• Sonuç bulunamadı

Dini Tasavvufi Halk Edebiyatı 1.Menkıbe 1.Menkıbe

2. BÖLÜM: HALK EDEBİYATI UNSURLARI

2.2. Dini Tasavvufi Halk Edebiyatı 1.Menkıbe 1.Menkıbe

utilizado. Significados distintos indicam maneiras diversas de compreender o mundo. Qualquer apropriação que se faz de um significado serve a pontos de vista particulares e, por extensão, exclui os demais significados que são inconvenientes ao argumento. Os autores identificados com a escola de Oxford (SEARLE, 1969; AUSTIN, 1989) tendem a distinguir entre definições “estipulativas” e “léxicas”. Definições estipulativas são determinadas pelo autor, que explicitamente afirma qual o sentido em que pretende usar certa expressão. É uma escolha deliberada, arbitrária e autoconsciente. Definições léxicas, por sua vez, estão de acordo com o uso corrente de uma palavra, o que em geral entendemos quando a utilizamos na linguagem acadêmica ou na linguagem corrente. Enquanto estas últimas comportam um julgamento, podendo ser verdadeiras ou falsas, as primeiras seriam inexoravelmente arbitrárias. Em última instância, a questão diz respeito ao critério a ser adotado para aceitar ou rejeitar uma definição. Todavia, o estabelecimento de uma definição pode ter justificativas melhores ou piores, sendo, todas elas, aceitáveis de antemão, justamente pela falta de um critério para avaliar o que são ou não justificativas razoáveis.

Mas e quanto às definições lexicográficas? As definições léxicas são aquelas comumente usadas e aceitas em uma determinada comunidade linguística. Elas retiram a sua força normativa da aceitação de que desfrutam em um tempo e espaço particulares. Tomemos, como exemplo, as definições encontradas no dicionário e a questão não parece se encerrar. A mesma palavra pode ter um significado, no Oriente, quase que diametralmente oposto à mesma palavra no Ocidente. Mesmo países que compartilham a mesma língua materna têm compreensões distintas sobre o mesmo termo e o seu significado. Poder-se-ia argumentar, no entanto, que basta descobrir qual a definição mais amplamente aceita, cujo uso corrente reconhecemos pela prática. Essa seria uma conclusão aceitável? Caso o seja, tudo o que temos a fazer, então, é uma pesquisa para identificar qual o entendimento compartilhado pela maioria das pessoas. Quem estiver sustentado pelo critério majoritário estará do lado da verdade, tornando uma das estipulações verdadeira. Se seguimos essa posição, mesmo a distinção entre estipulação e léxico torna-se frívola, pois há apenas um tipo de definição, a estipulativa. A separação, pois, seria entre convenções antigas e novas, sendo ambas igualmente arbitrárias.

Uma saída típica para essa indefinição seria estabelecer a linguagem enquanto uma convenção, na qual as definições são determinadas por acordos explícitos e tácitos entre a comunidade de praticantes de uma língua. A base do convencionalismo se encontra na analogia entre jogo (ou regras do jogo) e linguagem. Uma vez estabelecidas as regras do jogo da linguagem, basta seguir os seus limites e nos encontramos em terreno seguro e compartilhado para compreender o “verdadeiro” sentido de um termo. No entanto, faz pouco sentido falar em regras do jogo linguístico

se é totalmente legítimo desrespeitar essas normas. Se qualquer um pode, a qualquer tempo, estipular as regras que bem entender, continuamos em uma situação na qual não há regras; caso não haja regras a delimitar o que é ou não permissível, a sua quebra não pode ser legítima ou ilegítima.

