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Finansal Entegrasyonun Belirleyicileri

1.2 FĐNANSAL ENTEGRASYON

1.2.2. Finansal Entegrasyonun Belirleyicileri

Un ave

cayó sobre mi pecho con las alas incendiadas. Ardía todo en el silencio.

En las punas hasta el silencio es de nieve. (…) Comprendí que el estaño

era una larga lágrima petrificada

(SCORZA, 1990)

A exploração de recursos naturais, em várias partes da América Latina, geralmente é feita por companhias mineradoras estrangeiras, sobretudo pelas norte- americanas. Uma das primeiras intervenções da política econômica dos EUA em território latino-americano foi a criação da “United Fruit Company” no ano de 1899, em Boston. Essa companhia frutífera operou até 1970 sendo sua função principal comercializar para Europa e Estados Unidos frutas tropicais, com destaque para a banana – daí a denominação de alguns países latino-americanos como “República da Banana”.

Com o êxito comercial da “United Fruit Company”, muitas terras foram

empregadas no cultivo de frutas para a exportação, promovendo, assim, a criação de

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Quena [Do quíchua, pelo esp. plat. quena.] - Flauta vertical e rústica, feita de tíbias ou de bambu, com a qual os índios do Peru, da Bolívia e do Norte da Argentina acompanham seus cantos (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2004).

imensos latifúndios na região. Eduardo Galeano (2005) aborda essa questão dando como exemplo um fato ocorrido na Colômbia, como podemos ver a seguir:

O Corão menciona a bananeira entre as árvores do paraíso, mas a bananização da Guatemala, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia e Equador permite suspeitar que se trata de uma árvore do inferno. Na Colômbia, a United Fruit havia se tornado dona do maior latifúndio do país, quando explodiu, em 1928, uma grande greve na costa atlântica. Os trabalhadores nas plantações de banana foram aniquilados à bala, em frente

a uma estação ferroviária. Um decreto oficial fora ditado: “Os homens da força pública ficam livres para castigar pelas armas...” e depois não houve necessidade de baixar

nenhum decreto para apagar a matança da memória oficial do país (p.143).

Nesse sentido, Galeano (2005) ainda enfatiza que “a economia norte-americana

precisa dos minerais da América Latina como os pulmões necessitam de ar” (p.175). Outros recursos como o petróleo atualmente são cobiçados por corporações estrangeiras. Muitas dessas empresas não operam somente na exploração de combustível fóssil, mas também em sua distribuição.

Nos romances em estudo, a “Cerro de Pasco Corporation” atua em Cerro de Pasco

e em seus arredores e já surgiu grande, pois seus proprietários incorporaram quatro mineradoras e compraram diversas ações de outras empresas de mineração presentes na região. Junto com o seu estabelecimento, surgiu a infra-estrutura necessária para o seu pleno funcionamento: a ferrovia84, o maquinário, a criação de uma fundição de onde saía uma fumaça tão tóxica, que, conforme enfatiza o narrador de Redoble por Rancas,

“asfixiaba los pájaros en cincuenta kilómetros” (RR, p.103).

Por causa da mineradora a região voltou a ser povoada. Em pouco tempo, trinta mil pessoas estavam trabalhando na abertura de galerias e depois extraindo minérios. Em uma reflexão de Genaro Ledesma, protagonista de La tumba del relámpago, ficamos sabendo sobre os lucros da companhia: “Los americanos habían extraído en cuarenta años

84 A estação de Huancayo foi terminada em 1908. Em, 1921, a Cerro de Pasco Minning Corporation construiu mais 18 quilômetros até o seu centro mineiro. (http://www.ferroviasperu.com.pe)

(...) más de mil millones de dólares de utilidad” (TR, p.62). Segundo palavras do narrador

de Redoble por Rancas, a empresa: “desentrañó más de quinientos millones de dólares de

utilidad neta” (RR, p.103).

Todo o investimento da mineradora realizado em sua infra-estrutura foi recuperado rapidamente. Mas na mesma medida em que crescia o lucro da empresa, aumentava a pobreza dos habitantes, e a própria região não obteve melhorias além daquelas que beneficiassem diretamente a própria empresa. Como evidenciam as reflexões de Genaro Ledesma: “Las calles de la ciudad que desde hacía cuatrocientos años alojaban una de las más fabulosas vetas de América, no tenían veredas” (TR, p.62).

Podemos estabelecer uma relação entre este fragmento e o livro de Eduardo

Galeano, pois “veta” tem o mesmo valor semântico de “vena”, em espanhol, e “veia”, em

português. Portanto, trata-se aqui de uma das “veias” do continente americano.

Parece evidente que o lucro proporcionado pela atividade mineradora causou imensos prejuízos, já que somente um pequeno grupo beneficiou-se dessa exploração, restando aos ecossistemas localizados no entorno das mineradoras, incluindo a população, os danos causados pela extração e pelo processamento de recursos naturais. Em La tumba

del relámpago há exemplos de como a mineração afetou o meio ambiente, conforme

mostram os seguintes fragmentos:

...los reveles de aguas venenosas que las minas vertían sobre el Lago, habían exterminado, prácticamente, los peces, y ahora pocos parinos vivían de la pesca (TR, p.168).

