3. BÖLÜM: TÜRKİYE’DE DİJİTAL OYUN EKOSİSTEMİ
3.1. Sermaye Türleri, Toplumsal Köken ve Kariyer
3.1.2. Dijital Oyun Geliştiricilerin Toplumsal Kökenleri
“O Judiciário não é agente de cobrança de créditos, mas sim instituição dedicada a aplicar o direito e promover a justiça.”Essas são as palavras de Luís Inácio Lucena Adams124, procurador-geral da Fazenda Nacional, para justificar o projeto da Execução Fiscal Administrativa.
Porém, viu-se, neste trabalho, que, não pela natureza dos atos, mas, sim, pelo critério da iniciativa da ação de execução, o procedimento executivo fiscal pertence à competência da Administração Tributária. 125
A partir de todo o estudo que se traçou ao longo da seção 3.1 retro, chegou-se à conclusão incontestável da possibilidade jurídica de implementação do projeto da EFA. Entretanto, apenas essa constatação não é suficiente para justificar tamanha alteração processual, transferindo todos os processos de execução fiscal, em tramitação e ainda a serem ajuizados, da estrutura e competência dos tribunais para a da Administração Tributária.
Torna-se essencial, portanto, analisar-se não somente a possibilidade, mas também a
necessidade de implementação do projeto, e, ainda, as vantagens trazidas por esta alteração.
Sem esses critérios, o referido projeto tornar-se-ia mera discussão de egos que buscam apenas criar algo novo, “deixar suas marcas” no mundo jurídico, sem, contudo, estarem verdadeiramente comprometidos com uma reforma eficiente e, acima de tudo, necessária.
Nesse sentido, volta-se à análise de alguns números estatísticos que ilustraram o segundo capítulo deste estudo.
Dados fornecidos pelo Conselho da Justiça Federal indicam haver, atualmente, cerca de 6,4 milhões de processos em tramitação no 1º grau da Justiça Federal de todo o país. São Paulo, estado com a maior representatividade nacional em volume de processos, possui, desse montante citado, 2,2 milhões de processos, ou seja, cerca de 35% (trinta e cinco por cento) do total nacional. Já o Ceará possui 250 mil processos, o que representa cerca de 4% (quatro por cento) dos processos federais de 1ª instância do país.
Apontando dados especificamente relacionados aos processos de execução fiscal, temos que, no Brasil, dos 6,4 milhões de processos que tramitam na 1ª instância da Justiça Federal,
124 FREITAS, Newton. Dívida Tributária, Transação e Execução Fiscal Administrativa. p. 2. Disponível em:
http://www.newton.freitas.nom.br/artigos.asp?cod=386. Acesso em 19 out 2007.
2,8 milhões se referem exclusivamente à execução fiscal, ou seja, cerca de 44% (quarenta e quatro por cento) do volume total de demandas da Justiça Federal se deve à cobrança da Dívida Ativa da União.
Em São Paulo, esse número é de 973 mil, cerca de 43% (quarenta e três) do montante de processos federais que tramitam naquele estado; no Ceará, por sua vez, tem-se 82 mil ações de execução fiscal, representando cerca de 33% (trinta e três por cento) dos processos que tramitam na 1ª instância da Justiça Federal no estado.
Constata-se, por conseguinte, que, se a demanda na Justiça Federal é volumosa, grande parte dela se deve à cobrança da Dívida Ativa da União, responsável, como se demonstrou, por quase a metade de todo o volume judicial nacional! É um dado por demais relevante.
Paradoxalmente, entretanto, vê-se, conforme dados fornecidos pela Corregedoria Geral da União, que dos 409 bilhões de reais da Dívida Ativa da União que foram ajuizados de 1994 até junho de 2007, apenas 16 bilhões foram arrecadados, ou seja, apenas 4% (quatro por cento) do valor total ajuizado, restando um estoque de 393 bilhões de reais de Dívida Ativa da União, excluindo-se, desse valor, aqueles cuja cobrança não fora ainda ajuizada. Tal índice de arrecadação tão pífio é decorrente, principalmente, do congestionamento das vias judiciais, que não permitem ao juiz e aos oficiais de justiça diligenciarem eficientemente em busca do patrimônio do devedor.
Referindo-se à Justiça Estadual no âmbito do Ceará, a situação não é mais promissora que a federal.
Segundo dados da Corregedoria Geral da Justiça, tramitam, atualmente, na 1ª instância do Ceará, cerca de 685 mil processos. Desse montante, cerca de 71 mil processos referem-se exclusivamente à cobrança da Dívida Ativa do estado, o que representa 10% (dez por cento) de todos os processos em tramitação no estado.
