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II. BÖLÜM

3.1. DUVAR ÇNLER

3.1.1. DUVAR ÇNLERNN KULLANILDII SARAYLAR

Na pesquisa foram aplicados procedimentos sistemáticos de análise a fim de auxiliar no entendimento do fenômeno. Assim para coleta de dados foi realizada a intervenção através do instrumento grupo focal, meio de investigação qualitativo, que posteriormente recebeu tratamento e transformado em dados quantitativos. A classificação das falas em categorias permitiu a construção de gráficos que facilitaram a análise da dinâmica conceitual através dos diálogos, o jogo dos componentes subjetivos (motivações, falas espontâneas) do grupo. Traduzindo o esquema:

Pesquisa Qualitativa ---- > relatório de pesquisa quantitativa ---> Análise Qualitativa ou seja,

Grupo Focal ---> Mapa Dialógico/Gráfico --- > Análise Qualitativa

Triviños (2009, p. 128-129) desenvolve alguns pontos na obra que aborda a pesquisa qualitativa na área da educação e afirma: “A pesquisa qualitativa é descritiva e os pesquisadores qualitativos estão preocupados com o processo e não simplesmente com os resultados e o produto”. Aqui não foram desprezados os resultados, eles ajudaram no entendimento do processo, e permitiram descrever os fatos com suficiente profundidade para um desdobramento do problema da pesquisa. A análise dos mapas facilitou a organização da leitura das entrevistas para que posteriormente possamos analisar as falas propriamente. É

uma maneira de introduzir a análise das entrevistas. Interessa-nos mapear a subjetividade das pessoas com a proporção das categorias, o quanto tem de ideologia, de educação religiosa, afetividade, hedonismo quando elas pensam em doar para um projeto social. As ONGs podem fazer um procedimento semelhante: grupo focal, gráfico, análise dos resultados, pois a cada grupo, o equilíbrio das categorias de subjetividades poderá ser diferente.

A seguir, o Gráfico 1 possibilita a visualização da sequência das falas dos participantes do Grupo focal 1, considerando as categorias em que se inseriram (as cores representam cada categoria), na sua dinâmica, como se repetem e se alternam. O gráfico busca representar um fluxo simbólico dentro do qual se expressa a dinâmica do pensamento coletivo através das falas.

Gráfico 1: Visão geral do processo dialógico do grupo focal 1

SEQUÊNCIA LÓGICA – DIALÓGICA (GRUPO FOCAL 1)

Para entender o gráfico:

A questão de cunho administrativo que abriu o debate não prosseguiu, vindo a aparecer novamente no final. Na leitura flutuante percebe-se que há alguma descontinuidade nas falas -- vide as cores se alternando. No fluxograma acima, as alternâncias demonstram um discurso propenso a uma postura mais reflexiva, crítica (vide a predominância da categoria ideologia). A questão da religião, que em outros autores aparece muito ligada a doações, foi algo descolada aqui, vide a cor roxa escura, contrariando um pouco as produções que estabelecem (conforme já mencionado nesse trabalho) tal relação. Possivelmente, se o grupo tivesse outro perfil, por exemplo, se fossem pessoas que frequentam uma igreja evangélica, teria havido a predominância de motivação provocada pelas necessidades ensinadas nessa crença, não questionadas, mas praticadas com convicção.

Fim

OUTROS

RELAÇÃO DOAÇÃO E HEDONISMO (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO) 

QUESTÕES DE CUNHO ADMINISTRATIVO (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO) EFEITOS DA DOAÇÃO

LEGENDA

RELAÇÃO DOAÇÃO E HEDONISMO (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO)

VALORES AFETIVOS (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO) 

QUESTÕES DO CAMPO IDEOLÓGICO (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO) VALORES AFETIVOS (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO)

RELAÇÃO DOAÇÃO E RELIGIÃO (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO) 

Visão geral das proporções entre as categorias no Grupo Focal 1

Vetores que favorecem a doação

Vetores que impedem a doação

No Grupo 1 constata-se que a discussão se concentra bastante em torno da questão ambiental, eles estão preocupados em tomar o assunto por um cunho crítico. No primeiro gráfico (vetores que favorecem), os valores afetivos aparecem como a segunda categoria mais presente, bem próxima da categoria hedonismo e no segundo gráfico (vetores que impedem), as categorias estão mais equilibradas, os valores afetivos aparecem em terceiro lugar, logo após questões de cunho administrativo. Percebe-se que a linguagem que conduz ao coração daqueles doadores passa pelo campo da ideologia e por um exercício de autoquestionamento, mas também um pouco por questões afetivas e seduções hedonistas; poderia demonstrar a estrutura de funcionamento e como são encaminhadas as doações para a ONG, para que se torne mais transparente o relacionamento.

O Gráfico 2 a seguir representa a sequência das falas e com categorias atribuídas da discussão do Grupo focal 2, que foi menos extensa que a do primeiro grupo, onde se falou muito pouco sobre as questões administrativas, predominando a ideológica e avançando um pouco mais na questão de cunho religioso. Os participantes, como no primeiro grupo, não deram uma sequência mais homogênea aos assuntos, e aqui percebeu-se uma independência maior nos participantes e seus posicionamentos -- no primeiro grupo quando um assunto era lançado havia uma “contaminação”. Neste grupo percebe-se pelas cores uma variação maior, embora as categorias ideologia e religião tenham “contaminado” um pouco mais, e a afetiva comentando mais as outras.

