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Bellekte Kalan Mekânlara İlişkin Özellik ve Ölçütler

7. ARAŞTIRMANIN ANALİZİ VE YORUMLANMAS

7.1. Bellekte Kalan Mekânlara İlişkin Özellik ve Ölçütler

Em seu Democrates Alter, Juan Ginés de Sepúlveda defende a guerra contra os índios fundamentando-a em quatro causas principais119. A primeira causa era repelir a força com a força, quando não se consegue agir de outra maneira, ou seja, para rejeitar a agressão injusta; a segunda, recobrar as coisas injustamente arrebatadas; a terceira, impor o merecido castigo aos malfeitores que não fossem punidos na sua cidade ou fossem-no com negligência (essa punição objetivava mostrar a eles e aos que os ajudavam que, após ter cometido um crime, não haveria lugar seguro onde se esconder, pois a lei seria executada); finalmente, a guerra justa se fundamentava em subjugar pelo uso das armas, se não fosse

119 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

possível fazê-lo de outra forma, aqueles que, por condição natural, deviam obedecer, mas se rebelavam.

Após apresentar essas causas, Sepúlveda passa a argüir sobre a sujeição dos bárbaros infiéis, devido às suas práticas religiosas que incorporavam fortemente a Idolatria. Este elemento tornava-se motivo suficiente para deflagrar uma guerra contra eles. A referida guerra teria o apoio do Papa, dos reis e dos investidores da Conquista pelo fato de a Espanha ser uma nação cristã.

O ponto inicial proposto por Sepúlveda para discutir a Idolatria se fundamentava nos ritos sacrificiais de humanos, os quais , segundo ele, eram realizados entre os indígenas. Acreditava que esse aspecto estava radicado historicamente na estrutura religiosa e cultural dos índios e, ao mesmo tempo, era uma forma de veneração ao demônio como se este fosse Deus, tendo como oferenda os corações que arrancavam dos peitos humanos. Afirmava que

Sacrificavam vítimas humanas e, arrancando-lhes os corações dos peitos humanos, os ofereciam em seus abomináveis altares, e com isto acreditavam ter acalmado aos seus deuses conforme o rito, e eles mes mos se alimentavam com as carnes dos homens sacrificados120.

Para Sepúlveda, esse rito compreendia maldades que excediam com certo exagero a perversidade do indivíduo, que podiam ser consideradas pelos cristãos não como ritos religiosos, mas sim crimes abomináveis e, sobretudo, ferozes. Em sua concepção, essa perversidade era decorrente da falta de entendimento, ignorância, insanidade e barbárie dos índios. Por isso, podiam ser conquistados pelo rei Fernando, o Católico, que era excelente, piedoso e justíssimo, e por uma nação humana e excelente, provida de todas as virtudes121. É possível que essa exaltação ao rei esteja relacionada à idéia de que o rei Fernando

120 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 113.

encarnasse a figura do imperador César Carlos122, da Roma Antiga, e a Espanha, um

Império tão imponente e grandioso como foi o Império Romano em sua época áurea, quando as suas conquistas territoriais sucedidas por meio do poder bélico eram intensas. Assim, a Espanha poderia efetuar a conquista dos povos das Índias Ocidentais, pois era uma nação humaníssima e excelente em todo gênero de virtudes123.

Para a consolidação da conquista nos moldes propostos por Juan Ginés, era legal o uso da força militar pela espada e da cruz pela religião, mas que, primeiramente, prevalecesse a superioridade dos seus armamentos, os quais se cunhavam essencialmente pelas armas de fogo, que possibilitavam um maior combate à distância; pelos meios de transporte, como o cavalo; e pelo emprego do aço, ou seja, armas de ataque e de defesa, incomparavelmente resistentes124.

