Sancionado em 1º de outubro de 2003, o Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/2003) entrou em vigor em 1º de janeiro de 2004, com a finalidade de garantir direitos, estipular deveres e melhorar a vida das pessoas brasileiras acima de sessenta anos de idade.
É incontestável o avanço obtido na luta pelo respeito às pessoas idosas. Entretanto necessário se faz intensificar a difusão da cultura da velhice, como direito humano e social, sendo dever do Estado e de toda sociedade a promoção de vida digna e saudável a esse segmento populacional.
A efetivação do Estatuto depende, fundamentalmente, de ampla divulgação da lei, com vista à conscientização da sociedade e da permanente cobrança das autoridades competentes para o seu cumprimento.
Pautado no artigo 230 da Constituição Federal, o Estatuto do Idoso estabelece, no art. 3º, que
É obrigação da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
A tríade família, sociedade e Estado tem o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantir sua participação na comunidade e defender a sua dignidade, bem-estar e direito à vida. O idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas, por meio dessa política; não deve sofrer discriminação de qualquer natureza.
O Estatuto busca promover a inclusão social e garantir os direitos desses cidadãos, uma vez que se encontram desprotegidos, daí a importância de políticas públicas, ante o elevado número de pessoas maiores de sessenta anos no Brasil.
O artigo 6º46 é enfático e demonstra que é sumamente importante a conscientização dos indivíduos, como cidadãos, a denúncia das injustiças, a não omissão dos crimes, das crueldades, das negligências, da opressão e da violência de qualquer natureza praticadas contra idosos.
Com maior alcance que a Política Nacional do Idoso, o Estatuto trata as pessoas idosas como prioridade absoluta e institui sanções àqueles que deixarem de observar suas regras, embora algumas já se encontrassem observadas pelo Código Penal (DECRETO-LEI nº 2.848, de 7.12.1940). Entre as conquistas, além da prioridade citada, encontram-se: a distribuição gratuita de próteses, órteses e medicamentos; o não reajuste das mensalidades dos planos de saúde pelo critério de idade; o direito à gratuidade47 no transporte coletivo urbano público e reserva de 10% dos assentos nos veículos; nos transportes coletivos interestaduais, a reserva de duas vagas gratuitas para idosos com renda igual ou inferior a dois salários mínimos; que nenhum idoso seja objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade e opressão; prioridade na tramitação dos processos, procedimentos e execução dos atos e das diligências judiciais48; 50% de descontos em atividades de cultura, esporte e lazer; reserva de 3% de unidades residenciais nos programas habitacionais públicos.
A fiscalização e o controle da aplicação do Estatuto ficam a cargo dos Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais do Idoso e do Ministério Público.
As Medidas de Proteção visam à defesa dos idosos da violação a seus
46“
Todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente qualquer forma de violação a esta Lei que tenha testemunhado ou que tenha conhecimento.”
47 Conforme assegura a Constituição Federal/88, “Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a
gratuidade dos transportes coletivos urbanos (art. 230. § 2º).
48 Lei nº 12.008, de 29.7.2009, estende, também, a prioridade na tramitação de procedimentos judiciais e
administrativos a pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12008.htm>. Acesso em: 31 mar. 2010.
direitos, em decorrência de ação ou omissão da sociedade ou do Estado; de omissão ou abuso da família, do curador ou da entidade de atendimento; ou, ainda, de sua condição pessoal. Nesses casos, cabe ao Ministério Público a intervenção imediata para proteção do idoso em estado de risco.
A Política de Atendimento ao Idoso consiste no conjunto articulado das ações da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das entidades não governamentais, com vistas a garantir as políticas sociais básicas, bem como o atendimento às vítimas de negligência, maus tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão, entre outros.
São detalhadas as normas de controle das entidades públicas ou privadas de atendimento ao idoso, no intuito de coibir a violação de direitos dos idosos internados ou não. Tais entidades devem providenciar a inscrição no Conselho Municipal do Idoso e na Vigilância Sanitária e cumprir os seguintes requisitos: instalações físicas em condições de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança; atendimento personalizado e em pequenos grupos; preservação dos vínculos familiares; diligência com a saúde; atividades educacionais, esportivas, culturais e de lazer; assistência religiosa aos interessados; participação nas ações comunitárias, entre outras.
A fiscalização das entidades de atendimento fica a cargo dos Conselhos do Idoso, da Vigilância Sanitária e do Ministério Público.
As entidades podem sofrer as penalidades administrativas ou judiciais por descumprimento das disposições do Estatuto. As penalidades administrativas consistem em advertência, multas, afastamento dos dirigentes, interdição ou fechamento da entidade, ou suspensão do programa. Além disso, seus dirigentes podem ser responsabilizados civil e criminalmente.
O acesso à Justiça é assegurado por meio da prioridade na tramitação dos processos e dos procedimentos, em que o idoso for parte ou interveniente, como também a criação de varas especializadas e exclusivas para o idoso.
A atuação do Ministério Público pauta-se pela sua obrigatoriedade nas ações de interesse do idoso, devendo instaurar a ação civil pública; atuar como substituto processual; promover e acompanhar as ações de alimentos; instaurar procedimento administrativo e sindicâncias; requisitar a instauração de inquérito policial; inspecionar entidades públicas e particulares de atendimento ao idoso; requisitar força policial e a colaboração dos serviços públicos de saúde, entre outros.
indisponíveis ou individuais homogêneos, relativamente, aos idosos, têm legitimidade para a propositura da ação: o Ministério Público, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, a Ordem dos Advogados do Brasil e as associações que tenham por finalidade a defesa dos direitos dos idosos.