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Após a apresentação das concepções e das percepções sobre as Artes Visuais em suas práticas na rotina escolar, analisamos como as professoras avaliam aquilo que vem sendo proposto e desenvolvido na UMEI Olhos de Criança. Para isso, formulamos perguntas43

sobre como avaliam o trabalho com as Artes Visuais na Educação Infantil, sobre a avaliação que fazem das práticas individuais e coletivas na UMEI, sobre o significado e a relação das crianças com as propostas em Artes Visuais. Além disso, procuramos perceber a avaliação de cada professora entrevistada em relação à organização dos tempos, dos espaços e da apresentação de trabalhos de Artes Visuais em murais e exposições. Adotamos, para isso, o mesmo procedimento metodológico descrito nas partes anteriores. Agrupamos todas as respostas que avaliam as práticas, destacamos os trechos relevantes e identificamos as palavras-chave em torno das quais as professoras avaliam o trabalho desenvolvido na instituição. Dentre estas palavras ressaltam-se datas comemorativas , o tage de u ais , p ojeto i stitu io al

arte e cultura o a tistas e es ito es a UMEI , práticas com desenho . Também são

e o e tes a fala das p ofesso as e p ess es tais o o i e a te o as ia ças , alo iza ais o p o esso de p oduç o e e os o p oduto fi al , desta a a iati idade das ia ças , isita espaços ultu ais , e defe de a olta do ateli .

Segundo as professoras, para que as práticas em Artes Visuais na UMEI Olhos de Criança possam contribuir para ampliar a visão e as possibilidades criativas das crianças é necessário que as propostas estejam mais voltadas para as artes em si e menos para a produção artesanal. É preciso, segundo as professoras, "fazer menos coisas" e "refletir mais sobre elas". Para isso, as ações coletivas em torno da produção de enfeites e adereços para datas comemorativas devem ser problematizadas. Trabalhos interdisciplinares de visitas organizadas a museus, exposições e diferentes espaços culturais da cidade, com pesquisa prévia e conhecimento de causa, de acordo com as entrevistadas, são exemplos de experiências já realizadas visando ressignificar as práticas em Artes Visuais no cotidiano da UMEI.

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Sobre as datas comemorativas, a professora Nola afirma que a discussão sobre essas datas já está sendo feita no grupo. No período de minha observação, como já afirmado, essa era uma ação frequente da escola. Nesse sentido, o grupo se fortalece na reflexão sobre as Artes Visuais, porque para algumas professoras as datas comemorativas são consideradas

ati idades de a te .

A última reunião onde estava a maior parte do grupo, a gente falou, olha nós estamos indo por este caminho aqui de comemorar muito, de fazer muitas coisinhas para datas comemorativas. É este caminho mesmo que vamos seguir? E a maioria do grupo disse que não, que não é este caminho. Então o grupo já está com este olhar. Então nós fizemos atividades artísticas voltadas para o dia das mães e então já começamos a fazer para os outros membros da família, para outras datas comemorativas, mas vamos ter que repensar isto. Porque é isto que o grupo quer? Não é. É esta a proposta inicial? Não é. E então já está tendo esta reflexão do grupo (Entrevistada NOLA, professora entrevistada em 2014).

Já o professor Baiano mostra que percebe nas práticas das professoras que todas fazem artes com as crianças, porém não têm consciência daquilo que estão fazendo. Para ele, alguns ainda têm dificuldade de entender a importância de as crianças fazerem e colorirem seu próprio desenho, evitando assim, a reprodução de desenhos prontos.

Eu acho que todo mundo faz arte com as crianças; na verdade a grande maioria faz, mas só que não sabe que faz. Eu acho que eles não sabem o valor daquilo que eles estão fazendo. Está maravilhoso, mas eu não sei se é assim. Mas tem alguns que não gostam de pedir para o aluno desenhar, por exemplo, preferem entregar o desenho já pronto e colorir depois. Colorir é muito mais importante, mas não precisa ser colorir o desenho pronto. Não concordo. A criança tem que produzir seu desenho e colorir por conta própria. Eu vou sempre procurar e sempre quando eu estou em casa e quando eu posso eu leio sempre alguma coisa sobre desenho, sobre pintura, sobre arte em geral para aprofundar meus conhecimentos e poder trabalhar melhor com as crianças (BAIANO, professor entrevistado em 2014).

Baiano ainda destaca que procura sempre aprofundar seus conhecimentos em Arte para trabalhar melhor com as crianças e afirma a necessidade de cursos nas áreas de Arte para ajudar o professor refletir sobre sua prática. As exposições segundo Michele são ações que contribuem para o aprendizado das Artes Visuais e sempre que possível, levam as crianças.

Fazemos visitas a exposições também. Tem esta possibilidade de visita. E então se tiver alguma exposição que tem a ver com o que a gente está trabalhando a gente tem possibilidade de levar os meninos (MICHELE, professora entrevistada em 2014).

