GİRİŞ 1 Araştırmanın Konusu
8. Araştırmadaki Verilerin Analiz
1.2. Din Psikolojisi ve Dinî Danışmanlık 1 Din Psikolojisi 1 Din Psikolojis
1.2.2. Dinî Danışmanlık ve Din Hizmetler
1.2.2.3. Dinî Danışmanlığın İşle
A figura do “amigo jornaleiro” é hoje absolutamente recorrente em propagandas de empresas jornalísticas, em especial em situações de homenagem ao día 30 de setembro, quando se comemora o Dia do Jornaleiro nacionalmente. Sabe-se pouco, e é muito difícil remontar a esta origem, sobre o surgimento da expressão, mas é bastante provável que se coadune com uma clara campanha para suavizar a imagem do jornaleiro, dispondo-o como um companheiro do cotidiano, uma entidade familiar e receptiva: “O amigo jornaleiro conhece, pelo nome, a mulher, o marido ou o empregado que vai à esquina apanhar um jornal [...]. É uma interação que transcende ao aspecto meramente comercial para se transformar numa relação de amizade” [Ary CARVALHO in REBELLO, 1987:5]. A campanha, por certo, propagandeou a imagem do vendedor simpático, que conhece bem os produtos que dispõe para venda e está sempre disposto a ajudar. E se sobrepôs, como resultado, ao tipo rude e bronco, de “poucos amigos”, que se ocupava das bancas; e aos meninos malcriados e maltrapilhos, que infestavam as ruas. Houve tempos, porém, em que o jornaleiro não era exatamente considerado um “amigo”, se não uma ameaça à espreita, com amplo potencial de disseminar o caos da censura e da desinformação, por controlar sub-repticiamente uma das pontas da cadeia produtiva da notícia.
A partir da década de 1920, o que vemos, no Brasil, é uma crescente preocupação com a relação entre o jornaleiro imigrante italiano e o pequeno jornaleiro brasileiro, geralmente retratada como um vínculo de exploração infantil e maus-tratos
em alguns círculos. Em 1926, estas queixas levam o recém-criado Juizado de Menores a intervir na profissão, na tentativa de regulá-la.
O surgimento dessa vara, em 1923, contribui para que a sociedade teça um novo olhar sobre problemas sociais advindos do abandono de menores às ruas das metrópoles brasileiras [PEREIRA, 2005]. A partir de então, a questão é discutida com mais seriedade na sociedade e nos órgãos de imprensa [REBELLO, 1987:101; PEREIRA, 2005]. Alguns jornais, como a edição de A Vanguarda de 13 de junho de 1926 destacada por Rebello, questionavam o fato de que os policiais recolhiam das ruas menores que estavam trabalhando, mas faziam vista grossa para os “pivetes” e “delinqüentes”. Os problemas com o Juizado, porém, se estenderam até por volta do início da década de 1940, como veremos. Mesmo assim, o constante conflito e as denúncias de episódios de violência e contravenção contribuíram para incrementar a necessidade de que os jornaleiros possuíssem não apenas uma sociedade mutualista mas também um sindicato, que olhasse por seus trabalhadores associados e atuasse dentro das normas da legalidade. Além disso, diferentemente do que apregoam os relatos que tendem a mitificar a história da Casa do Pequeno Jornaleiro [MIRANDA, 1939; PEREIRA, 2005], o problema dos menores abandonados, especialmente no que tange aos menores vendedores, era tanto social quanto político.
Por ora, contudo, importa sabermos que, em 1932, foi então oficializada a criação do Sindicato dos Distribuidores e Vendedores de Jornais e Revistas do Rio de Janeiro14, cujo raio de ação desde o início se estendeu por todo o estado do Rio, incluindo o Distrito Federal. Este sindicato, diga-se de passagem, o primeiro em todo o Brasil – uma iniciativa semelhante ocorreu apenas em 1935, em São Paulo, com a fundação da Associação dos Vendedores e Distribuidores de Jornais e Revistas de São Paulo, que viria a se oficializar como Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de São Paulo somente em 196815 –, foi criado aparentemente por um segundo grupo de lideranças políticas entre os imigrantes italianos, que à época acumulava também a direção da Stampa, e cujos principais expoentes atendem pelos nomes de Vicente Perrotta, Alberto Carelli, Luiz Falbo, César Bianco.