Outra forma comum de escapar a essa controvérsia, seria convencionar um critério último e imutável, a partir do qual possamos traçar uma linha nítida a separar definições válidas de definições inválidas ou equivocadas. Um dos critérios tipicamente utilizados faz referência ao grau de utilidade de um significado particular para determinado domínio das relações humanas. Quando afirmamos que uma definição é útil, podemos estar nos referindo, por exemplo, à sua utilidade para a ciência ou o progresso do conhecimento, uma utilidade cognitiva, portanto. Mesmo nesse caso, entretanto, segue em aberto a questão acerca da relação entre um critério subjetivo de avaliação da validade dos sentidos que atribuímos a um termo e a compreensão sobre a que de fato aquele termo se refere. Vamos supor que decidíssemos justificar a decisão de lançar mão de uma definição do termo “comunicação” por sua utilidade no debate acerca das tradições teóricas que se debruçam sobre a democracia. Essa definição, argumentaríamos, seria útil devido à opção que nos oferece de lidar com diferentes fenômenos que encontramos, de fato, no mundo político e social. Haveria, nesse caso, diferença entre verdade (ou correção) e utilidade? Seria o significado específico “comunicação” mais verdadeiro do que outro, mais abstrato, que se relacione a fenômenos menos associados à prática política de fato? Por certo há uma distinção importante entre a ideia de que uma expressão corresponde à relação entre o intelecto e a coisa (como na fórmula tomista) ou se refere- se apenas à verdade das afirmações feitas (como o dizem os nominalistas). De qualquer maneira, reduzir a verdade à utilidade, ou considerar o último apenas uma atenuação cautelosa do primeiro, não parecem soluções adequadas10.

O convencionalismo tende a igualar definições a axiomas, sendo ambos apenas pontos de partida arbitrários. As definições podem ser como axiomas, mas apenas em teorias axiomáticas; elas não realizam a mesma função nas teorias não-axiomáticas. Uma teoria é axiomática na medida em que dispomos de uma linguagem formalizada capaz de organizar o campo. A geometria, por exemplo, parte de uma série de postulados e axiomas que não são verdadeiros nem falsos em si (pois são arbitrários), donde se conclui dedutivamente os outros cálculos. O mesmo não pode ser feito em uma teoria na qual temos de trabalhar com a linguagem natural, em que as definições não são como axiomas, pois possuem poder dedutivo limitado e não podem ser arbitrárias ou injustificadas. Na perspectiva convencionalista, não há alternativa à estipulação, a não ser que se decida recorrer a ontologias das essências reais ou dos padrões absolutos das definições. Os estipulativistas vão

demasiado longe ao expor o processo de desenvolvimento do conhecimento. As convenções linguísticas, ao contrário do que pretendem, resultam da necessidade de se reduzir ambiguidades e aprofundar a capacidade analítica dos conceitos. Elas são sempre o resultado provisório e relativamente precário de processos reflexivos e mais ou menos intencionais de escolha entre compreensões correntes de um termo aliado ou em contraposição a um elemento ocasional de inovação, teórica e prática, justificada. Ademais, os termos e convenções elaborados e justificados estão relacionados a uma série de outros conceitos no processo de construção e desenvolvimento da linguagem. A depender das mudanças em uma expressão, toda uma gama de termos vizinhos também acaba por ser afetado em seu significado. Assim, a justificativa para a escolha de um significado não pode estar senão relacionada à maior clareza que confere não apenas àquele termo em específico, mas ao campo semântico que o cerca como um todo.

O escritor argentino Jorge Luis Borges, em uma passagem de Sobre a Amizade e Outros Diálogos, sugere ao seu interlocutor, Osvaldo Ferrari, uma ideia que me parece elucidativa nessa controvérsia. Ele nos diz o seguinte:

Parece que o pensamento é impossível sem a generalização, já que para pensar usamos palavras abstratas; bom, neste ponto, há duas possibilidades: ou as palavras abstratas são simplificações de outras ou existiriam os arquétipos platônicos. Temos que escolher entre duas coisas, ou seja, ou a palavra “branco” é um modo de fazermos referência à cor do arroz, à cor da neve, à cor da lua, à cor dos dentes, ou temos que supor, com o idealismo, que há arquétipos. Ou seja, que a neve, que o arroz, que a lua, que os dentes fazem parte de um arquétipo que é a brancura. Mas parece mais verossímil supor que se procurou uma palavra, bem, um pouco vaga, que nos ajuda a pensar; com isso, no aproximamos do nominalismo, que supõe que existem os indivíduos, e que se encontraram semelhanças que serviram para sugerir as palavras abstratas (BORGES; FERRARI, 2009: 118-9).