SEQUÊNCIA LÓGICA – DIALÓGICA (GRUPO FOCAL 2)

Gráfico 2: Visão geral do processo dialógico do grupo focal 2.

Para entender o gráfico:

OUTROS

RELAÇÃO DOAÇÃO E HEDONISMO (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO)

QUESTÕES DE CUNHO ADMINISTRATIVO (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO)

EFEITOS DA DOAÇÃO LEGENDA

RELAÇÃO DOAÇÃO E HEDONISMO (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO)

VALORES AFETIVOS (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO)

QUESTÕES DO CAMPO IDEOLÓGICO (em VETORES QUE IMPEDEM A DOAÇÃO) VALORES AFETIVOS (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO)

RELAÇÃO DOAÇÃO E RELIGIÃO (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO)

QUESTÕES DO CAMPO IDEOLÓGICO (em VETORES QUE FAVORECEM A DOAÇÃO)

O grupo começou com uma discussão sobre políticas públicas. Silvana fez uma fala flutuante, isto é, passou pelos vetores que favorecem a doação e terminou arguindo sobre os vetores que impedem a doação, ambos na categoria ideologia. Vide o colorido do gráfico na primeira coluna.

Visão geral das proporções entre as categorias no Grupo Focal 2

Vetores que favorecem a doação

Vetores que impedem a doação

Os valores ideológicos têm o mesmo peso predominante (55%) nos dois grupos na hora de decidir afirmativamente para uma doação.

No Grupo 2, a discussão teve um caráter mais filosófico. Observa-se, nos vetores que impedem a doação, predominância na categoria relação entre doação e hedonismo, evidenciando que a discussão do grupo foi mais reflexiva, profunda e existencialista. O campo ideológico novamente predomina na categoria vetores que favorecem a doação, porém esse grupo que não é formado por pessoas mais interessadas na área ambientalista; a questão religião teve um peso bem maior que no Grupo 1. O que aparece mais claro pelos vetores que perpassam o diálogo é algo que parece ligado à ocupação dos sujeitos nos diferentes espaços

da vida social. Estes sujeitos se integram em outros territórios de produção subjetiva, mais afetivos. Pois se aqui a religião faz doar mais, a crítica ao hedonismo impede mais de doar.

Os caminhos para doação são inúmeros. Com estes relatos é possível que o captador de recursos entenda um pouco melhor um doador e possa cultivar um relacionamento mais sincero com ele, pois interage e entende o que se passa na cabeça dele, também possa conhecer mais propriamente aqueles que participam do seu projeto procurando tratá-los com respeito e não com um padrão de comportamento em série, como se eles fossem máquinas de doar. O presente estudo tem como intenção demonstrar às ONGs e aos captadores que não devem somente elaborar um pacote de benefícios que devolvam (regime “toma-lá, dá-cá”) ao doador aquilo que ele investiu. É possível tocar o ponto solidário que mobiliza alguém a fazer algo, chamá-lo a doar pelo simples ato de fazer o bem e contaminar mais pessoas para tal ato; uma produção de subjetividade que se dá se realmente houver um interesse mais profundo e significativo, para além da retribuição.

A pesquisa qualitativa abriu portas para os participantes se desnudarem e entrarem numa postura mais crítica – tanto é que a predominância nos dois grupos focais foi para a categoria ideologia, no sentido de haver mais questionamento sobre as próprias posturas. Esse foi um efeito do estilo de entrevista, dinâmica por ser em grupo, e também do perfil semelhante das pessoas que aceitaram participar, que possuem nível universitário completo e uma formação com bagagem de reflexão. Lembrando algumas falas:

“Meu ponto de vista é totalmente capitalista, gente. Eu estou me sentindo mal”.

E quando perguntado se ele doaria para ONGs que ajudam pessoas portadoras de HIV ou de ex-presidiários, a resposta foi:

“Se eu tivesse... Dinheiro eu não doaria. Agora, eu não sei o porquê. Explicar o porquê eu não sei”.

Os participantes no grupo focal passaram de um estado de desatenção para um estado de atenção, deixaram escapar aquilo que está no campo subjetivo configurando seu comportamento e puderam olhar para ele. Aqui capturamos a fala, esse questionamento, esse momento de discutir a própria ação e os motivos que levam a pessoa a doar e classificamos no campo ideológico. No momento que estimulamos as pessoas a conhecerem o real motivo de sua ação no ato de doar, elas ao menos por um momento se aproximaram de uma forma espontânea da sua necessidade.

Molon (2003, p.86):“Vigotski referiu-se à consciência como reflexividade, capacidade do homem de se desdobrar, de ser objeto de si mesmo, isto é, a consciência de estar consciente de ter consciência, em que a palavra possibilita esse desdobramento”.

Molon comenta que esse reflexo consciente se dá quando o movimento é percebido e estudado em sua totalidade em suas contradições e sua historicidade. Transportado para o nosso objeto de estudo, ou seja, estuda-se o ato de doar em uma dimensão subjetiva e objetiva. A consciência do sujeito pode dar um sentido objetivo para esse ato de doar e classifica a ação como boa, pois ajudou ao mais pobre, isso é o fim da ação, aparentemente, se doa, se faz o bem e ponto. Quando se considera os elementos, o conjunto (personalidade, motivos, necessidade, consciência, atividade), sai-se do nível da aparência e se desvenda o porque dos reflexos psíquicos, trazendo a consciência para atividade, registrando outros dados que compõem a consciência. Dessa forma pode-se ter outro tipo de movimento no começo e no meio que modifique a atitude que era considerada apenas fim.

Benzer Belgeler