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B- Kur’ân’da Kudret Kelimesine Yakın ve Zıt Anlamlı Kelimeler

1. Fiil Türevleri Mâzî Türevi Mâzî Türevi

1.3. Emir Türevi

Em se tratando dos aspectos de organização do texto empírico, o ISD (BRONCKART, 1999, 2006a, 2008a) desenvolveu um modelo de arquitetura textual, com base em um trabalho de análise de centenas de textos em língua francesa.

21De acordo com Bronckart, 2009, p. 157

Coordenadas gerais dos mundos:

CONJUNTO DISJUNTO

(tempo presente) (tempo passado)

EXPOR NARRAR

Relação ao ato de produção

COM IMPLICAÇÃO Discurso INTERATIVO Relato INTERATIVO

AUTÔNOMO Discurso TEÓRICO NARRAÇÃO

Esse modelo apoia-se na hipótese de que todo texto tem origem em três níveis hierarquicamente superpostos (e parcialmente interativos), que Bronckart denomina de folhado textual, assim compostos:

1. Infraestrutura geral do texto, que está atribuído ao nível mais profundo das

camadas, sendo definido: a) pela planificação geral do conteúdo temático, com orientação cognitiva, tendo em vista não apresentar nenhuma relação especificamente linguageira; é dependente do que compreende os conhecimentos temáticos que o agir mobiliza (BRONCKART, 2008); b) pelos tipos de discurso, que são compreendidos como unidades ou estruturas de natureza linguística, responsáveis pela organização enunciativa do conteúdo temático. São apresentados em número limitado, podendo fazer parte da composição de todo texto e marcado pelos mecanismos de coesão verbal; e c) pelas sequências, que são modos de planificação internas: sequências descritivas, explicativas, argumentativas, dialogais etc., funcionando no nível de segmentos de texto (Bulea, 2010).

2. Mecanismos de textualização – são os responsáveis pela coerência temática do

texto apresentados por meio da criação de séries isotópicas e se situam no nível intermediário do folhado. Desse nível fazem parte: a) os mecanismos de conexão, que, pela utilização de organizadores textuais como, por exemplo, advérbios ou locuções adverbiais, conjunções, grupos preposicionais etc. marcam as articulações hierárquicas, lógicas e/ou temporais; b) os mecanismos de coesão22 nominal, que

introduzem e/ou retomam personagens e/ou temas anaforicamente e essencialmente por nomes ou grupos nominais (o aluno, esse aluno) e pronomes pessoais, demonstrativos, relativos, reflexivos, possessivos e sintagmas nominais.

3. Mecanismos de responsabilização enunciativa - estão relacionados ao nível

mais superficial do folhado textual proposto pelo ISD (Bronckart, 2008), pois não estão diretamente ligados à progressão do conteúdo temático, dando ao texto sua coerência pragmática e interativa. É organizado pelos mecanismos de posicionamento enunciativo e de modalização Não estão necessariamente

22 Em princípio, a coesão verbal estava incluída neste nível, porém, tendo em vista que se relacionam à estruturação temporal dos processos requeridos pelo texto, passou a ser tratada no nível mais profundo. Este mecanismo se realiza por meio de formas verbais e também por outras unidades de valor temporal (advérbios, grupos adverbiais e preposicionais), conforme Bulea, 2010.

presentes nos textos como os dois mecanismos anteriores, servindo, principalmente, para orientar o textualizador23 na sua interpretação e compreendem, ainda, as vozes. Esses mecanismos são construídos com base na noção de responsabilidade de quem enuncia, que se estabelece por meio da distribuição das diversas vozes, como a dos personagens, das instâncias sociais, do próprio textualizador ou ainda uma voz neutra (Bulea, 2010) e modalizações, que compreendem às avaliações do conteúdo temático expressas por essas vozes. As vozes, portanto, podem ser definidas como as entidades a quem os enunciados são responsabilizados.

Neste sentido, o ISD considera: 1) vozes de personagens, as que são de pessoas e instituições que estão diretamente ligadas, na condição de agentes, ao conteúdo temático; 2) vozes sociais, as que se configuram como instâncias avaliativas externas ao conteúdo temático, podendo proceder de instituições/ sociais e personagens; 3) voz do próprio textualizador, a de quem está na origem do texto respondendo como o agente da ação de linguagem (a voz neutra é identificada quando a voz do textualizador é “apagada” e substituída por uma instância geral de enunciação, ou seja, conforme o tipo de discurso, pode ser ou a do narrador ou a do expositor).

