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2.6. Literatürdeki Araştırmalar

2.6.1. Ulusal araştırmalar

2.6.1.1. Erken fen öğretimi ile ilgili ulusal araştırmalar

É no contexto da redemocratização e da emergência da sociedade civil no Brasil que se insere o movimento pela responsabilidade social empresarial. Esta expressão, empregada por Cheibub e Locke (2001, p.324), denota uma mudança nas concepções vigentes na sociedade a respeito da função social da empresa. Em síntese, o movimento indica que estas concepções estariam se alterando na direção de uma expansão das responsabilidades das empresas. Estas responsabilidades, que numa visão anterior estariam ligadas somente à sobrevivência, ao progresso da organização e ao cumprimento das normas legais, estariam sendo ampliadas para incluir os efeitos das empresas sobre os empregados, a comunidade, os fornecedores, os clientes ou consumidores, a sociedade em que se insere, e o meio-ambiente. Em outras palavras, esse movimento tende a atribuir às empresas a responsabilidade ampla sobre seus atos, promovendo a revisão de uma concepção de empresa como entidade neutra quanto a valores e isolada quanto à realidade social em que se insere. Nesta concepção anterior, a empresa seria uma organização com finalidades precipuamente econômicas, com o objetivo único de maximizar seus ganhos e benefícios em favor de seus proprietários e acionistas, e restringida apenas pelo cumprimento da lei, isto é, por aquilo que a sociedade impõe.

A designação do fenômeno como movimento traduz também seu caráter múltiplo: sem um protagonista único e sem um referencial teórico-prático definido, parece subsistir e avançar devido à existência de uma idéia-força. À maneira do que ocorrera nos Estados Unidos da América, onde surgiu o conceito, no Brasil o debate se iniciou restrito a alguns empresários e estudiosos do tema. Em um dado momento, no entanto, se ampliou para um número maior de empresas, suas associações e organizações de representação, para os meios de comunicação de massa e, finalmente, para consumidores e cidadãos em geral. No Brasil, este crescimento foi assinalado por diversos autores:

Está cada vez mais difundida, nos vários setores da sociedade, a idéia de que a atual situação do mundo requer atenção especial das empresas para a sua dimensão social (SOUZA, 2001, p.13). Desta forma, a década de 90 destaca-se como o período do surgimento e do crescimento de diversas instituições, que formalizam-se para atuar no âmbito da chamada responsabilidade social corporativa. Esta nova postura buscando tornar-se "socialmente responsável" também começava – de diversas maneiras – a ser praticada pelas próprias empresas (TORRES, 2000, p.7).

Nos últimos anos, a questão da responsabilidade social das empresas (RSE) têm gerado um crescente interesse, tanto entre acadêmicos, como entre empresários e administradores públicos (CHEIBUB & LOCKE, 2001, 324).

Nos últimos anos, tem sido observado que as empresas privadas e as organizações do terceiro setor vêm mobilizando um volume cada vez maior de recursos destinados a iniciativas sociais. Tal multiplicação de iniciativas privadas com sentido público é um fenômeno relativamente recente (PELIANO, 2000, p.9).

Foi a generalização do conceito que esvaziou a discussão sobre a "obrigação" de as empresas terem responsabilidades além daquelas impostas pela lei. Em outras palavras, é como se a questão teórico-filosófica sobre a existência ou não da responsabilidade dos negócios frente à sociedade tivesse sido respondida por esta última, e de maneira afirmativa. Como afirmado por Capellin et al.:

Estamos convencidos de que não é ainda possível estabelecer um consenso a respeito do que

deveria ser a responsabilidade social das empresas e, talvez, tal consenso nem tenha que ser buscado. O que nos parece relevante é o crescente movimento em curso no Brasil que coloca frente a frente os interesses, as propostas e os valores dos agentes econômicos, com as demandas, necessidades, expectativas e aspirações que desses agentes esperam algum benefício (CAPELLIN et al., 2001, p.66, grifo dos autores).

