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G enel Durum

Belgede YILLIK DAPOB (sayfa 30-35)

İÇ EKONOMİK GELİŞMELER VE TOPLUMSAL YAPI

A. ÖDEMELER DENGESİNDEKİ GELİŞMELER

1. G enel Durum

A agricultura camponesa na Paraíba se desenvolve à margem ou no interstício de outras atividades como a cana-de-açúcar, a pecuária e o algodão.

A atividade canavieira desenvolveu-se no litoral paraibano, em engenhos voltados para a produção e processamento da cana-de-açúcar. Era comum encontrar numa mesma unidade de produção, a associação entre o cultivo de cana-de-açúcar e a criação de gado. Contudo, alguns conflitos envolvendo

criadores e lavradores, devido ao crescimento da procura por “animais de tiro44” e

ao aumento do consumo de carne, tanto nos engenhos como nos centros urbanos, bem como pelo fato do gado, criado solto, pisotear a cana nova, levaram a uma “separação entre cana e curral”. Os animais foram deslocados para áreas ainda não colonizadas no interior do estado, dando origem a grandes fazendas de gado (MOREIRA e TARGINO, 1997).

Esta separação não aconteceu,

[...] sem antes haver provocado repetidos conflitos entre criadores e lavradores. Estes, pela necessidade de defender suas plantações, nunca cessaram seus esforços no sentido de empurrar para longe do Litoral os rebanhos em proliferação, até que uma Carta Régia no alvorecer do século XVIII fixou a área de criação a mais de 10 léguas da costa. (GUIMARÃES, 1968 apud MOREIRA e TARGINO, 1997: p.67).

A Carta Régia de 1701 estabeleceu a proibição da criação de gado nas extensões do litoral brasileiro, em favor da cultura canavieira, obrigando a uma interiorização da ocupação e o consequente povoamento do sertão nordestino.

O percurso feito pelos vaqueiros e o rebanho era chamado de “caminhos do gado” e acompanhava uma trilha que seguia do litoral ao interior do país em direção ao sertão. Seguia as margens dos rios e, à medida que avançava em meio às terras desconhecidas, intensificava-se o processo de colonização portuguesa no Brasil. (ANDRADE, 1986; MOREIRA e TARGINO, 1997).

Na Paraíba, Moreira e Targino (1997) destacam que dois sentidos foram tomados pela penetração do gado em direção ao interior: o sentido leste-oeste seguia o curso do rio Paraíba, fixando currais, criando fazendas de gado e originando núcleos populacionais a exemplo de Pilar, São Miguel de Taipú, Itabaiana e Mogeiro. O segundo sentido teve a direção sul-norte, saindo da Bahia e acompanhando o percurso do Rio São Francisco, chegou a Pernambuco e, em seguida, à Paraíba.

44 Animais destinados ao trabalho agrícola, ao transporte de carroças, ou seja, animais destinados

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Dentre os “entradistas45” que seguiam em busca de novas terras, os Garcia

d‟Ávila e seus descendentes se destacaram pela conquista e expansão de suas propriedades46. Essa família tinha a proteção do governador Tomé de Souza e, diante do poder e da liberdade de fazer o que bem entendesse, a respeito do domínio de novas terras, eles

[...] trataram de conseguir doações de terra, sesmarias, que cada vez mais penetravam o Sertão subindo o Itapicuru e o Rio Real, para alcançarem o Rio São Francisco. Nem este grande rio deteve a ambição, a fome de terras dos homens da Casa da Torre que, através dos seus vaqueiros e prepostos, estabeleceram currais na margem esquerda pernambucana, portanto, do Rio São Francisco e ocuparam grande parte dos sertões de Pernambuco e do Piauí. (ANDRADE, 1986: p.147-148).

