2. MERKEZ BANKALARINDA İÇ DENETİMİN ROLÜ VE ÖNEMİ 52
2.3 Örnek Ülke Merkez Bankalarında İç Denetim Uygulamaları
2.3.4. Fransa Merkez Bankası’nda (Banque de France) İç Denetim
Da dicção do artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição brasileira, extraímos que, além do direito fundamental à razoável duração do processo, também foi contemplada a garantia fundamental atinente aos meios destinados a conferir celeridade à sua tramitação.
333 O direito fundamental à razoável duração do processo. Brasília : Brasília Jurídica, 2006, p. 94.
334 Reforma do Judiciário e efetividade da prestação jurisdicional. In: TAVARES, André Ramos. LENZA, Pedro e ALARCÓN, Pietro de Jesús Lora (orgs.). Reforma do Judiciário analisada e comentada. São Paulo: Método, 2005, p. 35.
335 O princípio da razoável duração do processo administrativo. In: MEDAUAR, Odete; SCHIRATO, Vitor Rhein (orgs.). Atuais rumos do processo administrativo. São Paulo: RT, 2010, 100 - 107, p. 102.
Por evidente, somente será possível falarmos em um lapso temporal razoável em se tratando do processo nas esferas administrativa e judicial caso haja esses meios destinados a lhe imprimir maior agilidade e rapidez. Em consonância com esse entendimento, a lição de André Ramos Tavares:
assim, esses direitos, ainda que de natureza especial, desacompanhados de outras medidas (até fáticas) que lhes confiram sustentação e realizabilidade, acabarão escoando no vazio, como um conjunto de palavras estéreis, com a agravante de fragilizarem ainda mais a imagem do Poder Judiciário (e, eventualmente, da Constituição, aprofundando a crise de constitucionalidade) ante a população, especialmente no caso de este não apresentar as respostas que estão pressupostas (pelo senso comum) no direito fundamental ‗à razoável duração do processo‘.336
Nessa linha, é possível concluir que a própria previsão de tais meios serve para limitar a amplitude e vagueza do termo ―razoável‖ duração do processo, como faz José Afonso da Silva:
A garantia de celeridade de tramitação dos processos constitui um modo de impor limites à textura aberta da razoabilidade, de sorte que, se o magistrado demora no exercício de sua judicatura por causa, por exemplo, de excesso de trabalho, a questão se põe quanto à busca de meios para dar maior celeridade ao cumprimento de suas funções, prevendo-se mesmo que o Congresso Nacional promova alterações na legislação federal objetivando tornar mais amplo o acesso á Justiça e mais célere a prestação jurisdicional (EC-45/2004, art. 7º).337
Essa idéia de que a duração do processo em um prazo razoável depende de meios, inclusive legislativos (tais como projetos de lei, reformas processuais, etc.), destinados a alcançá-la foi objeto de previsão pela própria Emenda Constitucional n. 45/2004, cujo artigo 7º estabelece:
Art. 7º. O Congresso Nacional instalará, imediatamente após a promulgação desta Emenda Constitucional, comissão especial mista, destinada a elaborar, em cento e oitenta dias, os projetos de lei necessários à regulamentação da matéria nela tratada, bem como promover alterações na legislação federal objetivando tornar mais amplo o acesso à Justiça e mais célere a prestação jurisdicional.
Em relação a esse dispositivo, cumpre observar que fora impetrado mandado de injunção perante o Supremo Tribunal Federal, alegando-se a inércia da União quanto à regulamentação normativa do direito à razoável duração do processo e dos meios aptos a assegurarem a celeridade de sua tramitação, o qual, porém, foi denegado, sob a
336 Curso de direito constitucional. 7. ed. São Paulo : Saraiva, 2010, p. 707.
fundamentação de que os projetos de lei sobre a matéria já haviam sido remetidos ao Congresso Nacional. A seguir, transcrevemos o acórdão lavrado pelo Pretório Excelso:
Mandado de injunção. Alegação (inconsistente) de inércia da União Federal na regulação normativa do direito à celeridade no julgamento dos processos, sem indevidas dilações (CF, art. 5º, inciso LXXVIII). Emenda constitucional nº 45/2004. Pressupostos constitucionais do mandado de injunção (RTJ 131/963 — RTJ 186/20-21). Direito subjetivo à legislação/dever estatal de legislar (RTJ 183/818-819). Necessidade de ocorrência de mora legislativa (RTJ 180/442). Critério de configuração do estado de inércia legiferante: superação excessiva de prazo razoável (RTJ 158/375). Situação inocorrente no caso em exame. Ausência de “inertia agendi vel deliberandi” do Congresso Nacional. ‗Pacto de estado em favor de um Poder Judiciário mais rápido e republicano‘. O direito individual do cidadão ao julgamento dos litígios sem demora excessiva ou dilações indevidas: uma prerrogativa que deve ser preservada (RTJ 187/933-934). Doutrina. Projetos de lei já remetidos ao Congresso Nacional, objetivando a adoção dos meios necessários à implementação do inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição (EC nº 45/2004). Consequente inviabilidade do presente mandado de injunção.338
Aliás, no bojo da própria Emenda Constitucional em estudo, foi contemplada uma série de mudanças tendentes a tornar mais célere o trâmite processual, conforme destaca Alexandre de Moraes:
Como mecanismos de celeridade e desburocratização podem ser citados: a vedação de férias coletivas nos juízos e tribunais de segundo grau, a proporcionalidade do número de juízes à efetiva demanda judicial e à respectiva população, a distribuição imediata dos processos, em todos os graus de jurisdição, a possibilidade de delegação aos servidores do Judiciário, para a prática de atos de administração e atos de mero expediente sem caráter decisório, a necessidade de demonstração de ‗repercussão geral das questões constitucionais‘ discutidas no caso para fins de conhecimento do recurso extraordinário, a instalação da justiça itinerante, as súmulas vinculantes do Supremo Tribunal Federal.339
Em se tratando mais propriamente das medidas legislativas acima mencionadas, verificamos que grande parte delas foram, e ainda são, direcionadas às reformas das leis processuais, as quais não só devem suprimir aqueles obstáculos que geram uma morosidade injustificada ao trâmite processual, como também criar novos mecanismos destinados à acelerar o processo.