O conceito de responsabilidade social empresarial já era conhecido e empregado, inclusive no Brasil, desde os anos 1960, conforme afirma Ciro Torres (2000, p.6). Pode- se relacionar uma série de causas para este movimento, que porém tem sua expansão demarcada pelo momento em que tanto empresas e investidores como consumidores/cidadãos identificam o conceito como um atributo de valor ligado ao produtor do bem ou serviço oferecido ao consumo. Esta atribuição de valor tem relevância para a empresa, que pode usá-la para 1) a realização pessoal de seus dirigentes ou proprietários; 2) a motivação de seus empregados; 3) a afirmação junto aos demais atores do mercado; 4) a busca de investidores “socialmente responsáveis”; 5) a interlocução com o setor público; e 6) no aumento do apelo junto aos consumidores. Pelo lado do consumidor, que exerce seu poder discricionário no momento da escolha do bem ou serviço, a intenção dos defensores do movimento é a de que a responsabilidade social da empresa ofereça um valor agregado à compra ou contratação do serviço, pelos benefícios sociais que se pressupõe que a empresa proporcione.

Esta atribuição de responsabilidades às empresas, retirando do Estado uma parcela do papel de responder pelas questões sociais, foi também vista com ressalvas por alguns autores. Há quem questione a assunção de responsabilidades sociais pelas empresas como um sinal da falência do Estado, ou como um argumento para que este se desobrigue de prestar assistência às parcelas mais desassistidas da população. Complementando este ponto de vista, há quem assinale como conseqüência política da responsabilidade social empresarial a acentuação "do poder das empresas que, além de unidade primária de bem-estar econômico dos trabalhadores e da comunidade onde se insere, passa a ser também fonte de bem-estar social" (CHEIBUB & LOCKE, 2001, p.7).

Embora a popularização do conceito e a sua ênfase pelos meios de comunicação possa dar à responsabilidade social a conotação de modismo, de reduzidas compreensão e aplicação pelas empresas, a pesquisa sobre a ação social das empresas do Sudeste do país, desenvolvida pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, sob coordenação de Anna Maria Peliano, contribui para desmentir esta conotação. Segundo a pesquisa, dois terços do universo de 445.000 empresas da região consultadas realiza "algum tipo de ação social para a comunidade" (PELIANO, 2000, p.23). Considerando que, ainda segundo a própria pesquisa, o Sudeste abriga metade das empresas e 60% do PIB nacionais, depreende-se que a responsabilidade social tem real significado para o conjunto do empresariado, e dele recebe expressiva atenção verificada em ações sociais concretas.

Para efeitos deste estudo, pode se destacar ainda algumas características do movimento pela responsabilidade social:

- a adesão voluntária das empresas às idéias e práticas da responsabilidade social;

- a forte conotação substantiva, isto é, professando a adoção de valores éticos e morais;

- seu caráter emancipatório, defendendo a assunção de ações definidas no nível da empresa, e pela própria empresa;

- seu caráter pluralista, que não define a priori a natureza das ações a serem tomadas por cada empresa.

Importa destacar que o movimento faz um evidente contraponto ao modelo de prestação de serviços sociais subjacente ao SESC, no tocante a cada um dos aspectos assinalados acima.

Como a contribuição do empresariado ao SESC é compulsória, não pode ser concebida como responsabilidade social. Como destacam Cheibub e Locke:

Responsabilidade social, portanto, implica ações que vão além da "letra da lei" e que não resultam de um embate político com sindicatos ou organizações de trabalhadores. É, na verdade, apenas e necessariamente um conjunto de ações que vão além do que é requerido por lei, por obrigação ou por necessidade (2001, p.3).

Para confirmar esta afirmação, pode-se recorrer ainda à pesquisa publicada pelo IPEA, que avaliou a "ação social" das empresas do Sudeste brasileiro, e que, explicitamente, excluiu dessa ação social "as contribuições compulsórias ao SEBRAE, SESI, SESC, SENAI, SENAC e SENAR" (PELIANO, 2000, p.23).

Quanto ao caráter emancipatório do movimento de responsabilidade social, fica claro que consiste numa evolução a disseminação e a valorização de uma postura ativa por parte do empresariado, que assim assume uma contribuição direta na resolução de problemas coletivos. Por sua vez, o recolhimento compulsório pode ser assumido como uma delegação para que SESC e SESI respondam por essa problemática, restando ao empresário/contribuinte financiar e, apenas por via indireta e representativa (via sindicatos), gerir a aplicação destes recursos.

Finalmente, a pluralidade de ações decididas, definidas e muitas vezes administradas diretamente pelos empresários contrasta com a unicidade e a uniformidade da ação do SESC, conduzida "sob regime de unidade normativa", segundo consta no artigo 8o. do regulamento do SESC (SESC,1992, p.20).