SONUÇ VE ÖNERĠLER 157 6.1 Sonuç
C: Tükenme dönemi (H.Selye, 1977) Selye’nin öne sürdüğü genel adaptasyon sendromu üç dönemden
2. Davranışsal Belirtiler: Stresin kiĢi davranıĢları üzerinde açık ve doğrudan etkileri bulunmaktadır Bu etkiler kapsamında uykusuzluk, uyuma isteği, iĢtahsızlık, yemede
2.9. ĠĢ Doyumu ve ĠĢ Doyumu Ġle Ġlgili Kuramsal Bilgiler ve AraĢtırmalar
2.9.3. ĠĢ Doyumu Ġle Ġlgili Motivasyon Teoriler
Mesmo com muitas imprecisões, bem comuns em recuos históricos, a empresa de comércio e navegação holandesa inseriu-se nas condições referidas acima, e pode ser considerada como a primeira expressão empresarial constituída no sec. XVI, próxima a ideia
de grupo econômico desenvolvida neste trabalho. Ela emergiu pioneira de um sistema hegemônico de empresas e de um processo de acumulação de capital sediado na Europa até o sec. XIX. Um processo que só conheceria sua transição e término quando essa hegemonia empresarial eurocêntrica desloca-se para a América do Norte, comprometendo a organização produtiva inglesa e gerando um tipo empresarial diferente.
Historicamente, a companhia de comércio e navegação holandesa não foi apenas uma empresa com sede em Amsterdã. Ela consistiu numa instituição econômica complexa, de muitos financiadores e sócios, e parte de um poder de estado depositário do sucesso de seu governo aos empresários comerciantes navegadores. Beluzzo (2009, p. 173-174) destaca que “a Holanda forjou seu Estado nacional na defensiva contra o império espanhol, mas possuía uma burguesia forte altamente internacionalizada, desde que o centro financeiro europeu se deslocara para Amsterdã”.
Esta empresa desenha parte de seu sucesso econômico a partir de concessões de Estado. Sem isto, seu poder de contribuir na arquitetura de uma economia como a europeia se revelaria outra ou bastante limitada. Mas ela também é parte de um desenho já dado em território europeu, e parte disto deve-se as dinâmicas mercantis engendradas pelas sociedades comerciais já existentes. Elas permitiram a continuidade de uma rede comercial, mesmo limitada, por terra e mar. Com isso, a empresa holandesa ganhou fôlego e sobreviveu numa conjuntura econômica e política favorável, criada tanto pela antiga rede comercial quanto por seu Estado hegemônico. A serviço dele, e de ávidos empresários holandeses, esta instituição expandiu monopólios, exercício bélico, fundou vilas e cidades e estatutos de trabalho. Isto contribuiu para um jogo feroz entre e dentro de territórios e empresas que concorrem desde o sec. XVI para controlar escravos, produtos manufatureiros e uma das mais fortes moedas europeias, as especiarias. Em certa medida, estas características diferenciam as companhias de comércio e navegação de muitas e grandes empresas contemporâneas, mesmo que a estratégia de monopólio seja para muitos dirigentes empresariais do presente, um fim almejado para controlar mercados, e práticas de violência existam e sejam por eles rejeitadas ou ditas desconhecidas.
A prática da violência era, assim, um mecanismo de controle de mercado. As sucessivas conquistas da empresa holandesa, como as ocorridas em Málaca, do povoado fortificado de Batávia, Boa esperança, Ceilão e Malabar, revelavam a consolidação dos
territórios holandeses, possibilitando o crescimento das margens de lucros das especiarias e, ao mesmo tempo, a valorização das ações da VOC6 no mercado acionário de Amsterdã.
Empresas contemporâneas, como grupos econômicos, valem-se de diversas estratégias para acumular capital ou simplesmente para permaneceram no mercado. Muitas de suas estratégias de gestão lembram alguns meios utilizados pelas companhias de comércio e navegação em seus tempos, sejam eles violentos e, por vezes, de comprovadas ilicitudes jurídicas com parceiros comerciais e contra consumidores. Mas, ambas são instituições distintas e fundadas em condições econômicas e políticas diferentes, mesmo com objetivos bem próximos. O advento do livre comércio revelou isso e, como veremos, permitiu um rumo e sentido diferente à dinâmica econômica europeia, assim como revelou novos protagonistas empresariais no final do sec. XIX.