Com respeito a esses três tipos de vozes enunciativas, ao exprimirem avaliações, sejam elas julgamentos, sentimentos e/ou opiniões, a respeito de aspectos do conteúdo temático, são denominadas de modalizações. As modalizações são relativamente independentes da linearidade e da progressão do texto, podendo, portanto, ser identificadas em qualquer nível da arquitetura textual. O ISD redefine quatro das múltiplas funções de modalização, que são classificadas em:

1) lógicas24, que são julgamentos sobre o valor de verdade do que é enunciado, sendo as proposições apresentadas como possíveis,

23Também qualificado de “narrador” ou de “enunciador” por alguns teóricos (Bulea, 2010)

24Segundo Bronckart, 2009, p. 330, “essa categoria de modalizações lógicas agrupa, de um lado, as

funções às vezes chamadas de aléticas, que se referem diretamente à verdade das proposições enunciadas (expressão de seu caráter necessário, possível, contingente etc.) e, de outro, as funções chamadas às vezes de epistêmicas, que se referem às condições de estabelecimento da verdade das proposições (expressão de seu caráter não decidido, verificado, contestado etc.)”.

prováveis, corretas etc. a partir das coordenadas formais que definem o mundo objetivo;

2) deônticas, que são julgamentos realizados a partir dos valores

sociais, apresentando o que é enunciado como socialmente aceito, proibido, desejável etc., referentes às coordenadas formais que regem o mundo social;

3) apreciativas, que se situam em um campo mais subjetivo de

julgamento, considerando o que é enunciado como estranho, bom, mau etc., na perspectiva de quem avalia, a partir das coordenadas formais do mundo subjetivo;

4) pragmáticas, que exprimem julgamentos sobre as capacidades de

ação (o poder-fazer), a intenção (o querer-fazer) e as razões (o dever-fazer) atribuídas ao agente.

Alertamos, contudo, que, apesar de elas estarem separadas nessas categorias, na composição do texto as modalizações não aparecem apenas separadamente. Pelo contrário, elas se articulam umas às outras, tornando-se difícil, por vezes, identificá-las.

De acordo com as últimas pesquisas do ISD houve desdobramentos no campo da análise do trabalho. Segundo Bronckart (2004), diversos membros do grupo Langage, Action, Formation - LAF desenvolveram estudos sobre as condições de verbalização do agir. As análises de transações comerciais e familiares orientadas por Filliettaz (2002, apud Dantas-Longhi, 2013, p.58) originaram a elaboração de uma “tipologia das ações participativas”. Revaz (1997, apud Dantas-Longhi, 2013, p.58) motivado pelos estudos realizados na linguística textual, analisou os chamados “textos de ação”, caracterizados como textualizadores do agir humano e relacionados a diversos gêneros textuais. Stroumza (2002, apud Dantas-Longhi, 2013, p.58) empenhou-se em estuda a linguagem como atividade, analisando o que classificou de ação da linguagem. Os estudos de Bulea e Fristalon (Bulea e Fristalon, 2004; Bulea, 2010), a respeito de um grupo de enfermeiras, deu origem a

uma categoria de análise da morfogênese do agir, as “figuras de ação” (Dantas- Longhi, 2013).

Seguem abaixo, resumidamente, as características das figuras interpretativas do agir, qualificadas de figuras de ação, identificadas por Bulea e Fristalon (2004); Bulea (2010).

A ação ocorrência se apresenta com elementos diversos e heterogêneos,

relacionados ao agir na situação de produção: gestos e atos próprios de quem faz, efetuados ou a se efetuar; atos e gestos designados a outros; prescrições, resultados de atos já realizados ou acontecimentos atuais. Apresenta-se quase que exclusivamente em segmentos de discurso interativo (expor implicado) e o eixo temporal se articula a partir do presente da enunciação. Os fatos anteriores à situação de produção aparecem no tempo verbal pretérito perfeito e os fatos posteriores à situação de produção são expostos no futuro composto (verbo auxiliar “ir” + verbo principal). Outro traço dessa figura de ação é a tematização do agir segundo seu caráter particular. Outrossim, há uma grande ocorrência de relações predicativas indiretas com valor de modalização (querer fazer, tentar fazer) e de modalizações deônticas e lógicas sob formas impessoais (é preciso, talvez é, é verdade que, é certo que), de acordo com as observações de Bulea (2010).