A esse respeito, assevera Luiz Flávio de Oliveira:
Trata-se, também, de assegurar a realização de um processo que seja efetivo e garanta o bem da vida como objetivo último. Esta é a necessidade de se obter no ordenamento jurídico processual os instrumentos hábeis, existentes
338 STF, MI 715, decisão monocrática, Min. Celso de Mello, j. 06/06/2005, DJ 22/06/05. 339 Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 94.
ou que possam via a existir, que, efetivamente, venham ao encontro do anseio do jurisdicionado: a apreciação do direito lesado ou ameaçado no menor tempo possível. A solução binômio justiça e tempo.
Este é o motivo pelo qual o adendo da Emenda Constitucional em seu art. 7º informa que o Congresso Nacional instalará comissão especial mista destinada a elaborar projetos de lei com o objetivo de tornar mais amplo o acesso à Justiça e mais célere a prestação jurisdicional.340
Diante disso, verifica-se que variados poderão ser esses ―meios‖ destinados a assegurar a celeridade da tramitação do processo, a depender de regulamentação por lei infraconstitucional.
Como exemplo de leis processuais publicadas logo após a edição da Emenda Constitucional n. 45/2004, podemos citar as seguintes:
a) Lei 11.187/05 (restringe o uso do recurso de agravo de instrumento);
b) Lei 11.276/06 (autoriza o juiz a não receber o recurso de apelação quando a sentença estiver em consonância com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal);
c) Lei 11.277/06 (permite ao juiz dispensar a citação do réu quando a matéria controvertida for de direito e, no juízo, já tenha sido prolatada sentença de total improcedência em outros casos idênticos);
d) Lei 11.280/06 (faculta aos tribunais a disciplina da prática e comunicação oficial dos atos processuais por meios eletrônicos);
e) Lei 11.313/06 (aplica os institutos da transação penal e da composição dos danos civis quando, por conexão ou continência, os processos dos Juizados Especiais Criminais estaduais ou federais são reunidos perante o juízo comum ou o tribunal do júri);
f) Lei 11.232/05 (estabelece a fase de cumprimento de sentença, de modo a agilizar a execução fundada em título judicial);
g) Lei 11.382/06 (modifica o sistema de execução fundada em título extrajudicial, tendo por escopo torná-lo mais célere);
h) Lei 11.417/06 (regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal, que trata da súmula vinculante);
340 A razoável duração do processo na perspectiva dos direitos humanos. In: ALMEIDA, Jorge Luiz de. A Reforma do Poder Judiciário: uma abordagem sobre a emenda constitucional n. 45/2004. São Paulo: Millennium, 2006, p. 101.
i) Lei 11.418/06 (regulamenta o art. 102, § 3º da Constituição Federal, o qual autoriza o Supremo Tribunal Federal a não conhecer recursos extraordinários quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral)
Diante desse contexto, é certo que, não obstante todas as dificuldades que se possam apresentar na busca de um prazo razoável de tramitação do processo, trata-se de um objetivo de extrema relevância a ser alcançado, motivo pelo qual deverá ser perseguido por todos aqueles que lidam com os efeitos nocivos de sua morosidade (operadores e aplicadores do direito, jurisdicionados, servidores do Poder Judiciário, etc.) ou mesmo pelos que, de algum modo, possam contribuir para tal desiderato do Poder Constituinte Derivado (membros dos Poderes Legislativo e Executivo, doutrinadores e demais cientistas do Direito, etc.).
Feitas essas considerações, concluímos esse tópico com as palavras de Pietro de Jesús Lora Alarcón, as quais seguem o raciocínio do que fora até aqui exposto:
São realmente múltiplos os desafios de natureza legislativa que deverão ser enfrentados. Dificuldades há no próprio Estado, oriundas dos que se opõem às mudanças democráticas e que se beneficiam da lentidão judicial. Contudo, é também forte a voz dos que propugnam por uma justiça mais eficiente. A intenção da reforma transparece: acelerar a prestação jurisdicional eliminando obstáculos, favorecendo o trâmite processual rápido e seguro, promovendo reformas que impeçam que a tardança possa ao final eliminar a primazia da Justiça.341
4.5. O princípio da razoável duração do processo no processo administrativo disciplinar
Assim como ocorre com o princípio do devido processo legal, o nosso texto constitucional é expresso ao assegurar o princípio da razoável duração do processo nos âmbitos judicial e administrativo.
Desse modo, dúvida não paira acerca da incidência do aludido princípio ao processo administrativo em geral, abrangendo, dessa forma, o processo administrativo disciplinar. Segundo Odete Medauar:
Em essência, princípio da razoável duração do processo administrativo visa à tramitação sem delongas deste, sem extensos períodos de paralisação, para
341 Reforma do Judiciário e efetividade da prestação jurisdicional. In: Reforma do Judiciário analisada e comentada. TAVARES, André Ramos. LENZA, Pedro; ALARCÓN, Pietro de Jesús Lora. São Paulo: Método, 2005, p. 38.