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3. ÇOCUKLUK DÖNEMİ VE BELLEK

3.1. Çocukluk Döneminde Bellek Gelişim

bairro Rudge Ramos, é preciso que lancemos mão do fator histórico de formação dessa igreja, a fim de compreender a sua forma de organização e se essa forma condiz com os estratos sociais até aqui abordados ou não. Para tanto, dedicaremos uma parcela de nossa análise à estrutura organizacional, a fim de compreender se essa mesma estrutura corresponde à igreja do bairro em questão.

A Igreja Presbiteriana está há 35 anos ali estabelecida e conta com 150 membros aproximadamente, entre conversos e os que a frequentam sem serem filiados. A igreja pode ser configurada dentro do modelo tradicional/burocrático de dominação, na medida em que conta com um sistema religioso que se configura

18 Os dados referentes a tal constatação serão amplamente discutidos no capítulo 3 da pesquisa. A observação de

que as pessoas que freqüentam essas denominações possuem características de pessoas de classe média, deve-se à pesquisa de campo que foi realizada que constava de um trabalho etnográfico de observação dos cultos e de um questionário aplicado aos membros de tais igrejas.

como tendo um tipo de dominação baseada na crença cotidiana na santidade das tradições vigentes desde sempre e na legitimidade dos que, em virtude dessas tradições, representam a autoridade. (WEBER, 1971)

Os pressupostos legais que garantem a funcionalidade de tal denominação são mantidos, via de regra, por um conjunto de leis que são outorgados e observados por aqueles que mantêm a liderança dentro da igreja, ou seja, o pastor e os presbíteros. Aos fiéis cabe a observância de tais regras e a sua aceitação e funcionalidade, a partir da observância dos textos sagrados como a Bíblia e os fiéis têm uma participação na eleição dos presbíteros.

A Igreja Presbiteriana apresenta um tipo de dominação de caráter racional ou legal,19 pois sua legitimidade reside nas ordens estatuídas. Os detentores do poder são obedecidos não por direito próprio, mas em virtude das regras, que podem ou não ser modificadas por meio de processos previstos pelo próprio texto legal. 20

Verificamos esse modelo em tal denominação, a partir das constatações feitas num estudo de campo e a partir da análise histórica da mesma. A Igreja Presbiteriana do Brasil conta com uma forma de organização caracterizada pelo governo de um Presbitério, que é uma assembléia de presbíteros, ou anciãos. Essa forma de governo foi desenvolvida como rejeição ao domínio por hierarquias de bispos individuais, como a forma de governo episcopal e foi herdada dos movimentos da Reforma Protestante na Suíça e na Escócia pelos calvinistas, com as igrejas reformadas.21Nesse tipo de governo tradicional, seus líderes enfatizam a

contenção racionalizante calvinista, ou seja, adotam uma postura mais racionalista em seus rituais.

19 Há de se levar em conta que o modelo burocrático de dominação, analisado por Weber, admite como

característica o caráter da racionalidade, que se enquadra nos pressupostos gerais da dominação burocrática, mas que não deixa de ser assim caracterizada.

20A CI/IPB é um documento redigido em 20 de julho de 1950, que contém as leis promulgadas para a IPB e que

junto com os Símbolos de Fé da IPB (os documentos da Assembléia de Westminster do século XVII), por comparação com a Bíblia, imutável, e com as decisões dos concílios, mais abertas a emendas ou reformas, “esta Constituição, a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve, em vigor na Igreja Presbiteriana do Brasil, não podem ser emendados ou reformados, senão por iniciativa do Supremo Concílio" (CI/IPB, Art. 139). Para que haja emendas ou modificações que atinjam parte da IPB, é necessário haver 2/3 dos votos para que o assunto seja enviado ao Supremo Concílio para ser aprovado e a aprovação de 3/4, para modificações doutrinárias ou para modificação de parte dos documentos legais.

