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Evlerinde çalışanlar

3. TOFFLER VE MİMARİ

3.1. Elektronik Eve Doğru

3.1.2. Evlerinde çalışanlar

Os elementos analisados anteriormente influenciam em todos os âmbitos sociais. Contudo, nossa análise se deterá na divisão sexual do trabalho e na inserção diferenciada de homens e mulheres no mercado de trabalho.

Neste sentido, é inegável o crescimento da taxa de atividade feminina, nas últimas décadas que, por sua vez, tem impulsionado o processo de feminização do trabalho. Mas estes fenômenos não estão diretamente ligados a melhores condições de trabalho e, muito menos concorreram a curto e médio prazo, para mudanças significativas na segregação ocupacional de gênero (DIAS, 2006).

A inserção feminina no mercado de trabalho possui diferenças não só no tocante a sua relação com os homens, mas também demonstra situações diferenciadas ao longo de sua vida laborativa. As mulheres passam da inatividade para a atividade, do desemprego para a ocupação, quase sempre, como assalariada sem carteira assinada, doméstica ou autônoma. Ou seja, elas se inserem no mercado de trabalho mesmo que seja num mercado precarizado ou em ocupações, nas quais serão subutilizadas. Por isto, de uma forma geral, nos últimos anos, as mulheres têm ocupado as atividades em que predominam descontinuidades freqüentes, vulnerabilidades ao desemprego, formas de contrato sem garantias legais, redução dos níveis salariais e a informalidade.

No que se refere à educação e ao trabalho, as mulheres são sempre socializadas a aceitar as tarefas domésticas como suas, o que faz com que, qualquer que seja o caminho escolhido, como dona de casa ou profissional, ela, por vezes, é considerada culpada quando ocorrem problemas. Assim, se está remetida somente a esfera privada, permanecendo no ambiente familiar, no cuidado dos filhos e da casa, é acusada de não contribuir para o sustento da casa e da família, de ter fracassado como profissional. Do contrário, se está dedicada a uma carreira e obteve sucesso através dela, é acusada do abandono do lar, dos filhos e qualquer problema familiar, lhe será atribuída responsabilidade no fato, e será aceito, por vezes, por ela como tal. Para muitas mulheres não é fácil trocar o ambiente do lar pelo ambiente do trabalho externo, pois é naquele que ela possui hegemonia e segurança. Fica evidente que o poder da mulher está no seu afeto, na esfera emocional, no trato com os filhos, com o marido, no cuidado que exige a produção da comida, no trato do ambiente privado. A educação dada às mulheres, voltada para as tarefas domésticas influencia o mundo do trabalho24 e percebe-se entre as profissões ditas “femininas”, atividades que não rompem com a padronização. Nelas, as mulheres continuam a exercer o “papel feminino” categorizado como inferior, de pouco valor social, reproduzindo no seu interior, a situação de opressão, repetindo o modelo discriminador da condição de classe e da condição de gênero, preservando, portanto, os padrões burgueses e a continuidade e a manutenção dos papéis sexistas na divisão social do trabalho.

Desta forma, os mecanismos do capitalismo e do patriarcado favorecem a subordinação da mulher e alimentam uma ideologia da privatização25 feminina - concepção conservadora e discriminatória, que determina a forma que a mulher deve se inserir no mundo do trabalho, ou melhor, que não a vê como indivíduo a ser incluído no mercado de trabalho, afirmando que se a mulher não puder evitar o trabalho deve ao menos trabalhar em ocupações femininas – sendo esta a ideologia

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É polêmica a discussão sobre a influencia entre as “esferas” produtivas e reprodutivas. A nossa posição é que o ser social é uma totalidade complexa e imbricada no qual todas as “esferas” se influenciam mutuamente.

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Termo utilizado por Ferreti (1994) que se refere às discriminações sofridas pelas mulheres no mundo do trabalho que, segundo a concepção conservadora a mulher, não deve trabalhar, se puder evitá-lo.

da discriminação sexual das tarefas. Essas posturas afetam a liberdade de escolha profissional das mulheres.

A sociedade brasileira, historicamente autoritária e excludente é um campo fértil para essa ideologia. Na sua história de luta, está claro que existiu e existe uma forte dinâmica que exclui e submete as mulheres.

As relações de poder entre os sexos se assentaram, ao longo dos tempos, numa hierarquia de status e expressaram a diferença entre o homem e a mulher em termos de direitos legais e costumes

estabelecidos (HECKERT, 1991, p. 59).

Assim, a constituição da identidade feminina se deu distante da vida pública e sua inserção no mercado de trabalho remunerado e na vida política, quando ela se volta para tal, traz as implicações de uma identidade que historicamente foi direcionada somente para o mundo privado. A entrada das mulheres num espaço, que era majoritariamente masculino se deu sob a influência da ideologia da discriminação sexual das tarefas. Por isso, no conjunto de ocupações produtivas, existem aquelas destinadas à homens e outras à mulheres.