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Há aquelas professoras que em suas práticas e durante as entrevistas enfatizam a importância não só de ensinar arte, mas de viver arte com as crianças. Nesse sentido, dizem que quando deixamos as crianças fazerem e se manifestarem, suas produções expressam criatividade. No entanto, há outras entrevistadas que afirmam que a postura assumida pelo grupo de professoras de valorizar o que as crianças produzem e de expor para a comunidade o que elas fazem, evitando avaliações e julgamentos taxativos, fortalece a autoestima das crianças, dos pais, das próprias professoras e de todos que trabalham na UMEI. Além disso, elas avaliam que é importante incentivar ações que buscam fazer a ponte entre o projeto institucional e as práticas cotidianas desenvolvidas em cada turma, pois o fato de existir um projeto coletivo não impossibilita que cada um traga, apresente e desenvolva suas propostas individuais. No trecho a seguir, a professora Valentina mostra que, além de passar os conhecimentos de Arte, é necessário que a crianças também vivenciem a Arte. Sua preocupação e seu olhar sempre se voltam para a liberdade das crianças para se expressarem. Nesse sentido, ela questiona a realização de atividades que tolham a expressão das crianças.

Não podemos tolher a criança. E tem hora que a gente vê, nas entrelinhas das atividades, certo tolhimento. Quando a gente diz que tem que ser neste padrão ou neste formato, a produção da criança não floresce, pois na Educação Infantil não basta passar para a criança um conhecimento das artes. Às vezes estamos passando um conhecimento das artes, mas não vivenciando a arte com as crianças (VALENTINA, professora entrevistada em 2014).

Sobre os projetos da UMEI, a entrevistada Isabela assinala que, ao trabalhar com os projetos coletivos como a Mineiridade, por exemplo, isso não lhe impossibilita desenvolver os projetos da sua tu a. Co side a o P ojeto a te e ultu a o o u p ojeto i te essa te pa a as crianças e afirma que estão sempre trabalhando com as Artes Visuais na escola.

O projeto institucional é a mineiridade, mas cada turma também tem um projeto próprio. A escola sempre procura trazer um escritor para estar passando um dia com a gente ou contando uma história ou, igual, a gente teve umas esculturas. Agora é o Ricardo Ferrari. E teve um que trouxe uma escultura linda aqui. Eu esqueci. E a gente colocou até os meninos para modelarem as esculturas com papel e desenhar também. Então a gente sempre procura estar trabalhando com Artes Visuais aqui na UMEI (ISABELA, professora entrevistada em 2014).

Segundo a vice diretora Luz, algumas professoras têm um olhar mais apurado para Arte e permitem que as crianças se expressem, oferecendo materiais que viabilizam esse contato com a criação em Arte. Em sua opinião existem, na UMEI Olhos de Criança, diferentes

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concepções de Arte. No entanto concorda que para o professor generalista é difícil compreender o eixo central dessa área de conhecimento, quando se trabalham várias linguagens ou conteúdos. Mas ela destaca a necessidade de relacionar o projeto da escola com a Arte em geral.

Tem professor que não está com esse olhar para a arte. Só que dentro da escola de educação infantil esta é uma área que precisa ser muito trabalhada. Existem práticas diversas e concepções diversas também. Eu vejo professoras altamente criativas, algumas delas que permitem que a criança se expresse, oferecem material para isso, conseguem, a partir da expressão delas, chegar até um produto ou trabalham o processo de uma maneira mais legal (LUZ, vice diretora entrevistada em 2014).

Eu acho que tem professor que dá conta de pegar o que está sendo trabalhado na escola como um todo e ver a arte ali dentro, tanto na expressão das crianças como no próprio objetivo na linguagem de arte que deva ser desenvolvida, e tal. Acho que tem professor que dá conta de fazer esta ponte, mas são poucos. É difícil para o professor, que é generalista, sacar qual é o eixo daquela área de conhecimento. Apesar de estar previsto nas proposições, quando você tem um conhecimento de causa ali faz toda a diferença. É preciso relacionar o projeto da escola com a arte em geral (LUZ, vice-diretora entrevistada em 2014).

Quando as entrevistadas falam sobre as práticas com desenhos elas defendem a necessidade de ensinar as crianças a desenharem ampliando as possibilidades de representação através do desenho. Elas questionam a ênfase, observada nas práticas de algumas colegas, de valorizar mais o produto final do que o processo. Para isso, argumentam que é positiva a decisão da UMEI de não trabalhar com desenho pronto e fotocopiado (xerocado). A postura coletiva de romper com os modelos prontos para copiar e colorir é vista pelas professoras como importante estratégia para valorizar a expressão das crianças. Essa postura possibilita e incentiva ainda, segundo as entrevistadas, a busca por novos conhecimentos e a pesquisa de novas estratégias de trabalho com as crianças em torno da Arte de desenhar. Júlia destaca que muitas professoras ficam presas a um produto final e muitas vezes deixam de trabalhar com determinados materiais como argila, por exemplo, porque não terão algo palpável para a criança levar para casa. Mas repetem sempre as mesmas atividades utilizando as mãozinhas das crianças para construir borboletas, peixes e flores. Com as crianças menores, a preocupação do professor se volta para a representação reconhecível.

Muitas vezes as professoras pensam em trabalhar com argila, mas desistem porque o menino não vai ter um produto final. E aí para elas isto não serve. E então elas não valorizam o fazer da criança, o processo, só o produto final. Então eu acho que isto é um problema. Sempre tem que ter um produto final, sempre tem que ter alguma coisa para mostrar e não precisa. Por e e plo, o a úsi a da borboletinha está na cozinha , algu as

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Benzer Belgeler