1. BÖLÜM
4.5. Verilerin Analizi ve Bulgular
4.5.2. Tüketicinin Sağlık Hizmetleri Talebi ile İlgili Ölçek Geliştirme İstatistikleri
4.5.2.3. Faktör Deseninin Belirlenmesi
Se por um lado técnicas modernas, como as dos programas de melhoramento genético, mostram-se indispensáveis, outras, menos sofisticadas, também têm sua importância no meio agrícola; exemplo desta é a da consorciação de culturas, que tem demonstrado ao longo da história sua eficiência, principalmente para os pequenos produtores.
Segundo Altieri (1989), os policultivos são responsáveis por grande parte dos alimentos produzidos na África Ocidental e na região dos trópicos da América Latina. Esse tipo de cultivo já foi testado no Brasil com sucesso por diversos pesquisadores (SANTOS, 2007).
Por consorciação de culturas entende-se o sistema de cultivo em que são plantadas duas ou mais espécies numa mesma área de terreno, de modo que uma das culturas conviva com a outra, em todo ou, pelo menos, em parte do seu ciclo (PORTES, 1984).
O consórcio tem sido praticado, na maioria dos casos, por pequenos e médios agricultores, cujo objetivo é produzir o seu próprio alimento e vender, caso haja, o excedente de produção É um sistema que demanda muita mão- de-obra, especialmente para o plantio e para a colheita das culturas, geralmente anuais. Na maioria dos casos, o agricultor utiliza apenas a mão-de-
obra familiar para conduzir este tipo de lavoura, visando diminuir os gastos de sua propriedade.
Entre os principais fatores que determinam a utilização pelos agricultores desse sistema de produção, destacam-se: 1) redução dos riscos de perdas; 2) maior aproveitamento da área da propriedade; e 3) maior retorno econômico (PORTES, 1996a).
No consórcio, há um maior aproveitamento da área pelo agricultor que, ao colocar duas culturas numa mesma área do terreno, quase sempre, aumenta a eficiência de utilização da terra, ou seja, consegue-se produzir uma quantidade de biomassa maior do que aquela que produziria em um sistema de monocultivo. Em um trabalho realizado na Zona da Mata de Minas Gerais, região montanhosa e de pequenas propriedades, Silva et al. (1982) relataram que a eficiência de utilização da terra é o fator de maior importância para os agricultores que necessitam extrair o máximo de pequenas áreas.
É esperado um maior retorno econômico nos sistemas consorciados, já que com os pequenos acréscimos de insumos e de mão-de-obra, o agricultor consegue produzir uma quantidade maior, o que se reverte no seu próprio benefício econômico.
Deve-se lembrar que em cultivo consorciados, pode haver competição por certos fatores, tais como nutrientes, água, luz, gás carbônico, oxigênio e temperatura. Evidências sugerem que a luz é o principal fator limitante em sistemas consorciados (PORTES, 1996b).
Portanto, um cultivo consorciado terá sucesso quando são minimizadas as interferências competitivas potenciais entre as espécies plantadas. Isto se obtém pela combinação de plantas com padrões complementares de uso de recursos ou de estratégias complementares quanto a sua bionomia. As competições intra-específicas são evitadas plantando-se a espécie segundo as densidades recomendadas comercialmente. Já a competições interespecíficas podem ser reduzidas, ou até anuladas, quando se escolhem duas espécies que são capazes de utilizar, cada uma, recursos que não estavam acessíveis à outra espécie; isto pode ocorrer, por exemplo, devido
aos diferentes tipos e tamanhos dos sistemas radiculares das espécies utilizadas (GLIESSMAN, 2001).
2.3.1 Consorciação da cana-de-açúcar com outras culturas
Em relação à consorciação com a cultura da cana-de-açúcar, há o registro de experiências bem sucedidas. Tanto o cultivo da cana consorciada com feijão e amendoim, utilizando um manejo convencional (CASTILHO et al., 1988), como quando consorciada com feijão e pepino num sistema agroecológico (MARGARIDO et al., 2005), demonstraram ser sistemas viáveis, devido à alta produtividade conseguida, em especial no sistema que utiliza princípios agroecológicos, no qual as produtividades de alguns tratamentos chegaram mesmo a superar a produção de muitos cultivos convencionais.