Não obstante o grande volume de ações ajuizadas com o fim de arrecadar o passivo tributário, a Dívida Ativa estadual já remonta à expressiva soma de 1,4 bilhões de reais.
Constata-se, dessa forma, inevitavelmente, a real necessidade da implementação da EFA, pois, sendo as ações de execução fiscal responsáveis por quase metade de todos os processos judiciais que tramitam na 1ª instância da Justiça Federal no Ceará, e por 10% (dez por cento) de todos os da 1ª instância da Justiça Estadual, o referido projeto, ao transferir a tramitação dessas ações para o âmbito da Administração Tributária, desafogará consideravelmente as vias judiciais - o que proporcionará ao Judiciário condições para uma maior rapidez na prestação da tutela jurisdicional -, e, ainda, dinamizará a cobrança da Dívida
Ativa, ao fazê-la sem o congestionamento das vias judiciais, acarretando um esperado aumento na arrecadação do passivo tributário.
Contudo, como o projeto da EFA prevê a tramitação administrativa apenas daqueles créditos ditos incontroversos, ou seja, contra os quais não forem interpostos embargos, torna- se inevitável indagar quais as vantagens trazidas por sua implementação, já que se espera normalmente do executado, ou mesmo de terceiro, sua insurgência contra o crédito exigido. Será que essa alteração não se tornará, por esse motivo, inócua?
Entretanto, por mais impressionante que pareça ser, os números demonstram que grande parte das execuções fiscais que tramitam no Judiciário correm incontroversas, ou seja, não sofrem discussão acerca do mérito por não terem sido interpostas ações de embargos.
A 20ª Vara da Justiça Federal do Ceará, por exemplo, responsável, juntamente com a 9ª Vara, pelas ações de cobrança da Dívida Ativa da União no estado, possui, atualmente, cerca de 38 mil ações de execução fiscal em andamento, e somente cerca de 502 delas correm controvertidas devido a interposição de embargos, o que representa um percentual pífio de 1,3% (um e três décimos por cento)de créditos sobre os quais pendem controvérsias.
A 9ª Vara, por sua vez, contra cerca de 38,5 mil ações de execução fiscal em andamento, apenas cerca de 900 delas correm atualmente com interposição de embargos, o que também representa baixíssima taxa de controvérsia, cerca de 2,3% (dois e três décimos por cento) apenas.126
Isso significa que a tramitação das execuções de créditos incontroversos no âmbito da própria Administração Tributária – conforme objetiva o projeto da EFA – trará uma diminuição de mais de 90% (noventa por cento) dos processos de execução fiscal federais em tramitação atualmente no Ceará. Não se pode olvidar tratar-se de número bastante significativo.
Quanto à Justiça Estadual, a 3ª Vara de Execuções Fiscais da comarca de Fortaleza, uma das cinco varas competentes para a cobrança da Dívida Ativa do estado, é responsável, atualmente, por cerca de 16 mil processos de execução fiscal, sendo a taxa de interposição de embargos de cerca apenas de 20% (vinte por cento). E esse percentual se mantém praticamente o mesmo em todas as cinco Varas de Execução Fiscal no estado.127
126 Os dados referentes ao número de processos federais em tramitação nas 9ª e 20ª varas da Justiça Federal no
Ceará, as duas únicas varas federais responsáveis pelas Ações de Execução Fiscal no estado, bem como do percentual de execuções embargadas foram conseguidos diretamente nas respectivas secretarias, por não estarem disponíveis nos sites oficiais. Esses dados referem-se à posição de nov. 2007.
127 Pela falta de sua disponibilidade nos sites oficiais, esses dados foram obtidos diretamente na secretaria da 3ª
A implementação da EFA representará, desse modo, uma diminuição de cerca de 80% (oitenta por cento) dos processos que tramitam atualmente nas varas estaduais de execução fiscal. Um percentual quase tão representativo quanto na Justiça Federal.
Assim sendo, o projeto da Execução Fiscal Administrativa, ao prever a discussão judicial apenas daqueles créditos ditos controversos, ou seja, contra os quais forem interpostas ações de embargos, acarretará uma expressiva diminuição no volume de execuções fiscais que tramitam atualmente no Poder Judiciário.
Essa retirada das execuções fiscais incontroversas do âmbito do Judiciário terá, dessa forma, importante impacto positivo na velocidade da própria prestação jurisdicional. Segundo Luís Inácio Lucena Adams128:
“O Poder Judiciário vive momento de grave congestionamento a impedir uma prestação jurisdicional célere. A adoção da via administrativa para a execução fiscal aliviará o Poder Judiciário de pesado fardo e liberará importantes recursos materiais e humanos para emprego na rápida solução de lides.”
São inegáveis, portanto, as inúmeras vantagens que a Execução Fiscal Administrativa trará ao Judiciário.