A ação acontecimento passado é revelada por três características dos

mecanismos discursivos: 1) ausência de localização proativa realizadas por formas do imperfeito perifrástico (eu ia fazer); 2) contraste na compreensão da agentividade e dos atos constitutivos da atividade assegurados na formas de pretérito perfeito e imperfeito); 3)superposição entre propriedades discursivas, sinalizando que o conteúdo temático mobilizado se distancia dos parâmetros temporais do momento da interação, porém, o actante permanece implicado no acontecimento narrado (narrar implicado). O eixo de referência temporal é mais frequentemente realizado por formas de pretérito perfeito e imperfeito. Nela, o agir-referente se destaca por seu caráter circunstancial ou não habitual. Em suma, a figura de ação acontecimento passado se apresenta em estrutura canônica da sequência narrativa (estado inicial + complicação ou controvérsia + avaliação ou repreensão), que se sobrepõe ao relato interativo.

A figura de ação experiência compreende o agir-referente do ponto de vista

de uma síntese pessoal feita através da sedimentação da experiência pela prática repetida. Por se referir a um contexto singular, a ação experiência é representada de modo abstrato e descontextualizado, mas ainda recontextualizável na medida em que sua configuração geral é assumida como sendo aplicável, com algumas adaptações. Apresenta-se como uma avaliação pessoal, com características próprias ao actante e também, em consonância com uma lógica coletivamente compartilhada. Em se tratando do campo enunciativo, há a predominância do discurso interativo (expor implicado), o uso do presente genérico, a organização discursiva por meio de justaposições e de organizadores temporais (depois, aí, então) e uma grande frequência de advérbios ou sintagmas preposicionais e nominais com valor generalizante e reiterativo (“normalmente”, “sempre”, “de qualquer jeito”, “toda hora”). Quanto às marcas de agentividade, Bulea (2010) considera a coexistência de várias formas pronominais (“tu/você” com valor genérico, que pode alternar com o “eu” e o pronome “a gente”). A autora afirma que o uso privilegiado do “tu” faz com que a implicação do actante seja menor na figura de ação experiência que nas outras figuras de ação. Observa, também, a presença de relações predicativas indiretas, modalizações epistêmicas, deônticas e apreciativas.

Na figura de ação canônica, o agir é considerado sob a forma de uma

construção teórica ou abstração da situação de ação. Segundo Bulea (2010), a ação canônica “propõe uma lógica da tarefa que se apresenta como a-contextualizada, com validade geral e emanando de uma instância normativa exterior ao actante”, ao actante cabe apenas cumpri-la. Discursivamente, a ação canônica se apresenta unicamente em segmentos de discurso teórico (expor autônomo) ou em segmentos mistos teórico-interativos. Temos ainda, que o eixo de referência temporal é não limitado e geralmente não marcado e a temporalidade verbal é marcada pelo uso do presente genérico em uma ordem próxima à cronologia geral da atividade. Nessa figura de ação, o actante é quase sempre percebido pelas formas impessoais como “a gente” ou o “tu/você” genérico, por não comportar marcas de variação se apresenta como particularmente homogênea, do ponto de vista discursivo.

A ação definição refere-se ao agir-referente como objeto de reflexão, ou “um

fenômeno do mundo” que congrega as pessoas a uma atividade de investigação e de posicionamento, que apresenta duas formas: a) a apreensão da atividade do ponto de vista de suas características e de seu estatuto; b) o exame das atitudes socioprofissionais que existem a seu respeito. Nesse contexto, trata-se de uma figura de ação descontextualizada, pois sua construção não mobiliza elementos disponíveis no contexto imediato do actante. Ademais, essa figura de ação não tematiza nem o actante, nem os atos constitutivos do agir-referente. Do ponto de vista discursivo, a ação definição é caracterizada pelo uso do discurso teórico e do tipo de discurso misto teórico-interativo e sua forma verbal predominante é o discurso genérico. Outra característica que marca a figura de ação definição é a repetição de construções impessoais formadas pelo verbo “ser”+grupo nominal ou grupo adjetival que, superpostas ou justapostas, recompõem o valor de seu referente, representando seus vários aspectos. Na ação definição as marcas de agentividade do actante são quase nulas, no entanto, o posicionamento deste é fortemente marcado por meio de mecanismos de posicionamento enunciativo, como o uso do marcador de identidade “eu” (eu acho, eu creio que, eu diria que) e da oposição entre as proposições que lhe são aferidas e as que são conferidas à voz social, representada pelo uso de “as pessoas” ou “a gente”. A autora enfoca, ainda, que a ação definição nos mostra a que ponto o processo de interpretação do agir é, na e para aquele que enuncia, “indissociável da revivificação-reconstrução das significações de 'palavras' que o designam” , abrindo, desta forma, a oportunidade de produzir o “novo”.

Por fim, tendo exposto o quadro teórico-metodológico que alicerçou nossa pesquisa, no capítulo seguinte apresentaremos as particularidades de nossa pesquisa.