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Kayıt Dışı Ekonominin Tahmin Edilmesinde Dolaylı Yöntemler Kayıt dışı ekonominin tahminini kayıtlı ekonomide bıraktığı izlerden hareketle

KAYIT DIŞI EKONOMİ

D. Kayıt Dışı Ekonomiyi Tahmin Etme Yöntemler

2. Kayıt Dışı Ekonominin Tahmin Edilmesinde Dolaylı Yöntemler Kayıt dışı ekonominin tahminini kayıtlı ekonomide bıraktığı izlerden hareketle

Considerando não somente a influência dos elementos fisiológicos e dos processos cognitivos relacionados à compreensão das emoções, Darwin, em The expression of emotion in Man

and Animals, escreve que emoções e expressões emocionais no homem e nos animais são

similares; sua crença de que o homem teria se desenvolvido a partir de formas mais básicas de vida suplementa a sua comparação. Darwin (1998 [1896]) delineia três princípios gerais para explicar a origem da expressão emocional. Primeiro, algumas expressões emocionais surgem originalmente porque elas são úteis ao lidar com a situação em que estão envolvidas; têm, por isso, valor de sobrevivência. Segundo, outras emoções são simplesmente opostas ao comportamento emocional útil associado à emoção oposta. E outras, em terceiro lugar, relacionadas à fisiologia, tal como o empalidecimento, a aceleração nos batimentos cardíacos, a tremedeira, o rubor na face, são simplesmente um resultado das mudanças físicas que ocorrem durante as experiências emocionais. O mais importante a se notar, aqui, é que Darwin propunha que as emoções seriam elementos imanentes aos seres vivos – contudo, com a especificidade de os humanos serem capazes de lançarem um olhar reflexivo para aquilo que sentem. De acordo com Lazarus (1991), as emoções podem servir como uma função essencial na nossa adaptação à vida cotidiana, pois elas guiam nossos movimentos em relação a tudo o que encontramos. Além disso, o autor declara que “as emoções humanas dependem da inteligência e da avaliação, as quais constituem um passo evolucionário além dos reflexos sensoriomotores e das direções

fisiológicas” – nesse sentido, pensar sobre dada emoção, ao invés de somente experienciá-la é o que nos distingue dos demais animais.

Segundo Plutchik (2001), uma emoção não é simplesmente um estado de percepção: é, na verdade, uma rede complexa de eventos conectados, iniciando com um estímulo e incluindo sentimentos, mudanças psicológicas, impulsos para ação e comportamentos voltados para objetivos específicos. Dessa forma, os sentimentos não ocorrem isoladamente, mas são respostas para situações significativas na vida de um indivíduo, e frequentemente motivam ações – o medo, por exemplo, leva a uma reação de fugir ou de lutar. Essa definição de emoções permite que um conceito relacionado a esse tema seja generalizado até mesmo para insetos, os quais, segundo Darwin, também expressam fúria, terror, ciúme e afeto por seus pares. A partir disso, muitos estudiosos buscaram o caráter universal das emoções, tentando provar que há, sim, emoções básicas. Através de uma perspectiva psicológica, as emoções básicas seriam geradoras de blocos primitivos, dos quais emergiriam outras emoções, denominadas não-básicas (ORTONY; TURNER, 1990). Apesar de muitos teóricos acreditarem na existência de um grupo de emoções básicas (também chamadas primárias ou fundamentais), há pouco consenso sobre quantas emoções são básicas, quais são elas e por que possuem o caráter de serem mais básicas que outras.

Ekman (2003), em uma tentativa de refutar as hipóteses darwinistas, avalia pesquisa expressões faciais relacionadas a diferentes tipos de emoções em culturas diversas. Sua hipótese de trabalho estaria ancorada no fato de que as emoções seriam amplamente culturais em origem. Contudo, ao explorar o tema, percebeu que a hipótese darwinista era coerente. A partir disso, reconhece o valor da universalidade das expressões faciais, afirmando que elas seriam, em essência, síndromes biológicas que acompanham uma emoção – embora às vezes o pesquisador sugira que as expressões são a própria emoção, sem explicar com precisão a conexão entre reconhecimento e produção de expressões faciais de uma emoção. Ekman (1992) desenvolveu a “teoria das emoções básicas”, segundo a qual uma emoção básica é aquela que pode ser identificada nos termos de uma base biológica, síndrome evolucionária de expressão neurológica, hormonal e muscular, especialmente em expressões faciais. Em suas pesquisas, Ekman parece reviver os esforços de Descartes, que defendia uma concepção de emoções universais e primitivas. Contudo, há três pontos a serem considerados em relação a essa busca por uma definição de emoções básicas: primeiro, ele parece reduzi-las a uma comparação de expressões faciais somente; segundo, o resto das percepções corporais não tem papel relevante para as emoções, isto é, o corpo é simplesmente esquecido em seu papel desencadeador de emoções; e terceiro, as experiências e a situação que acarretam uma emoção parecem não ter relevância na sua compreensão.

