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Fiziksel Özelliklerine İlişkin Mekân Hatırlamaları

7. ARAŞTIRMANIN ANALİZİ VE YORUMLANMAS

7.2. Bellek Mekân İlişkisi Modelinin Sınanması

7.2.2. Fiziksel Özelliklerine İlişkin Mekân Hatırlamaları

Ao analisar a concepção de Idolatria em Democrates Alter, fica perceptível que Sepúlveda possuía vasto e sólido conhecimento filosófico, especialmente aristotélico. Entretanto, faltava-lhe o conhecimento prático da realidade da Conquista no Novo Mundo. Não presenciou a ação dos conquistadores nesse cenário. Parte das informações que lhe proporcionaram a formulação do Tratado de las justas causas de la guerra contra los indios foram oriundas dos escritos do cronista real Fernandéz de Oviedo, nomeado pelo rei a fim registrar os acontecimentos no Novo Mundo.

O fato de Sepúlveda incitar à condenação dos indígenas por Idolatria revela que essa incitação era resultado de sua própria Idolatria. Idolatria que evidenciava convicção de natureza política demonstrada pela sua dedicação ao rei e aos príncipes, vasto conhecimento e erudição e uma expressiva devoção à Igreja. Estes três elementos exerciam grande poder sobre o humanista. Por causa deles, acreditava que os índios pudessem ser subjugados e mortos e, em seu lugar, instituída uma sociedade espanhola perfeita.

156 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 171.

É fato que diversos elementos influenciaram Sepúlveda na elaboração de seu pensamento referente à aniquilação dos índios por Idolatria através de uma guerra que chamou de justa.

Era difícil para alguém como Sepúlveda, apenas com informações não provadas advindas dos cronistas reais que atuavam nas Índias Ocidentais, admitir que os bárbaros do Novo Mundo possuíssem amplos conhecimentos relativos à existência humana, política, universo, medicina, sociedade, astrologia, matemática, táticas e estratégias de guerra, religião, leis e outros. Muitos espanhóis, especialmente clérigos que atuavam nas Índias admitiam que os indígenas, por exemplo, os astecas, tinham o costume de utilizar a adivinhação cíclica (equivalente à astrologia). Conforme Todorov:

eles dispunham de um calendário religioso, composto de treze meses com duração de vinte dias; cada um desses dias possui um caráter próprio, propício ou nesfasto, que é transmitido aos atos realizados nesse dia e, principalmente, às pessoas que nele nasceram. Saber a data de nascimento de alguém e conhecer o seu destino era função do sacerdote que, ao mesmo tempo, era astrólogo e feiticeiro adivinho [...] Este responde recorrendo a uma de suas técnicas habituais: pela água, pelos grãos de milho, pelos fios de algodão. Este prognóstico, que permite saber se uma pessoa ausente está viva ou morta, se um doente vai sarar ou não, se um marido volúvel voltará para a esposa, prolonga-se em verdadeiras profecias, e vemos os grandes chefes astecas visitarem regularmente o adivinho antes de começar uma operação importante [...] Sem terem sido solicitadas, diversas personagens afirmam ter tido comunicação com os deuses e profetizam o futuro158.

Uma das características da cultura asteca é que sua história é contada em crônicas, possuindo, como fundamentos, as profecias e os presságios. Suas crenças revelavam que nenhum acontecimento poderia ocorrer se não houvesse anteriormente um anunciado que viesse acompanhado de caracteres, como o local de origem, escolha de uma nova localização, tal vitória na guerra ou tal derrota159. Para a compreensão de todos, só poderia

se tornar ato aquilo que foi transformado em verbo.

158 TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p.

64.

Esse tipo de habilidade indígena é um confronto para o homem moderno, que intenciona a revolução política e religiosa de seu tempo, considerando, ainda, obviamente, o seu contexto econômico e social. Sepúlveda está associado a um cristianismo medieval que quer avançar e, via de regra, busca a sua expansão pelo mundo, especialmente onde se podem captar riquezas com mais facilidade. Para esse tipo de conquista, é necessário que haja pessoas como ele, que falem a favor das instituições hegemônicas e legitimem seus projetos mercantilistas. É partidário da “guerra justa” contra os índios e convicto do direito que os espanhóis possuem em torná-los seus escravos; simplesmente, se transforma no principal porta voz dos conquistadores. Sem dúvida, Sepúlveda não faz isso gratuitamente, recebe dinheiro dos encomienderos mexicanos160.

Utilizando a obra de Solorzano Pereira, Política Indígena, Ruggiero Romano reproduz suas palavras, consoante o pensamento de Sepúlveda, expressando-se da seguinte maneira:

Com exceção das terras, prados, pastagens, montanhas e águas que, por graça e

merced particulares, se encontram concedidas às cidades, centros e lugares das

Índias, ou a outras comunidades ou pessoas, o restante é e deve ser da Coroa Real. Tudo, por direito, pertence à Coroa; o rei é quem pode, simplesmente por sua graça, ceder a pessoas físicas ou morais, o jus utendi et abutendi de uma parte dessas terras, sem abdicar, para tanto, de seu direito soberano. As mesmas palavras podem ser empregadas a propósito dos índios, que são todos, originariamente, súditos do rei; podendo este, sempre unicamente por sua graça, confiar tais homens a particulares, permanecendo ele próprio o seu dono161.

Essa autoridade atribuída à Coroa Real logo se tornou comprometida devido a uma série de fatores, entre eles, a indisciplina dos conquistadores e a distância geográfica entre o Novo Mundo e a metrópole espanhola.

O combate à Idolatria, defendida por Juan Ginés de Sepúlveda em seu Democrates

Alter, é racional, violento e usurpador. Seus argumentos são sempre muito previsíveis e

carregados de palavras-chaves. Não há indícios que ele , em algum momento de sua vida,

160 ROMANO, Ruggiero. Mecanismos da Conquista Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1973, p. 49. 161 Ibidem, p. 48.

tivesse manejado armas, entretanto, utiliza-se habilmente das palavras para assassinar gente inocente, isto é, os índios.

2.6 EM QUE CONSISTE A IDOLATRIA INDÍGENA E A SUA