...casi tambaleándose, atenazado por el dolor de cabeza y por el ruido de la gigantesca refinería, avanzó por las callejuelas (TR, p.16).

O primeiro explicita a contaminação da água que altera completamente a vida da população local, chegando a impedir a pesca, consequentemente, elimina uma forma de trabalho como também de alimento para muitas pessoas. Enquanto o segundo refere-se aos efeitos da poluição sonora sofridos por Genaro Ledesma na ocasião em que chega à cidade de Cerro de Pasco.

Por meio do estado físico em que se encontra Ledesma, percebemos que esse ruído se assemelha a uma tortura, porém, aqui, quem exerce o papel de torturador é uma

“gigantesca refinaria” que causa danos não somente aos homens, mas também ao espaço

onde está inserida, como aconteceu com o lago e como demonstra o seguinte fragmento:

“La tierra está enferma. Un gran enemigo, una compañía poderosa ha dispuesto nuestra

muerte” (RR, p.153).

A partir dos dois fragmentos anteriores, podemos estabelecer uma contrastante correlação de forças existente entre a empresa e os camponeses. A mineradora é retratada

como “gigante” e “poderosa”. Já os camponeses são numerosos, mas não possuem força

suficiente para combater todo o aparato existente por detrás da companhia. Na maioria das vezes os habitantes do entorno das mineradoras sequer usufruem dos produtos fabricados a partir da exploração de recursos naturais, geralmente reservados e destinados ao consumo de pessoas com poder de compra.

As incoerências baseadas no fato de a riqueza gerar pobreza podem ser entendidas a partir de duas frentes de atuação interligadas dentro do pensamento desenvolvimentista: explorar recursos e promover o consumo. Nesse sentido, um paradoxo se configura, já que a exploração dos recursos naturais existentes no solo e subsolo traz como consequência a pobreza de muitas pessoas, conforme ressalta Galeano (2005) quando aponta que “a

Além das questões ambientais, configura-se uma forma de desigualdade social, visto que quem possui poder de consumo pode usufruir desses recursos, enquanto os outros ficam com os prejuízos gerados pela extração de matérias-primas. Por serem também as empresas estrangeiras, na maioria das vezes, as detentoras do direito de concessão e de exploração de riquezas naturais, há ainda uma fuga de divisas, pois parte significativa do lucro obtido sai do país de origem para financiar desenvolvimento onde está localizada a matriz, materializando-se, dessa forma, em um novo pacto colonial.85

Os problemas ambientais gerados pelas mineradoras representam um verdadeiro atentado contra os ecossistemas locais, uma vez que a destruição desenfreada traz uma série de implicações para a natureza, como a interferência na qualidade de vida animal, vegetal e mineral, prejudicando todos e ainda a sequência da vida, inclusive a do próprio ser humano, o maior responsável por colocar em risco o imprescindível equilíbrio existente na natureza e na vida no planeta Terra.

Os efeitos das variadas formas de degradação ambiental causadas pela exploração de minerais – como as toxinas liberadas no momento da extração e os resíduos derivados pelo processo de triturar, polir, moer, refinar – configuram-se em uma cadeia de prejuízos, pois afetam o solo, a água, o ar, a produção de alimentos e os consumidores.

Existe uma série de implicações da atividade mineradora. A mineração pode causar problemas de saúde, tais como os gastrointestinais e alergias respiratórias e cutâneas, aumento do nível de chumbo no sangue; problemas sociais originados por desmatamento, erosão, esgotamento e depredação do solo; contaminação da vegetação e do cultivo agrícola, fomentando, assim, a pobreza e a fome devido à escassez de terra fértil e

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Sistema que vigorou na no período colonial latino-americano. Cada colônia somente poderia ter relação comercial com sua respectiva metrópoles. Dessa forma, os conquistadores garantiram com exclusividade o usufruto e exploração de todos os tipos de riquezas produzidas e encontradas na América Latina.

saudável para plantar; bem como prejuízos aos animais nativos e aos de criação, voltados para o consumo humano, que sofrem por causa da fome e da sede provocadas pela degradação ambiental e, muitas vezes, pela perda de seu habitat.

A mineração também gera a contaminação da atmosfera produzida por fumaça, poeira e gases tóxicos; ocasiona a poluição da água devido ao despejo de resíduos nos rios, lagos, mares e atingem o lençol freático; causa a seca de afluentes, assoreamento de rios e de lagos e a alteração das correntes fluviais que geralmente implica em inundações e prejudicam a irrigação agrícola. Além disso, a indústria mineradora usa uma quantidade excessiva de água e de energia elétrica no momento de extração e processamento do minério – por esse motivo muitas têm a sua própria usina elétrica e represa.