Ainda sob essa perspectiva, vemos que Lazarus (1994) e Frijda (1994) também optam por seguir uma abordagem evolucionária. O primeiro é fundador de uma teoria do julgamento [appraisal theory], para a qual uma emoção surge a partir de um julgamento de valor do mundo, o qual muitas vezes não é consciente e nem sempre é articulado ou reconhecido pelo sujeito. O segundo segue uma psicologia experimental com base na teoria da evolução darwinista. Para Frijda (1994), as emoções são funcionais, na maior parte do tempo, por servirem à preservação e à intensificação da vida. Opondo-se à teoria jamesiana, que se ocupava com as respostas físicas primitivas e os sentimentos, ressalta em grande medida as “tendências de ação” das emoções.

Em oposição à inclinação em pensar as emoções como produtos da evolução, Lutz (1988) acredita no fato de que não somente a expressão linguística das emoções, mas as próprias emoções seriam culturalmente moldadas e “construídas”. Rejeita a noção de emoções “naturais” distintas e discretas, e insiste na noção de emoções “não naturais”, ou seja, não inatas, mesmo não negando que elas sejam, de alguma forma, baseadas na biologia, e insistindo que elas são, fundamentalmente, produtos culturais. Segundo a autora, “embora o valor da emoção como símbolo não seja dependente de alguma relação objetiva com o corpo, meu propósito não é cortar o corpo das emoções ou simplesmente civilizá-las” (p. 4). Na verdade, a autora sugere que: (1) deve ocorrer uma desconstrução da emoção, mostrando que o uso do termo nas interações cotidianas ocorre em uma rede de frequentes associações implícitas que dão força aos enunciados que a usam e (2) se mostre que as pessoas falam sobre as emoções de tal forma que isso reflete seus valores, seus esforços de poder.

Para Lutz (1988), uma emoção é, em essência, uma estrutura psicobiológica e uma faceta do indivíduo. À luz da tradição filosófica ocidental, o papel da cultura na experiência da emoção seria visto como secundário. Contudo, mesmo que experienciemos as emoções como algo que aumenta e diminui dentro dos limites dos nossos corpos, as origens sociais do entendimento de nós mesmos, do outro, do mundo, juntamente com a experiência chamam a nossa atenção para os processos interpessoais pelos quais algo chamado emoção, ou aquilo que chamamos de alegria, raiva, medo, vem a ser atribuído e experienciado por nós. Segundo Lutz (1988), o uso de conceitos de emoção como elementos de prática ideológica local envolve a negociação sobre o seu significado e os eventos em que ocorrem, sobre direitos e moralidade, sobre o controle de recursos – requer, portanto, esforços relacionados ao âmbito de grupos humanos. Uma vez “desessencializada”, como se inserida em um ato de desconstrução, a emoção pode ser vista como um processo cultural e interpessoal de nomeação, sendo justificado e acordado pelas pessoas de uma mesma cultura. O significado emocional é, então, uma realização social antes de ser individual – um produto emergente da vida social.

Mesmo não negando o papel dos aspectos fisiológicos e corpóreos das emoções, Lutz (1988), numa desconstrução metodológica, analisa o papel dessas no meio cultural. Assim como Rosaldo (1984) sugere que as emoções podem ser vistas como “pensamentos corporalizados” (p. 143), estabelece-se a percepção de que é preciso escapar das dificuldades instauradas pela forma de pensar cartesiana e entender que não é possível uma dicotomia real entre razão e emoção. Situando a expressão das emoções na perspectiva dos jogos de linguagem de Wittgenstein, Rosaldo demonstra que o sentido das palavras de emoção só pode ser delineado a partir do ato social, em consonância com uma experiência emocional pré-verbal: “sentimentos não são substâncias a serem descobertas em nosso sangue, mas práticas sociais organizadas por histórias em que nós mesmos atuamos e contamos” (ROSALDO, 1984, p. 143). De acordo com Bezerra (2001), esses jogos de linguagem são “uma maneira de lidar com o mundo, os outros e o próprio corpo que permite a emergência de coisas como a experiência de um Eu capaz de reconhecer-se como tal e de um mundo que não é apenas sentido, mas concebido como tal” (p. 22, itálicos do autor). Desse modo, a forma como elaboramos e conceptualizamos as nossas emoções depende, em grande medida, de como percebemos os nossos corpos e as interações pelas quais eles se engajam num mundo em constante reformulação.

