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2.6. Literatürdeki Araştırmalar

2.6.2. Uluslararası araştırmalar

2.6.2.2. Epistemolojik inançlarla ilgili uluslararası araştırmalar

À primeira vista, a discussão sobre a responsabilidade social do SESC pode parecer desprovida de sentido. Em princípio, o SESC devia ser considerado o legítimo representante da responsabilidade social do empresariado, uma vez que recebeu expressamente a atribuição de representá-lo em prol dos menos assistidos, no caso os

comerciários. No entanto, as ações do SESC e do SESI e as preconizadas pelo recente movimento da responsabilidade social parecem bem distintas. Sintomaticamente, a existência dessas entidades sequer é citada pelos defensores do movimento22. Como se a compulsoriedade da contribuição ao SESC e sua afiliação ao Estado e à estrutura de representação sindical, relegassem a natureza substantiva da contribuição (responsabilidade social) a um segundo plano.

A maioria dos autores23 emprega o conceito de responsabilidade social somente para o universo das empresas, qualificando-a de "corporativa", ou "empresarial", ou ainda "nos negócios". A necessidade desta qualificação advém de que, como resulta do próprio termo, a qualquer integrante da sociedade pode ser atribuída responsabilidade

social, isto é, o atributo de ser responsável pelas conseqüências sociais de seus atos. Tal fato é compreensível uma vez que, como integrantes de um pacto social, todos os indivíduos, suas associações formais e não formais, e pessoas jurídicas de qualquer natureza têm, a rigor, responsabilidades sociais.

Paulo Roberto Motta discutiu em artigo de 1984 a responsabilidade social como um dos parâmetros a serem considerados na avaliação das empresas públicas, destacando a sua função social como dado relevante de desempenho, uma vez que as empresas estatais não poderiam ser consideradas agentes de mercado no seu sentido estrito. Na primeira parte do artigo, o autor discorre sobre o conceito e a natureza da empresa pública, em enfoque que cabe destacar:

Mesmo a denominação empresa pública significa, para um grande número de nações em desenvolvimento, uma terminologia fabricada, para estabelecer uniformidade internacional sobre aquilo que tais países chamam de empresas governamentais, empresas estatais, paraestatais, e assim por diante. Nesses países, ser estatal, ou paraestatal, já significa que a empresa tem uma analogia com o Estado, ou situa-se ao lado dele, para atender a determinadas funções de caráter público; inclui, portanto, o papel social do Estado moderno. Desse modo, o comprometimento

22 Não por acaso, algumas das lideranças empresariais mais destacadas na defesa da responsabilidade social

empresarial ganharam projeção no PNBE, que surgiu como alternativa às entidades oficiais de representação (GOMES & GUIMARÃES, 1999).

com uma dimensão pública ou social pode se deduzido de qualquer um desses termos, público ou estatal (MOTTA, 1984, p.253, o primeiro grifo é do autor, segundo é nosso).

A partir deste ponto de vista, decorre a existência de responsabilidade social por parte do SESC, visto ser formalmente designado como organização paraestatal. O autor afirma ainda que é o caráter público que confere a determinadas organizações responsabilidades mais amplas (relacionadas a valores sociais) do que as "responsabilidades sociais normais, que as sociedades modernas impuseram a todas as organizações sociais" (MOTTA, op. cit).

Outra aplicação do termo responsabilidade social aparece na publicação "Responsabilidade Social 1000 (AA1000)", do ISEA – Institute of Social and Ethical

Accountability, que descreve a norma AA1000, desenvolvida para "melhorar a responsabilidade social e o desempenho geral das organizações através do aumento da qualidade na responsabilidade social e ética, auditoria e relato" (ISEA, 1999, p.5). A norma AA1000 destina-se a empresas de quaisquer dimensões, a governos e a organizações da sociedade civil, e fundamenta sua estruturação no conceito de

stakeholders da organização, que para a norma são grupos que "afetam e/ou são afetados pela organização e suas atividades" (ISEA, 1999, p.8).

Vê-se, portanto, que o conceito de responsabilidade social é aplicado não só a empresas, mas também a órgãos do governo, empresas estatais e a organismos da sociedade civil – aí incluídas as associações que defendem interesses gerais e as corporativas. Isso não torna menos relevante o fato de que o arcabouço teórico e prático da responsabilidade social, assim como a popularidade do tema no Brasil, prende-se à sua utilização junto às empresas.

Embora seja uma instituição de direito privado, o SESC não é uma empresa. Por integrar o aparelho do Estado, e por receber recursos garantidos por lei, pode-se dizer que o SESC deve prestar contas à sociedade, isto é, deve ter uma postura de

relacionamento responsável e transparente. Este raciocínio encontra fundamento na noção de accountability, que diz respeito à existência de uma responsabilidade objetiva dos governos e administradores públicos frente à sociedade e aos cidadãos. Segundo Anna Maria Campos, a noção de accountability numa sociedade – e o próprio emprego do conceito na linguagem corrente – tem forte relação com o desenvolvimento da democracia nesta sociedade: "quanto mais avançado o estágio democrático, maior o interesse pela accountability" (CAMPOS, 1990, p.33). Citando Robert Dahl, a autora remete a origem da postura de accountability aos primórdios da democracia americana, em que Madison teria defendido o controle externo como a única forma de prevenir a democracia contra a tirania.

A existência desse controle externo pressupõe uma responsabilidade objetiva, pela qual um detentor de cargo público pode sofrer penalidades caso não corresponda, sob alguma forma, a esta responsabilidade. Como resultado dessa concepção, os administradores públicos em sociedades de democracias avançadas apresentam uma postura ativa, de maneira a corresponder a esta responsabilidade. Por sua vez, os cidadãos exercem a supervisão e o controle sobre os atos dos governos, individualmente ou através de associações representativas.

Portanto, seja se consideramos o SESC uma organização pública, no sentido que Bresser Pereira e Grau emprestam ao termo – "de interesse geral" (BRESSER PEREIRA & GRAU, 1999, p.16) –, seja se consideramos o SESC "quase estatal", a accountability lhe é aplicável no sentido de haver uma responsabilidade objetiva de seus administradores pela gestão dos recursos que lhe são confiados. Todavia, esta responsabilidade não pode simplesmente ser reduzida à obrigatoriedade, já citada, de prestação de contas junto ao TCU.

1) Enquanto integrante da sociedade civil e como pessoa jurídica legalmente definida, o SESC tem responsabilidades sobre seus atos;

2) Enquanto órgão paraestatal, o SESC presta contas à sociedade. Se considerarmos o conceito de accountability, o SESC deve responsabilizar-se pelos seus atos além do que prevê e exige formalmente a lei: deve prestação de contas acerca de todos os atos cujas conseqüências sejam socialmente relevantes;

3) A responsabilidade social empresarial não é formalmente aplicável ao SESC, pelo fato de este não ser uma empresa. Pode, no entanto, ser empregada:

a) como instrumento de accountability do SESC frente à sociedade brasileira; b) como maneira de ampliar e garantir a representatividade do SESC como instrumento da ação social do empresariado;

c) como forma de se manter coerente com as mudanças na gestão governamental preconizadas pela Reforma do Estado, consubstanciadas naquilo que se designou

administração pública gerencial.

4.2.2 Adoção da Responsabilidade Social pelo SESC: uma Opção Estratégica