A. Eser Sahibinin Manevi Hakları
3. Eserde De i iklik Yapılmasını Önleme Yetkisi
Faremos uma análise sobre o reflexo das mudanças econômicas do município sobre a habitação na Vila Ser-Pro, a partir dos anos 2000. A comunidade pouco se encaixa, internamente, nas modificações resultantes da vinda de grandes empresas a não a ser a insegurança de perder o lugar ocupado para sua moradia e de sua família. Os moradores veem a transformação ocorrida na cidade, mas não se sentem encaixados e integrados ao processo. Carregam o estigma de população flutuante, miserável, não socializada, cortada de seus vínculos rurais e que ameaçam a ordem social.
É como se o isolamento ocorrido na Vila, quando de sua constituição, refletisse o que a sociedade queria na época: não contaminar com a miséria, com a desgraça que pode infetar o corpo social (CASTEL, 2011, p.281).
Cada sociedade, de forma mais ou menos avançada, respondeu diferentemente às pressões social e jurídica implantadas nos anos 70 e 80, com base em suas tradições. Construiu defesa um pouco mais sólida, contra ou a favor do mercado, protegendo direitos enraizados há longo tempo.
Para protegerem suas terras, os fazendeiros de Rio Verde, explícita ou implicitamente, promoveram toda pressão para a retirada do trabalhador do campo, tanto nas relações de trabalho, quanto nas relações sociais civis. Nessa vinculação capital x trabalho, o próprio trabalhador buscou na cidade melhoria de suas condições de vida. Chegou sem qualificação, sem escolaridade, com uma família muito grande e sem moradia.
A forma de viver, com restrições derivadas da falta de capital, chegou ao conformismo. Essa condição foi abalada com a chegada de grandes empresas no município e a necessidade de mão de obra. Houve uma corrida dos moradores da cidade em busca de emprego, porém esbarraram na sua própria falta de qualificação.
O processo de transformação do trabalho em emprego, citado na obra de Castel (2011, p.283) e exigido juridicamente como forma de emprego protegido, não alcançou seu desiderato, em se tratando da Vila Ser-Pro. Os ocupantes despossuídos de terra não receberam condições necessárias para competirem com outros trabalhadores em busca de emprego assalariado. O mercado do salário como objeto de desejo, não atingiu a essa classe.
Para Castel (2011), no jogo entre capital x trabalho não são todos que perdem. Existem aqueles que mobilizam recursos, capitais, que têm melhor formação e que saem, algumas vezes, muito bem nessa situação competitiva. Contudo, um grande número de pessoas, talvez a maioria, que mora na Vila, não conseguiu benefícios nesse novo modelo de desenvolvimento de Rio Verde. O autor assevera:
[...]. Mas outros, e temo que sejam os mais numerosos, encontram- se perdidos, quer dizer, desmembrados dos conjuntos coletivos, das regulações coletivas de proteção e de direito do trabalho. Passam a ser indivíduos isolados de seus pertencimentos coletivos. [...] poderiam ser chamadas de sobrantes, pessoas que não tem lugar na sociedade [...]. Estão lá como inúteis, inúteis ao mundo como se costumava falar dos vagabundos nas sociedades pré-industriais, no sentido de não encontram um lugar na sociedade com o mínimo de estabilidade. (CASTEL, 2011, p. 293-296).
Pela pesquisa realizada, constatamos que o bairro é composto de trabalhadores sobrantes ou de baixa condição de produtividade. Tal situação, de forma implícita, se mostra como justificativa para que não recebam o título de proprietários do imóvel urbano, nas mesmas características apontadas por Castel, nos parágrafos anteriores. Para os proprietários da área que ainda é cadastrada como rural e está em nome de uma pessoa jurídica, onde se situa a Vila Ser-Pro, sobrantes é o nome que qualifica aqueles moradores.
Para alguns membros da Associação Serviço da Providência, pessoas que tenham adquirido melhor situação socioeconômica devem deixar o bairro, para que possam assentar, no local, outras famílias carentes. Isto é, possam provê-las com o Serviço de Providência, oferecendo-lhes moradia e certo amparo. Infere-se, com
essas considerações, que existe a atmosfera de aceitação do modus vivendi dos moradores do bairro, porque eles estão completamente atomizados, rejeitados do circuito que lhes poderia atribuir uma utilidade social.
De acordo com Lefebvre (2001, p.137), a “prática mostra que pode haver crescimento sem desenvolvimento social”. A cidade de Rio Verde cresceu, espaços vazios foram ocupados, chegando às proximidades do bairro. O crescimento foi quantitativo, sem o desenvolvimento qualitativo que o levasse à transformação. Ainda, nessas mesmas condições, segundo o autor supracitado:
[...] as transformações na sociedade são mais aparentes do que reais. O fetichismo e a ideologia da transformação (por outras palavras: a ideologia da modernidade) ocultam a estagnação das relações sociais essenciais. O desenvolvimento da sociedade só pode ser concebido na vida urbana, pela realização da sociedade urbana.
O duplo processo de industrialização e de urbanização perde todo o seu sentido se não se concebe a sociedade urbana como objetivo e finalidade da industrialização, se se subordina a vida urbana ao crescimento industrial (LEFEBVRE, 2008, p.137).
Poucos dados foram obtidos na busca nos arquivos dos institutos de pesquisa sobre a condição do trabalhador ou do empregado na região da Vila Ser- Pro. O capitalismo industrial chegou a um momento em que a sociedade regional tinha um forte assento rural, prevaleciam as relações informais entre empregados e empregadores e as transações não passavam pelo crivo do registro burocrático.
Quando do retorno à Vila em busca de números que explicariam a relação trabalho x capital no bairro, encontramos na Associação de Apoio ao Menor Joana
de Ângelis alguns dados que serão apresentados, na sua forma frágil que nos foi cedida, no final do capítulo.
Dois são os principais elementos responsáveis pela fixação do indivíduo em um domicílio específico: a moradia e o emprego. Abordaremos a questão da empregabilidade no município, seu reflexo na organização familiar e na aquisição da propriedade.
De início, tratamos das mudanças ocorridas nas relações de trabalho em Rio Verde, no final do século anterior e na primeira década do século XXI. Foi feita uma análise dos aspectos econômicos, da política de emprego, da economia rural à industrialização do município, enfatizando, sobretudo, a importância das forças produtivas e da divisão do trabalho para o desenvolvimento de uma região.
Empresas foram chegando e a cidade se transformou. Os postos de trabalho foram aumentados, conforme dados estatísticos Porém, faltaram as novas competências profissionais. “O camponês veio para a cidade pretendendo ser operário industrial. Só que a dinâmica capitalista exclui e demora em incluir e aí começa a tornar visível o que se chama de exclusão” (VÉRAS, 1999, p.99).
Foram analisados, sociologicamente, dados secundários coletados pelos institutos de pesquisa sobre a densidade demográfica, o número de empresas implantadas no município e a proporção de empregados admitidos e demitidos, entre 2000 e 2008.
2.4 Aspectos econômicos e empregabilidade em Rio Verde – Goiás entre 2000 e