Para os mineiros os danos são muitos, já que trabalham dentro das minas e estão sujeitos permanentemente a risco de acidentes, pois a extração de minério é feita sob péssimas condições de trabalho. Eles são intensamente explorados, recebem baixos salários, insuficientes para o sustento digno de suas famílias, além de estarem expostos a riscos de doenças pulmonares entre elas a silicose86.

Considerada como o “mal de mina” na expressão de Galeano (2005), a silicose é

uma enfermidade que causa uma “morte lenta e silenciosa” (p.197), pois “o mortal alento da terra vai envolvendo [os mineiros] pouco a pouco. Em um ano os atingidos por essa

enfermidade já sentem os primeiros sintomas e em dez anos ingressam no cemitério”

(p.196) –, de modo que, os mineiros possuem uma baixa expectativa de vida.

A taxa de mortalidade infantil também é alta, uma vez que “de cada duas crianças

nascidas nas minas, uma morre pouco tempo depois de abrir os olhos. A outra será

86 Silicose - Enfermidade crônica que atinge os pulmões. A silicose é causada pela frequente inalação do pó de sílica. Ela é muito comum nos mineiros e cortadores de pedra.

seguramente mineiro quando crescer. E, antes de chegar aos 35 anos, já não terá pulmões” (GALEANO, 2005, p.195). Nesse caso, os trabalhadores sofrem amplamente, pois, além de serem explorados pelos proprietários da mineradora, são ainda atingidos em sua saúde física e mental. Do mesmo modo, os camponeses andinos, em sua maioria formada por índios e mestiços pertencentes ou descendentes da civilização quíchua ou aimará, sofrem um profundo impacto por conta desses danos, pois eles são a maior parte da população da região e povos que apresentam uma interação especial com a natureza, como vimos.

Esses povos são, ainda, constantemente vítimas da violência quando se opõem à exploração sem controle das atividades mineiras, já que, além de terem de enfrentar a expansão latifundiária, vivem em confronto com as mineradoras. Contudo, esses conflitos são baseados em uma correlação desproporcional de forças, visto que, de um lado, as empresas contam com o apoio do governo central, local e da força repressiva, o exército – cuja atitude deveria ser outra, ou seja, zelar pela proteção do povo e de sua nação, mas intervém para ferir e matar os grupos que tentam resistir à exploração e aos desmandos do poder de empresas estrangeiras, promovendo verdadeiros massacres ao tentar calar a voz daqueles que reivindicam seus direitos e lutam por justiça.

De outro lado estão as comunidades locais que são amplamente afetadas, pois perdem suas terras – espaço de cultivo e criação de animais – com a expansão das mineradoras ou pelo envenenamento causado ao solo, água, ar. Enquanto vários cuidados são tomados pelos índios para preservar o meio ambiente – por conta da interação e relação

de „reciprocidade‟ que possuem com a terra –, a indústria mineira abre imensas feridas no

solo com a finalidade de explorar recursos naturais.

No entanto, essa exploração da natureza, de forma inconsequente, tem raízes históricas, pois, como vimos, há séculos persiste a imagem do homem como um ser

especial por ser fruto da criação divina, razão pela qual se acredita que a terra e a natureza teriam a finalidade de atender aos caprichos e à satisfação dos humanos (SINGER, 1999). Os impactos sócio-ambientais causados pela indústria mineira são tão graves que parecem irreversíveis. Muitas das regiões afetadas não têm como se renovar ou mesmo se regenerar porque as cicatrizes causadas à terra foram muito profundas.

Os danos causados ao meio ambiente e a essas comunidades, gerados pela exploração de recursos naturais, são incalculáveis, porque rompem com a relação estreita que os indígenas possuem com a natureza. O desenvolvimento industrial, tal como acontece no mundo ocidental, é uma atividade alheia a grande parte do povo andino, pois serve para explorar, destruir e originar prejuízos a todas as formas de vida existentes na região.

Assim sendo, muito do que é realizado em nome do progresso e do desenvolvimento da região, na verdade serve exclusivamente para atender aos interesses da mineração, como a expansão da ferrovia até a serra, a criação de novas estradas e a pavimentação destas vias, permanecendo a população local apenas com o ônus da exploração dos recursos naturais.

Portanto, a indústria mineradora é um elemento que rompe plenamente com os valores dos camponeses andinos, como a integração entre o índio e a terra e o espírito comunitário que os unem. Essa é uma atividade que, por conta da forma como vem atuando por séculos, precisaria ser repensada.

Os indígenas, além de serem vítimas das mais variadas formas de injustiça, sofrem intenso preconceito racial, forte discriminação social, bem como diversas formas de humilhação. A questão agrária os atinge intensamente por serem povos que constituem uma relação sagrada com a natureza. Por se tratar da principal fonte de alimento e de vida

para os índios, a perda da terra provoca pobreza e fome, prejudicando sua identidade e valores comunitários preservados desde tempos ancestrais. No quinto capítulo desta tese lançaremos um olhar mais atento a estes aspectos.

5 MOTIVAÇÕES DA ECOLOGIA SOCIAL NAS RELAÇÕES ENTRE