2. GENEL BİLGİLER
2.6. Böceklerde Görsel Obje Algılama ve Ayırım
2.6.1. Şekil/model tanıma ve ayırımında kullanılan mekanizmalar
Jacob Liebstein, nascido na atual Belarus, migrou com sua família para os Estados Unidos em 1907, estabelecendo-se na comunidade judaica de Nova York. Sua vida política teve início nessa cidade quando passou a fazer parte do Partido Socialista, no início do século XX. Em 1919, conseguiu mudar seu nome para Jay Lovestone. Estudou Direito sem terminar a faculdade pois já se dedicava integralmente ao Partido Comunista, fundado em meados do ano de 1919. Integrou o grupo de fundadores do Partido com Benjamin Gitlow e John Reed.
Por volta do ano de 1923, o CPUSA dividiu-se em duas facções, que levaram o Partido a perder grande parte de sua força. Lovestone, a partir de 1929, quebrou com Moscou e foi expulso do Partido porque defendia a tese do excepcionalismo
americano279. Passou a fazer parte da Oposição Internacional Comunista, fundando
um partido comunista de oposição nos EUA que, após mudar seu nome – Labor
League of America -, durante o período de expurgos de Stálin, dissolveu-se em 1941.
Lovestone ingressou na ILGWU - International Ladies' Garment Workers' Union280 - e lá fundou sua base de ação, cujo plano era eliminar a influência dos comunistas no movimento operário. Contou com o apoio do presidente desse sindicato, David Dubinsky, que o apresentou à AFL, onde passou a fazer parte da
Free Trade Union Committee junto com George Meany, tesoureiro da grande
Central Sindical.
Com Irving Brown , líder trabalhista anti-comunista, desenvolveu atividades dentro da American Institute for Free Labor Development, uma organização patrocinada pela AFL, cuja função era organizar sindicatos “livres” na Europa e América Latina sem a participação de comunistas. Seu trabalho era apoiado pelo Departamento de Estado e foi principalmente durante o início da “Guerra Fria” que Lovestone passou a colaborar com a CIA, fornecendo informações sobre a presença
279 Crença que provavelmente foi cunhada por Alexis de Tocqueville , de que os Estados Unidos ocupa
um nicho especial no mundo por causa da sua colonização e organização econômica, o que o torna privilegiado entre as nações do planeta. Lá, devido sua pujança econômica a classe trabalhadora deve trilhar caminhos de liberdade, sem influências externas . Verificar Revista Problemas numero 07 de fevereiro de 1948 onde Willian Z. Foster , presidente do PC dos Estados Unidos, em artigo de 19 páginas faz a critica da idéia de “excepcionalismo americano”. Pag. 144-162.
280 O sindicato dos trabalhadores nas indústrias de roupas femininas , instituição muito forte nos EUA ,
comunista dentro de sindicatos latino-americanos e europeus. Jay permaneceu nessa função, dentro da AFL, até o início da década de 60, cumprindo o trabalho de inteligência com o intuito de combater a influência do Movimento Comunista entre os operários do mundo. De 1963 em diante, foi indicado para o cargo de diretor do Departamento dos Assuntos Internacionais (International Affairs Department - IAD) da AFL-CIO, que chegou a receber milhões de dólares da CIA, como auxilio, no combate às atividades comunistas internacionais, em especial na América Latina.281
A grande Central Sindical AFL apresentava características bem próximas daquelas abraçadas pelo Departamento de Estado no que se refere às questões de Assuntos Internacionais, principalmente, aqueles ligados ao combate a Comunistas e Nacionalistas entre os operários.
Robert J. Alexander, assim como Lovestone, foi um elemento muito importante dentro dos planos do Departamento de Estado e da AFL. Sua permanência na Inglaterra, subsidiada pela OCIAA, permitiu-lhe iniciar uma compilação significativa sobre os “problemas” trabalhistas da Europa e a partir daquele momento, engajar-se, como estudioso, nos movimentos políticos e trabalhistas latino-americanos e do resto do mundo. Como afirma John French, Alexander - justamente por seu pioneirismo como Latino-americanista - desempenhou papel central, logo após a Segunda Guerra Mundial, na questão política e do trabalho dentro da ação dos EUA na América Latina. Por cinco décadas, começando pelo ano de 1946, viajou extensivamente como testemunha e ativo participante dos maiores eventos políticos da região do Caribe e da América do Sul.