As operações de controle e comando das companhias holandesas não se restringiam aos financiadores e comerciantes, mas a muitos membros de governos gerais representantes de seus estados hegemônicos destinados a regular suas operações. Neste caso, o recurso da comparação implica pensar em que condições políticas operavam estas empresas, como se sabe sem pleno controle e comando privado de suas ações e de constante ingerência estatal. Uma comparação direta tende a desviar a compreensão do que seja um grupo econômico. Nesse sentido, parte de seus fundamentos se encontra em território europeu e nestas empresas privilegiadas. E mesmo que sua conformação possua traços que lembram as companhias de comércio, as companhias privilegiadas, seu tipo moderno só se completará fora da Holanda e Inglaterra, como revelará ser o modelo de corporação multidivisional e de ampla mobilidade territorial que se constitui em solo norte americano em fins do sec. XIX.
As práticas de violência e monopólio marcaram a empresa holandesa. No entanto, um resultado da plena anuência e concessões de seus estados. Um de seus traços marcantes encontra-se no que parece consistir numa civilidade dual contida em uma instituição empresarial, ou transferência legítima do exercício da dominação, fundado, neste caso, na violência. Eram empresas meio estado e meio capital, como sugere Fernand Braudel (2009), de forte capacidade econômica operada por processos que sugerem a acumulação primitiva.
6 Abreviação do termo neerlandês “Vereenigde Oost-Indische Compagnie”. A VOC, em 1669, era a mais rica
companhia privada do mundo. Tinha mais de 150 navios mercantes, 40 vasos de guerra, 50.000 funcionários, um exército privado de 10.000 soldados e uma distribuição de dividendos de 40%. Seus problemas financeiros só irão surgir no final do sec. XVIII, terminando com seu fechamento em 1799 e, vinte anos depois era controlada plenamente pela coroa neerlandesa.
Estes traços de dualidade podem existir em empresas modernas, mesmo com fraca legitimidade social, com fortes implicações jurídicas e de efeitos nem sempre claros.
A combinação entre práticas de monopólio e violência marcaram a expansão das companhias comerciais, sejam elas holandesas, inglesas e muitas outras. Esta combinação justificava-se ao mesmo tempo pela promessa de fortalecimento das balanças comerciais e das contas públicas de seus estados hegemônicos; pela defesa de territórios já conquistados e pela suposta hostilidade encontrada entre os “não europeus” que habitavam terras além do Atlântico e do Índico. Assim, o que prevalecia, especialmente para empresas como fora a empresa inglesa – principal concorrente holandesa –, era uma suposta promessa civilizatória de desenvolver nos territórios conquistados as bases materiais e morais da civilização ocidental e, em seus centros, avançar com processos produtivos já em curso como fora a indústria. Estradas de ferro, destruição das antigas estruturas produtivas e o controle da segurança local estão entre os muitos resultados desse planejamento que combinou exclusividade mercantil e força, realizada por empresas e com salvo conduto de seus Estados. Marx e Engels (1978), ao descreverem sobre a presença inglesa na Índia, apresentam um dos muitos efeitos da empresa britânica, investidas tão severas quanto à presença holandesa nas Américas e que, em certa medida, transcendem a estes momentos particulares.
A Inglaterra destruiu toda a estrutura da sociedade indiana, sem que tenham surgido ainda quaisquer sintomas de reconstituição. Esta parda do seu mundo antigo, sem a obtenção de um novo, confere um tipo particular de melancolia à miséria actual dos hindus e separa o Indostão, dominado pela Grã-Bretanha, de todas as tradições antigas e de toda a sua história passada (MARX; ENGELS, 1978, p, 42).
As características que cercam a empresa holandesa lembram, em certa medida, grupos econômicos contemporâneos. Mas esta aparência dar-se mais pela diversificada atividade econômica desta empresa moderna, suas complexas e imbricadas relações formais com seus Estados hegemônicos, do que por qualquer combinação permanente entre as estratégias de monopólio e violência. A empresa dos holandeses representou mais uma das referências empresariais do passado, embora forte impulsionadora de tipos empresariais novos e concorrentes, como revelou ser a empresa inglesa para os batavos, e tão violenta quanto eficaz.
