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2.2. Görsel Sanatların Eğitime Katkısı

2.2.4. Görsel Sanatlar Eğitiminin Öğrencilerdeki Var olan

A narrativa autobiográfica possui papel importante na trajetória da literatura como arte e, por isso, parece relevante utilizar-se dela não como pretexto para o ensino da língua, mas como oportunidade de introduzir o letramento literário nas aulas de língua inglesa, como foi o caso da pesquisa aqui descrita. Por isso, dedico esta seção a esclarecer a importância da narrativa autobiográfica para a pesquisa.

Corrêa (2007) discute a trajetória da narrativa e afirma que esta, após alguns séculos de esquecimento, ressurgiu como modo de o sujeito compreender a si e ao mundo, por meio das narrativas pessoais e culturais. Quando reconsiderada na literatura, foi deixada de lado como “ficção ou invenção de mentes desocupadas” (CORRÊA, 2007, p. 58). Segundo a autora, a crise da narrativa fez com que tivesse a atenção de estudiosos, e então a revalorização desta no meio literário. Corrêa (2007) apresenta o trabalho de Ricoeur (1994 – 1995) “Tempo e Narrativa” como um marco nos estudos da narrativa, e a partir dele propõe uma definição mais atual de narrativa:

A narrativa é uma história real ou ficcional que pode ser contada de forma escrita ou verbal, utilizando-se da arte, da linguagem de sinais ou gestos. Todavia, cabe ao sujeito que relata a história a função organizacional: criar personagens, ações, eventos, experiências ou situações que farão parte do enredo, de forma a existir uma ordem temporal no desenrolar dos acontecimentos (CORRÊA, 2007, p. 58-59).

De acordo com a autora, a busca pela valorização da narrativa significou também uma luta pela identidade, que “pode ser lida como uma luta pelo poder e pelo direito de narrar a si mesmo, e não ser narrado por um ‘Outro’” (p. 63). Para Bruner (1993), a autobiografia exerce um papel tão importante nesse contexto literário que o autor afirma não haver algo como a “vida vivida, mas a vida como uma forma de construção criada por meio da autobiografia” (BRUNER, 1993 apud CORRÊA, 2007, p. 63). Corrêa (2007) afirma que, para Bruner (1993), a autobiografia é uma maneira de construir uma experiência, o que depende das convenções e da forma como interpretamos tais experiências, além dos significados impostos pela nossa cultura e linguagem. Por isso, Bruner (2004) descreve a narrativa autobiográfica como instável, já que se torna aberta a influências externas ao texto. De acordo com Corrêa

(2007), as autobiografias podem ser divididas em duas dimensões: a dimensão que se dedica a interpretar a vida de um sujeito, sendo essa de ordem singular; e a dimensão coletiva, que possibilita uma renovação da leitura a partir da interpretação de diferentes sujeitos. Assim, segundo a autora, apesar de não podermos descontextualizar a autobiografia de seu lugar e tempo, ela é passível de interlocutores que dialogam com o que a constitui. Por isso, a autora afirma que a autobiografia se envolve em um discurso de testemunha, ou seja, o leitor não se torna passivo diante da leitura do texto, mas participa dos fatos à medida que os interpreta. A autora ainda acrescenta que esse tipo de narrativa oferece ao leitor variadas perspectivas, por meio das quais o leitor pode “’reler’ o passado e outorgar-lhe sentido, trazendo, a cada nova perspectiva, uma versão de um dado momento” (CORRÊA, 2007, p. 65).

Segundo Corrêa (2007), dentre as diversas narrativas autobiográficas, a autobiografia afroamericana teve seu início apenas na segunda metade do século XX, quando surgiu alguns anos após a autobiografia de autoria masculina (CORRÊA, 2007). Segundo Washington, (1990) e Genovese (1990), o surgimento das autobiografias femininas foi resultado de um processo de conscientização do povo africano, principalmente resultante dos Movimentos Feministas e do Movimento pelos Direitos Civis.

Segundo as autoras, as mulheres que compartilhavam suas histórias sobre a escravidão, ao contrário dos homens, lidavam com questões de raça e gênero, o que trazia questões diferentes daquelas presentes até então no arcabouço literário afroamericano. Porém, Corrêa (2007) chama atenção para o fato de que essas mulheres chegavam à conclusão de que “o senhor havia mudado, mas o castigo não” (p. 68), já que narravam sobre a ausência de voz vivida na escravidão enquanto viam um futuro ainda sem voz na literatura pela sua condição de mulher. Ainda assim, a autora acredita que, para essas mulheres, narrar sua vida era uma forma de ato político que, por pertencerem a um grupo de individualidades negras e femininas, formavam um coletivo, que ganhara força. Nessa perspectiva, Bhabha (2005), defende a ideia de que “esses ‘entre-lugares’ fornecem o terreno para a elaboração de estratégias de subjetivação – singular ou coletiva – que dão início a novos signos de identidade e postos inovadores de coolaboração e contestação, no ato de definir a própria ideia de sociedade” (p. 20). A identidade feminina negra teve seu reconhecimento somente a partir dos anos 1960, com o surgimento do nacionalismo negro e, então, nas décadas seguintes, com os movimentos sociais e identitários (CORRÊA, 2007), como o exemplo de Maya Angelou, autora de textos autobiográficos escolhidos para as atividades aplicadas durante a pesquisa aqui relatada. Vê-se na escrita de Angelou a busca pela identidade negra e a luta pela

individualidade feminina, mantendo sempre o tom político dos contextos representados (CORRÊA, 2007).

De acordo com Corrêa (2007, p. 87):

O ato de lembrar, ordenar as memórias e registrá-las é uma forma criativa que possibilita uma forma de autoconhecimento e uma reformulação da responsabilidade do indivíduo para com seu “eu”, pelo crescimento pessoal, por meio da interação entre o passado e o presente e entre influências internas e externas do meio

Portanto, segundo Corrêa (2007), a narrativa autobiográfica de Maya Angelou sugere, representar tantas outras histórias narradas que não tiveram tamanha visibilidade, mas que são importantes para a formação identitária de homens e mulheres negros acometidos pelo sistema escravo. Por isso, essas narrativas se fazem tão necessárias em ambiente escolar, à medida que se cria a oportunidade de o aluno interpretar e dialogar com essas histórias, propiciando uma ampliação de sua perspectiva e quiçá, uma transformação.