A produção de cana-de-açúcar em regime de consorciação com feijão era uma prática tradicional em algumas regiões canavieiras do Brasil na década e 70. O sistema apresentava vantagens sócio-econômicas, sendo grande o seu potencial para implantação na região norte do estado do Rio de Janeiro. Estudos realizados à época mostraram que duas linhas de feijão, distanciadas de 0,25 metro dos sulcos da cana, produziam rendimentos significativos da cultura, sem demonstrar diminuições nas produções costumeiras de cana, tendo-se um índice de eficiência de uso da terra de 1,57 (SOUZA FILHO et al, 1986).
Figura 2: Capa de um folheto explicativo sobre sistemas intercalares com cana-de-açúcar, feito pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) na década de 80.
Os sistemas de produção de cana com culturas intercaladas de baixo porte trazem diversos benefícios. Entre esses, pode-se citar: pouca ou nenhuma competição por luz e água com a cana; caso seja uma leguminosa, fixa nitrogênio atmosférico no solo, o que pode beneficiar a cana-de-açúcar; ajuda no combate a erosão, devido à diminuição do impacto das gotas de chuvas, que caem primeiro nas folhas das culturas, para escorrer suavemente até o solo; crescimento rápido das culturas nas entrelinhas sufocam as plantas infestantes aí presentes; são culturas facilmente comercializáveis, o que gera mais uma opção de renda ao produtor, sem atrasar no desenvolvimento da cana.. Ou seja, os sistemas consorciados permitem a utilização mais racional
do solo agrícola, explorando-o intensamente, com maiores lucros, tendo a possibilidade de promover uma maior conservação do mesmo (CARVALHO, 1982).
Estudos realizados em 1991 (SOOPRAMANIEN et al., 1992), mostraram que a cana-de-açúcar aumenta a sua resistência ao estresse hídrico, quando cultivada em consórcio com culturas palhosas, como o milho.
Experimentos realizados na Índia, pela Marathwada Agricultural University, Parbhani , na década de 1980, sobre a consorciação de batata com cana, mostraram que além de não diminuir a produtividade da cana, o plantio da batata nas entrelinhas da cana auxiliou no “sufocação” das plantas infestantes encontradas nos canaviais (NANKAR, 1990).
O consórcio milho e feijão no Brasil têm grande importância, principalmente para os pequenos produtores. Segundo Souza Filho & Andrade (1985), o sistema de produção de feijão em consórcio com a cana-de-açúcar apresenta vantagens socioeconômicas, sendo que, num experimento realizado na Estação Experimental de Campos, RJ, no período de 1981 à 1983, foi verificado que o método de cultivo que resultou em rendimentos mais elevados de feijão, sem prejuízo para a cana-de-açúcar, foi o uso de duas linhas de feijão a 0,25m dos sulcos de cana (SOUZA FILHO et. alli., 1985).
Segundo estudo realizado por Flesch (1978), os arranjos que se mostraram mais eficientes para a produção de milho e de feijão consorciados com cana-de-açúcar são aqueles que possuem maiores populações, tanto de plantas de milho como de plantas de feijão. No Estado de Pernambuco, Araújo (1986), em estudo semelhante, também verificou a viabilidade do plantio intercalado de culturas alimentares com cana, para pequenos produtores, naquela região do Brasil.
Estudo realizado em 1989, pela Unesp de Botucatu, com diferentes tipos de consórcio (feijão, milho, abóbora e pepino) com cana soca, mostrou que os plantios que receberam o plantio intercalar de milho ou de feijão tiveram as melhores resultados, obtendo-se boas produção tanto da cultura intercalar como da cultura principal. (PEREIRA MACHADO, 1989).
Estas experiências sugerem que pesquisas que envolvam o desenvolvimento de sistemas de produção dessa natureza devam ser intensificadas, visto que há o registro de casos que mostraram a viabilidade do plantio de cana consorciado com outras culturas de primeira necessidade, como com o feijão e com o milho (ARAÚJO, 1986).