1. BÖLÜM
1.3. EMPATİ BECERİSİ
3.1.2. Metinlerin Çözümlenmesinde Ölçütler
3.1.2.5. Tümce Tercihleri
3.1.2.5.2. Etken ve Edilgen Tümceler
Como já referido, a década de 70 foi uma época de viragem no que toca ao progresso da situação das mulheres no Mundo, sendo a I Conferência sobre as Mulheres, em 1975, um marco dessa mesma tomada de consciência.
Em Portugal foi precisamente em 1970, ainda durante o regime ditatorial, e por iniciativa do então Presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, que foi criado um mecanismo inédito, o Grupo de Trabalho para a Participação da Mulher na Vida Económica e
Social, sob a tutela da Secretaria de Estado do Trabalho e da Previdência. Para o presidir, foi
nomeada aquela que seria o mais proeminente símbolo da participação cívica e política feminina da história contemporânea portuguesa e primeira mulher a chefiar um Governo, Maria de Lourdes Pintassilgo. Ainda sob sua direcção, este Grupo passou a ser designado, em 1973, por Comissão para a Política Social relativa à Mulher, sendo responsável pelas primeiras propostas de alterações ao direito de família e do trabalho, ainda que tivessem um carácter de meras recomendações.
Já após a Revolução de 1974, a Comissão sofreu mais uma mudança de designação e também de natureza. Sob proposta de Maria de Lourdes Pintassilgo, então Ministra dos Assuntos Sociais, a Comissão da Condição Feminina passou a gozar de autonomia administrativa em 1975, sendo institucionalizada em Novembro de 1977 pelo Decreto-Lei nº485/77 de 17 de Novembro.
Numa época de grande agitação social, como o são todos os momentos pós- revolucionários, era evidente na sociedade portuguesa uma grande vontade de ruptura com os símbolos do passado, nomeadamente com o modelo de sociedade patriarcal então dominante. Apoiada na Constituição recém-aprovada em 1976, que estabelecia a igualdade entre homens e mulheres em vários domínios, a Comissão apresenta como objectivo central «Apoiar todas as formas de consciencialização das mulheres portuguesas e a eliminação das
discriminações contra elas praticadas, em ordem à sua inserção no processo de transformação da sociedade portuguesa, de acordo com os princípios consignados na Constituição»161, iniciando então um trabalho intenso de levantamento da situação real das mulheres no país e de criação de serviços abertos ao público, como um gabinete de informação jurídica e um centro de documentação.
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A estes novos preceitos não será também indiferente a adesão de Portugal ao Conselho da Europa, em 1976, cuja filosofia de promoção dos direitos humanos e da democracia terá influenciado decisivamente o caminho das políticas para a igualdade no nosso País.
Ainda antes do final da década, em 1979, e na senda de um trabalho de alteração global da legislação no domínio da Igualdade, é criada a Comissão para a Igualdade no Trabalho
e no Emprego (CITE), tutelada actualmente pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade
Social, e que tem como atribuições centrais a promoção da «igualdade e não discriminação entre
mulheres e homens no trabalho, no emprego e na formação profissional; a protecção da maternidade e da paternidade e a conciliação da actividade profissional com a vida familiar»162.
Como consequência deste esforço intenso de adaptação legislativa, Portugal é, em 1980, um dos primeiros países do Mundo a ratificar sem quaisquer reservas a Convenção das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW).
A adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, em 1986, é, sem dúvida o início de uma nova fase na evolução das questões de género em Portugal, desde logo devido aos financiamentos comunitários que passaram a estar disponíveis para projectos e iniciativas neste mesmo âmbito.
Durante a década de 80 e início da década de 90, podemos dizer que se assistiu a uma evolução de uma perspectiva de mera eliminação da discriminação para uma outra de
avanço no caminho da Igualdade. Na verdade, esta mudança de enfoque vai-se
progressivamente aproximando do conceito de Igualdade não apenas formal, mas de facto, não apenas de direitos, mas também de oportunidades de sucesso. Um conceito que exige a plena e igual participação de homens e mulheres a todos os níveis da vida social e política, incluindo ao nível do poder decisório.163
Como já referido no Capítulo 2 do presente trabalho, a partir da segunda metade dos anos 90 passou a ser defendido o conceito de Paridade e de Democracia Paritária nos fóruns internacionais, e a construção da Igualdade de Género tornou-se, como já referido, uma questão global e multissectorial.
Na senda destes desenvolvimentos, o Decreto-Lei 166/91, de 9 de Maio, cria a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, que substitui a Comissão para
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Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, www.cite.gov.pt.
a Condição Feminina, com o objectivo de «definição de estratégias e execução de programas, tendo
em vista a mudança social e de mentalidades, que permitam a igualdade de facto». Tal como consta no
próprio Decreto-Lei, esta necessidade de reestruturar a Comissão, começando pela sua designação, deve-se, por um lado, «aos compromissos assumidos internacionalmente, bem como às
mutações e desafios da conjuntura nacional e internacional nestas matérias» e, por outro, ao carácter
dinâmico que a sua acção deve conter, não apenas de «denúncia de discriminação das mulheres,
mas de desenvolvimentos de acções para a construção de uma verdadeira igualdade de género». Estava,
assim, inaugurada uma nova fase nas políticas de Igualdade de Género em Portugal.
A década de 90 trouxe, pois, iniciativas renovadas que começaram por se focar na preparação da IV Conferência Mundial de Pequim – 1995 – assim como numa campanha de sensibilização para uma representação parlamentar paritária. Esta campanha teve como ponto alto a realização, em Fevereiro de 1994, de uma sessão simbólica do Parlamento Paritário, onde todas as forças partidárias presentes eram compostas por um igual número de homens e de mulheres.
Esta nova filosofia de actuação passou a incorporar também novos conceitos já claramente adquiridos a nível mundial mas que entre nós tinham uma existência meramente intuitiva, tais como o mainstreaming de género ou o empowerment das mulheres, e a aplicá-los em legislação específica tal como o Plano Global para a Igualdade de Oportunidades, estabelecido pela Resolução do Conselho de Ministros nº 49/97.
De salientar, em termos legislativos, o II Plano Nacional para a Igualdade164 que, no ponto 3, referente ao Poder e Tomada de Decisão, considera «fundamental garantir uma maior
participação feminina em todos os níveis da decisão política, social e económica» assim como «promover uma representação equilibrada das mulheres e dos homens no sistema de representação política, a todos os níveis», fazendo desta forma uma referência inequívoca à importância da participação
política feminina.
Actualmente, está em vigor o III Plano Nacional para a Igualdade165 que, para além de preconizar a consolidação das políticas de igualdade de género estabelecidas nos últimos anos, nomeadamente no que se refere às políticas de mainstreaming de género, estabelece ainda a importância das «acções positivas», numa alusão clara à «Lei da Paridade», aprovada em 2006.
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164 Resolução do Conselho de Ministros nº 184/2003. 165 Resolução do Conselho de Ministros nº 82/2007.
De uma forma global, podemos afirmar que a acção da actual Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género166 se foi tornando, nos últimos anos, mais específica, aprofundando as áreas de intervenção tidas como prioritárias à execução das políticas de cidadania e de igualdade de género, tais como o emprego, a violência doméstica, o tráfico de mulheres e a educação.