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1. DOĞRUDAN YABANCI SERMAYE YATIRIMLARI

1.5 Doğrudan Yabancı Sermaye Yatırımlarının Belirleyicileri

1.5.9 Fikri Mülkiyet Haklarının Korunması

Realizar a análise da relação da debilidade com o saber é fundamental para nossa tese, principalmente para nos auxiliar a entender sua relação com o conhecimento acadêmico e com a escola. Diante da operação de separação, o débil assume uma posição de não querer saber sobre essa operação, principalmente não admitir que haja uma falta no Outro. A operação que o débil faz é de tentar de todas as maneiras encobrir esta falta. Bruno considera que o débil é aquele que encarna o saber do Outro, por este não poder faltar. O sujeito tomado pela debilidade precisa conservar o Outro intacto como verdade, não pode permitir que a falta apareça e se coloca, então, como servil deste Outro. (Cf. Bruno, 1986) O débil assume uma posição como se auto interditasse, como se não pudesse saber da falta diante do momento especular, ele se auto interdita de saber, afirma Bruno. (Ibid.) Essa escolha de se auto interditar, o mantém em uma posição que reconhece apenas a “vertente imaginária do significante mestre e desconhecendo a vertente

simbólica desse significante”. (Santiago, 2005, p.177) Alguém que reconhece

apenas o sentido e desconhece o equívoco.

Nesta posição, o débil não lê nas entrelinhas, o que aconteceria no deslize dos significantes, mas fica impedido de perceber o que está por trás do enunciado. Vale lembrar que uma das definições etimológicas para a inteligência vem do latim intellectum, supino de intelligére, ler entre (inter-lire). (Cf. Cunha, 2007) Lacan, em 10 de dezembro de 1974, afirmou que ler entre as linhas é saber de outra forma, como o simbólico se escreve. O S² não teria exatamente a característica de um segundo tempo, mas de um duplo sentido. (Cf. Vorcaro e Lucero, 2010) É esta duplicidade de sentido no significante que leva todo sujeito tanto à debilidade, quanto ao equívoco na busca de sentidos. “É neste efeito de escrita do simbólico que se sustenta o efeito de sentido, dito

de outra forma de imbecilidade”. (Lacan, 1974, p. 4) Aqui, percebemos

novamente a correlação da debilidade com o sentido e o imaginário, e, ao mesmo tempo, como uma condição humana, natural a todo sujeito. Vorcaro e Lucero sustentam que a diferença da debilidade comum e da criança que permanece na posição débil está neste ponto, considerando que a criança débil

136 não reconhece a duplicidade de sentido para buscar outros sentidos, pois ela está colada no significante seguinte.

Podemos também explorar esta relação da debilidade com a verdade na teoria de Lacan em seu Seminário De um Outro a outro. Neste seminário, ao trabalhar a relação do sujeito com o Outro e o saber, Lacan afirma que o saber é um preço na renúncia ao gozo, e nesta operação, o próprio saber se torna uma mercadoria. (Cf. Miller, 2007) Na lição de 12 de fevereiro de 1969, denominada Debilidade da verdade, administração do saber, Lacan se questiona se não existe certa astúcia no débil. Ele afirma que um paciente seu, em análise, diz verdades que saem em estado de pérolas, fazendo alusão a uma frase célebre: “a pérola da mentira é a secreção da verdade”. (Lacan, 1968-69/2008 p. 170) Lacan afirma nesta lição: “... é forçoso, afinal, que nem

tudo seja tão débil assim no débil mental. E se ele fosse um pouquinho ardiloso, o débil mental?” (Ibid., p. 172) Mais uma frase lacaniana que nos leva

a outra série de interpretações e entendimentos sobre a debilidade. Podemos também voltar à questão que levantamos sobre a holófrase, como uma impossibilidade da metáfora na linguagem oral e escrita ocorrer em determinados momentos e não de forma compacta para o sujeito.

Destacamos outro aspecto importante extraído desta lição de Lacan: ele afirma que estes sujeitos são providos de certa astúcia (no dicionário Aurélio, astúcia é sinônimo de inteligência). Isto coloca definitivamente em cheque a crença construída durante séculos sobre a definição da debilidade e mesmo da deficiência mental, e, toda a busca da psicologia para defini-los a partir do déficit, ou mesmo a tentativa de mensurar o grau de inteligência ou de seu déficit. Nesta lição, Lacan rompe definitivamente o vínculo entre a questão da debilidade e a noção de déficit.

