2.4. Sosyal Medya Türleri
2.4.4. Sosyal Ağ Siteleri
2.4.4.1. Facebook
Quanto às atividades de extensão, De Rose Júnior (1999) informa que elas são antigas na EFEE, mesmo antes da vinculação desta à USP.39 Conforme mencionado, a oferta de atividades físicas e esportivas para a comunidade universitária constituiu-se em um dos principais argumentos para a incorporação de uma escola de Educação Física à Universidade. Ainda segundo De Rose Júnior, a extensão também teve seu percurso vinculado à saída de professores para a realização do doutorado, à evolução da pesquisa e à criação do programa de pós-graduação stricto sensu:
Em função de todos esses acontecimentos, os serviços de extensão e atendimento à comunidade também foram afetados, pois a melhoria do ensino e da pesquisa apontava para a necessidade de oferecimento de cursos e atividades com bases metodológicas e científicas mais sólidas. Dessa forma, os cursos de extensão e
39 O primeiro curso de atualização, denominado Curso de Emergência, foi realizado em 1935 com o objetivo de preparar
pessoal para atuar na área de salvamento e atendimento emergencial a pessoas em diferentes situações de risco (DE ROSE JUNIOR, 1999, p. 45).
serviços comunitários passaram a ser vinculados a projetos de pesquisa bem delineados... (DE ROSE JUNIOR, 1999, p. 44).
Portanto, a própria extensão buscou, por meio do discurso da vinculação à pesquisa e à pós- graduação, a estratégia mais adequada para inserção na Universidade e para não ser considerada uma atividade menos prestigiosa:
Acompanhando o desenvolvimento natural do ensino e da pesquisa na EEFEUSP, os serviços de extensão e cultura também puderam dar um salto de qualidade no atendimento à comunidade em geral. Uma combinação de fatores contribuiu para essa condição [...]: qualificação do corpo docente através dos programas de pós- graduação; desenvolvimento de projetos de pesquisa com a participação desses docentes e de um maior número de alunos, em consequência dos programas de iniciação científica; criação de grupos de estudos e laboratórios de pesquisas; maior interação entre ensino, pesquisa, gerando novas metodologias e procedimentos didáticos (DE ROSE JUNIOR, 1999, p. 44).
Dessa maneira, cursos de extensão de longa duração – especialização e aperfeiçoamento –, vinculados à pós-graduação, cursos de curta duração – atualização e difusão –, eventos acadêmicos/científicos e cursos comunitários40 constituíram-se os serviços de cultura e extensão mais recorrentes da EEFE/USP (DE ROSE JÚNIOR, 1999; USP 2006; 2010).
2.3.3 Graduação
Gnecco (2005) afirma que um dos objetivos da EEFE, ao ser incorporada à USP, era a formação de professores para atender à demanda induzida pelo Decreto Lei 705/69 que tornava obrigatória a Educação Física em todos os níveis de escolarização. A partir de então, segundo o autor, o curso de graduação caracterizou-se como um curso de Licenciatura, apesar da possibilidade de também formar técnicos esportivos (RESOLUÇÃO Nº 69, de 06 de dezembro de 1969).
Para Manoel e Tani (1999), o curso era reflexo da concepção eminentemente prática da profissão e, desse modo, a ênfase recaía sobre as disciplinas que tinham orientação para tais atividades:
40 Esses cursos tinham o objetivo de estender à sociedade os conhecimentos adquiridos por meio do ensino e da pesquisa e
também se constituir como um espaço de formação para os alunos do curso de Educação Física. Entre os cursos, havia natação para portadores de deficiência, atividades físicas adaptadas ao portador de asma, condicionamento físico para prevenção e reabilitação cardíaca, atividades e controle alimentar para mulheres obesas.
O lema era “aprender a executar para poder ensinar” e, portanto, ofereciam-se muitas disciplinas práticas, particularmente vinculadas às modalidades esportivas tradicionais, nas quais os graduados experimentavam uma grande variedade de movimentos com o objetivo de adquirir habilidades motoras específicas e melhorar as então chamadas valências físicas. O professor deveria ser um modelo para seus alunos, no que se refere a hábitos de saúde, higiene e asseio corporal (p. 14-15).