Tomando como hipótese o papel do corpo na racionalidade, Damásio (1996) busca explicar como as estruturas corpóreas e cerebrais associam-se à percepção e à compreensão das emoções. Para ele, não seria possível separar nenhuma dessas estruturas inerentes ao indivíduo a fim de que ele compreenda e expresse o que sente:

o hipotálamo, o tronco cerebral e o sistema límbico intervêm na regulação do corpo e em todos os processos neurais em que se baseiam os fenômenos mentais, como, por exemplo, a percepção, a aprendizagem, a memória, a emoção, o sentimento e, ainda [...], o raciocínio e a criatividade. A regulação do corpo, a sobrevivência e a mente estão intimamente ligados. Essa interligação verifica-se no nível do tecido biológico, e utiliza sinais químicos e elétricos, qualquer deles dentro da res extensa de Descartes (o domínio físico no qual ele inclui o corpo e o meio envolvente, mas não a alma não física, que pertence à res cogitans). Curiosamente, essa interligação ocorre de forma intensa não muito longe da glândula pineal, no interior da qual Descartes procurou aprisionar a alma incorpórea (DAMÁSIO, 1996, p. 144).

O neurocientista parte da hipótese de que os seres humanos estão programados para reagir com uma emoção de modo pré-organizado quando certas características dos estímulos – do mundo ou dos corpos – são detectadas individualmente ou em conjunto. Damásio afirma que há uma interdependência entre as estruturas corpóreas e os padrões cerebrais, bem como há uma influência do meio para a formação dessas concepções. Para ele, não é possível definir o que existe realmente, posto que o objeto a ser significado é uma construção contínua, que se inicia no partilhar de experiências e acaba nas elaborações subjetivas – embora, devido ao fato de os seres

humanos estarem em constante interação, não acredite em um subjetivismo extremo, mas num subjetivismo que se constrói enquanto se interage com outros humanos. Dessa forma, se não há como delimitar as fronteiras entre o que é biológico ou cultural, mente ou corpo, razão ou emoção, nessa perspectiva, esses fatores são interdependentes. Isso se pode verificar na passagem em que o autor menciona a importância do contato dos diferentes níveis de interação:

não viso reduzir os fenómenos sociais a fenómenos biológicos, mas antes debater a forte ligação entre eles. Quero sublinhar que, muito embora a cultura e a civilização surjam do comportamento de indivíduos biológicos, esse comportamento teve origem em comunidades de indivíduos que interagiam em ambientes específicos. A cultura e a civilização não poderiam ter surgido a partir de indivíduos isolados e, portanto, não podem ser reduzidas a mecanismos biológicos e ainda menos a um subconjunto de especificações genéticas (DAMÁSIO, 1996, p. 146).

A partir desses termos, constata-se que “o cérebro, que computa a mente, evoluiu a fim de facilitar a sobrevivência do corpo. Isso levou a uma mente que surge a partir de uma interação simbiótica cérebro-mente, a qual Mark Johnson refere como: O corpo na mente” (EVANS, 2009, p. 29). A comprovação da existência de uma mente corpórea é diretriz para explorar temas como o da conceptualização linguística de emoções, o qual abordaremos com mais detalhes a partir do Capítulo 2.