Logo em seguida, nesta lição, Lacan afirma que no romance O Idiota, Dostoiévski demonstra como em determinados momentos essas pessoas se comportam da “maneira mais maravilhosa” seja qual for o campo social ou a situação de embaraço que tenham de enfrentar. Existem várias citações no romance O Idiota que demonstram este aspecto. Destacamos duas descritas no momento em que o Idiota conhece a família de Aglaia. A primeira, quando Adelaida, uma das irmãs de Aglaia, refere-se a uma narração realizada pelo

137 príncipe Míchkin, afirmando: “Mais uma vez não consigo entender como se

pode narrar de forma tão direta, eu não me arranjaria de maneira nenhuma”.

(Dostoiévski, 2002 p. 80) A segunda aparece na frase da mãe, quando alerta as filhas depois de um deboche de Míchkin feita por elas: “Não galhofem,

queridas, é possível que ele ainda seja mais astuto do que vocês três juntas”.

(Ibid., p. 102) A astúcia pode aparecer de várias maneiras em algo que é dito de forma inadvertida ou inesperada, e, nas possibilidades de realizar as substituições e metáforas, fazendo uso de recursos que lhes seriam a priori considerados impossíveis.

Lacan (1969), em sua afirmação sobre a possibilidade de uma astúcia no débil, faz também um contraponto à “astúcia da razão” em Hegel. Lacan afirma que nunca teve oportunidade de ver este tipo de astúcia e também sempre desconfiou de sua existência. O que Lacan sustenta é que todo ser humano, ser que ele nomeia de “parlêtre” (“falasser”), ao tentar dizer a verdade, é obrigatoriamente mentiroso. A verdade à qual Lacan se refere é a verdade do sujeito do inconsciente. Vale ressaltar que a verdade para a psicanálise é distinta da verdade hegeliana. Não queremos nos deter ou aprofundar no pensamento hegeliano, apenas delimitar algumas diferenças entre seus conceitos e os da psicanálise, para situar a debilidade neste campo. A premissa da psicanálise, de que o sujeito é dividido com o advento do inconsciente, diferencia radicalmente a teoria psicanalítica da fenomenologia de Hegel, visto que, para o filósofo, “a astúcia da razão significa que o sujeito

desde a origem até o fim, sabe o que quer”. (Hegel apud Lacan, 1960/1998, p.

817) Em contrapartida, o sujeito freudiano nem sempre sabe o que diz e muitas vezes, “nem sequer que está falando”. (Ibid., p. 815) O saber que comporta algo do inconsciente não se refere a qualquer tipo de conhecimento instintivo ou mesmo cognitivo, por estar inscrito em um discurso que o sujeito não sabe nem o sentido e nem o texto. O saber do inconsciente traz a verdade do sujeito, algo que foi construído na constituição na forma de um mito, o mito individual de cada sujeito. Nem tampouco existe uma possibilidade para um saber total ou completo para a psicanálise, pelo simples fato de o sujeito ser dividido e se constituir a partir de uma falta no Outro, algo que é completamente distinto da verdade hegeliana. O saber e a verdade, para a

138 psicanálise, são incompletos, assim como a possibilidade de se dizer toda a verdade é impossível, o que leva Lacan a afirmar que a verdade é mentirosa. Assim, a psicanálise opera em outra lógica, considerando a impossibilidade da completude.

Além desse fato, de haver uma impossibilidade para se atingir o saber e a verdade absoluta, a questão do desejo na psicanálise também se diferencia da teoria hegeliana. Para a psicanálise, o homem não sabe exatamente o que quer, pois o desejo do sujeito se vincula ao desejo do Outro e é neste circuito que reside também o desejo de saber. Lacan salienta, em 1960, no seu texto A

subversão do sujeito e o desejo inconsciente, que esta preposição “do” em

“desejo do Outro” deve ser entendida como o “de” latino, que significa que o sujeito deseja como o Outro. O sujeito não sabe exatamente o que quer, uma vez que é do Outro que o sujeito recebe sua mensagem invertida e é como o Outro que ele deseja. Portanto, a verdade para o sujeito está no Outro. Com esses fundamentos, a psicanálise subverte a questão do sujeito e se distancia definitivamente da teoria hegeliana, bem como de teorias cognitivas e comportamentais, como a psicologia que considera apenas o sujeito do conhecimento e “des-conhece” o sujeito inconsciente.