As profissões, nas quais, se encontram o maior número de mulheres, são aquelas que possuem as ditas características “femininas”, que reproduzem o espaço doméstico. As possibilidades de acesso à profissões mais técnicas é menor entre as mulheres, devido a carga de preconceitos e estereótipos que a estigmatizam. Nessas profissões, são privilegiados os homens por terem mais acesso a escolas técnicas e cargos técnicos, como a engenharia e a toda uma série de profissões na área de exatas, de ensino superior, nas quais, as mulheres têm menor representatividade, devido a sua educação não ser voltada para esse tipo de atividade cientifico - técnica. A questão não está no fato das mulheres não terem chances de concorrer a um curso na área tecnológica - mesmo porque assiste-se ao crescimento da entrada de mulheres, ainda que em minoria -, mas o que se constata é que as mulheres não foram educadas para escolher esse tipo de profissão, como se não lhes coubessem exercer esse tipo de atividade, ditas como de perfil “masculino”.

Dentro das universidades as mulheres se concentram em profissões como a enfermagem, a assistência social, nutrição, psicologia – papéis de cuidado com o outro – assim como lhes fora atribuído na família e na sociedade. A esse respeito, Heckert (1991, p. 60) citando Eva Blay, assinala:

As mulheres se dirigem para aqueles (cursos) socialmente indicados para o sexo feminino (...) é que o mercado de trabalho e a escolarização são dois ângulos de um mesmo processo; aquele reforça os valores sociais e induzem as eventuais pretendentes a carreiras próprias ao sexo feminino.

Outro ponto que determina a carreira feminina, ainda segundo Heckert, é o fato das escolhas profissionais se darem em função da vocação ou da possibilidade de conciliação com a vida doméstica, que não dificultem o casamento, profissões que possuam vantagens simbólicas, como a solidariedade humana, a realização pessoal, a oportunidade de realizar uma vocação, inspirada em motivações religiosas ou políticas, enfim profissões que incorporem a mística do servir, da ajuda, guiada por valores nobres e altruístas26. Dessa forma, as dificuldades compensariam as desvantagens como a baixa remuneração e o exercício de carreiras, cujo prestígio social não é muito elevado. Essas são as duas conseqüências da concentração feminina em determinadas carreiras – o desprestígio social e a baixa remuneração.

As influências sociais, os valores próprios da cultura que estão fortemente presentes no processo de socialização das mulheres, as conduzem a essas escolhas, como também as determinações sócio-históricas, de um determinado momento da organização da sociedade, interferem diretamente na escolha profissional. O desconhecimento desses fatores levam a crença sobre as possíveis “vocações” tidas como “naturais” ao sexo feminino para certos tipos de trabalho, como aqueles que envolvem o contato humano, o auxílio ao outros etc.

Bourdieu (1999) discute a questão do status social que as profissões femininas adquirem quando são realizadas pelos homens. Ele compara a

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Neste sentido, a autora assinala que a predominância feminina no Serviço Social, ainda é fruto desta tendência das mulheres de buscarem profissões com valores altruístas.

masculinidade à nobreza, porque os homens não podem rebaixarem-se a executar tarefas designadas socialmente como inferiores. Assim, algumas tarefas podem ser vistas como nobres e difíceis quando executadas por um homem, ou insignificantes e imperceptíveis quando executadas por mulheres. A este respeito, assinala:

[...] a diferença entre um cozinheiro e uma cozinheira, entre o costureiro e a costureira; basta que os homens assumam tarefas reputadas femininas e as realizem fora da esfera privada para que elas se vejam com isso enobrecidas e transfiguradas (BOURDIEU, 1999, p. 74).

As diferenças entre os sexos compreendidas como construções sociais e não como “destinos biológicos” indicam que a sociedade instaura patamares de poder e dominação. Assim, estabelece segregações e valorações que acabam por determinar um valor para o trabalho masculino diferente do feminino, não só no que concerne á remuneração, mas também quanto ao reconhecimento social da tarefa e da profissão.

As profissões ditas qualificadas cabem aos homens [...] porque em parte toda profissão, seja ela qual for, vê - se de certo modo qualificada pelo fato de ser realizada por homens (que, sob esse ponto de vista, são todas, por definição, de qualidade (Ibidem, p. 74).

Segundo Silveira e Almeida (1991, p. 34) a opressão feminina se dá assim, pela:

[...] categoria sexo ser historicamente marcada pela discriminação, submissão, via de regra ocupando papéis secundários na divisão social do trabalho. Uma espécie singular carregada de mitos e fantasias que reforçam a posição de dependência e submissão.

Assim, apesar da conquista do mercado de trabalho, as mulheres se encontram em condições subalternas, ganhando menos e sem reconhecimento, o que mostra que o crescimento econômico não foi igual para todos.

A participação política da mulher avançou, em todo o mundo e, no Brasil, particularmente, tivemos muitas conquistas como a constituição de 1988 que garantiu, entre outras conquistas, a licença maternidade de 120 (cento e vinte) dias, ao invés de 90 (noventa), criou a licença-paternidade e estendeu o direito de creche para os filhos de trabalhadores independentemente do sexo. Ainda na década de 1990 foram criadas as lavanderias coletivas e os programas de geração de renda.

Mas, mesmo após essas conquistas, as mulheres continuam enfrentando muitos problemas na área do trabalho. Como já assinalamos, se requer maior dedicação das mulheres do que do homem no cuidado dos filhos Elas, em geral, têm que abandonar o emprego, quando resolvem tê-los, fazendo cair o número de trabalhadoras entre 24 (vinte e quatro) e 30 (trinta) anos. Elas também abrem mão de empregos formais com horários rígidos em função das crianças, obrigando-as a se vincularem a trabalhos informais ou a jornadas parciais, pela possibilidade de conciliar o trabalho com os filhos e o trabalho doméstico. Todos esses elementos trazem prejuízos para as mulheres na medida em que, impossibilitam seu crescimento profissional, impedindo-as de assumirem cargos de chefia, por exigirem um maior tempo de dedicação.

A reestruturação produtiva trouxe consigo novos desdobramentos para a questão de gênero. As mulheres sofreram ainda mais com esse novo modelo de exigência, na medida em que devido a sua dupla jornada (que é vista como natural), se torna muito difícil que ela alcance o nível de qualificação desejável, obrigando-a a se submeter a trabalhos que exijam menor qualificação profissional e tempo disponível, estando atrelada, muitas vezes, ao mercado informal, sem a garantia de direitos trabalhistas. A este respeito, Antunes (1995, p. 46) assinala que uma crítica conseqüente ao capital, enquanto relação social deve, necessariamente, apreender a dimensão de gênero:

A presença feminina no mundo do trabalho nos permite acrescentar que, se a consciência de classe é uma articulação complexa, comportando identidades e heterogeneidades, entre singularidades que vivem uma situação particular no processo produtivo e na vida social, na esfera da materialidade e da subjetividade, tanto a contradição entre o individuo e sua classe, quanto àquela que advém da relação entre classe e gênero, tornaram-se ainda mais agudas na era contemporânea. A classe-que-vive-do-trabalho é

tanto masculina quanto feminina. É, portanto, também por isso, mais diversa, heterogênea e complexificada. Desse modo, uma critica do capital, enquanto relação social, deve necessariamente apreender a dimensão de exploração presente nas relações capital/trabalho e também aquelas opressivas presentes na relação homem/mulher, de modo que a luta pela constituição do gênero-para-si-mesmo possibilite também a emancipação do gênero mulher.

Percebe-se, nitidamente, que ocorreram mudanças como a desproletarização relativa do trabalho industrial, a incorporação do trabalho feminino, subproletarização (trabalhos temporários e parciais) e um crescimento do setor de serviços, que está evidente no crescimento absoluto do setor terciário. Uma outra conseqüência, de grande importância, é a mudança na forma do trabalho que, de um lado, se dá pela exigência cada vez maior de qualificação e, de outro, na crescente desqualificação de grandes contingentes de trabalhadores. Neste sentido, não houve uma eliminação do trabalho, mas sim uma intelectualização de uma parcela da classe trabalhadora e a exclusão crescente dos trabalhadores não qualificados, aumentando o número de desempregados.

Como já foi citado, as mulheres estão dentre os mais prejudicados com essa nova exigência do mercado já que sua dupla jornada, na esfera privada e na pública, as impossibilita, muitas vezes, de alcançar uma maior qualificação, fazendo com que se submetam a trabalhos parciais e temporários.

Em relação às mulheres, o mercado de trabalho as exclui/inclui de diversas formas. Segundo Helena Hirata (2005), de um lado, existem certas discriminações, como a questão da idade, na qual as pessoas mais jovens estão sempre em vantagem, porque, as com menor idade são tidas como mais dispostas, mais hábeis. Ademais, existem também as discriminações em relação ao estado civil, as mulheres casadas ou com filhos pequenos não são bem vistas, porque podem aumentar o absenteísmo no trabalho. Percebemos então obstáculos do próprio mercado de trabalho que limita o ingresso da mulher. Mas existem outros obstáculos como em relação à família, o espaço familiar, onde, por exemplo, aquelas que possuem filhos pequenos têm dificuldade para trabalhar no ritmo desejável pelas empresas, com horários regulares, entre outras exigências. Muitas vezes, essas

empresas não possuem creche ou porque a “conciliação” entre o trabalho profissional e a família é exigida somente para as mulheres e não para os homens.

Fica evidente que esses desafios e obstáculos estão ligados ao fato de que o cuidado da casa e da família, dos filhos, das crianças é visto como obrigação da mulher, cabendo a ela o destino e o cuidado com a família. E tudo isso entra em concorrência com a possibilidade de ter uma atividade profissional.