Os holandeses, assim como outros comerciantes e navegadores do sec. XVI foram os responsáveis por consideráveis investidas econômicas fora e dentro de suas nações. A crescente atividade mercantil, financeira e cultural de praças comerciais e culturais como Amsterdã, revelavam as significativas inversões de capital que se concentraram em cidades
centro como estas. Isto não resultou tão somente do processo de amadurecimento político de seus estados hegemônicos, mas também da maturidade administrativa das companhias empresariais locais e de sua contribuição para a manutenção de um “espírito capitalista”.
Mas, a capacidade empresarial não é isolada, ela está associada às condições econômicas da Europa e do mundo. Elas não são frutos exclusivos das hábeis investidas do empreendedor batavo, mas de um quociente das atividades de circulação e produção de mercadorias criadas previamente pelo pequeno burguês europeu em sua economia de mercado.
Além de violência e monopólio, a riqueza auferida fluía pelo caminho comercial proporcionado pelo mar báltico e percorrido pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, a VOC. Esta grande empresa holandesa, fundada em 1602, exerce o monopólio sobre o comércio de produtos e matérias-primas obtidas em territórios novos. Estas concessões, feitas pelos Estados Gerais holandeses, permitiu inicialmente a esta empresa 21 anos de monopólio para a realização de atividades coloniais na Ásia, e com possíveis renovações de seus prazos. Ela corresponde à instituição econômica mais próxima da noção de corporação multinacional ou grupo econômico no mundo, e primeira empresa a emitir ações, assim como destaca Box (apud ARRIGHI, 2001, p. 109): “era uma companhia colossal comparável a uma das grandes empresas multinacionais modernas, dando-se o devido desconto pelas diferenças de tempo, espaço e demografia”.
A VOC era constituída por acionistas e outros participantes que atuavam como sócios não gerentes e outros que exerciam o controle da empresa. Esta distribuição de poder indica uma organização mais complexa e burocrática que as sociedades comerciais, tal como foi a
Societa Maris e, sobretudo, uma empresa voltada para conquistas territoriais. Isto parece ter
sido uma estrutura usual entre as companhias de comércio e navegação, mesmo com a transição para o modelo familiar e posteriormente corporativo de empresas. O tipo holandês indica isto, ser uma instituição com quotas de participação, e seus membros diferenciados pelas responsabilidades limitadas a sua participação no capital formador. Isto possibilitava a empresa holandesa ser uma sociedade de comercialistas de outra ordem, bem mais complexa que as sociedades comerciais, e como fortes financistas com responsabilidades limitadas. Participantes dessa empresa podiam vender suas quotas, disponibilizando-as em bolsas de valores como a famosa bolsa de Amsterdã. Imigrantes, comerciantes, financistas alemães e holandeses, compunham parte do quadro acionário da empresa e de seus investidores. Estas empresas comercializavam para famílias, acionistas e, sobretudo, para e em nome de seus Estados.
Os empresários batavos estabeleceram seus postos comerciais em vários territórios, como em Batávia, Java e outros nas Índias orientais, como na Ilha das Especiarias, além da América do Sul. Nesses postos comerciais, a VOC manteve um monopólio sobre a noz- moscada e diversas outras especiarias, conquistadas e mantidas pela violência contra a população nativa e na crença nos lucros auferidos em seus centros comerciais. Isto contribuiu para sua inserção em um ciclo de acumulação de capital, e muito dos resultados dessas estratégias permitiu que a empresa contribuísse para a formação das primeiras e grandes redes de companhias de grande porte que se formavam na Europa. Isto as permitiu, ainda, distinguir-se econômica e politicamente das sociedades comerciais, e não serem simplesmente sociedades privilegiadas e violentas voltadas para interesses de grupos diversos, mas empresas do Estado.
Vinte anos após a fundação da VOC, e dos consideráveis sucessos que esta empresa teve em território oriental com o controle de especiarias e conquistas territoriais, os holandeses repetem o plano. Eles expandem sua rede mercantil - assim como outras empresas sediadas em outros territórios – ao criarem sua face empresarial ocidental, a Companhia Holandesa das Índias ocidentais, a WIC7. A constituição desta segunda companhia fortaleceu as estratégias como a prática de monopólio das mercadorias, conquistas territoriais, criação de feitorias e de uma indústria extrativista. Suas ações foram comprometidas em função da falta de uma estrutura econômica favorável em territórios conquistados e do enorme custo para mantê-los. Empresas desse tipo eram fortemente dependentes da conquista e dos acordos políticos de seus Estados hegemônicos perante a manutenção de novos territórios. Sem uma economia de escala, a carência de novos territórios sugeria a carência de novos centros consumidores, e o comprometimento do comércio holandês, além das rigorosas disputas com os portugueses e espanhóis, como se revelou na América do sul com presença batava no Brasil. Isto contribuiu para o colapso das companhias das Índias ocidentais holandesa, além das oscilações nos preços de suas ações e de produtos como o açúcar.