O tom crítico do texto revela o início do choque entre concepções sobre o ser humano, da atividade motora e do perfil do profissional a ser formado na EEFE, que, por sua vez, estavam também vinculadas à sociedade pensada pelo regime da época, o governo militar.
O modelo de formação herdado do regime militar começou a ser modificado a partir de 1976, com a introdução de disciplinas de orientação acadêmica, tais como: Crescimento e Desenvolvimento, Aprendizagem Motora, Biomecânica, entre outras. Porém, tal mudança não foi tranquila na EEFE, principalmente porque disciplinas que eram centrais no curso começaram a perder poder. Nas palavras desses autores,
Claramente esse foi o período em que o pêndulo começou a tender para as disciplinas de orientação acadêmica. Ao mesmo tempo, iniciou-se um debate sobre a natureza das disciplinas de orientação à atividade prática, em que pese a grande resistência em modificar a condução dessas disciplinas devido à forte influência histórica que elas carregavam (MANOEL; TANI, 1999, p. 15).
A perda da centralidade das disciplinas de orientação prática foi acompanhada pela perda de poder dos professores dessas disciplinas e, por isso, a resistência pela mudança. Percebe-se claramente o movimento para alteração da estrutura vigente, bem descrito no conceito de campo de Bourdieu, segundo o qual:
Como um espaço em potencial de forças ativas, o campo é também um campo de lutas onde se pretendem preservar ou transformar a configuração destas forças. Além disso, o campo como uma estrutura de relações objetivas entre posições de força preparam e orientam estratégias individuais ou coletivas para proteger ou melhorar suas posições e impor princípios de hierarquização mais favoráveis aos seus próprios interesses (BOURDIEU; WACQUANT, 1992, p. 101; grifo meu).
Mudanças no mercado de trabalho nos anos de 198041 e a intensificação dos conhecimentos na área “levaram a um reconhecimento de que Educação Física e Esporte mereciam outro tratamento no que diz respeito à formação profissional” (MANOEL; TANI, 1999, p. 15). A EEFE/USP, que oferecia somente o curso de Licenciatura em Educação Física, passou a
41 Conforme Manoel e Tani (1999), a atuação no ensino fundamental e médio deixou de ser o principal interesse dos egressos
da EEFEUSP, devido à desvalorização salarial nesse ramo de atuação e a abertura de novas vias de exercício profissional em clubes, academias, hospitais, hotéis, entre outros (p. 18).
oferecer, a partir de 1992, três novos cursos: Bacharelado em Esporte, Bacharelado em Educação Física e Licenciatura em Educação Física.
A criação dos bacharelados beneficiou, principalmente, os grupos ligados à pesquisa e pós- graduação, na medida em que era em torno dos conhecimentos específicos relacionados ao campo de atuação do Bacharel em Esporte e Bacharel em Educação Física que se concentrava a produção acadêmica desses grupos.
A Licenciatura, no modelo aprovado, passou a ser facultativa para todos aqueles que cursavam o Bacharelado em Educação Física. Manoel e Tani (1999) fizeram os seguintes comentários sobre esse processo:
Dessa forma, buscou-se caracterizar que o indivíduo que escolhe como área de atuação a escola está de posse de um corpo de conhecimentos sobre a atividade motora humana e sobre os processos de sua promoção no plano individual, em grupo e institucional. A Licenciatura também inovou, na medida em que uma série de disciplinas foi criada enfocando a Educação Física nos diversos segmentos da escola. Dessa forma, o mínimo estabelecido pela legislação para a obtenção da licença (referente aos créditos das disciplinas tradicionalmente oferecidas pela Faculdade de Educação) foi extrapolado em muito pelo novo curso. Isso faz da Licenciatura na EEFEUSP um curso único hoje no Brasil (p. 16; grifo meu).
Sem entrar, ainda, no mérito da criação dos três cursos, da alteração da Licenciatura para um curso pós-Bacharelado em Educação Física e aquilo que esse processo de reforma curricular nos revelou em termos das lutas concorrenciais presentes no subcampo, a Instituição – ou, pelo menos, parte dela – entendia que essa organização favorecia a formação de professores para a educação básica. Tal modelo de formação permaneceu até 2006, quando a legislação determinou que Bacharelado e Licenciatura devessem ter percursos distintos.