Essa forma de comportamento se justificava pelos pecados, impiedades e torpezas abomináveis que os índios praticavam, aborrecendo e ofendendo a Deus. Aqui, Sepúlveda utiliza como exemplo o episódio bíblico do dilúvio, afirmando que foi pela Idolatria e antropofagia do povo que Deus, no tempo de Noé, destruiu os habitantes da Terra, preservando apenas alguns inocentes125. Outro exemplo bíblico é o relato da destruição de Sodoma e Gomorra. Pelos mesmos pecados, caíram fogo e enxofre do céu, que consumiram as duas cidades, toda a região ao redor e seus habitantes, salvando-se apenas Ló, suas duas filhas e alguns poucos criados justos. O terceiro elemento exemplificador evocado por Sepúlveda diz que, aos judeus , intimou o Senhor que perseguissem com guerra severíssima aos cananeus, amorreus e fereseus e os exterminassem pelos seus crimes e principalmente pelo culto aos ídolos126.

Não faltavam fundamentos bíblicos e teológicos que indicavam a posição favorável de Deus em relação ao extermínio de povos bárbaros, como os cananeus, pela sua adoração aos ídolos.

122 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 113.

123 Ibidem, p. 113.

124 ROMANO, Ruggiero. Mecanismos da Conquista Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1973, p. 13.

125 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 113.

No contexto das Índias Ocidentais, os cristãos são obrigados a submeterem ao seu domínio os nativos infiéis, aplicando-lhes saúde espiritual, convertendo-os à Verdadeira Religião cristã por meio da pregação do Evangelho. Aqui, está implícito um tipo de paganismo religioso. Quanto aos pagãos, Sepúlveda expressa sua aversão, afirmando que, se os índios do Novo Mundo não são cristãos, a classificação que se poderá atribuir a eles é unicamente a de pagãos, e, se são pagãos, são infiéis. A infidelidade, nessa dimensão, é propensa ao justo castigo, pois ali não se encontra gente civilizada e humana que adora ao Deus Verdadeiro, mas, aos ídolos127. A infidelidade dos índios havia se tornado, desde o início da conquista, um dos argumentos mais usado pelos espanhóis para justificar as suas intenções.

De acordo com Sepúlveda, entre todos os delitos cometidos pelos índios, o principal deles era o culto aos ídolos, o qual, somado à infidelidade, paganismo e abominações impiedosas, era passível de castigo. O humanista utiliza os escritos de Santo Ambrósio, cujo conteúdo expressa comentários sobre o castigo dos cananeus, quando foram conquistados pelos israelitas sob a ordem de Deus. Também faz menção a Cipriano. Deste, explora a seguinte afirmação:

E se antes da vinda de Cristo se observavam preceitos acerca do culto a Deus e a reprovação aos ídolos, quanto mais deverão observar depois da vinda de Cristo, posto que ele nos tenha exortado não somente com palavras, mas também com obras? [...] porque não existe coisa mais ofensiva a Deus do que o culto aos ídolos, segundo Ele mesmo declarou mandando no êxodo que por esse crime matasse qualquer irmão, amigo e seu próximo como fizeram os levitas128.

127 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 117.

O uso do pensamento Patrístico129 se ratifica nesse cenário pela sua força doutrinária

sobre as verdades de fé do cristianismo e na defesa dos ataques dos pagãos e heresias contra a Igreja. Assim, não há nenhuma hesitação por parte de Sepúlveda em evocar intensamente os escritos e seus autores para solidificar seu pensamento.

Como era um estudioso do Império Romano, Juan Ginés lançou mão de uma lei promulgada pelo Imperador Constantino referente à extirpação dos ídolos e idólatras do seu Império. A lei proibia o culto aos ídolos, impondo pena capital e o confisco dos bens aos que praticavam sacrifícios ímpios e, também, aos prefeitos das províncias que negligenciassem o castigo a esses crimes. Essa lei foi aprovada pelos cristãos e pelos hereges130.