Um dos motivos do fracasso dos holandeses nas Américas foi a inexistência de uma economia de mercado coesa ou pouco interligada a economia mundial, algo que já
7
Abreviação do termo neerlandês “West-Indische Compagnie”. A WIC foi organizada de forma similar à Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), que detinha o monopólio do comércio neerlandês com a Ásia desde 1602. Mas a WIC não tinha a permissão de conduzir quaisquer operações militares sem a aprovação do governo neerlandês. Tal como a VOC, a WIC detinha cinco escritórios, chamados de câmaras (kamers), em Amsterdã, Midelburgo, Roterdã, Hoorn e Groningen, sendo as câmaras de Amsterdã e de Midelburgo aquelas que mais contribuíram para a companhia.
existia nas índias orientais. Isto esteve associado à idéia de que a relação violência e lucro não tivesse tido resultado no Atlântico (ARRIGHI, 2001, p. 44).
Especializada, como muitas grandes empresas contemporâneas, em 1674, a empresa passa para a estratégia do tráfico de escravos e outras lucrativas atividades, como a produção de açúcar no Suriname. Torna-se uma empresa de segurança e de pilhagem, e passa, a partir de então, a desempenhar um papel semelhante a da VOC ao buscar lucros mais consideráveis e controle de suprimentos mais estratégicos, especificamente os de escravos africanos.
Segundo Arrighi (2001), estas atividades tornaram-se possíveis quando os empresários holandeses arquitetaram o comércio triangular do Atlântico e, depois da crise gerada pelo fracasso no Atlântico, perdem para os ingleses. Isto possibilitou a vinculação de algumas atividades econômicas e manufatureiras na Europa com outras fora dela, como as atividades de tráficos de escravos na áfrica e outras desenvolvidas por colonos nas Américas.
As duas companhias, a VOC e a WIC, contribuíram decisivamente para a estruturação das atividades comerciais em toda a Europa. As empresas batavas foram as protagonistas de uma nova Era na história das atividades mercantis, e que passou para a história ocidental como colonialismo. Foram as protagonistas de uma rede comercial mundial que se complexifica com o surgimento da multinacional norte-americana. Com o superávit dos cofres do estado holandês e seu intenso e regular fluxo de capital concentrado em cidades polos, cidades como Amsterdã destacam-se como uma das primeiras praças da primeira bolsa de valores em funcionamento permanente. As inversões de capital auferidas com sua estrutura produtiva e extrativista sediada fora de seu território nacional fortaleciam estas praças financeiras. Isto permitia o fortalecimento de uma rede também de financistas, credores das companhias de navegação sediados em Amsterdã. O papel do agente financista tornou-se fundamental na história da consolidação das grandes empresas, particularmente com surgimento das sociedades anônimas modernas, assim como veremos em Robson (1985).
Mas esse sistema entra em crise no sec. XVII. Os custos elevados de manutenção dos monopólios e as oscilações dos preços das mercadorias foram alguns de seus determinantes. Isto permitiu o surgimento de outro conjunto de empresas, tão complexo e diverso, mais especializado e dependente de condições como o progresso técnico e de Estado hegemônico. Arrighi (2001) denomina esse sistema de empresas familiares, e em certa medida, representou um sistema de empresas familiares mais livres do que o que se constituiu em solo holandês. Estas instituições diferentes desenvolverão sua hegemonia mercantil e financeira ou estabelecerem um novo ciclo de poder das empresas, especialmente quando o centro
econômico europeu se diversifica e desloca o controle e comando empresarial para centros comerciais britânicos, fragmentando uma centralidade europeia, muitas vezes restrita a praças como Lisboa e Amsterdã, e concentrando a capacidade empreendedora na praça de Londres e nas famílias que compunhas as elites comerciais.
