2. GENEL BİLGİLER
2.7. Renkli Görme
2.7.1. Görsel pigment ve spektral duyarlılık
Optamos pela reconstrução da história do movimento operário no Brasil, dando início a este capítulo, de maneira a podermos compará-la à realidade, norte Americana, tanto em sua origem quanto em seu desenvolvimento.
Quando se fala em trabalho no Brasil, é preciso levar em conta que o movimento operário surgido com a indústria já carregava consigo marcas do período anterior ao século XX, por exemplo.
Nossa nação nasceu fundando sua economia na mão de obra escrava e apesar de não existirem fábricas naquele momento – mesmo inserido dentro do chamado
sistema de fábrica300 -, os movimentos desses trabalhadores (porque houve muita resistência dos escravos ao trabalho forçado301) eram combatidos, como serão os movimentos do operariado brasileiro no início de nossa industrialização. Com leis de exceção e grande repressão.
Como nos esclarece o professor Sérgio Adorno:
“Certamente a escravidão deixou marcas. Por que se lidou com o escravo com muita violência? Porque o escravo era coisa, não era pessoa, era mercadoria. Por isso, a idéia de que você decide o que quer fazer com a mercadoria, se quer dispor dela produtivamente ou improdutivamente. Resgatar a dimensão de humanidade dos escravos é uma tarefa cultural imensa na sociedade. (...) O problema é que a sociedade brasileira construiu um Estado que, durante muito tempo, foi de proteção das classes proprietárias contra o resto da população. Vivemos em uma sociedade de fundo conservador, uma sociedade com muitas dificuldades
300 O historiador Edgard de Decca considera os engenhos coloniais prefigurações do espaço fabril.
DE DECCA, Edgard. O nascimento das fábricas. Tudo é história nº51, São Paulo:Brasiliense,1982.
301 Só para citar alguns , temos: a Revolta dos Malês ; a Revolta dos Alfaiates e o próprio Quilombo
de promover rupturas”.302
Um ponto importante a se destacar e que nos distancia daquela história do início da revolução Industrial na Europa, por exemplo, é que aqui, por termos tido a escravidão e termos sido governados por fidalgos e nobres - diferentemente do que ocorreu, por exemplo, no norte dos EUA, colonizado e dirigido pela burguesia protestante, que via no trabalho a salvação da alma -, todo o trabalho manual sempre foi visto como aviltante. Quando os próprios aristocratas do café aplicaram seu excedente na montagem de indústrias têxteis303 e passaram a contratar mão-de-obra, sua posição com relação ao trabalho não mudou, o trabalho deveria ser reservado para seres inferiores socialmente. Esta visão, em grande parte, perdura no Brasil até hoje. A política de branqueamento da sociedade brasileira, iniciada logo após a abolição da escravatura, propunha a importação de trabalhadores estrangeiros tanto para a manutenção da produtividade agrícola – já que não se desejava pagar a ex- escravos para continuar nas fazendas de café trabalhando - quanto para suprimento de mão-de-obra para a industrialização nascente. Os patrões brasileiros tratavam o trabalhador estrangeiro como haviam tratado os escravos, com desdém e sem compromisso, apesar de defenderem que o trabalho do branco, por ser branco, era melhor do que o do negro. Ocorre, porém, que esses imigrantes , ao contrário do que podiam pensar os aristocratas no Brasil, traziam idéias e experiências diferentes daquelas que caracterizavam a resistência do negro. Influenciados, em suas ações, por essas idéias e experiências – socialistas e anarquistas -, representaram nova realidade de luta em nosso país.
As rebeliões regenciais, por exemplo, são consideradas por alguns autores304 como precursoras dos movimentos operários, já que muitas contavam com a participação popular. Ocorre, porém, que delas - em termos de tática e exemplo - , pouco sobrou que alimentasse uma ação de resistência popular futura, pois todas foram rechaçadas com muita violência. Isto não significa, quando do desenvolvimento do movimento operário no Brasil, que este não resistiu às formas de exploração.
302 Entrevista para a Revista Cultural E. dezembro 2007 nº6 ano 14 pág.11
303 “Um papel não menos importante foi desempenhado também pela proibição do tráfico de escravos
em 1850. O fim do comércio de escravos liberou cerca de 15/20 mil contos de réis (8,7/11,6 milhões de dólares) gastos anualmente com a compra de escravos até então” STEIN, St.J. The Brazilian Cotton
Manufacture. Textile Enterprise in an Underdeveloped Area, 1850/1950. Harvard University Press Cambridge, Mass,1957, p.6 APUD KOVAL, Boris, op. cit.
O movimento operário brasileiro, apesar da diferença do que ocorria na Europa e nos Estados Unidos, contaria com um ponto favorável. Como a renda se concentrava mais no sudeste do Brasil e por isso mesmo, aqui se desenvolveram mais fábricas, era aqui, também, que se concentraram mais operários305. Nosso tamanho territorial continental, que serviria para dispersar estes grupos de imigrantes, vindos para trabalhar nas fábricas e nas indústrias - apesar de sua heterogeneidade étnica, que contribuía para a dispersão -, não impediu que aqui ficassem juntos e, portanto, unidos como operários, principalmente nos períodos de crise da indústria.
