Finalmente, em relação à percepção dos impactos da materialidade e das condições de trabalho nas práticas desenvolvidas é possível dizer que há entre as professoras um entendimento de que a organização pedagógica das ações pode ser mais bem planejada. A divisão do trabalho por linguagens e a relação entre professor de apoio e professor referência em cada turma precisam ser discutidas. Para a professora Nola, essa é uma questão complexa, porque muitas professoras afirmam entre elas que preferem ser apoio, porque não tem tanto trabalho como o professor referência. Michele e Nola dividiram as duas linguagens que, segundo elas, tem mais peso na rotina: matemática e leitura e escrita
Outra coisa que eu acho complexa também é a divisão das linguagens a questão do professor referência e do professor apoio. O que é o professor referência? O que é o professor apoio? Isto é uma coisa muito complicada também. São professores. E às vezes eu percebo que o professor de apoio ele é desvalorizado. Ele se desvaloriza e é desvalorizado dentro da instituição, pela comunidade e por ele mesmo. Tem gente que prefere ser apoio, mas isto é uma questão mais cultural em relação ao significado de ser apoio nas escolas da rede da prefeitura. Na reunião final para decidir quem seria o professor referência e quem seria o apoio, a gente sente isto. Algu as falas s o tipo assi : N o ge te, i feliz e te eu estou u a fase de vida que eu não posso ser o professor referência. Eu tenho que ser o professor apoio, porque eu não posso levar coisa para casa, porque eu não te ho te po pa a pla eja . Olha o o isso se io. Eu o te ho te po para planejar tais atividades. E então isto é muito forte. Como eu já fui professo a efe ia e j fui apoio eu falei: o , o f il, e pa a u e nem para o outro. Então eu pensei o que é que a gente pode fazer para melhorar isto? A proposta foi pegar estas duas linguagens que são de maior peso e dividir uma para cada uma. Assim eu propus para o grupo. Não é o ideal ainda mas já dá uma cara nova para este professor, que é o que? Dividir de uma maneira mais igualitária as linguagens. Porque a gente percebe que a linguagem matemática e escrita são mais valorizadas socialmente e neste valor também vem um peso para o professor. E eu percebo que o povo não quer ser professor referência porque o trabalho é maior. Eu tenho que fazer todas as atividades de para casa, todas atividades de escrita e de matemática (NOLA, professora entrevistada em 2014).
De acordo com Nola, as professoras da escola não aceitaram a proposta dela. Porém a professora Michele e ela decidiram experimentar essa nova maneira de trabalhar com o apoio da direção, que solicitou, no final do ano, uma avaliação sobre o trabalho. É possível observar na fala de Nola a necessidade e a preocupação em encontrar um novo lugar para o professor apoio. Além disso, os momentos coletivos de avaliação e elaboração de propostas alternativas
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precisam ser assegurados, pois a reunião pedagógica mensal tem sido insuficiente para isto. O número excessivo de crianças nas turmas é outro fator que, segundo as entrevistadas, agrava as condições de trabalho na UMEI. Propostas de qualidade não podem depender, como vem acontecendo, da boa vontade de professoras e coordenadores. Na fala de Júlia a, podemos verificar que para atender a todos as professoras, ela trabalha no horário da noite, sem receber da Prefeitura, durante cinco dias.
Eu preciso vir seis noites aqui para fazer os planejamentos com os professores. E a gente não ganha nada por isto, porque a Prefeitura te paga o horário da reunião pedagógica à noite, uma vez por mês. Só que para atender todos os grupos eu venho cinco vezes à noite. Então, assim, a gente vem por esforço, por vontade, mas falar que você tem... Antes eu tentava fazer o planejamento durante o turno, mas é impossível. Você vê a loucura que é ali embaixo (JÚLIA, coordenadora entrevistada em 2014).
Em relação à materialidade, algumas professoras demarcam a dificuldade de acesso aos materiais que precisam. Outros afirmam que, se planejar com antecedência, a coordenação faz o possível para providenciar o material. A professora Isabela, afirma que as práticas em Artes Visuais podem ocorrer com sucatas e materiais recicláveis, mas dependem também da aquisição e do acesso das crianças a materiais variados e diversificados, em quantidade e em qualidade.
Todos reconhecem que a estrutura da UMEI, como instituição pública de Educação Infantil, já é um avanço na conquista do direito à educação. Entretanto, é preciso assegurar condições adequadas para o desenvolvimento de projetos pedagógicos de qualidade. Em relação a materialidade a professora Isabela foi bem contundente em sua posição:
A materialidade eu acho que fica bem precária. Por exemplo, vai pedir às vezes uma tinta e não tem a cor da tinta. Igual à massinha, a gente ficou meses sem massinha. E como é que você fica na educação infantil sem massinha? Sem materialidade eu acho complicado, porque às vezes influencia muito o nosso trabalho. Como eu te falei, eu gosto de trabalhar com técnica. As técnicas você pega mais é folha 60 quilos, é sempre mais regrado. Então eu acho que sem materialidade nem sempre você consegue. Haja criatividade! Lógico, você pega sucata, reutiliza materiais, mas assim, às vezes é necessário algum material (ISABELA, professora entrevistada em 2014).
Os materiais que a gente tem e que a UMEI oferece para a gente são giz, lápis de cor, tinta, pincel, canetinha. O material, ele é disponibilizado assim, de acordo com o planejamento do professor. Eu não posso de repente chegar lá e falar, eu quero isto para ontem. Não, não é assim (NOLA, professora entrevistada em 2014).
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A professora Nola fala dos materiais oferecidos pela UMEI e afirma que se os pedidos são feitos com antecedência, normalmente eles são providenciados. No entanto, é preciso ficar atento aos sinais que dificultam o atendimento de qualidade na Educação Infantil.