Entre 1730 e 1740, novas empresas surgem e se expandem, como a companhia inglesa, mas as francesas, austríacas, dinamarquesas e suecas, o que colocou a VOC diante de uma competição mais acirrada e difundida do que ela estivera acostumada a enfrentar no século anterior (ARRIGHI, 2001, p.118-119).
Do território inglês emerge uma rede de indústrias e pequenas manufaturas, especializadas no beneficiamento e comercialização do algodão, além de outros produtos. Isto colaborou na redefinição do trabalho em escala nacional e internacional. É o início de uma rede de empresas familiares que se distribuem em território britânico e com ampla especialização têxtil e comercial varejista. É um novo sistema que revelará o traço obsoleto das grandes companhias, seus elevados custos e os problemas causados com os privilégios dos monopólios. Este novo modelo sucumbirá quando o território europeu perder hegemonia mercantil no mundo e, com ele, o tipo de empresa familiar. Isto permite a emergência em território norte americano do tipo multinacional de empresas, como veremos. Esta passa a ser a nova referência empresarial mundial aparentemente dinâmica, financeiramente sólida e reveladora de técnicas mais eficazes de produção e comercialização. Em solo britânico, o surgimento das empresas familiares não foi o resultado da crise holandesa, somente. As próprias contradições econômicas geradas pelas companhias inglesas, que em virtude da falta de confiança doméstica e de seu parlamento, criou o cenário favorável para iniciativas mercantis novas, nacionais e amplamente especializadas entre as famílias de fabricantes britânicos.
Muitos motivos marcaram o insucesso empresarial das companhias de comércio e navegação holandesa, especialmente por aquilo que Arrighi (2001) considerou como inversões entre lucro e poder. Mas um motivo político, que poderia ser revisitado em outro momento, reside nas considerações de Belluzzo (2009):
Podemos dizer que a expansão mundial do capital teve na Companhia das índias Holandesas sua primeira grande multinacional. No entanto, a Holanda, não tendo por trás um projeto de Estado nacional forte, não conseguiu assegurar um projeto imperial de dominação política de longa duração, nem nas Américas, nem na África (BELLUZZO, 2009, p. 174).
Um motivo econômico de seu fracasso foi a saturação de especiarias no mercado europeu, especialmente na poderosa praça financeira de Amsterdã. Em função de sua abundância e intensa procura por outras empresas de comércio, os preços das especiarias elevaram-se, implicando num comprometimento do mercado interno europeu. A inversão de lucro e poder dava-se no sentido de que as empresas e o estado holandês tinham como garantia um suposto equilíbrio no comércio de especiarias, controlar os excedentes, consequentemente as fontes de abastecimento. Uma fórmula que se mostrou rapidamente sem efeito.
Os motivos que agregados determinaram a crise do modelo empresarial holandês e possibilitaram o surgimento de um novo ciclo de empresas podem ser assim explicitados. Em primeiro lugar, o pequeno número de colônias fundadas, comparadas a outras empresas e estados, e a diminuição do aparato militar e diplomático impediu a empresa holandesa de reivindicar o direito exclusivo de abastecer escravos às colônias americanas da Espanha. Um segundo motivo reside na forte dependência que as atividades econômicas holandesas passaram a ter de um único sistema de empresas, as companhias de comércio e navegação. Este tipo de empresa torna-se obsoleto, em um cenário de forte dependência holandesa das condições de mercado criadas por outros estados europeus, particularmente o britânico. “Quando a Inglaterra começou a apoiar sua classe mercantil interna no controle do comércio com as colônias, o papel de medidor comercial no atlântico escapou das mãos dos holandeses” (ARRIGHI, 2008).
Outro motivo que contribuiu para o fim da hegemonia empresarial holandesa foi a estratégia comercial e seletiva de empreendimentos, como destaca ainda Arrighi (2008). Os holandeses investiam apenas em empreendimentos que garantissem elevados e regulares retornos financeiros a médio prazo e de forte liquidez nos negociados em Amsterdã. Mas essas estratégias baseavam-se, também, nos movimentos dos mercados criados por outras nações europeias. Subordinar outras nações aos interesses da empresa holandesa não era uma especialidade batava, e isto se tornava cada vez mais difícil, ao mesmo tempo em que permitia que novas empresas invadissem mercados europeus e passassem a gerenciá-los, mercados