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ESER SÖZLEŞMESİNİN MÜTEAHHİDİN TEMERRÜDÜ NEDENİ İLE FESHİ

B - MÜTEAHHİDİN ÖLÜMÜ YA DA ACZİNE BAĞLI SÖZLEŞMENİN SONA ERMESİ

D- ESER SÖZLEŞMESİNİN MÜTEAHHİDİN TEMERRÜDÜ NEDENİ İLE FESHİ

Na presente pesquisa, definiu-se como área de estudo uma empresa da construção civil localizada em Fortaleza – CE. A referida empresa solicitou reservas quanto à sua identificação, ao que prontamente foi atendido, designando-a, no decorrer do trabalho, de Empresa X. Foi dirigida uma entrevista semi-estruturada a um dos administradores da construtora.

Figura 06 – Aspectos da obra citada da Empresa XX, com destaque para materiais utilizados

Figura 07 – Aspectos da obra citada da Empresa XX, já em fase de conclusão

Fonte: Acervo da Empresa X. 2013.

4. RESULTADOS

4.1 Os Ecopontos

Os Ecopontos consistem em locais de entrega de pequenas quantidades de resíduos, mais especificamente entulhos, pneumáticos e resíduos volumosos9. Construídos e gerenciados com recursos públicos ou privados, dependendo da determinação político-administrativa, esses pontos integram um Programa Municipal que oferece serviço público de coleta a pequenos produtores e transportadores comprometidos em dar uma adequada destinação aos seus resíduos.

Os Ecopontos recebem pequenos volumes de resíduos, inferiores a 1m³, que não são captados pela coleta convencional. Os resíduos são depositados em caixas estacionárias a fim de evitar a contaminação do solo e do lençol freático. Na elaboração do projeto para os Ecopontos, consideram-se aspectos como topografia, aclive, declive, ergometria, para adequá-los aos princípios de sustentabilidade. Após a realização de estudos para a elaboração do Plano de Gerenciamento, foi definida uma rede de pontos de captação de resíduos distribuídos por toda a cidade de Fortaleza, formando os chamados pólos de recebimentos,

Na definição dos locais para a implantação dos ecopontos, consideraram- se, preferencialmente, as áreas públicas, os locais já utilizados pela população para o descarte de resíduos e áreas privadas legalmente doadas à administração do município. A criação desses pontos de captação, garantiriam uma maior eficiência à remoção dos resíduos pela EMLURB.

Segundo o Plano, Fortaleza necessita de aproximadamente 40 Ecopontos. No entanto, até 2012, apenas 02 Ecopontos haviam sido inaugurados, um no bairro da Varjota (SER II) e outro em Pirambu (SER I), um número insuficiente para evitar a deposição irregular dos RCC pelos agentes geradores.

Inaugurado em 2010 pela Secretaria Executiva Regional II, juntamente com a EMLURB, a SEUMA e a Ecofor, o Ecoponto da Varjota é o primeiro do Ceará (Figura 09). Em sua área de 1.200 m², são depositados entulhos, restos de poda e resíduos eletrônicos em quantidades de até 50 quilos ou 100 litros. O objetivo de sua

9 Como exemplo desses resíduos tem-se: sofás, móveis, geladeiras, televisores, entre outros.,

construção é eliminar os inúmeros pontos de deposição clandestina existentes na área, oferecendo aos moradores um serviço de captação adequado para esses tipos de resíduos (JORNAL “O POVO”, 2010).

Figura 08 – Ecoponto da Varjota

Fonte: Arquivo da Prefeitura Municipal de Fortaleza, 2013.

O Ecoponto do Pirambu foi o segundo a ser implantado em Fortaleza. Em funcionamento desde abril de 2012, este ecoponto atende aos bairros que integram a SER I, recebendo pequenos volumes de entulho gerado por obras dessa localidade e transportados, sobretudo, por carroceiros10 (Figura 10).

Figura 09 – Ecoponto do Pirambu

Fonte: Arquivo da Prefeitura Municipal de Fortaleza-CE, 2013. 4.2. Áreas de triagem e de reciclagem

Segundo Lima (2006), as áreas de triagem e de reciclagem são locais criados para o manejo de quantidades vultosas de RCC gerados por grandes produtores. Essas áreas são geridas por agentes privados (construtoras e empresas de coleta e transporte de resíduos) que estabelecem parcerias para formar uma estrutura de gestão compartilhada. Dessa forma, os grandes geradores passam a se responsabilizar por seus resíduos.