Como afirma Dainis Karepovs:
Quase ao mesmo tempo em que houve a queda da monarquia no País teve início o processo de organização dos trabalhadores brasileiros. Numericamente reduzidos e com pouca experiência, faltava-lhes, de um lado, um forte lastro de tradições organizativas, seja em nível partidário, seja no campo sindical, e, de outro, uma maior presença na sociedade. A participação política de parte significativa da vanguarda da classe operária brasileira nas primeiras décadas da história republicana do País foi muito limitada e teve forte influência das idéias anarquistas, que estimulavam a abstenção nos processos eleitorais e davam grande ênfase à chamada ação direta, como forma de atuação política.306
Poderíamos dizer que surgiram com a República os primeiros movimentos significativos que demonstram a formação de uma classe operária – próxima do conceito marxista - no Brasil. Os primeiros grupos de trabalhadores livres do período do Império, por falta de organização e identificação de classe, pouco puderam contribuir para a constituição de uma identidade trabalhista entre nós. Foi durante a República, como nos diz Karepovs, que mesmo sem um histórico de organização, e sob forte influência anarquista, tivemos as primeiras manifestações importantes da classe operária brasileira. Como destaca Boris Fausto, a greve de 1917 foi um exemplo para os trabalhadores brasileiros. Julho de 1917 assumiu na memória social o sentido de um ato simbólico e único. Símbolo de uma mobilização de massas impetuosa, das virtualidades revolucionárias da classe operária, de organizações
305 Apesar da afirmação de Francisco Foot Hardman e Victor Leonardi de que a indústria, no Brasil, em
seu início, era muito espraiada, ainda assim, a maior concentração de fábricas, em termos numéricos, estava na região sudeste. FOOT HARDMAN, Francisco e LEONARDI, Victor. História da Indústria e
do Trabalho no Brasil. São Paulo: Ática,1991. Pag. 2.3
306 KAREPOVS, Dainis. A Esquerda e o Parlamento no Brasil: O Bloco Operário e Camponês (1924-
sindicais representativas, não contaminadas pela infecção burocrática (...). Por sua vez, longe de ser um fenômeno isolado, abre com um imenso eco uma fase de ascenso do movimento operário307 Descrita por Everardo Dias, esta greve nos mostra bem como foi este enfrentamento, classe operária versus classe dominante.
“A greve está generalizada em toda a cidade. O comércio fechou, as ruas
do centro estão desertas. Nenhum veículo, a não ser algum do Corpo de Bombeiros conduzindo praças armadas e sonolentas, esgotadas pelas vigílias. Há tiroteios em todos os bairros proletários, desde o Brás até à Lapa. O delegado geral distribuiu aos jornais um boletim pedindo “ao povo pacífico se recolher a suas residências, pois vai manter a ordem, mesmo à custa do emprego de meios os mais enérgicos”. O movimento das ruas é, mesmo assim, enorme, pois toda a população se mistura, quer saber o que vai suceder nos bairros fabris do Brás, da Mooca, do Cambuci, do Bom Retiro, da Barra Funda, da Água Branca, da Lapa. Durante a noite, bandos de volantes de populares quebram os combustores e globos de luz de grande número de ruas e praças, deixando tais logradouros na penumbra.”308
A greve chegou a contar com 45.000 participantes, no ponto mais alto do movimento. Iniciada em São Paulo, teve a adesão de trabalhadores de várias cidades do interior de São Paulo, e até da Federação Operária do Rio de Janeiro. O governo Estadual Paulista, em sua repressão, contou com o apoio das forças federais, que deslocaram tropas para a cidade e dois navios de guerra para o porto de Santos. Homens mulheres e até menores trabalhadores uniam-se em Ligas Operárias de bairros organizadas pelos anarquistas. Era o movimento operário brasileiro que florescia, influenciado, também pelas idéias e a vaga revolucionária internacional que varriam o mundo.309
A greve surtiu alguns efeitos. Patrões resolveram aceitar uma série de reivindicações solicitadas pelos grevistas310 - melhores condições de higiene no trabalho, amparo ao trabalho do menor, 8 horas de trabalho diário -, os poderes públicos comprometeram-se a fiscalizar as condições de trabalho e o movimento foi
307 FAUSTO, Boris. Trabalho Urbano e Conflito Social. São Paulo:Difel, 1983, págs.192 308 DIAS, Everardo, História das Lutas Sociais no Brasil. São Paulo:Alfa-Omega,1977, pág.298 309 FAUSTO, Op.cit. pág.197
310 “A 13 de julho, algumas grandes empresas ( Matarazzo, Companhia Mecânica Importadora,
se dispersando. O que ocorreu em seguida foi uma violenta repressão às greves e aos anarquistas, que acabaram perdendo sua força para outras tendências que surgiram, principalmente, para os comunistas. Os sindicatos anarquistas, socialistas e depois comunistas, a partir de 1922, foram sufocados pela onda de repressão que se abateu sobre os trabalhadores. A tentativa de organização, tanto da representação política, com o BOC – Bloco Operário e Camponês311, quanto da formação e manutenção de sindicatos independentes foi sufocada.
O controle do Estado sobre o movimento operário, a partir desta experiência de 1917, foi cada vez mais eficaz. Leis e mecanismos de repressão e não reconhecimento de instituições operárias como legais colaboraram para que as tentativas do operariado de despontar como classe ativa312 no Brasil fossem, antes de 1945, abortadas.