O termo turismo que para muitos teóricos ainda não é consensual elaborar um conceito sobre o mesmo, é uma palavra cujo seu radical tem origem do francês tour e que quer dizer volta, ida e vinda do local de partida onde é envolvido um determinado tempo relativamente curto, e que AGUIAR & DIAS (2002: 45) define como “a teoria e a prática de viajar, por prazer”.
No entanto para a ampla maioria dos estudiosos dessa temática, o turismo é qualquer fenômeno que implica em deslocamento temporal de pessoas a determinados locais à procura de lazer, recreação, descanso ou negócios. Sendo assim, turismo é além de uma atividade econômica é também um fenômeno social, e que para muitos é característico da sociedade pós-industrial, que está presente na vida de todos que participam dela, independentemente da diferença de classes, grupos, etnias ou nações.
Socialmente falando, BOULLON (2002:37) considera o turismo como “uma conseqüência de um fenômeno social cujo ponto de partida é a existência do tempo livre e o desenvolvimento dos sistemas de transporte”. Já MOLINA (2001:62) faz uma analise psicológica ao acrescentar que esse fenômeno acontece porque “há uma necessidade psicológica tão grande de viajar, que apenas os graves conflitos políticos podem apagar por completo esse interesse em viajar”.
Em termos quantitativos, o turismo pelo número de deslocamentos internacionais e domésticos, tem crescido a cada ano devido às “facilidades” criadas tanto pelo setor público como privado, que juntamente com a vontade de procurar novos lugares tem-se firmado como um dos setores de atividade econômica capaz de gerar lucros extraordinários. Para CASTELLI (1996:8), o turismo tornou-se “um fenômeno tão marcante no século XX que as
previsões indicavam que por volta do ano 2000 constituiria na primeira atividade mundial em termos de receita e no maior empregador de mão-de-obra”. Também, as projeções para o inicio do século XXI são animadores para os empresários do setor, que segundo CASTELLI (op cit: 8) se traduzem “pelas grandes movimentações de pessoas na procura de novos lugares” que são caracterizados pelas belezas naturais.
A visão mercantilista da natureza pela atividade turística, tem na massificação do uso e apropriação dos recursos naturais, como a ideologia básica na necessidade da busca de novos ambientes e novas paisagens que nos dizeres de RIBEIRO & BARROS (1980:28), “tanto a natureza quanto o exótico tem um novo valor para a economia contemporânea”.
Com isso, a atividade turística insere um novo valor a paisagem, que segundo CORIOLANO (1998:114), “a paisagem transforma como um dos principais atrativos turísticos, decorrendo dela o chamado turismo de paisagem, turismo de natureza ou turismo litorâneo”. Segundo o mesmo autor isto acontece porque ninguém resiste aos encantos, ás emoções e aos prazeres provenientes da contemplação das belezas naturais. Sobre isto, ALMEIDA (op. cit.) acrescenta que para tal propósito, a natureza, em especial as unidades naturais específicas do litoral, tornou-se o recurso turístico mais explorado pelo capitalismo, a partir da segunda metade do século passado.
Não obstante, a relevância do turismo como uma atividade econômica promissora, a mesma tem trazido à natureza sérios problemas que poderão por em causa a própria atividade turística e a todas as outras atividades comerciais e sociais como um todo. De acordo com DIAS (1999) nos últimos anos o turismo se tornou uma atividade crescente, mas seu crescimento desordenado, tem provocado danos às paisagens, as populações nativas e ao meio ambiente das regiões afetadas. Ainda reforçando a visão dualista do turismo, BECKER (1995), defende que o turismo é híbrido, já que ele é, ao mesmo tempo, um enorme potencial de desenvolvimento e um enorme potencia1 de degradação sócio-ambiental. Essa idéia da bifurcação do turismo é defendida também pela Secretária Geral da WWF-Brasil, HAMU (2004), que diz que o turismo pode contribuir sensivelmente para o desenvolvimento sócio- econômico e cultural de amplas regiões e, ao mesmo tempo, em poucos anos, pode degradar o ambiente natural, as estruturas sociais e a herança histórico-cultural dos povos.