Observa-se que, desde o período colonial, prevalece a proteção do governo para com os grandes fazendeiros, que tinham o aval de conquistar e acumular o maior número de terras, contribuindo para um histórico de concentração fundiária no Nordeste. A criação do gado, no sertão, favoreceu esta concentração, pois exigia grandes extensões de terras, “uma vez que são necessários dez hectares de terras para alimentar um boi” (ANDRADE, 1986: p. 164).

A ocupação do território sertanejo tem, em sua história, as marcas da violência, da apropriação de terras incultas e da subordinação do trabalho escravo ou livre. A atividade pecuária, na necessidade de mais espaço para o gado47, forçou a interiorização e a construção de vários currais colaborando para o povoamento daquela região (RIBEIRO, 2006).

No final do século XVII e início do século XVIII, o capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo, assume um lugar de destaque na história da colonização sertaneja,

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Eram chamados de “entradistas” aqueles exploradores que adentravam e colonizavam as terras desconhecidas e que também foram responsáveis pelas trilhas e estradas em direção ao oeste do país. As entradas tinham cobertura oficial ao contrário das bandeiras que eram constituídas por exploradores particulares que adentravam o interior na busca de metais preciosos.

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A Casa da Torre de Garcia D‟Ávila tornou-se um símbolo da concentração fundiária na região. Sobre o seu papel na conquista dos sertões consulte, entre outros, BANDEIRA, Luis Alberto Moniz, 2ª Ed., 2007.

47 De acordo com Ribeiro (2006), no século XVI, os rebanhos somavam um número de 700 mil

sendo o primeiro a estabelecer um elo de comunicação territorial, ligando o litoral ao extremo oeste da Paraíba. Também foi responsável pelos intensos e cruéis confrontos com os indígenas que já habitavam aquelas terras, como as tribos dos Tapuias e dos Cariris (MOREIRA e TARGINO, 1997).

Além dos grandes proprietários, que se destacavam não só pelas suas terras, status e poder, ressalta-se a importância dos camponeses que contribuíram para o desenvolvimento da riqueza desses primeiros fazendeiros e que foram fundamentais para a existência dos grandes latifúndios no sertão nordestino48 e paraibano. De acordo com a sua função nas fazendas, esses camponeses receberam diferentes denominações: vaqueiros, boiadeiros, posseiros, foreiros, entre outros.

Muitos dos vaqueiros eram homens que, por não conseguirem garantir concessões de terra ou sesmarias e por não terem prestígio, eram submetidos ao trabalho pesado, tendo que enfrentar o calor e a sede nas caatingas guiando o gado, além de lutar e se proteger dos indígenas que defendiam suas terras do ataque do homem branco. (ANDRADE, 1986).

De acordo com Moreira e Targino (1997), algumas características que diferenciavam as relações culturais, sociais e econômicas do sertão em relação ao litoral eram: a instalação de grandes domínios latifundiários com baixa densidade populacional e econômica; o baixo nível de capitalização exigido para a edificação de uma fazenda; a organização do trabalho combinando trabalho livre e escravo; o acesso à terra pelos homens livres; as relações com o mercado metropolitano (MOREIRA e TARGINO, 1997).

Alguns fatores, como as longas distâncias até a zona litorânea e o elevado preço que os alimentos atingiam após o transporte, motivaram os vaqueiros a plantarem nos períodos em que o gado ficava solto, alimentando-se dos pastos em um período conhecido como a “fase da engorda”.

Nesses espaços de tempo entre a espera e o deslocamento, os vaqueiros aproveitavam para construir os currais e algumas cabanas, nas quais se

48 Durante o texto, trataremos como camponeses aqueles sujeitos que desempenharam suas

funções de trabalho dentro e fora das fazendas, e que ao longo do tempo, receberam denominações de acordo com suas atividades, como: vaqueiros, meeiros, rendeiros, moradores, entre outros.

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instalavam com suas famílias ou algum agregado. Pequenos roçados eram feitos “perto de casa” e basicamente se restringiam à plantação da mandioca, do milho, do feijão, do algodão e, em alguns casos, da melancia e melão, limitados por cercas ou valas, sempre com o cuidado para o gado não invadir (ANDRADE, 1986).