Em 1946, por exemplo, esteve no Primeiro Congresso Nacional do Trabalho “chefiado” pelo clandestino MUT (Movimento de Unificação dos Trabalhadores)282, realizado em setembro. Auxiliado por Rowell, teve oportunidade de fazer muitas entrevistas e coletar material importante sobre o evento, que serviram de base para a posição adotada por Washington283, complementando o trabalho do Adido
281 Para a história de Jay Lovestone e também de seu papel junto à CIA, consultar : REUTHER, Victor.
The brothers Reuther and the story of the UAW. Boston:Houghton Mifflin, 1976;MORGAN, Ted. A Covert Life. Jay Lovestone. Communist, Anti-Communist, and Spymaster. New York:Random
House,1999;AGEE, Philip. Inside the Company: CIA Diary, New York: Bantam Books, 1976;
HIRSCH, Fred. An Analysis of Our AFL-CIO Role in Latin America or Under the Covers with the CIA. San Jose, CA: F. Hirsch, 1974.
282 O MUT tinha sido extinto pelo governo, porém, junto com o PCB lideraram esse Congresso
283 O material coletado por Robert J. Alexander referente às questões trabalhistas no Brasil, do
governo Dutra até à década de 80, representa material importantíssimo para pesquisa e consulta por parte de historiadores brasileiros do trabalho. Dentre todo o acervo, destacam-se cartas, clippings,
Trabalhista. Passou a trabalhar para o Departamento de Estado, recebendo uma bolsa de estudos da Office of International Exchange of Persons of the State Department para pesquisar no Chile.
Apesar de ter feito parte do Partido Socialista Jovem de Nova Jersey, além de outras agremiações políticas tidas como de esquerda, trabalhou em oito missões para Jay Lovestone, na América Latina, primeiro sob os auspícios da Free Trade Union
Committee e depois para a direção do Departamento Internacional da AFL-CIO284. Colaborou muito com o Departamento de Estado no programa de combate ao comunismo e assessorou diretamente Serafino Romualdi em seu exaustivo trabalho de cooptação de líderes trabalhistas e sindicatos na América Latina.285 Manteve ligação com a AFL até à década de 80.
Serafino Romualdi foi figura de destaque na América Latina como representante dos interesses da AFL e do Departamento de Estado.
Romualdi nasceu em Bastia Umbra (Perugia), Itália em 18/11/1900. Foi editor de um jornal semanal operário em Pesaro, Itália, “Il Progresso”, em 1922. Por oposição ao Fascismo, deixou a Itália e partiu para os Estados Unidos em 1923. Estabelecendo-se em Chicago, tornou-se editor de um jornal operário, “La Parola del Popolo”, filiou-se ao sindicato dos Tipógrafos e em 1928, mudou-se para Nova Iorque, onde se tornou editor de um jornal sindical diário, de língua italiana, “Il Mondo”, de propriedade de italianos ligados ao “Sindicato dos trabalhadores nas indústrias de roupas femininas” (The International Ladies' Garment Workers' Union) e à “União dos Trabalhadores nas Indústrias de Roupas da América” (Clothing
Workers of America). Em 1933, juntou-se ao Sindicato dos Tabalhadores nas
Indústrias de Roupas Femininas “The International Ladies' Garment Workers'
Union” como membro do Departamento de Publicidade e Editoração.
Em 1941, Romualdi esteve em Argentina, Uruguai e Brasil como representante do Comitê para a Itália Livre, dirigindo uma campanha para alistar a população Italiana naqueles países ao lado dos Aliados. Depois de Pearl Harbor,
panfletos de sindicatos, leis trabalhistas, livros e 10 mil entrevistas feitas por ele com presidentes, políticos, líderes trabalhistas, homens de negócio, diplomatas, militares, etc. Seu acervo está depositado na Special Collections and University Archives of Rutgers University, no Estado de Nova Jersey.
284 Seus relatórios enviados a Lovestone sobre suas viagens contém detalhes e francas avaliações sobre
estratégias e táticas desenvolvidas no campo político, em diferentes países da América Latina.
285 FRENCH, John D. “The Robert J. Alexander Interview Collection” IN : Hispanic American
juntou-se ao Staff do CIAA (Coordinator of Inter-American Affairs) de Nelson Rockefeller.