21A forma de governo tradicional vigente entre os protestantes denominados históricos é amplamente

aprofundada por Fernandes (1994), como sendo uma forma de governo surgida a partir da Reforma Protestante e que se constituiu mais tarde numa tentativa de ser uma alternativa de sobrevivência dentro do contexto evangélico contemporâneo.

A Igreja Presbiteriana em Rudge Ramos é conservadora nesse sentido e tem na figura do pastor, a representação de uma autoridade sacerdotal, que numa ordem estabelecida nos cultos, desenvolve uma liturgia ritual que se fundamenta na rotinização das práticas e dos discursos. O poder racional/legal de tal denominação, é verificado a partir da formulação de documentos como a Constituição de Fécriada pela igreja e mencionada em linhas anteriores, que é evidenciada em suas formas de culto e representação de governo, e que garante a vigência das leis estabelecidas.

Além da autoridade constituída do pastor, existem os presbíteros que são eleitos pela membresia da igreja e que representam o quadro burocrático e administrativo da igreja. Estes, por sua vez, não recebem remuneração como o pastor, mas têm a sua autoridade garantida por lei, como prevê a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil.

O presbítero regente é o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da igreja a que pertencer, bem como pelo de todos da comunidade, quando para isso eleito ou designado. (CI/IPB, art. 50)

Assim, os presbíteros eleitos pelos membros da igreja exercem um papel tão importante quanto o do pastor, no sentido de que os mesmos são designados para auxiliá-lo na tarefa de manter a ordem na organização e funcionamento da igreja, bem como na observância do documento legal da Igreja, ou seja, a Constituição da IPB e na Bíblia Sagrada. Wilson Emerick de Souza propõe que existe um código de prestígio profissional, econômico e cultural que condiciona a conduta dos membros de tal igreja na escolha dos seus representantes legais junto ao pastor, ou seja, os presbíteros. (SOUZA, 1998, p. 26)

Diante das constatações feitas a partir da observação em tal igreja, transparece que, talvez, em virtude desse caráter conservador e racional que a igreja dispõe no bairro em questão, há um número razoável de crianças, adolescentes e jovens, e um número considerável de adultos e idosos que freqüentam os seus cultos regularmente. Como qualquer outro locus, o campo religioso da IPB em Rudge Ramos é construído socialmente a partir desses agentes que o fazem assumir tal forma, agentes que dão e recebem sentido e significado de existência como igreja em tal bairro, a partir da combinação de elementos que fazem com que o indivíduo adeque sua conduta aos

valores de tal instituição religiosa e construa sua identidade sob a observância desses mesmos valores, mesmo que adaptados a um bairro de classe média.

Porém, esses valores também apresentam certa consonância com a classe média, na medida em que são estimulados passeios, encontros dos membros em locais freqüentados por pessoas mais abastadas financeiramente, como em sítios e casas de praia de pessoas que são membros das igrejas, e que, conforme anunciado pela liderança, comportam uma série de “benesses” para quem queira participar dos encontros, além de outros locais como hotéis-fazenda, etc. A maioria dos seus frequentadores possuem automóvel próprio e têm por hábito irem à igreja com seus carros, mesmo residindo no bairro.

Na sua maioria, a Igreja Presbiteriana em Rudge Ramos é composta por pessoas que possuem um bom nível escolar22 e estimulam a cultura religiosa para os mais jovens como a maneira de se assegurar, pela leitura da Bíblia, uma vida de sucesso em todas as áreas, discurso enfatizado em suas prédicas. Mas, ao mesmo tempo, as pessoas não abrem mão do conforto que as espera em seu lar e que também pode ser considerado como uma forma de ser abençoado por Deus e de ser reconhecido na sociedade da qual fazem parte. Esse discurso é comum na igreja, mas a ênfase é muito parecida com os discursos da classe média, em que para se atingir o topo da ascensão social, elege- se como parâmetro, o trabalho, a busca da propriedade e do bem-estar individual e familiar.

2.6 A Igreja Congregação Cristã no Brasil e sua inserção no