• Sonuç bulunamadı

faaliyetlerde bulunarak yaşam için gerekli olan çevre kalitesini arttırmak Çevre Yöne-

Fonte: FUNASA 2008

Luciano (2006) refere-se à região de São Gabriel da Cachoeira como um espaço vazio em termos demográficos e econômicos, corroborando com os dados obtidos no site do IBGE (2008), uma vez que a densidade demográfica é de 0,31 hab por km², e que o PIB per capita é do montante de R$ 2.284,00. (IBGE, 2008)

A maior parte da população de São Gabriel da Cachoeira vive na área rural; a população total do município é de 39.129 habitantes7 (IBGE, 2008) que vivem espalhados em 750 comunidades ao longo dos rios da região, distribuídos num território de 10.966.568 km² hectares, configurando, assim, o terceiro maior município do Brasil em território. Só por curiosidade, esse município é maior que Portugal, que possui uma área total de 109.185 km², pais que possui uma população aproximada de 10 milhões de habitantes. Com esses dados, infere-se a existência de uma baixa densidade demográfica.

Comparando as dificuldades de acesso à região do alto rio Negro e a baixa densidade demográfica, de acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) sobre os gaps em saúde nos 13 países mais ricos do mundo, uma das dificuldades seria realizar assistência à saúde de qualidade em populações de regiões com baixa densidade demográfica e, conseqüentemente, de difícil acesso. No caso da população do rio Negro, soma-se o fato de a comunicação ainda ser difícil, uma vez que são poucas as aldeias que possuem rádio-amador para se comunicarem com os serviços de saúde.

Já a descrição da distribuição das etnias no alto rio Negro é importante para o estudo, pois ajuda a compreender como estas populações estão distribuídas, o que facilita a preparação de estratégias de ação das equipes de saúde e, conseqüentemente, de logísticas de assistência a saúde. Descrever-se-á melhor a questão de como se realiza a assistência de saúde na região no item sobre a saúde do alto rio Negro, assim como algumas características culturais que podem influenciar nas estratégias de atendimento a assistência de saúde.

A sociedade indígena rio negrina é formada por 4 grandes famílias lingüísticas: Tukano Oriental, Aruak, Uaupés-Japurá e Yanomámi, todas com inúmeras etnias em cada grupo familiar; destas, as três primeiras estabeleceram há longa data (sem precisão cronológica, mas que possivelmente precederia a colonização português-espanhola das Américas) uma estabilidade de convívio e intensa dinâmica social com muitos pontos de similaridade, entre elas: estrutura clinica, divisão de poder, cosmogonia, mitologia, medicina e astronomia, sem que se tenha reporte (que remontam ao século XVIII) de confrontos maiores e momentos de desestruturação. A família Yanomámi sempre se postou afastada, uma vez que suas fronteiras territoriais são muito distantes, em partes ermas das florestas.

7

As três primeiras famílias estabeleceram-se territorialmente no rio Negro num processo progressivo; por ordem, primeiro habitaram os indígenas da família Uaupés-Japurá (hupde), com comportamento caçador coletor (características mantidas até a contemporaneidade), seguidos por uma invasão proveniente do norte por índios de domínio de agricultura, da família aruak (baniwas); em um momento posterior, oriundos do oeste chegaram os tukano- orientais (Tukana, Dessana, Barassana etc), com grande domínio de uso de curare (droga utilizada como anestésico com muita freqüência nas UTIs em todo o país), de construção de canoas e de melhores técnicas de pesca; neste momento, provavelmente, em razão de um confronto bélico prevaleceram os últimos sobre os primeiros. conseqüentemente se deram distribuição territorial e hierárquica das distintas etnias. Os tukanos orientais pegaram os melhores rios, com mais cachoeiras e melhor oferta de pesca (rios Uaupés, Tiquié, Papuri), os aruak mantiveram os rios de menor aporte de pesca (Içana, Ayarí e Xié) e os Uaupés-Japurá mantiveram-se no interfluvio dos rios Tiquié e Papuri, visto que a relação comercial de trocas mostrou-se eficiente com as etnias da família tukano oriental. Nesse processo histórico, estabeleceu-se uma hierarquia de poder dos primeiros sobre os últimos supracitados. (SILVERWOOD – COPE, 1990; BUCHILLET, 1991; ATHIAS, 2001; GARNELLO, 2000).

No gráfico 1 a população de SGC distribui-se por número de pessoas em cada etnia existente na região.

Gráfico 2 – Distribuição étnica da população de SGC.

Fonte: Lev SGC 2004

O gráfico acima indica a população de SGC no ano de 2004. Nele observamos que a maior parte da população é indígena, e dentro das etnias, os Baré e os Tukanos são as prevalentes.

Quadro 1 – Grupos étnicos de SGC, suas famílias lingüísticas e principais áreas de ocupação.

Grande parte dessa população vive nas cinco maiores terras indígenas da região, já reconhecidas oficialmente e homologadas desde o ano 1998, constituindo uma área contínua de 106.000 km².

A cidade de SGC é o principal centro urbano regional. Alguns povoados indígenas, sobretudo Iauaretê, também possuem algumas características urbanas, pois além de abrigar um pelotão de fronteira do Exército brasileiro, possuem a maior concentração da população indígena fora de SGC. Isso ocorreu devido à presença das missões salesianas (que construíram os então chamados colégios-internos) na região na década de 20, instaladas em SGC e nos povoados de Taracuá, Iauaretê, Pari Cachoeira (bacia do Uaupés), Assunção (rio Içana) e Maturacá (área Yanomámi) (Luciano,8 2006)

8

Antropólogo, Baniwa que foi dirigente da FOIRN (1987-1997) e em seguida, por dois anos (1986-1997), como dirigente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB.

2.2.CONTEXTUALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

A importância da descrição da geografia nessa região existe por ser uma área na qual os acidentes geográficos interferem nas condições de vida e, conseqüentemente, nas condições de saúde da população estudada. Essa região é considerada estratégica, já que se localiza na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, logo existe a presença constante das forças armadas brasileiras.