BÖLÜM 3: ARAŞTIRMANIN BULGULARI
3.6. Dijital Çağda Sosyalleşmenin Yeni Boyutları
3.6.6. Dijital Çağda Çocuk ve Kentsel Çevre
O prof.1 acredita que o fato de que muitos professores sejam militantes da esquerda, dentro da qual a questão ambiental não se constituiria em prioridade, prejudica sua entrada no Curso, de maneira que, “para os próprios alunos, a questão ambiental acaba sendo uma
outras”. Segundo ele, a busca de um equilíbrio entre desenvolvimento (urbano) e proteção do
meio ambiente seria inviabilizada por uma propensão partidária para favorecer as demandas da população de baixa renda, mesmo que às custas do ambiente e dos recursos naturais: a urbanização de invasões de áreas de mananciais pela administração petista de São Paulo representaria, para o professor, um claro exemplo da marginalidade da questão ambiental com relação aos princípios ideológicos do partido.
O exemplo escolhido pelo professor me remete inevitavelmente ao Programa de Saneamento Ambiental da Bacia do Guarapiranga formulado em 1991 pelas Secretarias de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente em parceria com outros órgãos, entre os quais, a Prefeitura do Município de São Paulo, liderada então por Luiza Erundina, do Partido dos Trabalhadores. Dentro do Programa Guarapiranga, que recebeu o apoio do Banco Mundial, se propunham estratégias e um conjunto de instrumentos para a consecução dos objetivos de recuperação ambiental, que não se limitassem nem às medidas corretivas na área de saneamento, nem à visão restritiva à ocupação urbana presente na legislação de proteção dos mananciais que nunca foi suficiente para alterar a realidade sobre a qual se aplica (MARCONDES, 1999)61:
As ações corretivas foram formuladas para as áreas já comprometidas com a urbanização por meio de medidas de recuperação ambiental e urbana. Assim, consolidar-se-ia a urbanização em níveis compatíveis com a preservação dos recursos ambientais, promovendo ações de melhoria do sistema de coleta, a intercepção e disposição final de resíduos sólidos, a recuperação de córregos e as respectivas faixas de proteção e drenagem, o desvio de cargas poluidoras afluentes à represa, a revegetação de áreas de interesse, a urbanização de favelas, a adequação de infra-estrutura e a remoção e o reassentamento de famílias habitantes de áreas de risco (p. 203).
Diante desse quadro de objetivos, se conclui que a recuperação e a qualificação do ambiente urbano tinha, ao contrário do que acredita o prof.1, exatamente o propósito de estabelecer um equilíbrio entre desenvolvimento urbano e proteção ambiental, em uma situação de habitabilidade precária que representaria uma ameaça para as perspectivas de abastecimento hídrico da cidade de São Paulo, e cuja complexidade suplanta a concepção racionalista do urbanismo pautada no controle do espaço por meio de modelos ideais de ocupação do solo. No entendimento de quem formulou o Programa Guarapiranga, a busca de equilíbrio não poderia ignorar a inexorabilidade da ocupação ilegal de áreas de proteção
61
A autora, arquiteta, participou da elaboração do Programa e atuou como coordenadora durante quatro anos na implementação de projetos de responsabilidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
ambiental forçada pela própria dinâmica social da produção do espaço (essencialmente fragmentada, desconcentrada e excludente) como pressuposto para a formulação de estratégias de intervenção realísticas, centradas no equacionamento de conflitos em torno da ocupação do solo e da apropriação dos recursos naturais.
Segundo o prof.6, essa mesma postura, que identificaria a procura por um compromisso entre interesses conflitantes, poderia ser detectada também na iniciativa da prefeitura de São Carlos em sua atual administração petista – na qual vários professores do CAU ocuparam importantes cargos de confiança – ao buscar um acordo com o Ministério Público e a Associação de Proteção Ambiental de São Carlos (APASC) em seguida à determinação judicial de interrupção das obras de prolongação das avenidas marginais. Do acordo, teria resultado um novo projeto de expansão do sistema viário, mais consonante com as exigências de proteção ambiental (prof.6).
A profa.8, ao comentar a participação de um colega que exerceu um importante cargo político na prefeitura de São Carlos, na mesma administração petista, sugere que essa experiência tenha contribuído para enriquecer a visão do professor: “não sei se na formação
dele, o fato dele se tornar Secretário, que na primeira semana em que ele está, despenca aquela coisa do Mercado62 e ele se vê às voltas com uma nova rede de informações, não sei se ele olhava para isso na época em que era um professor de projeto, se isso era significativo para ele, se era informação para ele, porque quando ele começa agora a analisar a cidade, imediatamente eu o vejo prestar atenção nos cursos de água, nas áreas livres. É uma outra lógica. E ela não é compartilhada, de um modo geral, por nossos colegas”. Com essa
sugestão, a professora parece reiterar a hipótese de que o desempenho de funções administrativas, neste caso favorecido pela militância em um partido político de esquerda, mais que alhear os professores do CAU da questão ambiental, tenha participado de sua aproximação.
Para o prof.5, não existe nenhuma correlação entre a filiação política dos professores do CAU e a (falta de) relevância da questão ambiental no Curso: “acho que não tem correlação
com isso não. Tem a ver com a formação dos professores daqui, que acabou com o grupo principal formado em uma tradição historiográfica muito vinculada à arquitetura moderna, herdeiros desse movimento, de certa maneira”. Essa fala introduz a próxima dificuldade
apontada por alguns professores para a ambientalização do CAU.
62
A professora se refere ao desabamento dos taludes do córrego Gregório e às freqüentes inundações da área do Mercado Municipal de São Carlos.