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öğrencisiz, akademisyensiz ve çalışansız kalmamalıdır.

O índio passou a ser uma realidade incômoda para o governo, essa é a verdade... Nós é que deveríamos ser integrados à cultura do índio e não o contrário. Esse povo nos dá uma lição de como se vive em sociedade. Eles nunca discutem ou maltratam uma criança.

Orlando Vilas Boas

O presente trabalho possui características que o tornam relevante tanto para o contexto acadêmico quanto para o contexto da elaboração de políticas públicas, consistindo em um trabalho inédito5 no que concerne às diferenças culturais que afetam a gestão da administração da assistência aos serviços de saúde, entre as instituições estudadas, além do relacionamento entre instituições governamentais e movimentos sociais, mais especificamente do movimento social indígena.

Assim a presente pesquisa justifica-se por se tratar de uma discussão atual sobre formuladores de políticas públicas, ainda pouco sensíveis às diversidades locais. Para a linha de pesquisa, a intenção é contribuir para a produção cientifica da linha de pesquisa nos temas que tange às políticas públicas na área de saúde. E para a população indígena do alto rio Negro, contribuir para uma análise critica dos modelos de gestão de assistência à saúde, fornecer elementos para subsidiar formulação de modelos alternativos de gestão e dar voz a quem supostamente representa os indígenas.

No ano 2000, ano em que o Brasil completava 500 anos de “descoberta” pelos portugueses, encontrava-se em voga a questão indígena. De lá pra cá, são freqüentes os destaques na mídia para as questões indígenas, incluindo a questão da demarcação de terras, o que influencia diretamente na saúde do indígena. Outra questão de relevância neste estudo de caso é o fato de ser a respeito de um convênio entre uma organização pública e uma Federação de Organizações Indígenas (que, em muitas ocasiões, também adquirem poder de Estado).

Tratar da saúde dos indígenas do alto rio Negro, mais do que uma questão de ética e de respeito a seres humanos, é também uma questão de segurança nacional, uma vez que esses povos habitam uma região de tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Venezuela). Além disso, estudar a gestão da assistência à saúde dos povos indígenas significa estudar a gestão dos descendentes dos povos mais antigos das Américas, que de acordo com os dados obtidos por meios de estudos arqueológicos, datam de 11 a 12,5 mil anos. (FUNAI 2008)

Este estudo se torna relevante, dado que se inserem na pauta de discussões de políticas de saúde pública os brasileiros esquecidos, bem como resgata o valor histórico e cultural dos indígenas dessa região, além de documentar a situação da saúde indígena de maneira acadêmica.

convênio com a FUNASA, de gestão do sistema de serviços de saúde para a população indígena do alto rio Negro – Amazonas, no período de 2002 a 2006.

Na busca desse objetivo principal, necessitou-se atingir alguns objetivos secundários como:

• identificar aspectos relativos às características da população indígena estudada relevantes para a discussão da organização do sistema de serviços de saúde;

• descrever o cenário que precedeu a celebração do convênio entre a FUNASA/FOIRN;

• analisar as estruturas administrativas das organizações envolvidas, bem como o histórico do relacionamento entre elas;

• relatar as responsabilidades das partes envolvidas no convênio;

• identificar aspectos relativos ao acesso e qualidade/desempenho dos serviços de saúde;

• avaliar as dificuldades de financiamento do sistema de serviços de saúde sobre responsabilidade da FOIRN;

• descrever o relacionamento entre as instituições envolvidas e identificar as motivações para o rompimento desse convênio.

Definir um problema de pesquisa é arriscar-se a fazer uma pergunta para a qual já existem respostas internas, incrustadas em nossas crenças, valores e experiências de vida. Num primeiro momento, ao se tomar como objeto de pesquisa o convênio realizado entre a FOIRN e a FUNASA, já se sabia que haveria muitas questões para se investigarem nesse período.

Realizou-se uma revisão teórica a respeito da região do alto rio Negro, da gestão e execução da assistência à saúde ao indígena, dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas e sua implementação e da terceirização dos serviços de saúde. Entende-se que essa revisão teórica seja o primeiro momento do percurso metodológico, traçado juntamente ao andamento da pesquisa. Optou-se por um estudo de caso, com uma abordagem qualitativa para a descrição do convênio, pois se acreditou ser a maneira mais eficiente para abordar o objeto de estudo.

Conforme descrito na Introdução, o tema central desta pesquisa foi à análise da experiência realizada pela FOIRN, em convênio com a FUNASA, de gestão do SUS para a população indígena do alto rio Negro – Amazonas, no período de 2002 a 2006. Realmente, o objetivo de um empreendimento metodológico foi viabilizar a análise dos procedimentos lógicos de validação e a proposta de critérios epistemológicos de demarcação para as práticas científicas (lógica da prova); por outro lado, examinar o próprio processo de produção dos objetos científicos (lógica da descoberta).

Tomando o critério de classificação de pesquisa proposto por Vergara (1997:44), classifica-se esta pesquisa:

a) Quanto aos fins: descritiva e avaliativa, dada a natureza do objeto;

b) Quanto aos meios de investigação: pesquisa de campo, uma vez que é empírica e realizaram-se entrevistas; análise de documentos institucionais, revisão teórica, pois se utilizaram livros, artigos científicos e internet, na obtenção do instrumental analítico.

O “estudo de caso” pode envolver métodos qualitativos ou quantitativos de pesquisa, dependendo da questão a ser respondida.

ocorrem em situações cotidianas.