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Segundo Gilson Rebello [1987:114], o sindicato foi fundado em 5 de outubro de 1932, na sede do sindicato dos padeiros, e na presença dos seguintes membros: Luiz Falbo, César Bianco, Vicente Perrotta, Antônio Gargalhone, Octaviano Provenzano, Salvador Turano, Carmo Provenzano, Paulo Caruso e Emílio Mazullo.
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Cf. informações disponíveis no site oficial do Sindicato de Vendedores de Jornais de São Paulo (Sindjor-SP) em <http://www.sindjorsp.org.br>.
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Chinelli [1977:47-48] comenta que um de seus informantes lhe relatara que a União dos Trabalhadores Gráficos teria manifestado a intenção de oficializar um órgão sindical que englobasse também os vendedores e distribuidores de jornais. Contrários a esta movimentação, os italianos mobilizaram-se rapidamente para angariar recursos e sócios em quantidade para que o seu próprio sindicato fosse reconhecido. Dessa forma, os membros originais, em sua maioria, eram, em verdade, distribuidores e não vendedores, no que se refere à escala social hierárquica que já tivemos oportunidade de discutir. Como eram italianos organizados em torno do sindicato, seu primeiro presidente precisou naturalizar-se brasileiro, para assumir o cargo [id.:ibid.]. E, então, à luz de um pequeno e veloz “golpe” político, as articulações dos distribuidores permitiram que o lugar de negociação para a classe permanecesse sob o controle do mesmo grupo que já o detinha, alterando-se apenas a ordem e a natureza de suas associações. Afinal, com o surgimento do sindicato, a Societá Ausiliari della Stampa “aos poucos ficou exclusivamente reduzida a atividades beneficentes e de ajuda mútua” [id.:ibid.].
O que se observa é que, ainda em 1933, a Stampa e o sindicato tomaram posições conjuntas em confrontos com a prefeitura, acerca da sinalização desta em modificar o regime de licenciamento, passando a adotar um dispositivo unificado de concessão pública para a operacionalização de quiosques urbanos. Na ocasião, a Stampa se manifestou publicamente contra a proposta em tramitação, chamando-a de “monopólio” e “truste” [A NOITE, 1º de fevereiro de 1933], acusações largamente adotadas para críticas aos próprios distribuidores. Mas as queixas à atuação dos italianos no controle operacional da distribuição de impressos não diminuíram, de modo que a década de 1930 se configura como de especial relevância para a consolidação da categoria.
Juntamente com as críticas recebidas pela exploração do trabalho infantil, algumas das quais transparecem em obras fílmicas e literárias do período [cf. p. ex. MENINOS JORNALEIROS, 1933], os jornaleiros italianos passam também a ser alvo de uma das mais intensas campanhas xenofóbicas que o país já experimentou, no contexto do acirramento de relações internacionais com os países que viriam a conformar o Eixo na Segunda Guerra. Antevendo estes potenciais conflitos, os dirigentes da Stampa optaram por nacionalizar a associação em 1935, quando a mesma adotou o nome aportuguesado de Sociedade de Beneficência e Mútuo Socorro dos
Auxiliares de Imprensa mas manteve-se sendo referida em círculos mais íntimos apenas como Stampa. Esta mudança marca a definitiva assunção de funções sociais para a sociedade mutualista, concentrando-se a carga política no sindicato. Este reescalonamento de prioridades paulatinamente vai ficando mais claro no protagonismo que assume a partir daí o sindicato nos éditos e informes noticiosos publicados nos periódicos da época. Até então, o que se destacava era a sobreposição das duas associações como entidade política representante de classe. Conquanto não chame atenção para este aspecto, Gabriel Labanca [2010:11] destaca uma passagem, em um de seus artigos, retirada do Observador Econômico e Financeiro [1939], que deixa clara a confusão de papéis exercidos pela Stampa no princípio do século XX. A sociedade era, em muitos casos, percebida efetivamente como um sindicato. No trecho citado, o veículo afirmava que o Largo da Carioca era dividido em diferentes pontos de circulação, e que estes pontos seriam arrendáveis com autorização “da Aussiliari [sic], isto é, do Sindicato”. Assim, não apenas se evidencia o controle da atividade exercido pela Stampa – ponto discutido por Labanca –, mas, sobretudo é-nos indicado como esta postura repercutia, de modo que era comum a identificação da sociedade como o sindicato da categoria.
