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3.3. TÜRKİYE’DE EMLAK VERGİSİ MEVZUATI

3.3.7. Emlak Vergisinin Belediye Gelirleri İçindeki Yeri

No início de 1945, com a aproximação do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a intensificação da oposição a Vargas por diversos setores políticos e sociais, o processo de democratização dava indícios de se consolidar, com a promoção de alterações na estrutura

institucional do regime político brasileiro. Segundo Capelato (2010, p.136), a participação do Brasil ao lado dos Aliados na Guerra expunha as contradições do regime do Estado Novo: um regime autoritário, internamente; e, externamente, favorável à democracia. Tal ambiguidade

enfraqueceu a imagem do “ditador”, colocando-o sob o alvo de uma oposição mais

sistemática. Mais do que isso, a participação do país no conflito criou dificuldades à população diante da falta de abastecimento de gêneros essenciais diversos, criando o descontentamento entre as camadas populares e a classe média.

Diante dessas condições, em fevereiro de 1945, Vargas lançou Ato adicional fixando as eleições para aquele ano. Em abril, o PCB é beneficiado pela declaração de anistia aos presos políticos, o que permitiu, por exemplo, a libertação de Prestes. Em maio, com um novo Código Eleitoral (Decreto nº 7.586/45), o partido retorna à legalidade. Assim, o PCB se somou aos novos partidos políticos que foram formulados visando às eleições para Assembleia Nacional Constituinte marcada para o final de 1945.

Segundo Schmitt (2005, p.12), a “Lei Agamenon” – em referência ao seu formulador, o então

Ministro da Justiça Agamenon Magalhães –, como ficou conhecido aquele Código Eleitoral, introduziu normas que exigiram, pela primeira vez na história política brasileira, critérios para a organização de partidos com bases nacionais22. Nessa direção, emergiram novas siglas partidárias. Entre elas, até 1964, destacaram-se nas disputas eleitorais: o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). Os dois primeiros foram criados sob a influência e órbita dos setores próximos a Vargas, enquanto a UDN reunia setores liberais de oposição a setores varguistas (SCHMITT, 2005).

No Espírito Santo, Vinícius Oliveira Machado (2013) afirma que a reorganização das bases do PCB ocorreu a partir de 1942, quando chegou ao estado o pecebista Antônio Ribeiro

Granja. Contratado para trabalhar na Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), “Granja”,

filiado ao Comitê Estadual de São Paulo, teria organizado uma base comunista com 92 militantes na oficina de vagões da empresa, em Cariacica. Já no final de 1944, o PCB capixaba consolidou seu processo de reorganização.

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Para se oficializar no Tribunal Superior Eleitoral, a organização partidária teria seu registro provisório concedido caso fosse apoiada por listas de, no mínimo, 10 mil eleitores, distribuídos em, pelo menos, cinco estados da federação, tendo em cada um ao menos 500 eleitores (SCHMITT, 2005, p.12).

Em maio do ano seguinte, atuando na legalidade, os pecebistas capixabas lançaram o jornal

“Folha Capixaba”, que se tornou um importante meio de difusão do programa partidário local

nas décadas seguintes (ALVES; SIMÕES, 1996, p.83).

O quadro político no decorrer de 1945 é marcado por intensas agitações (greves e disputas partidárias). Nesse contexto, em um discurso que se tornou histórico, em maio de 1945, Prestes, já libertado, reafirmava a linha democrática da Conferência da Mantiqueira (1943) indicando os caminhos do partido para chegar ao poder: a luta ordeira, pacífica, moderada, democrática, frentista e institucional (SEGATTO, 1989, p.58).

Nessa direção, primeiro, o partido aproxima-se do PTB e encampa a luta pela permanência de

Getúlio Vargas na presidência junto do “movimento queremista”. O apoio a Vargas era

justificado como meio de se evitar uma guerra civil e a ascensão de reacionários e fascistas ao poder, diante da saída do presidente da época (CHICOLTE, 1989, p.94-95).

Essa linha moderada e de colaboração com o governo também foi aplicada no Espírito Santo. Seguindo as orientações do CC, os pecebistas capixabas adotaram uma postura conciliatória para com o interventor do estado na época, Jones dos Santos Neves (1943-1945), e defenderam a tática frentista. Dessa forma, propunham a formação de uma ampla aliança, independente das diferenças ideológicas e socioeconômicas, contra o perigo nazifascista e pela democracia. Com isso, o PCB-ES iniciou a organização dos Comitês Democráticos Progressistas (CDP). No dia 28 de maio de 1945, surge o primeiro CDP, no bairro da Vila Rubim, na capital capixaba, seguido de outros que espalharam pela região metropolitana de Vitória e pelo interior23 (ALVES; SIMÕES, 1996, p.83).

