BÖLÜM 1: EŞBÂH VE NEZÂİR LİTERATÜRÜNÜN GENEL TAHLİLİ,
1.2. Suyûtî ve İbn Nüceym’in Hayatı ve el-Eşbâh ve’n-Nezâir Adlı Eserleri
1.2.1. Nüceym ve el-Eşbah ve’n-Nezâir’i
1.2.1.2. el-Eşbâh ve’n-Nezâir’i
De acordo com Marcou (2000, p.3) as comunas francesas constituem uma divisão administrativa secular. Trata-se, dessa forma, de uma circunscrição administrativa que carrega referência histórica e que, transcorridos mais de dois séculos, foi preservada, tendo em vista que o número de comunas francesas observado atualmente é um pouco menor daquele existente no remoto final do século XVIII. O reconhecimento de 44.000 comunas pela Assembléia Nacional deu-se ainda em 1789. Marcou (2000, p.3) menciona o decreto de 12 de novembro de 1789, que promoveu “o reconhecimento de um Estado de fato, em substituição aos diversos regimes oriundos de costumes ou preceitos antigos, instituindo uma municipalidade em cada vila, burgo, aldeia ou comunidade campestre”. Foi Napoleão Bonaparte, alguns anos mais tarde, quem suprimiria todas as comunas com menos de 300 habitantes. Marcou (2000, p.3) observa que em um toque com a pena, reduziu-se o número de comunas para 38.000, ao mesmo tempo em que a comuna sujeitava-se ao Estado22.
22 La éfo e la plus adi ale do t elle fit l’o jet fut la de isio de Napoleó Bo apa te e l’a VIII ui dé ida
de supp i e toutes les o u es de oi s de ha ita ts, a e a t ai si d’u t ait de plu e le o e des communes à 38.000, em même te ps u’il assujettissait la o u e à l´État.
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De acordo com o mesmo autor (2000, p.3), um dos primeiros textos legais a prever a intercomunalidade foi a lei de 18 de julho de 1837, que tratava da execução de obras de interesse de diversas comunas. A outra lei aplicada a esse tema é a de 5 de abril de 1884, que estabelece a origem do regime comunal moderno, e também a lei de 22 de março de 1890 que instituiu o sindicato de comunas, cujas especificidades serão apreciadas a seguir.
6.3.1 - A Lei de 1884
No século XIX duas leis se destacam no contexto da intercomunalidade. Em 1884, ano da revisão da Constituição, a lei de 5 de abril, denominada a Nova Lei Municipal, trata em seus 167 artigos, das definições sobre as instituições e da estrutura administrativa das comunas. Em seu Título 1 (Das comunas), é definida a composição do conselho municipal, do prefeito e seus adjuntos. O Título 2 (Dos conselhos municipais) detalha o número de membros do conselho municipal, de acordo com o número de habitantes da comuna. Em cidades divididas em diversas Préfectures, o número de conselheiros era ampliado em três por Préfecture. Toda a definição sobre as eleições em nível municipal estão detalhadas nos artigos de 10 a 45. Da mesma forma, o funcionamento dos conselhos municipais encontra-se expresso nos artigos 46 a 72. As atribuições do prefeito e seus adjuntos são apresentadas nos artigos 73 a 120. O texto da lei define para cada comuna um prefeito e um ou mais adjuntos eleitos entre os membros do conselho municipal (artigo 73). O número de adjuntos será de um, nas comunas até 2.500 habitantes e de dois, naquelas entre 2.501 a 10.000. Nas comunas de população superior a 10.000 habitantes, haverá um adjunto a mais para cada excedente a 25.000 habitantes, limitado a um total de 12, salvo para a cidade de Lyon na qual o número será de 17. Constava do mesmo artigo a divisão de Lyon em seis distritos municipais (atualmente são nove arrondissements). Para cada um dos seis arrondissements o prefeito deveria delegar dois adjuntos, a quem caberia efetuar os registros civis, dentre outras atribuições. Desse modo, 12 adjuntos entre os 17 dedicar-se-iam ao trato das questões distritais, restando cinco para a execução dos temas comunais mais gerais. O artigo 74 definia que as funções dos prefeitos, adjuntos e conselheiros municipais não seriam remuneradas, cabendo somente o reembolso de despesas que necessitassem mandatos especiais.
A lei indicava, em seu artigo 76, que o conselho municipal teria a incumbência de eleger o prefeito e adjuntos dentre seus membros.
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Já o artigo 90 definia as funções do prefeito, a quem caberia, sob controle do conselho municipal e supervisão da administração superior:
1. Conservar e administrar a propriedade da comunidade; 2. Gerir a receita e vigiar os estabelecimentos comunais; 3. Preparar e propor o orçamento e ordenar as despesas; 4. Gerenciar as obras da comuna;
5. Assegurar todas as medidas relativas às vias municipais;
6. Subscrever as licitações de obras da comuna na forma definida em leis e regulamentos;
7. Efetuar os atos de venda, troca, divisão, aceitação, aquisição e transação, autorizados por lei;
8. Representar a comuna em juízo seja como demandante ou em sua defesa;
9. Tomar todas as medidas necessárias à destruição dos animais nocivos [...] Fazer em tempo de neve, com os detentores do direito de caça, o convite para abater os lobos e javalis remanescentes do território[...]
10. Assegurar de maneira geral a execução das decisões do conselho municipal.
O artigo 91 definia que o prefeito era o encarregado, sob supervisão da administração superior, da polícia municipal e da execução dos atos da autoridade superior que lhe são relativos.