À Idolatria vinculam-se outros elementos abomináveis para a verdadeira religião, como latrocínio, adultério, usura, abominações e crimes de torpezas. Esses elementos agregados são considerados por Sepúlveda pecados mais graves que se cometem contra a natureza. São delitos perpetrados pelas nações indígenas e, por essa razão, não podem ser ponderados individualmente; e, quando isso acontece, transformam-se em causa pública. Conclui-se, então, que os índios estão sujeitos à condenação também pelos seus costumes primitivos. A saída para resgatar esses naturais que propõe Sepúlveda se encontra no trabalho dos sacerdotes. Afirma que é dever dos clérigos que atuam junto aos índios aplicar- lhes os princípios doutrinários da Verdadeira Religião, o que farão com o favor de Deus,

129 A Patrística é, fundamentalmente, a filosofia da Igreja que traz em si a influência dos filósofos gregos,

como Aristóteles e outros. Foi a Patrística que estabeleceu, a partir dos sete primeiros séculos do cristianismo, o formato litúrgico, disciplina, dogmas, costumes e decisões para o direcionamento da Igreja Católica Romana na defesa contra os ataques dos pagãos e contra as heresias. Costuma ser dividida em três períodos: O

primeiro, que vai mais ou menos até o século III, é dedicado à defesa do Cristianismo contra seus adversários

pagãos e gnósticos (Justino, Taciano, Atenágoras, Teófilo, Irineu, Tertuliano, Minúcio Félix, Cipriano, Lactâncio). O segundo período, que vai do século III até aproximadamente a metade do século IV, é caracterizado pela formulação doutrinal das crenças cristãs; é o período dos primeiros grandes sistemas de filosofia cristã (Clemente de Alexandria, Orígenes, Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Santo Agostinho). O terceiro período, que vai da metade do século V até o fim do século VIII, é caracterizado pela reelaboração e pela sistematização das doutrinas já formuladas, bem como pela ausência de formulações originais (Nemésio, Pseudo-Dionísio, Máximo Confessor, João Damasceno, Marciano, Capella, Boécio, Isidório de Sevilha, Beda, o Venerável). A herança da Patrística foi recolhida, no início do renascimento carolíngio, pela Escolástica. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 746.

130SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

que quer salvar a todos os homens e trazê-los ao conhecimento da verdade131. Recorrendo

ao livro do Eclesiástico, no Primeiro Testamento, registra que Deus encarregou a cada um cuidar do seu próximo, porque todos os mortais são próximos e sócios entre si com aquele gênero de sociedade que se estende a todos os homens132. Nesse processo, a responsabilidade de pastorear um rebanho , do ponto de vista religioso, em específico, cristão, pertence unicamente ao Papa a quem chama de Sumo Sacerdote e aos seus príncipes, que são os apóstolos enviados aos bárbaros infiéis:

Porque a obrigação do pastor não consiste tão somente em apascentar o rebanho que lhe está confiado, senão que quando encontra errante pelas tristezas alguma ovelha de outro rebanho ou de redil alheio, não deve abandonar-lhe, e se facilmente pode fazê -lo, conduzi-los aos mesmos pastos e ao lugar mais seguro para que assim paulatinamente se crie apenas um rebanho e um só pastor133.

Nesta metáfora, toma-se, na prática, os índios como ovelhas; o Papa como Sumo Pastor, e os clérigos e espanhóis como seus pastores, que têm a missão de conduzi-los. Uns e outros são nossos próximos; por uns e outros devemos olhar segundo a lei divina e natural a fim de que se abstenham de seus crimes, especialmente da Idolatria, que mais ofende a Deus134. Sepúlveda recorre aos escritos de João Crisóstomo para realçar esta colocação; segundo o patrístico, não devemos tolerar nem ainda depois de ouvidas as injúrias de Deus, que principalmente se cometem por meio destas abominações, pois que é coisa ímpia dissimular as injúrias de Deus135. Mais uma vez, recorre à Bíblia, elucidando o relato da guerra de Abraão136 contra os quatro reis com o fim de resgatar seu sobrinho, Ló, e seus

131 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 125.

132 Ibidem, p. 127. 133 Ib idem, p. 127. 134 Ibidem, p. 129. 135 Ibidem, p. 129.

136 A narrativa deste fato se encontra nas Escrituras Sagradas, no livro de Gênesis, capítulo 14, no Primeiro

amigos. Isto ele faz para dizer que é louvável aos príncipes castigar pelas ofensas feitas aos seus amigos e parentes137.