O PCB também retomou com mais intensidade suas ações junto ao movimento operário e sindical nacional, nos quais também coloca em prática a política frentista. O seu estabelecimento no centro das forças sindicais se relacionava à necessidade de o partido se fortalecer perante as massas no seio do sistema político naquele momento Nessa direção, o partido criava uma frente trabalhista: o Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT). Demonstrando a centralidade da democracia nos objetivos políticos pecebistas, para o MUT, o partido estabelecia bandeiras de luta que ultrapassavam as questões trabalhistas, inserindo, por exemplo, a luta pelo restabelecimento das liberdades democráticas (SANTANA, 2001, p.40-41).

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Outros bairros capixabas onde se formaram CDPs pelo PCB: Santo Antônio e Vila Maruípe, em Vitória; São Torquato, Aribiri, Vila Garrido e Ilha das Flores, em Vila Velha; Jardim América, Alto Lage e Campo Grande, em Cariacica; e no município de Guaçuí (ALVES; SIMÕES, 1996, p. 83).

De acordo com Alves e Simões (1996, p.83-84), o PCB capixaba participou ativamente da construção regional do MUT no Espírito Santo. Sua diretoria foi eleita em 17 de junho de 1945, formada pelos pecebistas Rodrigo de Sá Cavalcanti (Presidente), Hermógenes Lima da Fonseca (1º Secretário) e Lamartine Barbosa (tesoureiro). O MUT atuaria somente até outubro de 1945, quando Vargas renuncia ao cargo de Chefe do Executivo Federal. Segundo os pesquisadores citados, a organização foi importante, mesmo naquele curto período de sua existência, para a defesa dos trabalhadores e para o fomento do processo de organização do movimento sindical capixaba.

Em outubro de 1945, Getúlio Vargas sofreu um golpe militar e se retirou do poder. Assim, efetivava-se o fim da ditadura do Estado Novo e, doravante, iniciou-se a democratização da vida política nacional. Nesse caminho, os primeiros passos foram dados com a concretização das disputas eleitorais do final daquele ano, das quais o PCB também participou.

Nas eleições de 1945, o empenho da campanha pecebista permitiu que a organização emergisse como significativa força política ao conseguir resultados expressivos. O PCB indicou o nome de Yedo Fiúza como seu candidato à presidência, com um programa que expressava a manutenção de aspectos reformistas, etapistas e moderados de sua linha política. Assim, falava em revolução nacional burguesa por meio da formação da união nacional, não sendo o comunismo um objetivo imediato. A prioridade para o país no programa partidário pecebista era a reforma agrária e uma Constituição Democrática (CHICOLTE, 1982, p.97). O caminho deveria se basear na ordem e na tranquilidade, buscando ampliar sua inserção política de forma cautelosa.

Nas eleições de 1945, é evidente o crescimento do PCB que, até 1947, emergiu no cenário político eleitoral angariando a simpatia entre jovens intelectuais e uma geração que só havia experimentado a política fechada do Estado Novo (CHICOLTE, 1982). Os números da eleição revelam esse fenômeno, com seu candidato à Presidência da República, Yeddo Fiúza, obtendo quase 600 mil votos (10% do total), ficando em terceiro lugar na disputa. Prestes foi eleito senador pelo Distrito Federal, deputado por Pernambuco, pelo Rio Grande do Sul e pelo Distrito Federal24, e o PCB ainda elegeu 14 deputados federais (SEGATTO, 1989, p. 63-64). Esse pleito levou ao posto de Presidente do país o General Eurico Gaspar Dutra (PSD).

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Segundo as regras eleitorais da Lei Agamenon (7.586/45) que regulamentou o processo eleitoral de 1945, os candidatos poderiam concorrer simultaneamente a mais de um cargo eletivo em um ou mais Estados. Além do exemplo de Prestes, vale destacar a manutenção da popularidade de Vargas, que mesmo derrubado da Presidência, concorreu às eleições e conseguiu se eleger senador e deputado federal em diversas unidades da federação.

