III- Firdevsî-i Rûmî Hakkındaki Kaynaklar ve Araştırmalar
6- Firdevsî-i Rûmî’nin Son Yılları ve Vefatı
Podem ser encontradas referências a todos os sentidos nos fragmentos que restaram de Heráclito. Em alguns momentos os sentidos são agrupados e tratados em conjunto, em outros são comparados entre eles. Quando considerados em conjunto, evidencia-se ora suas características comuns, ora suas diferenças. Além dos fragmentos em que figuram os termos que diretamente se referem a um ou outro dos sentidos ou das sensações, tem-se aqueles em que aparecem verbos cujos significados primeiros remetem a algum tipo de sensação.
A leitura dos fragmentos parece evidenciar que a hierarquização dos sentidos está associada às suas respectivas serventias no processo do conhecimento. Cada um
dos sentidos parece ser tratado como fonte necessária mas insuficiente para o conhecimento. Essa insuficiência, justificada pela necessidade de uma etapa interpretativa realizada pela razão na alma para o conhecimento correto, permitiria uma valoração entre os sentidos. Se eles apresentam informações a serem comparadas e interpretadas, cada informação fornecida, por não ser absoluta, pode ser julgada mais ou menos relevante para o processo de conhecimento. É em vista dessa classificação qualitativa que o papel necessário de cada um dos sentidos neste processo deve ser melhor determinado.
Em termos bem gerais, segundo esta hierarquização valorativa, a visão teria primazia sobre a audição e ambas (B55) seriam melhores do que o restante dos sentidos, o olfato, o paladar e o tato. A visão pode ser entendida como o sentido mais amplo, de maior alcance e mais bem definido, como o que possui o órgão mais complexo, que apresenta os resultados mais ricos e gera uma memória de mais fácil acesso. Apesar dessa variedade de possibilidades, nenhuma dessas vantagens aparece explicitada nos fragmentos162. Na falta da explicitação de um fator decisivo para a qualificação do
conhecimento segundo os sentidos é preciso supor-se algum critério implícito. Para acessar esses fatos subjacentes o contexto histórico pode ser de alguma serventia.
Como já foi citado durante o exame de B107, a primazia da visão e da audição remetem ao uso homérico. Já a superioridade da visão sobre a audição baseava-se geralmente no fato de a primeira fornecer um conhecimento direto (de primeira ordem) e de a segunda oferecer um conhecimento indireto (de segunda ordem: ouvir falar). Isso vem à luz com a investigação historiográfica. O investigador ultrapassa os limites do tempo (relatos sobre o passado) e do espaço (relatos de eventos que não presenciou) ao ouvir, e talvez ao confrontar, as informações de outros que se encontravam presentes no
162 Talvez, em B26, a visão apagada no sono mas como uma luz acesa (hapto-toque) para si, remeta ao fato de que sonhamos por imagens mas de olhos fechados. O que será verificado a seguir.
lugar e no tempo em que se deu um dado acontecimento. Por outro lado, dessas informações ele não pode ter a mesma certeza que daquelas que viu por si mesmo163.
Esta situação fornece a possibilidade de a qualificação dos sentidos em Heráclito estar ligada não só a uma comparação entre cada sentido mas também ao seu caráter direto ou indireto. Esse duplo critério de avaliação poderia explicar a ocorrência de posições à primeira vista incoerentes em relação à superioridade de um sentido no processo de conhecimento. A visão e a audição são sentidos que permitem, por um lado, o melhor conhecimento direto, e, por outro lado, diferentes tipos de indiretividade, de modo que eles podem ser agrupados quando se quer enfatizar seu caráter direto ou comparados para diferenciar os conhecimentos indiretos. O caso do conhecimento indireto relativo à visão é ligado à apercepção, a observação de outros tendo percepção, o que será explicitado mais adiante. Já o caso da audição é mais comum pois, como foi dito, tradicionalmente, o ouvir falar é dito proporcionar acesso independente do tempo à opinião de outros que testemunharam diretamente algum acontecimento. Desse modo a fraqueza do conhecimento indireto, vir de terceiros, é justamente o que lhe permite superar a fraqueza do conhecimento direto, a limitação espaço-temporal em que se encontra quem está conhecendo. Esta relação dupla permite tanto condenar o conhecimento indireto quanto reconhecer sua importância164.