Talvez por conta isso, o que pude constatar é que este mesmo ano de 1936 observa o acirramento das disputas sindicais internas, com outros grupos sendo alçados ao poder. Neste contexto, não apenas os conflitos entre os jornaleiros e a prefeitura e entre os jornaleiros e outros comerciantes se intensificam, como é possível também notar cisões políticas que interpõem grupos de jornaleiros no seio do próprio movimento sindical, estendendo-se notadamente por cerca de oito anos, de 1936 a 1944, período de intensa agitação para a categoria.
O caso é que, em 1936, o Sindicato dos Lojistas do Distrito Federal recorre à prefeitura para que o município passasse a contar com uma regulação para a localização de bancas de jornais, vez que eram crescentes os casos em que bancas eram instaladas de fronte a estabelecimentos congêneres – isto é, livrarias, sebos ou outros estabelecimentos que comercializavam livros e periódicos.
Por meio de seu presidente, Castro Araújo, o sindicato inicia então uma ação para que a prefeitura intervenha no caso, gerando mal-estar entre vendedores e distribuidores e uma cobertura negativa em alguns órgãos da imprensa. Em face a uma reportagem que criticava a campanha do jornal O Imparcial, o presidente envia à
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redação uma carta, publicada em 18 de março de 1936, explicando que suas pretensões não diziam respeito a um cerceamento da atividade de imprensa ou a uma luta contra a categoria dos jornaleiros, mas à fiscalização sobre a permissão de localização das bancas. Como discutiremos mais adiante neste trabalho, o espaço urbano sempre foi um dos motivadores da disputa política que envolve a atividade de distribuição da imprensa, sobretudo ante ao modelo de licenciamento a título precário de concessões para operação no espaço público16. Cabe destacar que as próprias bancas podem ser reconhecidas como uma espécie de concessão dos vendedores e distribuidores ao sistema de fiscalização do poder público, a fim de fixarem-se territorialmente. Não à toa, nesse mesmo período, inicia-se uma disputa em outra frente, entre os jornaleiros e a prefeitura, que dizia respeito a um projeto que se disfarçava em intenções de cumprir posturas e ordem pública, conquanto preparasse terreno para o cenário de incitação ao nacionalismo que veríamos tomar corpo nos anos subsequentes: pois foi durante a breve gestão de Olímpio de Mello na prefeitura do Distrito Federal que foi revista, após uma reviravolta política17, a concessão para a exploração de quiosques urbanos à empresa João Copello & Cia. e à Companhia Brasileira de Jornais, ambos empreendimentos que contavam com a simpatia dos políticos que almejavam a regulação da atividade em âmbito municipal.
Na realidade, a João Copello & Cia. e a Companhia Brasileira de Jornais haviam sido criadas para a concorrência pública neste processo e se tornariam responsáveis pela operacionalização de todo e qualquer quiosque instalado em solo urbano carioca. Dessa forma, a logística de distribuição de impressos na cidade seria centralizada por essas empresas, e os jornaleiros se não estivessem completamente desempregados, ao menos teriam seu ofício subordinado à regulação dessas novas agências distribuidoras. Por essa
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A questão se torna polêmica em pelo menos duas outras ocasiões. A primeira, relatada por Chinelli [1977:103], levou o prefeito de Niterói Ivan Fernandes de Barros a adotar, na década de 1970, uma regulamentação que obrigava os jornaleiros a pedirem autorização de proprietários de prédios e estabelecimentos comerciais para instalarem suas bancas em frente a eles. A segunda, na década de 1990, no Rio, colocou em triangulação o papel dos jornaleiros frente aos lojistas e aos ambulantes, como veremos em capítulo posterior.
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A certa altura, um depoente de Filippina Chinelli [1977:53] afirma que tivera uma audiência com o prefeito Pedro Ernesto, em que pedia a revisão do papel da Cia. Brasileira de Jornais no controle sobre a operação de distribuição da imprensa no Distrito Federal, mas que o político acabou preso e coube ao interventor, o cônego Olímpio de Mello, a reação ao pedido, tendo este dito: “Pode contar que eu vou mandar tirar essas bancas que estão na Avenida Rio Branco...” e, de fato, recolheu os equipamentos. Para Chinelli, “O discurso deste entrevistado evidencia claramente os mecanismos de pressão que impediram não só a ‘Cia. Brasileira de Jornais’ e outras tentativas semelhantes, feitas desde as primeiras décadas do século, tivessem êxito, mas que também dificultaram, durante muitos anos a regulamentação legal da atividade de jornaleiro”.
razão, as lideranças entre os jornaleiros criticavam o “monopólio” que a prefeitura pretendia instaurar. E a grande imprensa, como não poderia deixar de ser, comprou a briga em favor de seus “soldados”.