Sepúlveda segue apontando um dado estatístico sobre os sacrifícios aos demônios de cerca de vinte mil pessoas inocentes todos os anos na região da Nova Espanha. Para ele, essa realidade incontestável, de acordo com as informações que possui, é, por si só, causa bastante justa para a execução da guerra contra os bárbaros. A guerra, neste sentido, livraria de graves opressões muitos homens inocentes, defendendo-os dos males a que os bárbaros infiéis, não fossem combatidos, haveriam de sujeitá-los. Novamente, a Bíblia é retomada no Segundo Testamento, em especial, a parábola do Bom Samaritano registrada no evangelho de São Lucas, no capítulo 10. Os sacerdotes, príncipes e conquistadores possuem autonomia para defender os indígenas de sua própria cultura e costumes, que instituem imolações, ritos sacrificiais, antropofagia e cultos aos ídolos, atos estes abominados pelos cristãos. Para dar consistência teórica a este posicionamento, recorre a um ensinamento de Santo Ambrósio , o qual afirma

que a lei da virtude consiste, não em sofrer, mas em repelir as injúrias. O que, podendo, não defende ao seu próximo de tais ofensas comete tão grave delito como o que as praticam; tais crimes e as demais abominações tem de ser castigadas mais pelos juízes do mundo, isto é, pelos príncipes seculares do que pelos bispos e juízes eclesiásticos, porque são vingadores da ira de Deus com os que praticam o mal138.

Dessa maneira, por meio do Direito Natural, os cristãos podem reprimir os bárbaros infiéis em suas práticas religiosas pagãs e submetê-los ao jugo do Império Espanhol, pois este, além de ser cristão, é superior nas armas. Por meio da supremacia hispânica no Novo Mundo, os conquistadores podem submeter os infiéis e transformá-los em religiosos.

137 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 129.

E submetidos os infiéis, haverão de abster-se de seus crimes abomináveis ; e com o tratamento dos cristãos e com suas advertências justas, piedosas e religiosas, voltarão à saúde espiritual e à integridade dos costumes, e receberão, felizes, a verdadeira religião com imenso benefício seu, que os conduzirá à salvação eterna139.

Sepúlveda estabelece aqui uma forma de administrar a barbárie dos indígenas por meio da religião. As guerras, defende, devem ser realizadas também com mansidão e clemência, e não tanto como um castigo reparador de males140. Contudo, o rei Carlos, que para ele equivale ao César Romano, príncipe excelente e religioso, tem concedido aos bárbaros das Índias Ocidentais homens públicos, mestres, religiosos e bem-educados para aplicar-lhes as leis espanholas necessárias, com o fim de evitar o caminho da guerra. A resposta imediata dos indígenas é o reconhecimento e aceitação dos espanhóis como os seus superiores em poder bélico e em religião.

Por muitas causas, pois, e muito graves, estão obrigados estes bárbaros a receberem o império dos espanhóis conforme a lei de natureza , e a eles ser-lhes, todavia, mais proveitoso que aos espanhóis, porque a virtude, a humanidade e a verdadeira religião são mais preciosas que o ouro e a prata. E se recusam nosso império, poderão ser compelidos pelas armas a aceitar-lhe, e será esta guerra, como antes temos declarado com autoridade de grandes filósofos e teólogos, justa pela lei de natureza, muito mais justa que a que fizeram os romanos para submeter ao seu império todas as demais nações, assim como é melhor e mais certa a religião cristã que a antiga religião dos romanos141.

Para consolidar esse processo, Sepúlveda considera que somente o papa possui autoridade e autonomia, pois é o representante direto de Deus. Isso é abalizado nas guerras que, na Antiguidade se fizeram por ordem de Deus, registradas nas Sagradas Escrituras, e que não foram injustas. Dessa forma, nas palavras de Santo Agostinho,

139 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 133.