Em 1943, Romualdi retornou aos Estados Unidos, Washington, onde passou a trabalhar na “divisão do trabalho” do Escritório da CIAA. Ingressou na O.S.S. (Office of Strategic Services), permanecendo de Maio de 1944 até Abril de 1945, quando foi indicado para fazer um estudo sobre os efeitos da política dos Estados Unidos na Europa sobre a população européia da América do Sul. Retomou seu trabalho com o ILGWU no outono de 1945 e foi indicado pela Federação Americana do Trabalho (The American Federation of Labor) para estabelecer contato com os trabalhadores da América Latina com vistas à promoção de uma cooperação mais próxima entre os sindicatos democráticos dos dois continentes. Nessa condição, fez centenas de viagens à América Central e do Sul, a começar pelo ano de 1946. Foi um dos membros da delegação do AFL (American Federation of Labor) que visitou a Argentina em 1947 e também um dos delegados na AFL na Conferência de Lima, Peru, em Janeiro de 1948, quando a Confederação Interamericana dos Trabalhadores foi organizada. Mais tarde, em 1951, desempenhou papel de destaque na organização da ORIT (Organización Regional Interamericana de Trabajadores), da qual tornou-se Secretário Assistente e editor do Boletim Inter-Americano do Trabalho.
Em março de 1948, foi indicado representante permanente da AFL. Foi membro da Comissão de união da AFL-CIO que investigava as condições de trabalho na Zona Central em Janeiro de 1949 e membro da delegação norte-americana para as convenções da Confederação Internacional dos Sindicatos Livres (The International
Confederation of Free Trade Unions, ICFTU) que ocorreram em Milão (1951), Viena
(1955) e Tunis (1957).
Romualdi serviu também como delegado e conselheiro do trabalho da ILO nas Conferências da Cidade do México e da cidade de Montreal realizadas em 1946; São Francisco em 1948; Montevidéu, 1960 e Buenos Aires em 1961. Em agosto de 1957, participou da Conferência para Assuntos Econômicos Inter-americanos, em Buenos Aires como conselheiro trabalhista na delegação dos Estados Unidos, assim como na Conferência de Punta-del-Este, em agosto de 1961, quando o Programa “Aliança Para o Progresso” foi lançado. Participou da posse de vários presidentes latino-americanos, tanto como representante quanto como convidado especial.
Em 1955, após a fusão da AFL com a CIO, foi nomeado Representante Inter- Americano da nova organização e Secretário Executivo do Comitê Inter-Americano AFL-CIO. Tornou-se, também, a partir de 1961, Diretor Executivo do Instituto Americano para o desenvolvimento da Liberdade do Trabalho (The American
Institute for Free Labor Development - AIFLD), onde desempenhou papel de
destaque. O Instituto, uma organização sem fins lucrativos, sustentado por governo, negócios e trabalho, selecionava e treinava jovens líderes de nações da América Latina e Caribe nos fundamentos do sindicalismo, processos democráticos e defesas táticas contra a infiltração de totalitários ou trapaceiros e do papel dos sindicatos na comunidade.
Afastou-se de suas funções na AFL-CIO e na AIFLD em setembro de 1965 para encarregar-se de consultoria do trabalho e completar suas memórias, obra intitulada Presidents and Peons, publicada 1967 por Funk and Wagnalls. Serafino Romualdi morreu em novembro de 1967.
A carta enviada por Spruille Braden, Assistente de Secretário de Estado para Assuntos inter-Americanos, a Serafino Romualdi em março de 1946 é a evidência que determina o início da parceria entre a AFL e o Departamento. Após a reunião solicitada por Braden, os preparativos foram postos em prática.
Ainda em março Edward Rowell em memorando enviado a Paul Daniels, analisava a influência que os comunistas passavam a exercer junto `a classe operária no Brasil. Rowell afirmava que os comunistas somente haviam se tornado populares porque “a massa está enfrentando a pobreza, miséria e fome” e, naquele momento , não haveria , no Brasil, nenhum outro grupo ou partido que pusesse representar seus anseios. Propunha, então um caminho para “eliminar o PCB” :
“O governo ou a classe produtora deveriam desenvolver um programa que resultasse num genuíno aprimoramento das condições de vida da classe operária para que os elementos que os explorassem fossem eliminados.”286
Desde o começo de junho daquele ano, então, Washington já despachava
circulares restritas às embaixadas dos países por onde Romualdi iria passar, assim
286 Memorando de Rowell para Paul Daniels, de 14 de Março de 1946, anexado em carta de Clarence
C. Brooks para o Departamento de Estado, em 18 de Março de 1946, Desp. No. 4526, RG59 – DF 832.5045 - DS/USNA.
como aos seus respectivos consulados, orientando sobre como recebê-lo e a atenção que deveriam lhe dar.