No Espírito Santo, Fiúza também obteve significativo apoio eleitoral. O candidato à presidência pelo PCB alcançou o total de 4.442 votos (4,15% do total). O partido promoveu as candidaturas para a Assembleia Nacional Constituinte, que elaboraria uma nova Carta Constitucional para o país no ano seguinte. Dessa forma, para o Senado Federal, o PCB capixaba indicou Luiz Carlos Prestes (3.866 votos) e Vespasiano Meireles (3.444 votos), somando 3,65% dos votos válidos. Os dois ainda foram indicados como candidatos para a Câmara Federal, obtendo, respectivamente, 962 e 1.190 votos. A eles, somaram-se as candidaturas de Otto Netto (464 votos), Érico Neves (229 votos), Pedro Corrêa Reis (153 votos), Lamartine Barbosa (112 votos) e Edith Castex Olivier, a primeira mulher candidata a um pleito eleitoral no Espírito Santo. Nenhum deles foi eleito nessas disputas (ALVES; SIMÕES, 1996, p.87).

Em 1946, iniciou-se o Governo Dutra (1946-1950). Esse foi marcado, inicialmente, pelo processo de democratização da sociedade brasileira, tendo como marco fundamental a promulgação de uma nova Constituição naquele ano, que estabeleceu as regras da experiência democrática brasileira até o golpe de 1964 (SKIDMORE, 1982).

Sobre o caráter do regime político que vigorou no país entre 1946 e 1964, Schmitt (2005, p.11) define tal período como a primeira experiência democrática na história brasileira. Isso porque em nenhum outro momento anterior da trajetória política e institucional do país, combinaram-se, de forma duradoura, sufrágio universal e eleições competitivas de fato. Dessa forma, a Constituição de 1946 teria criado a base legal para a institucionalização de um Estado nos moldes liberais, fundado em um sistema democrático representativo: separação e autonomia de poderes, pluralismo partidário, eleições diretas e periódicas para os cargos do legislativo e executivo, e em todos os níveis, sufrágio universal.

No entanto, sob outra perspectiva, Maria do Carmo Campello de Souza (1990) aponta para as linhas de continuidade institucional que marcam a transição do Estado Novo para o regime político configurado na Carta Constitucional de 1946. Dessa forma, sem desmerecer as inovações democráticas desse regramento constitucional para o sistema político brasileiro, essa autora aponta para as permanências ideológicas e institucionais autoritárias do regime anterior. Assim, mantiveram-se presentes mecanismos de controle político-social na estrutura do Estado brasileiro, o que impede conceber na experiência política - que se abre com a queda de Vargas - uma democracia representativa plena. Nesses termos,

[...] O advento do pluralismo partidário, de eleições diretas, e o retorno à separação formal dos poderes do Estado, determinados pela Carta Constitucional de 1946,

foram supostos ou acoplados à estrutura anterior, marcada pelo sistema de interventorias, por um arcabouço sindical corporativista, pela presença de uma burocracia estatal detentora de importante capacidade decisória, para não mencionar a plena vigência, na quadra histórica a que nos referimos, de uma ideologia autoritária de Estado [...]. (SOUZA, 1990, p.105-106)

Consideramos pertinente a análise de Souza (1990) quando observamos a trajetória do PCB entre os anos de 1946 e 1964, marcada, em um primeiro momento, pela breve experiência legal e, em seguida, pelos percalços impostos pela permanência do anticomunismo na sociedade e nos quadros estatais brasileiros, que resultaram em ações repressivas contra o partido e ao seu retorno à ilegalidade e às ações clandestinas.

Considerando essas questões, durante o Governo Dutra (1946-1950), o PCB viveu duas experiências distintas. Até maio de 1947, a organização atuou na legalidade e participou ativamente das disputas políticas e eleitorais e dos movimentos sociais. Em seguida, a sigla foi colocada, novamente, na ilegalidade, estimulando a adoção de discurso e práticas radicais. Dessa maneira, entre 1945 e 1947, a despeito das constantes ameaças policiais e das críticas oriundas dos grupos políticos conservadores, o PCB lança suas energias nas disputas do jogo democrático, valorizando a luta política pacífica e eleitoral como caminho. Mazzeo (1999), ao analisar esse contexto de atuação do partido, afirma que os pecebistas agiram adotando um politicismo taticista nesse cenário, que priorizava a formação de uma ampla unidade de forças pela consolidação da democracia. A direção pecebista se esforçou por reforçar a imagem de um partido da ordem, da luta pacífica e legal nas campanhas eleitorais, nos

discursos parlamentares e em sua política operária, defendendo, inclusive, um “apertar dos cintos” em relação às mobilizações dos trabalhadores, posicionando-se, em algumas ocasiões,

contra os movimentos grevistas. O partido receava se deparar, novamente, com a reação conservadora, a repressão e a ilegalidade em seu horizonte.