A frase célebre de Freud ilustra essa teoria: Wos Es war, soll Ich

werden. Lá onde isso era, (no instante que tropeça), o eu pode vir a sê-lo (por

desaparecer do próprio dito). O eu incide como sujeito de um duplo paradoxo: primeiro se abole por seu saber e isso acontece em um discurso que é furo (pois é a morte, a falta que sustenta sua existência). E este furo é preciso ser percebido no Outro. O sujeito, para a psicanálise, aparece assim no inter-dito no intra-dito entre dois sujeitos. Ao mesmo tempo é o Outro que deseja, mas é a partir da interrogação sobre este desejo, da falta do um, ou seja, do -1, que o sujeito pode surgir e começar a contar. Mas, como nos lembra Lacan em sua matemática, jamais seria o começo da conta por Um (como gostaria Hegel e a psicologia); é a partir do furo, do zero, da falta do -1 que o sujeito pode começar a contar. Percebe-se aqui a grande diferença entre essas teorias, pois a astúcia da razão em Hegel, quando tem êxito, impetra uma consistência do Outro para chegar a um ideal de espírito absoluto, argumenta Lacan. Sob este aspecto, Bruno afirma que o “prodigioso sistema hegeliano é o tópico da

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debilidade” (Bruno, 1986 p. 44, tradução nossa), uma vez que é na debilidade

que o homem crê profundamente nesta verdade absoluta do Outro e que personifica e acredita no Um.

Com relação à verdade, o sujeito na debilidade tenta preservar o Outro como completo e ser o próprio portador desta verdade; ele resiste a tudo que demonstre uma inconsistência no Outro. Bruno (1986) sustenta que o débil está no lugar da verdade do dizer parental, como assinalou Mannoni, em 1964, e acrescenta que a “essência da debilidade é tanto uma doença do falasser,

quanto do saber”. (Ibid., p. 58, tradução nossa)

Mas, à medida que qualquer sujeito se dedica a dizer a verdade, o sujeito mente, e, assumindo a posição débil, estando a serviço da verdade, o sujeito se coloca em uma condição terrível. Percebemos que muitas vezes a saída para não ser cometido pela mentira é adotar uma total mudez, ou construção de uma inibição da fala. Bruno (1986) afirma que o débil fica impotente ao mal-dizer a verdade, ele tampouco pode “meio dizer”. Bruno faz aqui um jogo de palavras no francês entre o mal-dizer (médire) e o meio dizer (mi-dire) - mais uma vez, o sujeito não se coloca nas entrelinhas e não permite o equívoco.

O sujeito na posição débil é aquele que não questiona e que se posiciona perfeitamente no “logo existo”, sem se perceber de fora, do sujeito que se abole no discurso. O sujeito na debilidade não se permite perceber distanciado ou estabelecer a barra que separa o sujeito do enunciado do sujeito da enunciação. Bruno sugere que esta barra para o débil se torna assim transparente e não inexistente. O sujeito débil, para não correr o risco da mentira, simplesmente repete o enunciado do Outro e não se coloca o enigma do saber - mais um processo que o leva a se posicionar como mero copista do Outro. O saber que ele guarda é um saber mortal e finito, por não comportar o saber da castração do A. O sujeito na posição débil é aquele que crê no Outro consistente e, além disso, crê que esse Outro é crédulo. (Cf. Bruno, 1986, p. 53) A existência no débil se dá pela consistência. É nessa credibilidade que ele imputa ao Outro que ele pensa ali onde ele poderia dizer que está, e, não “onde eu posso dizer que não estou” de fora. (Ibid.)

140 Bruno nos lembra sobre a condição do débil que:

[...] ele personifica a razão ao se enganar na derrota da razão que ele acredita [...] Pode-se dizer que o débil é o que se recusa a ser particular, se faz de servo de uma verdade na qual ele espera que lhe gratifique de uma universalidade, na qual, no final das contas ele paga o preço de se interditar todas a paixões, para se colocar como uma mercadoria fantasma. (Ibid., p. 44, tradução nossa)

Eidelsztein (2008) interpreta a astúcia na debilidade, destacada por Lacan, como sendo uma capacidade prodigiosa do sujeito na posição débil de evitar o encontro com a falta que lhe é angustiante. Ele percebe esta astúcia em situações de pessoas com debilidade que decoram todo um catálogo telefônico, ou realizam cálculos matemáticos surpreendentes, atos que seriam impossíveis para a grande maioria de sujeitos humanos. (Eidelsztein, 2008, p. 339) Mas ressalta que, nestes casos, a memorização e cálculos matemáticos estão desprovidos de saber. O saber no sujeito débil é destituído de todo desejo, inclusive do desejo de saber.

Para Vorcaro e Lucero (2010), a astúcia do débil está no fato de colocar o semelhante a trabalhar para ele. Como ele não sabe nada, escraviza o outro (alguém que represente o Outro) para trabalhar por ele, pois é o Outro que sabe e que é consistente em um saber totalizante.

Quanto ao escricista ele se recusa a escrever e a ler o texto, é o Outro que escreve, ou lê para ele. Se existe alguma astúcia em colocar o Outro a trabalho, é notável nesta forma encontrada pelo escricista.