Uma aceitação, ainda que parcimoniosa, da indiretividade do conhecimento é imprescindível para quem, como Heráclito, constrói um discurso epistemológico
163 Ouve-se falar de alguém, enquanto se vê diretamente. Por exemplo Heródoto, em que se observa uma hierarquização entre os relatos de acontecimentos que presenciou e os de que ouviu falar: “eu mesmo não tendo visto, então as coisas ditas pelos Caldeus, estas eu digo” (cf. Heródoto, 1.183.3). Lesher remete a Heródoto II.44: “em que o conhecimento saphes (claro) vai de mãos dadas com observação direta, e o contraste entre sapheneia e tekmairestai em Alcmeão DK 24 BI”. (LESHER In LONG, 2006, p.246 n.11) 164 Parece ser relevante para se pensar essa relação verificar se a perspectiva de Heráclito era cosmogônica ou cosmológica, pois no caso de uma cosmogonia o tempo tem que ser superado e as informações anteriores indiretas devem ser consideradas. Porém como se viu, se há uma cosmogonia em Heráclito ela é inferida não de relatos anteriores mas de processo atuais e presenciáveis. Assim a cosmologia, a ordem atual das coisas, é que serve de fonte fiável para a explicação da cosmogonia, sua ordem anterior original.
positivo, aquele que tem o intuito de oferecer a alguém um método correto de conhecimento. Como o simples fato de ser um discurso já o faz indireto, para justificar o seu uso é preciso que se reconheça algum valor no conhecimento de segunda ordem. Por outro lado, o fato da sua aceitação não ser total a ponto de colocá-lo na frente do conhecimento direto, parece ter influenciado a postura do autor em relação ao estilo de seu discurso racional. Ele é indireto sim, e por isso mesmo chega a ser prescindível, mas ao discorrer segundo a natureza (imitando a natureza) para ensinar os humanos a interpretá-la, ele se aproximaria de um conhecimento de primeira ordem, o que o colocaria na frente dos outros discursos. O estilo de Heráclito seria então a tentativa de fornecer uma experiência direta através do discurso indireto, de modo que as relações entre suas palavras tentariam encerrar e esclarecer as mesmas relações que ocorrem entre as coisas na natureza. Uma vez que os humanos aprendessem, através deste discurso, a ver a natureza das coisas seguindo a razão comum, eles estariam aptos a interpretar de maneira correta suas experiências realmente diretas.
Tendo em vista as duas possibilidades de qualificação dos sentidos, entre o tipo de informação fornecido por cada um deles e entre seu caráter direto ou indireto, a ordenação de exame dos fragmentos seguirá também um critério duplo. Primeiro os fragmentos serão divididos de acordo com o sentido que colocam em questão, mas esta divisão comportará ainda uma outra, aquela entre seu caráter direto ou indireto. Inicialmente serão examinados os fragmentos que tratam dos sentidos exclusivamente diretos, o olfato, o paladar e o tato, para em seguida abordar aqueles que podem também fornecer informações indiretas, a visão e a audição. Como a verificação do caráter direto e indireto dos sentidos exige uma investigação das suas relações, sempre após a caracterização particular de cada sentido ocorrerá uma comparação entre eles. Para tanto o olfato será investigado em B7 e B98, o paladar em B61 e o tato em B91. Em seguida
será a vez do tato em relação com a visão em B26 e B56, da visão em B21 e B46 e da visão em relação com a audição em B55, B101a e B107. Por fim será tratada a audição em B19, B34, B50 e B108.