No artigo 92 constava também como atribuição do prefeito a publicação e execução das leis e regulamentos, a execução das medidas de segurança geral e funções especiais a ele atribuídas por lei. Aspectos jurídicos, orçamentários e patrimoniais complementam o texto da lei.
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Tabela 12: Lei de 5 de Abril de 1884 - Número de membros do Conselho Municipal
Número de Habitantes Número de Membros do Conselho Até 500 10 501 a 1.500 12 1.501 a 2.500 16 2.501 a 3.500 21 3.501 a 10.000 23 10.001 a 30.000 27 30.001 a 40.000 30 40.001 a 50.000 32 50.001 a 60.000 34 60.001 e mais 36
Fonte: La Nouvelle Loi Municipale 1884 – Bibliothèque Nationale de France – Acesso em 02 Jun 2011
6.3.2 - A Lei de 1890
A Lei de 22 de março de 1890 representa um marco importante e é referência obrigatória para a compreensão da organização intercomunal francesa. É o instrumento que trata dos sindicatos de comunas e configura a origem da cooperação intercomunal. O trabalho de Dreyfus23 analisa o texto da lei e os mecanismos de operação dos sindicatos de vocação única (SIVU), primeiras estruturas intercomunais da França.
Dreyfus (1892, p. 3) considera que “o fracionamento exagerado da vida municipal resultou numa redução de recursos, dificuldade de mandatários capacitados, dispersão da ação
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Dreyfus, Ferdinand: Les Syndicats de Communes et la loi du 22 Mars 1890 – communication faire à l’a adé ie des S ie es Mo ales et Politi ues das su séa e du Mai , Paris: Alpho se Pi ard Éditeur, 1892, p. 21. Disponível em: http://www.bnf.fr > Acesso em 10 Jun 2011.
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administrativa, e a impossibilidade para as comunas francesas constituírem de fato um regime de auto-governo.”
O autor destaca que o número de pequenas comunas em 1892 equivalia ao número de paróquias anteriores à Revolução (1892, p.3). Observa que, “após o recenseamento de 1891, foram computadas 36.144 comunas, das quais 92 contavam uma população inferior a 50 habitantes, 784 com menos de 100 habitantes, 16.714 comunas com uma população variando entre 100 a 500 almas e 10.169 entre 500 e 1.000 almas e 8.385 comunas com mais de 1.000 habitantes.”
Dreyfus (1892, pp.12 e 13) seleciona os artigos 169 a 174, que definem as condições e formas para a criação de um sindicato intercomunal. Ele observa que, de acordo com a lei de 1890, “o sindicato pode ser formado não apenas pelas comunas de um mesmo departamento, mas também por comunas pertencentes a departamentos diferentes, desde que sejam limítrofes.”
Um aspecto interessante da lei era o caráter irrevogável do acordo de adesão até que o objeto de contrato estivesse concluído. O escopo do serviço e a forma de realização do objeto devem estar nitidamente determinados nas deliberações iniciais (DREYFUS, 1892, p.13):
“Les conseils municipaux interessés ‘doivant affirmer leur volonté de s’associer em vue d’une oeuvre définie, prendre des délibérations concordantes sur toutes les conditions de l’acte de societé et décider notamment de consacrer à l’entreprise des ressources suffisantes.
Ces engagements, une fois pris, ne pourront ni être retires ni être modifies tant que l’oeuvre ne sera pas terminée’.”
A proposta de criação do sindicato intercomunal é submetida à apreciação do Conselho de Estado, a quem cabe a emissão do decreto de autorização de criação. Assim como as comunas, os sindicatos são submetidos à tutela administrativa do Conselho (DREYFUS, 1892, p.13). O artigo 169 também apontava como meta, facilitar o acesso de uma associação já criada às novas comunas. Desse modo, fazia-se necessário o consentimento das comunas sindicalizadas e, em procedimento mais simplificado, apenas um decreto seria suficiente para a aprovação dos conselhos municipais interessados:
“... Le consentement des communes syndiquées est nécessaire et, comme Il s’agit d’agréger d’autres membres à un être moral déjà crée, um simple décret suffit pour approuver les délibérations prises par tous les conseils municipaux intéressés.”
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No caso de o sindicato contemplar comunas inseridas em diversos departamentos, ele se reporta à préfecture do departamento ao qual pertence a comuna membro do sindicato.
No artigo 171 encontra-se disposto que o Comitê Administrativo possuía a função deliberativa e executiva do sindicato. Seus membros eram eleitos à razão de dois delegados por comuna e por conselhos municipais das comunas associadas (DREYFUS, 1892, p. 14), obedecendo às mesmas regras para os prefeitos e adjuntos das comunas. Caso o conselho municipal não demonstre interesse ou se recuse a nomear seus delegados, a lei previa que a comuna seria representada pelo prefeito e o primeiro adjunto.
Estavam previstas duas sessões ordinárias por ano, com a possibilidade de o presidente convocar sessões extraordinárias, por demanda do préfet, que assiste às sessões. A função do presidente à frente do sindicato é a de executar as decisões adotadas em sessão e representar o sindicato perante a justiça (artigo 173).
O comitê poderia designar entre os delegados, um ou mais gerentes que estariam encarregados da ação executiva. Sua nomeação e a determinação de mandato seria submetida à aprovação do préfet.
A França participaria como um dos principais protagonistas da Primeira Guerra Mundial, conflito marcado pela estratégia armada no interior de trincheiras, mas também pelo poder de destruição, ampliado pelas inovações tecnológicas. O segundo conflito mundial do século XX teria uma capacidade destrutiva ainda mais intensa. Para as cidades francesas, seus efeitos engedraram novas propostas de organização territorial, como veremos.