BÖLÜM 1: DİN VE İBADET KAVRAMI
1.3. Dinlere Göre İbadet
1.3.2. İlahi Dinlerde İbadet
1.3.2.3. İslam Dinine Göre İbadet
1.3.2.3.1. Farz İbadetler
Robin Dunbar (1947- ) Ž um antrop—logo e psic—logo evolucionista brit‰nico, especialista em comportamento de primatas como macacos e chimpanzŽs, que escreveu um influente artigo intitulado ÔThe social brain hypothesisÕ (1998). Nesse artigo come•a por afirmar que nos seus primeiros trabalhos relacionou o tamanho do grupo de primatas com a complexidade social e que, Òainda que meio grosseira, esta medida capta um aspecto da complexidade dos grupos sociais, o fato de se poder esperar que as necessidades de processamento de informa•‹o aumentem ˆ medida que o nœmero de rela•›es envolvidas aumentaÓ (p.179 - tradu•‹o livre do autor). Para alŽm da dimens‹o mŽdia dos grupos de indiv’duos, quer na antropologia quer na biologia utiliza-se vulgarmente o volume relativo do neoc—rtex face ao volume do resto de cŽrebro para caracterizar as diferentes espŽcies animais, sendo amplamente conhecido o fato de que o neoc—rtex Ž a ‡rea do cŽrebro humano associada ˆs fun•›es cognitivas mais nobres, como a linguagem e o racioc’nio (DAMçSIO, 1996; LEHRER, 2010).
Dunbar identificou uma rela•‹o linear positiva, quase perfeita, entre a dimens‹o mŽdia dos grupos de indiv’duos e o volume relativo do neoc—rtex de cada espŽcie, isto Ž, as espŽcies que t•m um neoc—rtex maior face ao volume do resto de cŽrebro tendem a viver em grupos sociais maiores. A grande import‰ncia deste artigo reside no fato do autor apresentar evidencias emp’ricas de que Òo tamanho do neoc—rtex, como quer que seja medido, est‡ correlacionado com o tamanho dos grupos sociaisÓ (DUNBAR, 1998, p.181 - tradu•‹o livre do autor), e de propor Òa hip—tese do cŽrebro social [que] implica que as restri•›es sobre o tamanho do grupo surgem a partir da capacidade de processamento de informa•‹o do cŽrebro do primata, e que o neoc—rtex desempenha um papel importante nessa rela•‹oÓ (p.184 - tradu•‹o livre do autor). A comunidade cientifica interpreta estes dados como evidencia de que as rela•›es sociais implicam a utiliza•‹o efetiva do racioc’nio e que, portanto, as rela•›es sociais exigem
intelig•ncia e quanto mais intelig•ncia, maior a capacidade para funcionar numa rede social mais alargada.
Se existe para os primatas n‹o humanos uma rela•‹o entre o volume relativo do neoc—rtex e a dimens‹o ideal do grupo social em que se inserem, ser‡ poss’vel calcular a dimens‹o do grupo ÔnaturalÕ de seres humanos? A resposta a essa quest‹o Ž complexa na medida em que, ademais das caracter’sticas biol—gicas que o caracterizam como primata, o Homem tem uma sŽrie de caracter’sticas antropol—gicas diferenciadoras para a constru•‹o dos seus contextos de vida social, como sejam a linguagem avan•ada, a cultura e um conjunto de conhecimentos, valores, praticas e costumes partilhados e transmitidos ˆs gera•›es seguintes, para alŽm das tecnologias de informa•‹o e comunica•‹o em continuo desenvolvimento. Estas caracter’sticas concederam ao ser humano capacidades cognitivas superiores que se refletiram ao longo do seu desenvolvimento enquanto espŽcie.
No entanto, sabemos que a rela•‹o entre a Ôdimens‹o das redes socialÕ e o volume relativo do neoc—rtex Ž linear para os primatas e sabemos o valor mŽdio do volume relativo do neoc—rtex dos seres humanos. Se aceitarmos a premissa evolutiva entre as diferentes espŽcies podemos deduzir aquela que seria a dimens‹o ÔnaturalÕ das redes sociais humanas.