A missão de Romualdi na América Latina, era uma estratégia do “Free Trade
Union Committee” no combate ao crescimento da influência da CTAL287 e dos comunistas junto ao movimento operário. O “tour”, como o próprio Serafino Romualdi chamou sua viagem pelos países americanos, durou 12 semanas e percorreu Venezuela, Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e México.288
O aerograma enviado pelo Departamento de Estado às embaixadas orientava suas representações e além de anexar seu programa pela América Latina, afirmava que sua viagem, que teria início no dia 15 de junho a partir de Miami, contribuiria muito para o estabelecimento de relações amistosas com os trabalhadores latino- americanos. Destacava que o estudo sobre a situação dos operários na Argentina, que ele faria junto a representantes da Federação Chilena de Trabalho e Belarmino Tomás, líder operário espanhol exilado, daria subsídios importantes ao Departamento sobre a CGT e a situação do operariado naquele país.
O governo norte-americano combatia Perón e o Peronismo desde a organização do “governo dos militares” GOU – Grupo de Oficiais Unidos em 1943, que era chefiado por Perón. A partir de 1945, Spruille Braden, então embaixador dos EUA na Argentina, promoveu a unificação das forças de oposição, com a presença da União Industrial, da Bolsa de Comércio, dos sindicatos opositores e até dos Comunistas. Durante sua breve gestão como embaixador, Braden atuou como um líder político de oposição, violando, inclusive, a política de Boa Vizinhança do governo de Washington. Era uma evidente violação do principio de não intervenção nos assuntos internos de um país estrangeiro determinado, inclusive, pelas Conferências Americanas, chefiadas pelos Estados Unidos anteriormente.289
Naquele aerograma, o Departamento de Estado ainda orientava as embaixadas quanto ao silêncio necessário a respeito do patrocínio do governo Americano às
287 A CTAL Confederación de Trabajadores de America Latina , liderada pelo advogado e marxista
mexicano Vicente Lombardo Toledano, havia participado em 1945 da criação da Federação Sindical Mundial de tendência comunista , em outubro em Paris. Sua influência na América Latina era grande e seu combate ao plano da AFL, de envolver trabalhadores latino-americanos em seu projeto de formação de uma Grande Central Sindical Americana , era notório.
288 ROMUALDI, Serafino. Presidents and Peons. Recollections of a Labor Ambassador in Latin
América. New York: Funk & Wagnalls. 1967. Pag. 41-42.
atividades do Sr. Romualdi290. Pedia, no entanto, que suas representações diplomáticas enviassem relatórios sobre as visitas de Serafino.291
Respondendo às ordens de Washington, Clarence C. Brooks, conselheiro para assuntos econômicos da Embaixada, enviou para o Cônsul Americano em São Paulo um aerograma, de circulação restrita – com cópia para o Departamento -, dando conta de que, quando esteve no Rio, entrevistou-se com o Embaixador da Itália, com vários elementos da colônia italiana e visitou sindicatos que representavam o ponto de vista do governo, além de ter se encontrado com membros do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).292
O Cônsul Cecil Cross, por sua vez, em carta enviada ao embaixador Willian D. Pawley, destacava pontos importantes da visita de Romualdi, assegurando que foi um sucesso pois, por suas mãos, o representante da AFL pode reunir-se com lideranças trabalhistas importantes do Estado. Terminou dizendo que Romualdi recebeu muito bem repórteres paulistas indicados por ele e que propôs que um pequeno grupo de líderes trabalhistas paulistas visitassem os Estados Unidos para ter contato com os métodos e a organização da AFL.
Os jornais de São Paulo, como o Diário de São Paulo e o Correio Paulistano, por exemplo, noticiaram, em manchete, a presença do representante da Federação Americana do Trabalho, na capital do estado, e destacaram o projeto da AFL, que propunha a união dos trabalhadores brasileiros a essa grande Central Sindical. Ressaltaram, também, a luta de Serafino contra a “influência vermelha” no seio do operariado brasileiro, quando
“ele afirmou que a AFL faria uma frente única latino-americana contra o comunismo, elevando o nível de vida do trabalhador e melhorando as suas condições de trabalho, por meio da industrialização”.