Analisando a mudança de postura e a reorientação dos objetivos oficiais que deram origem à organização – como a revolução socialista – e diante dos objetivos específicos, isto é, a vitória eleitoral e as reformas sociais, entendemos o fenômeno como uma tentativa de adaptação do PCB ao ambiente político-institucional em que atuava. Como aponta Panebianco (2005, p.23),

o fato de a organização tender a se “adaptar” ou a “dominar” o próprio ambiente depende, obviamente, das características ambientais. “Dominar” é parte vital da estratégia de qualquer

partido, mas pode ser contraproducente na medida em que pode resultar em reações agressivas de adversários, aumentando as incertezas acerca de sua sobrevivência política. A prioridade de uma ou outra estratégia dependerá tanto do ambiente em que será vivenciada

quanto da forma pela qual a organização resolve os outros dilemas organizativos. Assim, como se processará em outros contextos ao longo do século XX com um histórico marcado pelo enfrentamento contra o anticomunismo e a repressão e restrito à ilegalidade, o PCB buscou, nesse e em outros momentos de sua trajetória, construir sua autoimagem moderada, pacífica e institucional como possibilidade de se manter ativo nas lutas políticas e sociais brasileiras como organização.

Dessa maneira, atuando segundo as regras democráticas, o PCB se constituiu a maior força de oposição ao governo Dutra a partir de uma ativa atuação parlamentar. Durante a Assembleia Constituinte de 1946, os representantes do partido adotaram posturas e discursos críticos defendendo cláusulas sociais e repudiando medidas liberais. Apesar de ataques e restrições promovidos pela bancada conservadora que predominava no Congresso, esse espaço era visto pelo PCB como fundamental para a aplicação de sua linha política, e que, mesmo ocorrendo deslizes de posição, o parlamento foi palco importante para a defesa de suas concepções e dos interesses dos trabalhadores (SANTANA, 2001, p.49-53).

A inserção do partido nas Assembleias Legislativas também era taticamente visada como fundamental para a atuação em âmbito regional. Nas eleições estaduais e suplementares do Congresso em janeiro de 194725, o PCB se manteve como quarta força política do país, obtendo significativas vitórias nos legislativos estaduais e municipais por todo o Brasil. Nesse pleito, o partido também fez uso de outras siglas como abrigo para os seus candidatos. Dessa forma, através do Partido Socialista Progressista (PSP), de São Paulo, os pecebistas conseguem eleger Pedro Pomar e Diógenes Arruda Câmara para o Congresso (CHICOLTE, 1982, p.99). Assim, o partido se mantinha firme na luta democrática nos limites da institucionalidade vigente, ao mesmo tempo em que mantinha traços de sua militância ilegal. Conforme Duverger (1970, p. 30), entendemos esse fenômeno como uma demonstração da influência das origens partidárias no desenvolvimento de sua própria estrutura organizativa. Por outro lado, a manutenção de uma militância clandestina em sua experiência na legalidade emergia como mecanismo preventivo diante de um possível retorno à marginalização política. No Espírito Santo, a organização apresentou uma chapa composta por 32 nomes para as eleições do Legislativo capixaba, dentre os quais o único eleito foi Benjamim de Carvalho Campos, com 996 votos. A atuação desse parlamentar pecebista foi marcada por uma ativa oposição ao governo estadual de Carlos Lindenberg (1947-1951), inclusive tendo criado

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Em 19 de janeiro de 1947 foi realizada uma eleição suplementar para a escolha de 19 deputados federais e de 24 senadores.

Projeto de Lei para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) visando apurar a possibilidade de crime de responsabilidade pelo Chefe do Executivo Estadual. Além disso, posicionava-se criticamente em relação à política e à atuação da Cia. Central Brasileira de Força Elétrica (CCBFE)26 no setor elétrico do Espírito Santo, e propôs projetos de lei de caráter social (ALVES; SIMÕES, 1996, p.95).

