições não consideram a especificidade de cada uma das atividades possíveis de serem realizadas pelo aluno em aula (ANDRADE; MASSABNI, 2011). Além disso, tal enfoque mascara a profunda escassez de atividades práticas no ensino escolar de ciências naturais, já que permite afirmar que essas atividades estão presentes mesmo em cursos que não ofereçam aulas práticas (isto é, aulas que coloquem os alunos em contato direto com os fenômenos naturais a serem estudados - materiais, espécimes, amostras, estruturas, acontecimentos, processos, paisagens etc.).
A partir desse entendimento, adotamos para as discussões que serão realizadas na presente dissertação a definição de Andrade e Massabni (2011) que concebem atividade prática como aquela tarefa educativa que requer do estudante a experiência direta com o material presente fisicamente, com o fenômeno e/ou com dados brutos obtidos do mundo natural ou social, ou seja, o aluno deve ter contato direto com o objeto, seja por meio de uma demonstração pelo professor ou manipulando-o. O importante, segundo os autores, é que se apresente o objeto materialmente ao aluno de modo que ele seja capaz de agir sobre o mesmo ou elaborá-lo mentalmente a partir de observações, ou seja, a experiência física deve ocorrer para que o aluno tenha condições de abstrair do fenômeno estudado. Neste sentido, para que uma atividade prática seja desenvolvida, é essencial a presença material do objeto de estudo, independentemente da forma como o mesmo é
estudado. Correspondem a atividades práticas, por exemplo, a observação do céu noturno, a realização de um experimento de química ou de física, a visita a um jardim botânico, o cultivo de vegetais para fins de estudo, a observação das estruturas que compõem o organismo de uma planta, o contato com espécimes conservados em museus etc. Contudo, nas palavras dos próprios autores, entende- se que a atividade prática não deve se constituir apenas em atividade mecânica de medição, observação, descrição, entre outras, sem que se extraiam “lições” sobre o objeto estudado (ANDRADE; MASSABNI, 2011). Por outro lado, de acordo com essa mesma linha de abordagem, o experimento mental não seria classificado como atividade prática, uma vez que tem como base principal a imaginação ou a representação (de uma situação a ser discutida em relação a certos princípios científicos).
Consideramos que a concepção acima descrita (ANDRADE; MASSABNI, 2011) não apenas delimita melhor a característica fundamental das atividades de natureza prática, como também é mais coerente com as demandas de professores como os que participaram da presente pesquisa, os quais veem as atividades práticas como recursos para enfrentar o problema da falta de vínculo entre os conteúdos teóricos de suas disciplinas e as situações da realidade material.
Outra questão importante a ser discutida e receber considerações de ordem terminológica é aquela que diz respeito às diferenças entre as observações conduzidas por cientistas profissionais e aquelas passíveis de serem realizadas no âmbito do ensino fundamental e médio. As pesquisas em Educação em Ciências frequentemente se valem de subsídios oriundos dos debates em História e Filosofia da Ciência [exemplos conhecidos desse diálogo interdisciplinar são os trabalhos de Posner et al (1982) e Gil Pérez et al (1999)]. Assim, em muitas dessas pesquisas (e inclusive na nossa), processos relacionados ao ensino e processos ligados ao fazer científico são citados no âmbito de um mesmo conjunto de discussões; porém, em não sendo diretamente comparáveis os movimentos realizados pelas duas categorias de sujeitos da ação implicados (alunos e cientistas), é conveniente evitar confusões e distinguir, em nível terminológico, o fazer de cada um desses dois grupos.
Por conseguinte, reservaremos a expressão “atividade prática” para designar apenas atividades integrantes do ensino formal, que envolvam alunos e sejam coordenadas por professores. Trata-se de destacar, pois, a função didático- pedagógica de tais atividades, e também o fato de que as atividades práticas aparecem em um processo (referimo-nos aqui ao processo de ensino) que apresenta as seguintes peculiaridades, entre outras:
(a) os conhecimentos de referência já existem de antemão, e muito frequentemente correspondem a conhecimentos que se encontram elaborados e sistematizados em alto grau, não podendo, assim, ser igualado a ideias em estado nascente; assim, numa comparação mais ou menos grosseira entre o papel da instituição escolar e o papel das instituições científicas, pode-se dizer que o aluno trabalha com aquilo que já se sabe, e o cientista, com aquilo que não se sabe;
(b) o professor figura como detentor dos conhecimentos de referência e, em virtude de tal posição, auxilia o aluno a construir significados para os enunciados científicos que constituem objetos de estudo no âmbito do ensino escolar; nesse processo formativo do aluno são considerados, também, os conhecimentos de caráter observacional (eventualmente obtidos através de atividades práticas) e a compreensão sobre as relações entre o que é observável e aquilo que a ciência propõe como explicação para os aspectos observáveis do mundo; assim, o aluno, na especificidade da posição que ocupa, é auxiliado por um mentor que supostamente conhece grande parte das respostas que são buscadas, o que nem de longe se assemelha à situação à qual o cientista está submetido.
Em suma, o aluno não está fazendo ciência, e sim se apropriando de algo que já existe anteriormente à aprendizagem dele, com o auxílio de um “mentor” (o professor).
Caracterizadas as atividades práticas como atividades de natureza didático- pedagógica, não caberia utilizar a expressão “atividade prática” para denominar quaisquer componentes do trabalho voltado para a produção de conhecimentos
científicos, mesmo reconhecendo que esse trabalho, como qualquer outro, envolve “atividade”, e que parte dessa atividade é de ordem “prática”.
Conforme mencionado anteriormente, é frequente na literatura estabelecer uma igualdade entre atividades práticas e experimentação. Pensamos ser esta ideia equivocada uma vez que entendemos que as atividades práticas são mais abrangentes do que a observação de fenômenos em situações controladas, havendo outras atividades nas quais o aluno pode ter contato direto com o objeto de estudo como, por exemplo, a visita planejada a um jardim botânico ou a um observatório astronômico. A observação do céu noturno ou da fisionomia da vegetação em uma área de cerrado é uma atividade prática, mas não é um experimento. Não pretendemos, porém, com este argumento, diminuir a importância do papel da experimentação. A ideia é apenas identificar uma expressão que possa abranger todos os tipos de atividades em que o aluno tem contato direto com objeto de estudo, sejam elas experimentais ou não. Essa expressão é a expressão “atividade prática” que, segundo vimos acima, acolhe várias formas pelas quais o aluno poder obter um conhecimento autenticamente observacional, sem abrir mão das discussões sobre a relação entre a observação e a explicação teórica. Passamos então, neste momento, a dialogar sobre experimentação e o seu importante papel no ensino de Ciências.