Chinelli [1977:49] comenta que o jornal O Globo afirmava serem
lamentáveis as cenas verificadas hoje nalguns pontos da cidade em que há bancas de vendas de jornais, por força da política que, explorando a nota do nacionalismo em benefício de interesses mercantis imediatos, resolveu improvisar a Companhia Brasileira de Jornais. Lançou-se mão do melhor recurso para tanto, afim de impressionar o transeunte desatento, por isso que o comércio da nova companhia tomou de emblema uma bandeira nacional, e resolveu fazer como verdade a fantasia de serem italianos quantos vendem os jornais no Rio, e estrangeiros os donos de banca que se acham no Brasil há mais de vinte e trinta anos, e têm filhos brasileiros. Mas como se não bastassem esses recursos, foi criado um tal ambiente de prevenção contra os actuaes detentores dos pontos, que se tornaram inevitáveis os conflitos [O GLOBO, 22 de junho de 1936 apud CHINELLI, 1977:49].
O debate, como nota a pesquisadora, estendeu-se a outros veículos. A Gazeta
dos Municípios adotou opinião contrária aO Globo, aferindo que o concorrente assacava
a opinião pública e procurava desmobilizar os interessados em “organizar um serviço de venda de jornaes mais coerente com o nosso progresso e adequado às reivindicações sociais do momento” [GAZETA DOS MUNICÍPIOS, 25 de junho de 1936 apud CHINELLI, 1977:49-50]. O jornal dizia ainda que
Explorando [...] a situação dos brasileiros que, usando de um legítimo e irrefutável direito de vender jornaes, está sendo preterido pelo italianos; [...] Os nossos colegas do vespertino carioca se deixaram impressionar pela expressão numérica da venda de jornaes executada pelos italianos com o sacrifício e a torpe exploração de menores brasileiros para enveredar na mais sórdida e repugnante campanha de derrotismo. Eles se mercantilisaram: [...] os outros jornaes, não menos culpados, não menos afinados ao mercantilismo das grandes vendas, se limitaram à negativa de fornecer jornaes aos vendedores brasileiros, ao passo que ‘O Globo’, mais audacioso, mais mercantilizado e menos nacionalista, foi ao ponto de enaltecer os italianos que se acostumaram ao aspecto maltrapilho de seus explorados, atirando aos brasileiros bem intencionados e dignos, o labéo de nacionalistas mercantis [...].
Si a nossa imprensa julga que os vendedores que apregoam seus jornaes, arriscando a vida, sem nenhuma garantia, sujos, rotos miseráveis para aumentar a fortuna desses italianos [...], melhor será que ella se dispa dessa espiritualidade que deve ser o incentivo da nacionalidade brasileira e que se corrompa às escancaras vendenda a pena de seus jornalistas pelo menor preço, mas que se diga imprensa carcamana, imprensa internacional, [...] mas não se negue ao brasileiro o direito de um concorrência [sic], de uma organização perfeita, como os que estão em evidência neste caso, que vestiram com uniformes decentes seus vendedores e ainda os que segurou contra os acidentes da profissão [...], porque os italianos se collocaram fraudulentamente a coberto das leis trabalhistas e nós não descansaremos enquanto elles não as cumprirem...
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Assim, se nota que o embate entre a prefeitura e os jornaleiros possuía claramente os seus respectivos mediadores. Embora Chinelli [1977:48-49] observe que “a tônica das reportagens publicadas na época é a denúncia de que os italianos impediam trabalhadores nacionais de ingressarem no comércio de jornais e revistas, além de serem exploradores do trabalho de menores brasileiros”, esta é somente uma das versões noticiadas, ocupando os veículos mais tradicionais a posição de guardiões do modelo liberal de imprensa ante a possibilidade de estatização (ou ao mínimo subordinação ao Estado, através de concessão) de seus serviços de distribuição.
