2.6. Literatürdeki Araştırmalar
2.6.2. Uluslararası araştırmalar
2.6.2.1. Erken fen öğretimi ile ilgili uluslararası araştırmalar
Como vimos, as grandes alterações havidas durante a década de 1990 no aparelho do Estado brasileiro e em suas relações com a atividade econômica, o SESC e o Sistema
S permaneceram em essência intocados em sua estrutura e forma de financiamento. O único dispositivo legal que afetou de maneira significativa estas organizações foi a instituição do Imposto Simples, que, com os objetivos de incentivar as pequenas e micro empresas e combater a sonegação fiscal, determinou a isenção do recolhimento das contribuições compulsórias para empresas com faturamento anual até R$1.200.000,00. Com esta isenção, muitas empresas de menor porte deixaram de recolher para os serviços sociais autônomos, sem que no entanto seus empregados tenham perdido o direito aos benefícios prestados por SESI e SESC19.
Como relatado, durante a Constituinte houve movimentos tendendo à estatização e à “privatização” do Sistema S. O modelo destas entidades não somente sobreviveu à Assembléia Constituinte, como foi por ela ratificado, ao receber suporte na Constituição. Tal modelo foi ainda empregado para a criação do SENAR, SEBRAE, SEST e SENAT, nos anos iniciais da década de 1990.
Finalmente, a Reforma do Estado empreendida pelo governo Fernando Henrique Cardoso veio a enfatizar a idéia da ação no campo social através de entidades de direito privado operando sob permissão do Estado, recebendo recursos orçamentários e atuando com indicadores de gestão. Na obra "Parcerias na Administração Pública", Maria Sylvia
19 O fato de o Imposto Simples ter sido aprovado acarretando prejuízo para o Sistema S pode ser entendido a
partir da prioridade dada pelo governo ao combate ao déficit público, uma vez que o Simples pretendeu ampliar a base da arrecadação, via simplificação e unificação dos tributos. Além disso, a isenção do recolhimento para o
Sistema S para as menores empresas traduz a importância dada a ganhos de competitividade neste segmento, devido ao fato, entre outros, de ser por excelência gerador de empregos.
Zanella Di Pietro estabelece claramente o vínculo entre a concepção das "organizações sociais" e os serviços sociais autônomos:
Segundo tudo indica, o que serviu de inspiração para o projeto das organizações sociais foram os chamados Serviços Sociais Autônomos (Sesi, Sesc, Senai e outros) e, mais proximamente, o Serviço Social Autônomo "Associação das Pioneiras Sociais" (DI PIETRO, p.205).
Com base nestes fatos, pode-se depreender que as organizações do Sistema S tiveram sua “relação custo-benefício” apreciada favoravelmente pela sociedade, não só pela Constituinte, mas também pelos governos de caráter reformista que se lhe seguiram. Receberam, portanto, o encargo de continuar operando como vinham fazendo desde a década de 1940.
O cenário atual, no entanto, apresenta a estas organizações alguns fatores que podem reacender ou intensificar as pressões para uma revisão de seu modelo de subvenção e administração. Estes fatores são:
Desafios Econômicos do Novo Governo
O contexto de acirramento da competição no comércio internacional, e a necessidade de o país contornar seu déficit em conta corrente, devem voltar a constar da agenda nacional com força redobrada no início do próximo governo. A redução do Custo
Brasil passará necessariamente, mas não somente, por dois assuntos que foram tratados nos mandatos do Presidente Fernando Henrique Cardoso, embora não na profundidade e no alcance pretendidos: a reforma tributária e a legislação trabalhista.
Sob o ponto de vista tributário, a contribuição para o Sistema S teria o aspecto negativo de inibir a atividade econômica, reduzindo margens de lucro e, ao mesmo tempo, não contribuindo para o equilíbrio das contas públicas, uma vez que não constitui receita do Tesouro. A redução do Custo Brasil pela extinção da contribuição compulsória seria por assim dizer uma medida confortável para o governo pelo aspecto orçamentário. Ao mesmo tempo, seria de um impacto considerável sobre a economia do
país, já que as empresas, em toda a cadeia produtiva, teriam um abatimento dos encargos que incidem sobre a folha de pagamento. Segundo a Receita Federal (1999), as contribuições para o Sistema S20 representaram em média um acréscimo na carga
tributária de cerca de 1%, tomando por base os anos de 1996 a 1998.
Quanto à legislação trabalhista, é entendida, pela sua rigidez, como um obstáculo à competitividade da economia nacional, como sintetiza Álvaro Comin:
A legislação trabalhista é considerada unanimemente pelo empresariado (tese também esposada pelo atual governo) como extremamente rígida e excessivamente regulamentada, representando fator determinante no encarecimento do custo do trabalho e portanto dos produtos, inibindo assim as contratações. Deste diagnóstico deriva a demanda por uma ampla flexibilização da legislação trabalhista como pré-condição para: i) incrementar a produtividade das empresas nacionais; e ii) estimular a geração de empregos (COMIN, 2001, p.268).
A alteração dessa legislação vem sendo denominada genericamente de
flexibilização, e incluiria basicamente a redução das imposições legais quanto a encargos e tributos encarados como custos do trabalho, imposições que passariam a ser pactuadas em negociações diretas entre empregadores e empregados.