Para Romualdi, esta seria a estratégia que levaria à morte tão nefasta doutrina.
290 Dois eram os motivos, o primeiro relacionava-se `as questões diplomáticas de não interferência nos
assuntos internos brasileiros e o segundo referia-se ao medo de criticas por parte da CIO, de que o governo americano pudesse estar favorecendo aquela central sindical (AFL) ao invés desta. Lembremos que o Departamento de Estado precisava do apoio de ambas ao seu projeto de envolvimento nos sindicatos latino-americanos.
291 Aerograma enviado do Departamento de Estado `as embaixadas “Certain American Diplomatic
Officers in the other American Republics”, em 11/06/1946. RG84 Box 370 - 850.4 DS/USNA.
292 Aerograma carta no.198 (Restrita) de Clarence C. Brooks para Cecil M.P.Cross, vistada por Edward
Os periódicos põem em evidência inclusive o seu combate à CTAL, que, segundo depoimento do mesmo, era uma instituição dominada por comunistas. Outros jornais paulistas, também, apresentaram a visita de Serafino Romualdi como um grande acontecimento para São Paulo. Apenas o Jornal Hoje, do Partido Comunista do Brasil, denunciou a visita como um plano de Washington para dividir o movimento operário brasileiro e afastá-lo da União legitima proposta pela CTAL e pela Federação Sindical Mundial (FSM), fundada em Paris aos 3 de outubro de 1945. 293
No Rio de Janeiro, jornais também noticiaram a visita de Romualdi, ocorrida antes de sua ida a São Paulo.
Diretrizes, em sua edição de 26 de junho, noticia sua presença na Capital
Federal sem, no entanto, fazer apologia a seu projeto. Simplesmente registra a entrevista com Serafino, que recorda ter falado à revista Diretrizes294 em sua primeira
visita ao Brasil e que em rota para Buenos Aires, passou pelo Brasil para fazer contato com os amigos trabalhadores brasileiros e estabelecer com eles uma aproximação. Não há referências à CTAL, nem tão pouco à presença dos comunistas entre os operários no Brasil.
O jornal Tribuna Popular, comunista, com grande circulação no Rio de Janeiro, registrou a visita de Romualdi denunciando sua presença como um plano de desmobilização da força operária brasileira e afirmando que a
“AFL era uma organização ligada aos interesses políticos e setores econômicos dos mais reacionários e que as forças sindicais brasileiras repudiariam sua lisonja, principalmente porque não desejavam se unir `a uma Central Sindical que atendia aos interesses imperialistas de Wall Street”295
A recomendação do Departamento de Estado para que suas representações fizessem relatórios sobre a visita de Serafino Romualdi ao Brasil foi especialmente importante pois a existência deste material hoje nos fornece subsídios consideráveis para compreendermos os mecanismos que orientaram o acordo Departamento de Estado-AFL. Esta documentação nos mostra, de um lado, a dinâmica da Central em
293 Diário Popular, 04/07/1946; A Noite, 04/07/46; Jornal de São Paulo, 04/07/46; Correio Paulistano
04/07/46; O Dia, 04/07/46 ; Hoje 04/07/46; Diário de São Paulo, 04 e 5/07/1946; A Hora, 05/07/1946;
294 Diretrizes surgiu como revista mensal em abril de 1938 e circulou até dezembro de 1940 quando
tornou-se um semanário. O periódico saiu de circulação em meados de 1944, fechado pelo DIP, mas reapareceu como jornal diário em 1945. Samuel Wainer foi diretor da Revista e do Jornal.
tentar cooptar lideranças trabalhistas para sua causa no Brasil e de outro, o tipo de relação que havia entre a Central e os “policy-makers” .
Estas evidências são mais claras no relatório enviado ao Departamento de Estado por Edward J. Rowell em 10 de julho de 1946. Aqui, ele apresentava questões importantes e revelações destacadas sobre a estada no Rio de Janeiro do representante da AFL. O relatório restrito, como por vezes ocorre com os apresentados por Rowell, delineava, alem dos dados, opiniões deste Adido Trabalhista.
Rowell, sempre minucioso, relatava o dia da chegada de Romualdi, 23 de junho, e o dia de sua viagem para São Paulo, dia 30, o que somava 7 dias na Capital Federal. Informava que a visita de representante da AFL “parece não ter produzido