Para atender ao grande volume atualmente produzido em Fortaleza, o Plano prevê a implantação de 03 usinas de reciclagem de entulhos, com capacidade de processamento de 150 ton/hora. Atualmente, apenas a USIFORT, fundada há quase dez anos, está em atividade.

Localizada na altura do Km 06 da BR 116, a Usina de Reciclagem de Fortaleza (USIFORT) ocupa uma área de 33.377,66 m² (Figura 11). Licenciada pela SEUMA, esta empresa opera desde o ano de 2003, reciclando, por mês, cerca de 20.000 toneladas de RCC entre entulho, algo em torno de 5.000 toneladas, e material de escavação, aproximadamente 15.000 toneladas.

Figura 10 – Área interna da USIFORT

Fonte: Arquivo da USIFORT, 2012.

Dos 96.000 m³ de RCC gerados ao ano em Fortaleza, a USIFORT recicla apenas 5%, um percentual muito modesto. Nesta usina, os resíduos passam por transformação, dando origem a materiais reciclados que retornam a cadeia produtiva da construção civil local. Entre os RCC gerados na cidade, a USIFORT recicla apenas os resíduos que integram a classe A (argamassa, concreto, tijolos, telhas, blocos, restos de placas de revestimentos, entre outros). Da transformação desses materiais são produzidos areia, brita, tijolos, dentre outros produtos.

A USIFORT recebe materiais de seis empresas de coleta e transporte de RCC de Fortaleza. Estas empresas não pagam pela deposição de seus entulhos na USIFORT, no entanto, a usina recebe apenas resíduos previamente segregados. 4.3 O caso da Empresa X: materiais de origem, quantidade de RCC produzida por categoria de classe de resíduo e destinação dos resíduos

Quanto aos materiais de origem do RCC, a Empresa X, na construção de um condomínio residencial de 2.023,68m² (área construída), utilizou os seguintes materiais que, posteriormente, comporiam o RCC dessa obra, especificamente: pedra argamassa, blocos cerâmicos e de concreto, argamassa mista de cal e cimento, concreto armado, piso cerâmico e porcelanato, madeira, fibrocimento,

cerâmica e pintura em látex acrílico e textura acrílica, alumínio e vidro, esmalte sintético, Policloreto de Vinila (PVC), aço, cabos de cobre e cerâmica branca11,

dentre outros (Figuras 02 e 03).

No que se refere à quantidade de RCC produzida por categoria de classe de resíduo, a Empresa X, no quadro (02) a seguir12, demonstra a quantidade de RCC produzida, por categoria de classe de resíduo, na obra citada anteriormente. A Empresa X totalizou, na construção da obra citada, a produção de 254,95 m³ de resíduos Classe A, 12,35 m³ de resíduos Classe B e 0,93 m³ de resíduos Classe D13.

Quadro 04 – Quantidade de resíduos produzidos em obra da Empresa X por classe

Classe do resíduo Resíduo Quantidade Em m³ A

Pedra de mão argamassada 0,33 Alvenaria tijolo furado - fundações 0,52

Concreto 13,58 Bloco cerâmico 78,41 Argamassa de revestimento - emboço 89,84 Argamassa de chapisco 68,44 Cerâmica polida (30x30) 1,73 Porcelanato polido 1,32 Argamassa de assentamento (colante) 0,50 Argamassa de rejutamento 0,06 Piso pré-moldado 0,23 B Aço CA 50/60 0,13 Madeira (fôrmas) 4,38 Manta asfáltica 7,66

Instalações elétricas(fios, cabos,

eletrodutos) 0,11

Instalações hidro-sanitárias (PVC) 0,06 D

Latas de tinta, de solventes, estopas, rolos, brochas, pincéis usados na

pintura 0,89

Sacos de cimento 0,04

Fonte: Empresa X. Pesquisa Direta, junho de 2013.

11 Informações concedidas pela administração da Empresa X em seu Projeto de Gerenciamento de

Resíduos da Construção Civil (PGRCC). Pesquisa Direta, junho de 2013.

12 Informação concedida ao autor pela administração da Empresa X. Pesquisa Direta, junho de 2013. 13 Informações concedidas pela administração da Empresa X ao autor. Pesquisa Direta, junho de

Quanto à destinação dos resíduos, a Empresa X encaminha seus resíduos Classe A para a USIFORT, com fins à sua reciclagem e produção de agregados reciclados. Ressalte-se que a reutilização busca dar utilidade aos resíduos produzidos, inserindo-os novamente no ciclo de vida útil do empreendimento de origem ou de outras edificações.