140 Ibidem, p. 133. 141 Ibidem, p. 135.

também temos de considerar por justas as guerras que se fazem com o consentimento e aprovação do Sumo Sacerdote de Deus e dos apóstolos, especialmente as que se dirigem a cumprir um preceito evangélico de Cristo, porque esta é outra causa e certamente justíssima, para fazer guerra aos bárbaros142.

Sepúlveda insiste em afirmar que os espanhóis são um povo cristão que se obriga, por amor ao próximo errante que está longe da verdadeira religião, a mostrar-lhe o caminho correto. Isto é traduzido como um grande ofício de caridade, pois, segundo o preceito evangélico, Cristo manda fazer com os demais homens o que queremos que se faça conosco143. O conhecimento desse caminho se faz por meio dos piedosos ensinamentos e da pregação evangélica; porém, uma ação dessas só teria sucesso após a sujeição e dominação irrestrita dos bárbaros. Tal processo se executa nessa dimensão devido à escassez de pregadores e dos raríssimos milagres, aspectos que o fazem acreditar que os indígenas podem ser conquistados com o mesmo direito com que podem ser compelidos a ouvir o evange lho144.

Sepúlveda detém informações que , em diversos lugares, vários frades pregadores foram mortos pelos bárbaros. Como exemplo, ele cita o Frei dominicano Pedro de Córdoba, que foi sacrificado na Ilha Espanhola juntamente com seus companheiros (fato que se repetiu em Cubagua pelos bárbaros inimigos da religião cristã e no interior de Nova Espanha, quando Juan Padilha e Antonio Llares, em companhia de alguns outros religiosos, foram degolados); somadas a isto, estão a destruição de um templo, a profanação das vestes sagradas e o escárnio das cerimônias do santo sacrifício da missa145. Assim, é necessário ampliar a doutrina e as admoestações para repelir o terror, as torpezas e o culto aos ídolos. A dominação, para que não pareça iníqua, e para que proporcione por completo a anulação dos atos insanos e bárbaros, deve vir acompanhada do ensino. Feito isto, esses homens poderão entrar no caminho da salvação e fazer parte da comunhão da Igreja. Somente a luz

142 SEPÚLVEDA, Juan Ginés de. Tratado Sobre las Justas Causas de la Guerra Contra los Índios. México:

Fondo de Cultura Econômica, 1987, p. 135.

143 Ibidem, p. 137. 144 Ibidem, p. 139. 145 Ibidem, p. 145, 147.

da verdade pode afugentar as trevas e romper com os maus costumes dessa gente infiel. Havia consciência em Sepúlveda de que essa era uma forma agressiva que resultaria na modificação dos hábitos identificadores dos indígenas e suas origens ; entretanto, não há outra alternativa de domesticação das populações bárbaras das Índias Ocidentais a que se possa servir a Espanha no cumprimento do seu direito de conquistar outras nações.

Não existe, para Sepúlveda, outra nação que tenha o direito concedido pelo Papa de conquistar e ocupar terras desertas. Nessa causa, o direito pertence à nação que seja mais prudente, melhor, justa e mais religiosa; e, em todas estas coisas, poucas nações, na verdade, são as que podem comparar-se à Espanha146. Assim, o império dos bárbaros infiéis do Novo Mundo, com o seu ouro, prata, pérolas e todos os demais bens e riquezas, pertence legalmente aos espanhóis.

Toda a região e o quanto nela existem, os mares e os rios, são da república ou dos príncipes, como ensinam os juristas, ainda que sejam para certos usos comuns. Os homens que ocupavam aquelas regiões careciam do cuidado dos cristãos, de pessoas civilizadas; ademais , pelo decreto e privilégio do Sumo Sacerdote de Cristo, à cuja potestade e ofício pertence apaziguar os conflitos entre os príncipes cristãos, evitar que aconteçam e amp liar por todos os caminhos racionais e justos a religião cristã, o sumo Pontífice concedeu a este império, a quem teve por conveniente147.

Aqui a referência aponta para a relevância das bulas Papais e dos tratados que definiam a quem pertenciam as terras conquistadas e não conquistadas. Essas bulas tinham um caráter sagrado para o mundo medieval.