Nos meses seguintes, a campanha de O Globo se intensifica e abre espaço para que o Sindicato dos Distribuidores e Vendedores de Jornais e Revistas abra um processo junto ao Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, com uma reclamação contra a posição da prefeitura, ao que o ministro acata, diante da pressão política exercida pelo grupo. A João Copello & Cia., então, entra com recurso contra a decisão anterior e, em 27 de julho de 1936, o voto do ministro atende ao parecer do atuário-chefe da Diretoria Geral de Expediente do ministério, que julgou improcedente o pedido de reavaliação, considerando que o sindicato atuava no limite de suas atribuições, e que a ele se antepunha a Stampa, organização estrangeira não reconhecida e que, agora, assumia funções meramente sócio-beneficentes. A resposta leva em consideração que a representação impetrada pela João Copello & Cia. referia-se à Stampa como entidade de classe. Segundo tal parecer,
Actualmente a citada Sociedade Auxiliar da Imprensa já nacionalizada, tem caracter puramente beneficente, achando-se a cargo do Syndicato Profissional dos Distribuidores e Vendedores de Jornaes e Revistas as funcções que os Srs. João Copello & Cia. attribuem; com circumstancias, inexistentes áquella Sociedade. É certo, é incontestável que a distribuição e venda de jornaes e revistas foi, aqui no Districto Federal, monopólio de estrangeiros, sócios da sociedade citada. Actualmente, porém, mais de dois terços dos distribuidores e vendedores de jornaes são brasileiros natos, sendo diminuta a percentualidade dos nacionalizados, que têm filhos brasileiros [DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 1936a].
O parecer considera que até o regímen de outubro de 1935, as funções de disciplinar a classe eram exercidas por uma “associação estrangeira, a ‘Auxiliare dela Stampa’ [sic]”. A criação do Ministério do Trabalho em 1930 acelerou o processo, argumenta o relator, de nacionalização da entidade – e, mais do que isso, de fundação
do sindicato da categoria, nos termos do decreto nº 24.694/1934, que obrigava as associações a serem compostas de maioria de brasileiros natos18.
O confronto das alegações da João Copello & Cia. com a resposta patrocinada pela organização sindical resultava, segundo o atuário-chefe Clodoveu d’Oliveira, em uma evidência de que a primeira tinha a “intenção clara” em industrializar em seu proveito “o trabalho de menores, monopolizando uma atividade que vinha sendo explorada em parceria [...] e se acha, agora, controlada por um syndicato profissional devidamente reconhecido” [id.:ibid.]. Essa intenção fica patente, de acordo com o relator, nas acusações da João Copello & Cia. de que os menores vendedores de jornais eram submetidos a condições de trabalho insalubres sem nenhum respaldo. O parecer segue então afirmando que o sindicato teria oficializado um fundo para a cobertura de acidentes de trabalho de seus associados, de forma que a reclamação, como as demais, também foi julgada improcedente. Ao fim e ao cabo, O Globo voltava a noticiar, em 28 de setembro de 1936, uma missa organizada pelos jornaleiros “em agradecimento pela vitória na luta contra o ‘nacionalismo mcercantil’ [sic], na Igreja de São Francisco de Paula”, em que se comemorava a decisão do prefeito Olímpio de Mello em cassar as licenças concedidas à João Copello & Cia. e à Cia. Brasileira de Jornais.
Os esforços em prol de melhores condições de trabalho aos pequenos jornaleiros ainda voltariam à baila com o projeto de lei apresentado à Câmara pelo deputado Martins e Silva em 30 de março de 1937, que propunha a criação de uma “Casa dos Pequenos Vendedores de Jornais” [CHINELLI, 1977:51]. O projeto não foi aprovado, mas conquistou a adesão de empresários e jornaleiros que travavam disputas com os grandes distribuidores [id.:ibid.], e acabou resultando em intensa mobilização nacional, sendo incorporado ao projeto de governo trabalhista logo adiante, através de Getulio Vargas e de sua esposa, a primeira-dama Darcy Vargas.
Antes disso, o sindicato já havia enfrentado, no primeiro trimestre de 1936, a ameaça de um grupo que buscava criar uma associação paralela, incumbida de administrar os sócios no restante do estado do Rio de Janeiro, à exceção do Distrito Federal. Na ocasião, o Sindicato dos Distribuidores e Vendedores de Jornais e Revistas
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No caso do sindicato dos jornaleiros, o mesmo documento dá conta de cerca de 1,5 mil trabalhadores sindicalizados, dois terços dos quais seriam menores. A informação é corroborada pelo Diário Carioca de 30 de março de 1940, que aponta mais de 2 mil trabalhadores atuando como jornaleiros só no Distrito Federal. Fica, portanto, uma evidente impressão de que os menores vendedores teriam sido coagidos a sindicalizarem-se, como parte do “golpe político” que mencionei anteriormente. Esta hipótese, contudo, não é verificável.
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requereu ao Ministério do Trabalho que sua esfera de ação se estendesse a todo território fluminense. O pedido impetrado foi também concedido, em face da exposição