O que Lutz, Rosaldo e Damásio mostram, em suas pesquisas, é que a separação cartesiana da mente e do corpo deve ser apenas metodológica, mas esse dualismo expressa uma maneira tradicional de pensar o mundo. Em Damásio (2004), o uso dos termos “mente” e “corpo” não constitui um deslize descuidado do dualismo de substância, ontológico. Para o autor, mente e corpo emergem da mesma substância biológica, mas esses são investigados distintamente pelas mesmas razões que o levam a separar emoções de sentimentos: trata-se de uma estratégia de pesquisa que permite avançar a nossa compreensão desse conjunto integrado que é o humano (Damásio, 2004, p. 311, nota 2). Isso reforça a ideia de que a investigação científica depende da perspectiva que se assume ao olhar o objeto – no nosso caso, essa concepção vai interferir na maneira como examinamos emoções e sentimentos. Contudo, é comum tal dualismo metodológico contrapor-se – e confundir-se – diretamente com um dualismo ontológico, tendo em vista que a ideia de que é realmente possível fazer tal distinção está firmemente arraigada numa concepção do mundo para o senso comum. Em geral, por organizarmos todas as coisas às quais temos acesso no mundo de maneira dicotômica, não esperamos que exista a possibilidade de que as entidades estejam em fusão; no pensar ocidentalizado, em geral concebemos mente/corpo, natureza/cultura, razão/emoção e emoção/sentimento como elementos distintos, e geralmente opostos.

No entanto, de acordo com Arreguy (2008, p. 184), “[...] com o desenvolvimento das funções cognitivas superiores, torna-se nítida a percepção de uma suposta descontinuidade entre mente e corpo na experiência subjetiva”. A autora cita o exemplo de Leder (1990, apud ARREGUY, 2008), o qual, através de uma experiência empírica, ameniza a crítica a Descartes ao tentar provar que é impossível aperceber-se de duas coisas, figura e fundo, concomitantemente. Assim como não se consegue observar dois objetos simultaneamente, a analogia aqui reside no fato de que o corpo se tornaria o fundo quando relacionado a certos aspectos cognitivos, os quais dão a impressão de corresponderem a estados não-corpóreos (ARREGUY, 2008). Desse modo, a crença na distinção entre mente e corpo deve-se à percepção diferenciada dos processos mentais e físicos: a concentração consciente em um desses aspectos leva a um efeito em que esses parecem ser duas realidades distintas. Conforme Evans e Green (2006), temos a tendência a direcionar nossa atenção a apenas alguns aspectos de uma cena, e não para o todo: “[o] aspecto que focalizamos é algo sobre o qual podemos fazer certas previsões” (p. 18). Esse fato explica por que, pela linguagem, configuramos a informação de certa maneira e não outra, muitas vezes assumindo pontos de vista diferentes em relação ao mesmo objeto. Assim, a posição proeminente assumida por uma emoção em dado momento leva outros aspectos ligados ao humano a um nível menos relevante, mas nunca os excluindo. Quando alguém aparentemente é tomado pela raiva, os aspectos fisiológicos dessa emoção ganham posição de destaque, enquanto quaisquer outros elementos que a impulsionam – até mesmo a interpretação que a desencadeia – ficam subjugados a uma posição secundária.

Como veremos nas páginas seguintes, a perspectiva que adotaremos será a da ligação inextricável entre essas entidades, na abordagem de corporeidade situada. Ao mesmo tempo em que ainda temos a tendência de criar uma distinção entre mente e corpo, devido às bases culturais nas quais nos inserimos e pela prevalência de certas percepções em detrimento de outras no momento interacional, é preciso enfatizar que, ao falarmos do que sentimos, não é possível nos despirmos do corpo que possuímos. Ao interagir com outros corpos e através da inserção em dado ambiente, acabamos por conceptualizar as coisas conforme os esquemas corpóreos que acabam por emergir na forma como nos expressamos linguisticamente. Em se tratando da construção de significados, em especial daqueles ligados à definição de emoções e sentimentos, trataremos de dar ao corpo o lugar que lhe é devido: assumiremos que a base da nossa organização conceptual é essencialmente corpórea, tendo em vista que corpo, cérebro, mente se entrelaçarão em uma amálgama irredutível, de modo a resultarem em unidade. Com o intuito de explicarmos de que modo conceitos relacionados a emoções emergem e são partilhados com outros indivíduos, assumiremos, assim, a noção de realismo corpóreo, ou experiencialismo, utilizada

como fundamento da segunda geração da Linguística Cognitiva. Na próxima seção, levantaremos a base sobre a qual essa perspectiva se sustenta, mas sem deixar de lado a influência da tradição cognitivista desencarnada.

1.4 O PAPEL DO CORPO NA CONSTRUÇÃO DO SIGNIFICADO: