COM AGREGADOS DE ENTULHO DE CONCRETO
Com o objetivo de avaliar, em função da resistência à compressão axial e da absorção de água, a possibilidade de aplicação do lodo de Estação de Tratamento de Água em concretos estruturais de resistência moderada, produzidos com agregados naturais e com agregados de entulho de concreto, foram produzidos os seguintes concretos descritos no Quadro 4.1:
QUADRO 4.1 – Concretos produzidos com o objetivo de avalizar a possibilidade de aplicação do LETA de São Carlos em concretos estruturais de resistência moderada.
Concreto Tipo Descrição
CC Concreto convencional - Traço (em massa) 1:2:3.
CCR1L CC com 1% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CCR2L CC com 2% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CCR3L CC com 3% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CCR4L CC com 4% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CCR5L CC com 5% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CRE Concreto reciclado produzido com agregado miúdo natural e agregado graúdo de entulho de concreto - Traço (em massa) 1:2:3.
CRE1L CRE com 1% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CRE2L CRE com 2% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CRE3L CRE com 3% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
CRE4L CRE com 4% em massa de LETA substituindo o agregado miúdo natural.
4.3.1. PREPARO DOS CONCRETOS DE RESISTÊNCIA MODERADA
O primeiro passo na produção dos concretos em estudo foi a montagem granulométrica dos agregados graúdos e miúdos em função da composição granulométrica dos agregados naturais.
O segundo passo foi a determinação do fator (a/c) em função da consistência que, para todos os concretos, foi padronizada em (60 ± 10) mm, medida pelo ensaio de abatimento do tronco de cone.
4.3.1.1. Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone
A determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone foi realizada seguindo-se as especificações da NBR 7223, de fevereiro de 1982.
Na Figura 4.17, observa-se a betoneira utilizada para a mistura dos componentes do concreto e, na Figura 4.18, observam-se os equipamentos utilizados no ensaio de determinação da consistência do concreto: a placa metálica de base, o molde em forma de tronco de cone, a haste de socamento, a régua metálica graduada e a concha metálica para o enchimento do molde.
FIGURA 4.18 – Equipamentos utilizados no ensaio de determinação da consistência do concreto.
O molde foi inicialmente umedecido internamente, colocado sobre a placa metálica da base e fixado pelas suas aletas pelos pés do operador.
Em seguida, foi totalmente preenchido de concreto em três camadas aproximadamente iguais, que foram adensadas, cada uma, com 25 golpes uniformemente distribuídos e aplicados com haste de socamento.
Após o preenchimento total do molde, o excesso de concreto foi removido com auxílio da própria haste de socamento, e a desmoldagem foi realizada elevando-se o molde pelas alças na direção vertical com velocidade constante e uniforme.
O abatimento do tronco de cone de concreto foi determinado pelo valor da distância entre o plano correspondente à base superior do molde e o centro da base superior da amostra abatida, medida com régua metálica graduada.
4.3.1.2. A moldagem e a cura dos corpos-de-prova
Para cada matriz de concreto em estudo, foram moldados seis corpos-de-prova cilíndricos de concreto, para que três fossem rompidos aos 7 dias e três, aos 28 dias.
A moldagem e a cura dos corpos-de-prova cilíndricos de concreto foram realizadas seguindo-se a NBR 5738, de abril de 1994.
Na Figura 4.19, observa m-se os moldes de aço cilíndricos de (10 x 20) cm, que antes de receberem o concreto, foram untados internamente com uma fina camada de óleo mineral e, para evitar vazamentos, tiveram suas juntas vedadas com uma mistura de cera virgem e óleo mineral.
FIGURA 4.19 – Moldes de aço cilíndricos de (10 x 20) cm.
Imediatamente após o amassamento do concreto, os moldes foram preenchidos totalmente com duas camadas de espessuras aproximadamente iguais, que receberam, cada uma, como forma de adensamento, 15 golpes uniformemente distribuídos e aplicados com haste de socamento.
Após a moldagem, os corpos-de-prova foram imediatamente cobertos com material não-reativo e não-absorvente, com a finalidade de evitar a perda de água e proteger o concreto da ação das intempéries.
Os corpos-de-prova cilíndricos perma neceram nas formas em processo de cura inicial ao ar por 24 horas.
Após esse período, eles foram desformados e tiveram sua face superior e inferior capeadas com uma camada de argamassa de cimento e areia fina de 3 mm, com o intuito de se obter superfície lisa e isenta de riscos e falhas de planicidade superiores a 0,5 mm. A argamassa utilizada no capeamento foi produzida com 50% de cimento, 50% de areia fina e água suficiente para se obter boa trabalhabilidade.
Após a desforma e o capeamento, os corpos-de-prova foram conservados em câmara úmida com temperatura de (23 ± 2) oC e com 95 % de umidade relativa do ar, até a data dos ensaios de resistência a compressão axial.
4.3.2. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO AXIAL DOS CONCRETOS DE RESISTÊNCIA MODERADA
A resistência à compressão axial dos concretos em estudo foi determinada seguindo-se o método descrito pela NBR 5739, de julho de 1994.
Para a execução dos ensaios, utilizou-se a prensa do Laboratório de Materiais e Componentes do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos, mostrada na Figura 4.20.
Antes do ensaio, limpou-se a base da máquina e calçou-se o corpo-de-prova, de forma que ele ficasse rigorosamente centrado em relação ao eixo de carregamento.
A resistência à compressão axial de cada corpo-de-prova foi determinada dividindo-se a carga de ruptura especificada pelo aparelho de leitura da prensa pela área da secção transversal do corpo-de-prova.
FIGURA 4.20 – Prensa utilizada no ensaio de compressão axial de corpos-de-prova cilíndricos.
4.3.3. DETERMINAÇÃO DA ABSORÇÃO DE ÁGUA DOS CONCRETOS DE RESISTÊNCIA MODERADA
O ensaio de determinação da absorção de água foi realizado com a parte mais representativa dos corpos-de-prova rompidos aos 28 dias.
As partes escolhidas foram inicialmente colocadas na câmara úmida por 24 h e tiveram seu peso úmido determinado. A seguir, foram colocadas na estufa a 110 oC por 24 h e tiveram seu peso seco determinado.
De posse desses resultados, a absorção de cada corpo-de-prova foi determinada por meio da seguinte equação:
Seca Massa .100 Seca) Massa - Úmida (Massa (%) Absorção =
4.4. ESTUDO DA APLICAÇÃO DO LETA EM CONCRETOS DE CONTRAPISO