Quanto ao restante dos resíduos, Os resíduos Classe B são encaminhados para associações de catadores (papelão de embalagens, PVC, entre outros) ou vendidos (madeira para padarias, aço para unidades de coleta e processamento de sucata – Gerdau). O gesso é encaminhado para a Usina de Reciclagem do Nordeste (USINE). Os resíduos classe D (latas de tinta, de solvente, estopas, entre outros) são encaminhados para o Centro de Tratamento de Resíduos Perigosos (CTRP) onde são incinerados. É aplicada a logística reversa para os sacos de cimento, sendo estes encaminhados ao distribuidor onde se adquiriu o saco de cimento, para a posterior remessa deste à fabrica, onde são utilizados na etapa de coprocessamento. (EMPRESA X, junho de 2013 - REF)

A Empresa X tem atentado para uma mudança de modelo ao utilizar agregados reciclados no aterramento (entre 30 e 70% na obra citada neste trabalho), além de sua utilização na fabricação de concreto não estrutural, a exemplo de lastros e contra-piso14.

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5. CONCLUSÃO

O município de Fortaleza ainda enfrenta sérios problemas relacionados a produção e disposição inadequada de resíduos sólidos e o segmento da construção civil, assim como em grande parte dos municípios brasileiros, é o principal responsável pelo agravamento dessa situação. Numa perspectiva sustentável, é emergente a mudança nos padrões de exploração e utilização dos recursos naturais, bem como a deposição dos resíduos advindos desse segmento, mais especificamente colocados neste momento.

Mediante a dificuldade de se encontrar novas áreas na Região Metropolitana de Fortaleza para a disposição final de RCC e demais resíduos urbanos, tornou-se necessária a adoção de medidas que estimulassem a redução da produção como a reutilização, a reciclagem e a compostagem para prolongar a vida útil dos aterros já existentes.

Assim sendo, e como resultado de pesquisa, embora de forma ainda não totalmente eficiente e muito tímida, foi elaborado e implementado o Plano de Gestão Integrada de Resíduos da Construção Civil pela Prefeitura de Fortaleza, que teve por base os estudos de Lima (2006). Constitui-se, assim, como o primeiro passo para a transformação desse quadro, pois oferece aos agentes desse setor, instrumentos necessários para o manejo adequado de seus resíduos.

O Plano propõe uma gestão sustentável para os resíduos da construção civil através da criação e utilização de Ecopontos e Usinas de Reciclagem.

Do total sugerido por Lima – 40 Ecopontos dada à proporção de resíduos produzidos em Fortaleza – apenas 5% (02 Ecopontos) foram implementados no período de seis anos, ou seja, de 2006 até os dias atuais. Ressalte-se, ainda, o Ecoponto de Pirambu por sua dimensão e questiona-se se realmente poderia atender aos fins propostos.

Das três Usinas de Reciclagem necessárias ao atendimento da questão proposta por Lima, apenas uma foi implementada e se encontra em funcionamento, muito embora recicle apenas 5% do total de resíduos sólidos provenientes da construção civil. Enfatize-se, porém, que esta Usina foi apropriada em tempo pelo Plano, já que sua criação antecede à implementação do mesmo.

No entanto, se as medidas propostas neste Plano, tanto para pequenos como grandes geradores de resíduos, se efetivassem, poderiam ser eliminados os

inúmeros pontos de deposição irregular, existentes hoje em diversos bairros da capital, bem como os prejuízos econômicos e ambientais provocados pelo acumulo de entulho.

É importante enfatizar que a responsabilidade pelo destino dos resíduos não é exclusiva do poder público. A sociedade civil e os agentes ativos das atividades produtivas, sobretudo as que mais degradam o meio ambiente, como é o caso da construção civil, devem se responsabilizar pelos remanescentes que produzem, adotando medidas que tornem suas ações sustentáveis.

A possibilidade da implementação de um novo paradigma, pautado em uma sociedade que direcione suas ações de modo sustentável, é real e pode ser observada nas ações da Empresa X, que encaminha os resíduos que produz para destinação, seja para reutilização ou reciclagem. Não menos importante, podem dirigir suas ações de modo a tornarem-se agentes de desenvolvimento, como no caso do encaminhamento de alguns resíduos para Associações de Catadores. Desse modo, o projeto de Ecopontos e de áreas de manejo de grandes volumes de entulhos proposta pelo Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de Fortaleza representa um novo modelo de gestão, no qual cada agente gerador se responsabiliza por seus resíduos. É um importante avanço para a construção civil local em direção à sustentabilidade, o que poderá trazer, em longo prazo, benefícios para a comunidade e para o meio ambiente.

Espera-se que o tema aqui abordado seja aprofundado em trabalhos futuros.

6. REFERÊNCIAS

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