O fato da rela•‹o entre o tamanho do neoc—rtex e o que chamarei de tamanho cognitivo do grupo se manter t‹o est‡vel em tantos grupos taxon™micos diferentes levanta a quest‹o —bvia de saber se essa rela•‹o tambŽm se aplica aos seres humanos. Podemos facilmente prever um valor para o tamanho do grupo em seres humanos. Ao faz•- lo, que Ž simplesmente uma quest‹o de usar o volume neoc—rtex humano para extrapolar um valor do tamanho do grupo a partir da equa•‹o dos primatas, obtemos um valor na ordem de 150. A verdadeira quest‹o Ž se os seres humanos realmente andam em grupos deste tamanho (DUNBAR, 1998, p.181 - tradu•‹o livre do autor).
Infere-se assim a dimens‹o mŽdia de uma rede social ÔnaturalÕ, que contŽm cerca de 150 contatos. Por este motivo, nestes contextos, 150 ficou conhecido como o numero de Dunbar. No entanto, esse numero n‹o se refere ao numero de pessoas que conhecemos, como todos facilmente podemos comprovar nas nossas experi•ncias de vida particulares. Esse Ž o numero de pessoas com quem conseguimos manter rela•›es relativamente pr—ximas e est‡veis em cada momento da nossa vida, que resulta do fato de que, como os demais primatas, temos recursos de aten•‹o e de raciocino limitados. ÒNos seres humanos, pelo menos, a mem—ria
para rostos Ž uma ordem de magnitude superior ao tamanho do grupo cognitivo previsto: diz- se que os seres humanos s‹o capazes de associar nomes a cerca de 2.000 rostos, mas t•m um tamanho de grupo cognitivo de apenas cerca de 150Ó (DUNBAR, 1998, p.181 - tradu•‹o livre do autor). Assim, mesmo com, e apesar do, apoio das novas tecnologias, a nossa capacidade de criar e gerir rela•›es sociais Ž limitada pela capacidade cognitiva humana e, como qualquer recurso escasso, essa capacidade de criar e manter rela•›es sociais deve ser gerida. ƒ com esta perspectiva que muitos autores escrevem sobre a necessidade de gest‹o da rede pessoal de contatos, ou networking, enquanto administra•‹o de um recurso escasso e valioso (CARRERA, 2011).
ƒ evidencia comprov‡vel no dia-a-dia de todos n—s que a rede de pessoas com quem nos relacionamos de forma pr—xima e ass’dua Ž limitada. Efetivamente, as rela•›es sociais em grupos mais alargados, como as que acontecem entre os seres humanos,
s‹o muito exigentes do ponto de vista cognitivo (t‹o exigentes que, para grupos muito grandes, tendemos a relacionar-nos em subgrupos mais pequenos ou clusters); de tal forma exigente que todos estamos limitados quanto ˆ dimens‹o e ˆ diversidade de redes sociais que vamos construindo e mantendo ao longo da vida (LOPES e CUNHA, 2011, p. 27).
As nossa experi•ncias individuais confirmam-nos que o numero Ž limitado e n‹o demasiado grande, mas ser‡ que os seres humanos realmente se relacionam em grupos de, em mŽdia, cerca de 150 pessoas (alguns ou pouco mais, outros um pouco menos) como indica o numero de Dunbar? H‡ evidencia emp’ricas de que diversos grupos humanos, como s‹o os aglomerados populacionais Amish no noroeste americano ou tribos no interior do continente africano, se aglutinam em nœmeros pr—ximos dos 150 (p. 31), e mais, como escreve Dunbar,
uma explora•‹o mais ampla dos grupos humanos em outros contextos sugere que grupos deste tamanho s‹o comuns e constituem uma componente importante de todos os sistemas sociais humanos, estando presente em estruturas que v‹o desde as organiza•›es empresariais atŽ ao estabelecimento das comunidades agr’colas (p.187 - tradu•‹o livre do autor)
H‡ com toda a certeza uma grande diferen•a entre a vida social no interior de çfrica ou das comunidades Amish e a topologia e din‰micas de rela•›es sociais do mundo moderno nos pa’ses desenvolvidos mas, apesar disso, a an‡lise bioantropol—gica sobre as condicionantes
biol—gicas e cognitivas indica que existem limita•›es inerentes ao ser humano que devemos considerar quando pensamos nos relacionamentos sociais.