No sertão, os vaqueiros eram homens de força e de confiança que, ao mesmo tempo em que dependiam de seus patrões e obedeciam as suas ordens, também ficavam responsáveis pelos trabalhos nas fazendas na maioria do tempo em que o fazendeiro não estava. Andrade (1986, p.164) define-o como a “figura central de trabalhador em uma fazenda” já que cuidava do rebanho e administrava a propriedade.

A relação entre os donos das terras e dos rebanhos e os vaqueiros era menos desigual que a existente nos engenhos. Os vaqueiros não eram tratados como escravos, nem eram forçados a trabalhar sob ameaças dos senhores, mas sim como pessoas mais próximas e de confiança dos fazendeiros, numa relação de apadrinhamento e de compadrio (RIBEIRO, 2006).

Se nos engenhos os escravos eram obrigados a trabalhar sob o jugo de pressões psicológicas e físicas, nas fazendas os vaqueiros eram submetidos a atividades sob um domínio, digamos, subliminar, pois existia o poder do fazendeiro sobre o camponês, mas de forma menos agressiva. Esta relação não era menos perversa, pois os camponeses ficavam sob constante dependência do fazendeiro, prevalecendo o respeito e a obediência em troca da proteção dos seus patrões.

A subordinação psicológica e física dos camponeses permitia que o dono e senhor da fazenda exercesse uma autoridade sem questionamentos sobre os bens e sobre as vidas daqueles que lhes prestassem serviço, fortalecendo uma divisão hierárquica de classe e constantes abusos de poder por parte dos fazendeiros (RIBEIRO, 2006). O trabalho dos camponeses nas fazendas e a dependência da ajuda do dono das terras impediam ou restringiam as possibilidades de qualquer forma de luta camponesa contra a elite latifundiária, pois, era através do serviço prestado ao patrão que os camponeses se mantinham e garantiam o seu (momentâneo) pedaço de chão.

A terra, para os grandes proprietários, representava poder, segurança e garantia de lucratividade. No caso dos camponeses, o fato de estar inserido nos latifúndios significava ter o acesso à terra mesmo que precário, a fim de garantir uma sobrevivência mínima para si e para sua família.

O trabalho dos camponeses nas atividades das fazendas era, via de regra, pago através do sistema de quarteação. Este consistia no pagamento referente a quatro ou cinco anos de trabalho com um quarto da produção animal da propriedade: potros, bezerros e cabritos escolhidos no dia em que o patrão estivesse na fazenda (ANDRADE, 1986; MOREIRA e TARGINO, 1997; RIBEIRO, 2006). Esse pagamento rendia ao vaqueiro certo número de animais, o que podia possibilitar a sua instalação por conta própria em terras que ele comprava, arrendava ou se apossava (MOREIRA e TARGINO, 1997). Dessa forma, ele ia formando seu próprio rebanho, adquirindo novos bens e assim garantindo as necessidades básicas de sua família.

Com o tempo, a forma de pagamento em animais foi substituída pelo sistema de salários pagos em dinheiro que, no final das contas “computando o rancho e alimentação, pouco saldo asseguravam ao trabalhador” (RIBEIRO, 2006, p. 312).

Com base no exposto, constata-se que a atividade pecuária, responsável pela ocupação inicial do espaço sertanejo paraibano, somou-se a uma agricultura camponesa de autoconsumo praticada por vaqueiros e agregados no interior das fazendas. Desse modo, a agricultura camponesa surge no espaço sertanejo inicialmente no interior da grande propriedade como um elemento complementar e fundamental para a expansão e sobrevivência da atividade pecuária (MOREIRA e TARGINO, 1997).

2.2 O algodão e a agricultura camponesa na formação territorial dos sertões

Belgede YILLIK DAPOB (sayfa 30-35)