Os problemas provocados pelo turismo no nível regional têm implicação global, agindo direta ou indiretamente sobre todas as regiões do planeta. Segundo GOSSLING (2002) as mudanças ambientais iniciadas localmente pelo turismo têm conseqüências globais e agem a nível físico como psicológico. O mesmo autor considera que os cinco maiores setores de
alterações ambientais globais identificadas pela atividade turística são: as mudanças da cobertura vegetal e do uso do solo; aumento de consumo de energia, substituição biótica e extinção de algumas espécies; transformações e dispersão de doenças e também mudanças na percepção e entendimento do meio ambiente através das viagens.
Essas mudanças têm transformado o turismo no mais importante fator causador de impactos negativos nos sensíveis ambientes costeiros e marinhos. Assim, a atividade turística, particularmente o turismo balneário, que segundo CORIOLANO (op. cit. :97) “surgiu no século XX na Europa e se expandiu aos poucos para outros países”, vem se tornando uma atividade impactante, tanto a nível cultural, social e ambiental, já que o ecossistema litorâneo atrai grandes quantidades de população. MACEDO et al (op. cit.) acrescenta que para dar resposta ao turismo, às alterações na paisagem litorânea são as mais diversas, tanto a nível paisagístico como ambiental e social.
No nível ambiental, os impactos, são os mais variados, podendo ser destacado desde a poluição do mar, perdas da biodiversidade até a descaracterização paisagística provocada pela ocupação de equipamentos turísticos e expansão urbana na zona costeira. Nessa mesma linha de idéia, SEABRA (2001:9), postula o seguinte:
“... com o turismo além de crescer a demanda por serviços e infra-estrutura, como, estrada, água, luz, telefone, saneamento, hospitais e policiamento, também, com o aumento geométrico da população nas localidades turísticas vêm à contaminação dos rios, das praias e produção de montanhas de lixo”.
Essas atividades humanas levam a uma série de transformações do espaço geográfico, sendo que muitas delas tem sido degradadoras por não respeitar a natureza (CORIOLANO, op. cit. :86)
Socialmente, o turismo, através do modo de vida dos turistas, é visto como um dos causadores dos maiores impactos nos hábitos e costumes tradicionais da população local. Isto tem levado a cultura dos nativos a um processo de transformação e degradação constante, em que populações locais têm que mudar o seu cotidiano, e, nessa mudança, a lógica da indústria turística se sobrepõe às tradições locais e à própria identidade da comunidade. Tudo isto é sentida através da desorganização da vida social e cultural das localidades, traduzidas
especialmente em novos hábitos de consumo e necessidades monetárias e o abandono das atividades produtivas tradicionais.
As transformações ambiental e social são consideradas por TOMMASSI (1993:19) como impactos ambientais e são definidos como “uma alteração física ou funcional em qualquer componente ambiental, podendo ser favorável ou desfavorável ao ecossistema ou à sociedade humana”. O mesmo autor acrescenta que essa alteração pode ser qualificada e, muitas vezes, também quantificada. Para o “Federal Environmental Acessessment Review Office” apud TOMMASSI (op. cit.:14), vai mais longe e conceitua impacto ambiental como sendo:
“... processos que perturbam, descaracterizam, destroem características, condições ou processos no ambiente natural; ou que causam modificações nos usos instalados, tradicionais, históricos, do solo e nos modos de vida ou saúde de segmentos da população humana; ou que modifiquem de forma significativa, opções ambientais”.
No Brasil, no âmbito federal, com o objetivo de poder regular as ações possivelmente danosas ao meio ambiente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), através da Resolução nº 001/86, define no artigo 1º o que seria impacto ambiental. Os redatores da resolução, conceituaram-no como sendo qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia, resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.
Posto isto, fica demonstrada que a literatura especializada apresenta vários conceitos sobre impactos ambientais, o que demonstra a necessidade de se fazer um marco teórico para a analise dos impactos sociais e ambientais. Para tanto, conceitua-se impacto ambiental como sendo as modificações negativas, podendo ser qualificadas ou mensuradas, que são causadas aos recursos ambientais e aos humanos – aqui percebidos como danos sociais -, com origem na apropriação de um espaço pelo homem para realizar as necessidades e aspirações sócio-econômicas. Ou seja, são as modificações causadas no ambiente físico e social provocadas pelo homem na ocupação de um determinado espaço geográfico.