Além da ênfase nas eleições e nos espaços de disputa político-partidária durante o período de legalidade, o PCB manteve uma complexa relação com as bases operárias e com o movimento sindical. Este era considerado um espaço institucional prioritário para o partido que buscava se aproximar das massas e ampliar sua força política. No entanto, inicialmente, sua política moderada orientava-o à defesa de posições cautelosas em relação a greves.

Segundo Santana (2001), a moderação do PCB se encontrava deslocada da postura dos movimentos operários que, a partir de finais de 1945, defendiam, cada vez mais, o uso das greves como instrumento de pressão pela defesa dos direitos trabalhistas. Mesmo em suas bases operárias, a direção pecebista encontrou a resistência de diversos militantes que convergiam na direção de ações mais radicalizadas na luta dos trabalhadores. Dessa forma, como analisa o autor citado, além de convencer as massas, o partido precisou controlar e assegurar a adesão a sua linha entre os seus próprios quadros muitas vezes. Com o passar do tempo, a pressão desses elementos de base levou a organização a se inserir e a contribuir com a sistematização de ações mais agudas na esfera sindical27.

Ainda no campo sindical, o partido defendeu a unidade dos trabalhadores, postura exemplificada na criação da MUT, em 1945, mas também na tentativa de se criar uma ampla intersindical, a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil, em 1946. Reproduzindo a flexibilização de sua postura em relação à política geral, a tática de unificação dos

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Segundo Machado (2014, p.35), atuando no Espírito Santo desde 1928, a CCBFE era responsável pelo abastecimento elétrico e transporte nas cidades de Cachoeiro de Itapemirim, Vitória e arredores, como é o caso de Cariacica. Existia uma grande insatisfação em relação à empresa devido à péssima qualidade dos serviços e às tarifas cobradas junto aos usuários capixabas. Segundo análises de Alves e Simões (1996), o combate à política da empresa e a defesa de propostas para a sua nacionalização foram constantes nos discursos de parlamentares pecebistas capixabas entre as décadas de 1940 e 1960.

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Para análise e apresentação detalhada da participação dos pecebistas nas greves desse período, ver Santana (2001).

trabalhadores permitiu a aproximação do partido a setores conservadores pelegos28, ligados, principalmente, ao PTB, e assim, também, buscou a inserção no aparelho sindical oficial.

Nessa conjuntura, a inserção dos pecebistas “por dentro” da estrutura sindical oficial com

atuação junto de setores conservadores baseou-se em disputas e não na submissão da política do partido a alianças a qualquer preço. Os pecebistas disputaram com as lideranças pelegas a efetivação de suas linhas de ação. É dessa forma, por exemplo, após o fechamento do MUT pelo Governo Dutra, em 1946, que lideranças sindicais militantes do PCB contrariaram os sindicatos pelegos e efetivaram a proposta partidária de criação de uma intersindical nacional, a Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB) ainda em 1946 (SANTANA, 2001). Apesar do ambiente democrático, da legalidade e da adoção de uma postura moderada e institucional, os pecebistas tiveram que enfrentar a repressão política. O partido recebeu duros golpes com invasões às suas sedes e prisões de militantes, e seus deputados foram vítimas de ações policiais, ignorando, inclusive, as imunidades parlamentares vigentes. Além de demonstrar as contradições e incongruências do novo sistema democrático, tal postura expressava a maneira como as elites continuavam a ver o PCB: uma “ameaça à ordem e à

disciplina” na sociedade e na política brasileira, e por isso sofria contenção (SANTANA,

2001).

O fechamento do cerco às atividades do partido se reforçou a partir de maio de 1947, quando, novamente, sua sigla é colocada na ilegalidade pelo Estado brasileiro. Segundo a interpretação de Chilcote (1982, p.100-101), confluíram para tanto, além do crescimento eleitoral e partidário29 do PCB, o enrijecimento da sua postura crítica em relação ao governo no Congresso e o fato de que, por vezes, a ação repressiva contra a militância do partido, nesse contexto, tenha resultado em confrontos entre militantes e forças policiais, o que reforçava a repressão de caráter anticomunista. No plano internacional, o período pós- Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o início da Guerra Fria entre Estados Unidos e União

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A partir da década de 1930, no contexto de montagem da estrutura sindical alicerçada no corporativismo do Governo Vargas (1930-1945), o termo “pelego” foi incorporado ao sindicalismo brasileiro para designar um tipo de dirigente sindical produzido dentro do arcabouço burocrático e corporativo do Estado varguista. Essa estrutura atuava como conciliadora entre os interesses dos trabalhadores para com os patrões. Assim, atuava no