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O litisconsórcio está previsto no CPC nos arts. 46 a 49, e pode ser conceituado como a “possibilidade que existe de mais de um litigante figurar em um ou em ambos os polos da relação processual. Caracteriza a pluralidade subjetiva da lide”255. A doutrina apresenta a

seguinte classificação do litisconsórcio:

Quanto ao momento de sua formação pode ser inicial ou ulterior; quanto à obrigatoriedade de sua formação pode ser necessário ou facultativo; quanto ao polo da relação processual pode ser ativo, passivo ou misto (ativo e passivo a um só tempo); quanto ao destino dos litisconsortes no plano do direito material, pode ser unitário ou simples.256

Veja-se, brevemente, cada espécie.

Litisconsórcio inicial é aquele que se constitui com a propositura da ação, na petição inicial, portanto; ulterior é o que se forma posteriormente. 257

Litisconsórcio necessário é aquele que demanda a presença de duas ou mais pessoas no polo ativo ou no polo passivo, em decorrência da natureza da relação jurídica que é discutida em juízo, levando-se em conta fatores de direito material. 258 Facultativo, por sua

255 NERY JUNIOR, Nelson, NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação

Extravagante. 11.ed. São Paulo: RT, 2010. p. 270, item 1, comentário ao art. 46 do CPC.

256 Ibid.

257ARRUDA ALVIM. Manual de Direito Processual Civil. 9.ed. São Paulo: RT, 2005, vol. II, p. 77.

258 DINAMARCO, Cândido Rangel. Litisconsórcio. 3.ed.. São Paulo: Malheiros Editores, 1994. p. 158, item 51.

NERY JUNIOR, Nelson, NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante. 11.ed. São Paulo: RT, 2010. p. 273, item 5, comentário ao art. 47 do CPC.

vez, é o litisconsórcio em que se opta por sua formação, presentes as circunstâncias do art. 46 do CPC.

Litisconsórcio ativo é a pluralidade de partes que figuram como autoras na demanda; passivo, é a pluralidade de réus; e misto é o que apresenta as duas características.

O litisconsórcio unitário “ocorre quando a lide tiver de ser decidida de maneira uniforme para todos os litisconsortes” 259, o que depende, de certo, da relação jurídica

controvertida260. Simples é o que admite resultados diversos para as partes.

Há pertinência, ainda, na análise do assistente simples e do assistente litisconsorcial, previstos, respectivamente, nos arts. 50 e 54 do CPC. O assistente simples é reconhecido pela doutrina como uma legítima forma de um terceiro intervir em processo judicial, desde que demonstrado seu interesse jurídico em que uma das partes vença, em razão de poder sofrer reflexamente os efeitos do julgamento da demanda (sua atuação fica limitada à vontade do assistido)261. Já o assistente litisconsorcial é aquele que poderia ter figurado como litisconsorte facultativo unitário, desde o início da demanda262, motivo pelo qual possui poderes de um litisconsorte, “podendo agir com total independência e autonomia relativamente à parte assistida”263.

O litisconsórcio ativo na ação civil pública está expressamente tratado pela LACP e pelo CDC, nos seguintes dispositivos:

 Art. 5º da LACP, “§ 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes.”.

 Art. 5º da LACP, “§ 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei”.

 CDC, “Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que os interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social por parte dos órgãos de defesa do consumidor.”.

259 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação

Extravagante. 11.ed. São Paulo: RT, 2010. p. 276, item 12, comentário ao art. 47 do CPC.

260 DINAMARCO, Cândido Rangel. Litisconsórcio. 3.ed.. São Paulo: Malheiros, 1994. p. 133, item 44.

261 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação

Extravagante. 11.ed. São Paulo: RT, 2010. p. 283, itens 2 e 3, comentário ao art. 50 do CPC.

262 Ibid.. p. 287, item 1, comentário ao art. 54 do CPC. 263 Ibid.

Como se vê, é possível aos legitimados atuar em juízo como litisconsortes, a fim de que promovam a defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos em juízo. Esse litisconsórcio é facultativo, considerando que a legitimidade para a ação coletiva é concorrente e disjuntiva. Poderá ser inicial ou ulterior, a depender do momento de sua formação. Será unitário em relação ao resultado, igualmente em decorrência de ser disjuntiva e concorrente.

Ao que parece, se o legitimado ingressar posteriormente na ação civil pública, o fará na qualidade de assistente litisconsorcial (CPC, art. 54).264 No que se refere à assistência, a doutrina a aceita, discutindo se tanto a simples como a litisconsorcial são aceitas, ou se somente esta265.

Quanto ao assistente simples, a lei foi silente a respeito; mas há, na doutrina, quem defenda a sua possibilidade, como Ricardo de Barros Leonel266, que pretende ver aplicada analogicamente o dispositivo da LAP que permite ao cidadão que ingresse na demanda proposta por outro cidadão. Assim, entende o autor que poderia o indivíduo atuar no processo coletivo como assistente. Mas, ao que parece, nestes casos trata-se de assistência litisconsorcial, o que de certo já está tratado pela LACP, ainda que se refira a “litisconsorte”.

Portanto, fica vedada a atuação do particular como assistente simples, na medida em que sua esfera jurídica privada não será atingida pela sentença267. E isto está vedado tanto nos casos de direitos difusos e coletivos quanto de direitos individuais homogêneos. O que se permite é que, no caso de direitos individuais homogêneos, de acordo com o CDC, possa o indivíduo atuar como litisconsorte (art. 94). Assim, por exemplo, em ação civil pública em que se discuta a atividade nociva de determinado estabelecimento, em razão de produzir poluição sonora em volume elevado, poderá o particular ingressar no feito na qualidade de assistente litisconsorcial, porquanto ali se discuta também direito individual homogêneo.

Pode-se facilmente imaginar problemas práticos nesses casos, como, por exemplo, uma quantidade exagerada de indivíduos de modo a tumultuar o processo; seria adequado que o magistrado aplicasse o disposto no art. 46 do CPC, limitando o número de indivíduos a fim de viabilizar o adequado andamento processual.

264 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação

Extravagante. 11.ed. São Paulo: RT, 2010. p. 1445, item 24, comentário ao art. 5º da LACP.

265 ALMEIDA, João Batista de. Aspectos Controvertidos da Ação Civil Pública. 3.ed.. São Paulo: RT, 2011,

item 3.3. p. 156.

266 LEONEL, Ricardo de Barros. Manual do Processo Coletivo. 2.ed. São Paulo: RT, 2011. p. 253.

267 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação

Em relação ao litisconsórcio passivo, é admitido tranquilamente na ação civil pública, e em relação à ordem urbanística admite-se sejam inseridos todos aqueles que causarem os danos urbanísticos. Inclusive, conforme se esclareceu no item 3.2.8, até mesmo o Poder Público pode ser inserido no polo passivo em razão de sua omissão no que se refere ao poder de polícia (fiscalização). A assistência, no polo passivo, também é admitida, desde que restem demonstrados seus requisitos, evidentemente.