Embora tenha reflexos sobre o Custo Brasil, a alteração da legislação trabalhista é tarefa polêmica e politicamente complexa, uma vez que é rotulada a priori como acarretando a perda de direitos do trabalhador. A comparação entre estas medidas – corte dos recursos para o Sistema S e a flexibilização de direitos – certamente indicará a segunda como a mais impopular junto aos trabalhadores, uma vez que atingirá o universo da classe. A primeira atingirá a parcela beneficiada pelo Sistema S, que constitui apenas parte deste universo. Em outras palavras, o ganho de competitividade através da extinção das contribuições para o Sistema S geraria para o governo desgaste menor junto à classe trabalhadora do que a flexibilização de direitos, sem entrar no mérito da contribuição efetiva de cada uma destas alternativas para os fins a que se propõem. Outro ponto relevante sobre o conflito entre a redução do Custo Brasil e as
contribuições compulsórias é o fato de por em xeque a representatividade das instituições corporativas. No papel de porta-vozes do empresariado, estas instituições pressionam pela redução dos encargos sociais. No entanto, vêm regularmente se posicionando contra a extinção das contribuições compulsórias.
Impactos da Democratização
A democracia como valor e como prática no seio da sociedade pode acarretar diversos reflexos sobre a institucionalidade do SESC. Em primeiro lugar, na relação com o empresariado. O SESC postula a posição de representante da sua consciência social, mas essa condição pode ser questionada pelo empresariado, uma vez que: 1) a estrutura de representação é atrelada aos sindicatos, e portanto interpõe um nível de representação entre a base e os dirigentes; 2) o SESC não dispõe até o momento de um canal de comunicação direto com o empresariado, para aferir suas demandas e receber suas críticas e sugestões.
Um indício de que o empresariado demonstra sensibilidade para a questão social pode ser extraído da pesquisa publicada pelo IPEA, anteriormente citada. À página 79, a publicação apresenta as "principais sugestões dos empresários para ampliar o atendimento social". Entre estas sugestões, consta a de "promover um maior envolvimento das associações, federações e confederações empresariais que poderiam articular as ações sociais de seus associados" (PELIANO, 2000, p.79). Embora a pesquisa não demonstre a expressão quantitativa das sugestões apresentadas, a menção a esta possibilidade denota a acepção de que a ação social do empresariado não encontra ainda ressonância à altura em sua estrutura sindical oficial.
Em segundo lugar, o SESC não tem implantada uma prática sistemática de relacionamento com o seu público. Sendo esse um aspecto que vem sendo observado e
Aeroviário.
cuidado tanto por empresas (através principalmente dos SAC's – serviços de atendimento aos clientes) quanto pelos governos (através de ouvidorias e atendimento aos cidadãos), esta diferença pode vir a ser percebida negativamente pela clientela como uma postura reativa do SESC frente à apreciação de suas práticas pelo ponto de vista de clientes/consumidores.
Finalmente, situa-se a relação com a sociedade como um todo. Uma vez que sua existência é definida por lei, o SESC deve à sociedade uma publicização de sua prestação de contas, para além daquela destinada ao Tribunal de Contas da União (TCU), de forma a manter ou ampliar a legitimidade das garantias que esta sociedade dá ao SESC, através do Estado.
Desigualdade Social
O movimento dos trabalhadores urbanos de inspiração marxista não constitui hoje a mesma ameaça da época da criação do SESC. Não só o confronto ideológico teve atenuada sua polaridade, como também a queda no ritmo do desenvolvimento econômico mundial, a evolução tecnológica e a globalização motivaram o aumento do desemprego. O desemprego, assim como a precarização nas condições de trabalho/o emprego informal, reduziu em muito a capacidade de reinvindicação dos trabalhadores.
Na atualidade brasileira, o problema social de maior significado reside na
exclusão, traduzido pela manutenção de parcela significativa da população sem acesso a renda, saúde, educação, alimentação, habitação e saneamento21. Esta população seria portanto desprovida dos direitos sociais, segundo a acepção citada por Ignacio Godinho
21 A persistência da desigualdade e da pobreza no Brasil das últimas décadas foi objeto de argumentação
em artigo de Ricardo Paes de Barros, Ricardo Henriques e Rosane Mendonça. Os autores demonstraram não só a constância da pobreza com patamares elevados, mas também a viabilidade econômica do combate à desigualdade (BARROS, HENRIQUES & MENDONÇA, 2000).
Delgado, de que estes direitos viriam a se complementar aos direitos civis e políticos para perfazer a plenitude da cidadania (DELGADO, 2001, p.18).
As organizações do Sistema S, que em sua origem pretendiam se destinar aos
mais pobres, atualmente atingem uma parcela privilegiada da população. SESC, SESI e SEST, em particular, atendem à parcela dos trabalhadores que não somente têm emprego, mas o têm com vínculo formal. Quanto a SENAC, SENAI, SENAT e SENAR, suas ações muito dificilmente atingem os excluídos. Não só pela escassez das vagas frente à demanda por capacitação, mas também porque muitas vezes os seus cursos são cobrados aos alunos, ou se lhes exige como requisitos mínimos os níveis fundamental ou médio de escolaridade.
Portanto, a desigualdade e a pobreza como problemas maiores para o governo e a sociedade brasileira podem acarretar maiores questionamentos para o SESC. Além de receber críticas por atuar segundo os interesses do corporativismo patronal, o SESC pode ainda ser questionado por limitar seu atendimento a uma pequena parcela de uma única categoria profissional, ou seja, de incluídos. Os Projetos OdontoSESC e SESC Ler, referidos no capítulo 2, podem ser tomados como uma demonstração de que o SESC está atento à possibilidade de atuar de forma mais ativa frente a um conjunto maior de setores sociais, desprovidos da proteção do poder público.