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Diğer Psiko Sosyal Kazanımlar ve Camiler

BÖLÜM 2: KADINLAR VE ÇOCUKLAR AÇISINDAN CAMİLERİN PSİKO

2.1. Çocuklar Açısından Camilerin Kullanımı

2.1.2. Diğer Psiko Sosyal Kazanımlar ve Camiler

O segundo ano do novo governo de Getúlio Vargas, além de presenciar mudanças na administração do INEP, foi particularmente agitado para o meio educacional brasileiro. Em 1952, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados retomou, de forma intensa, seus trabalhos de estudo do anteprojeto de lei que fixava as diretrizes e bases da educação nacional, fato que representava mais uma etapa no longo processo da tramitação desta lei no Congresso Nacional; além disso, este foi o ano em que, em função da morte de Murilo Braga de Carvalho em um acidente aéreo, Anísio Teixeira recebeu o convite do ministro da Educação, Ernesto Simões da Silva Freitas Filho, para assumir a direção do INEP.

Desde o final de 1948, o anteprojeto de lei de diretrizes e bases da educação estava em tramitação no Congresso. Dada a competência da União para legislar sobre as diretrizes e bases da educação nacional, determinada pela Constituição de 1946 (Art. 5.º, inciso XV, letra d), o então ministro da Educação, Clemente Mariani, convocou uma comissão de educadores – presidida pelo diretor do Departamento Nacional de Educação, Lourenço Filho, e com Antônio Ferreira de Almeida Júnior como relator – com o objetivo de elaborar o anteprojeto de lei que seria encaminhado para a Câmara dos Deputados (Carvalho, 1960, p. 204-205). Em 1949, após receber um parecer desfavorável na Comissão Mista de Leis Complementares, cujo relator era o Deputado Gustavo Capanema, o projeto foi arquivado, assim permanecendo até o final de 1951, quando foi reconstituído e encaminhado à Comissão de Educação e Cultura. Em 1952, além de analisar o anteprojeto governamental e um outro, elaborado pela Associação Brasileira de Educação, a Comissão de Educação e Cultura também convidou Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e Almeida Júnior para a discussão do assunto (Carvalho, 1960, p. 206).

O tema central das divergências era, à época, o problema da interpretação do texto constitucional acerca da “competência da União para legislar sobre diretrizes e bases e à competência dos Estados para organizar os respectivos sistemas de ensino” (Carvalho, 1960, p. 208). Nessa discussão, defensores de princípios centralizadores e descentralizadores procuravam assegurar suas posições.

A comissão que elaborou o anteprojeto original sustentava a idéia de que a União deveria apontar apenas princípios gerais e que cada Estado seria o responsável pela organização de seus sistemas de ensino:

“Diretriz” é linha de orientação, norma de conduta, “Base” é superfície de apoio, fundamento. Aquela indica a direção geral a seguir, não as minudências do caminho. Esta significa o alicerce do edifício, não o próprio edifício que sobre o alicerce será construído. Assim entendidos os termos, a Lei de Diretrizes e Bases conterá tão só os preceitos genéricos e fundamentais (Almeida Júnior, 1949, p. 52).

O que fica claro é que a função de organizar o respectivo sistema de ensino cabe privativamente a cada Estado, e que a lei federal de Diretrizes e Bases, se interferir nessa matéria, violará a Constituição (Almeida Júnior, 1949, p. 53).

Posicionando-se contrariamente a esta idéia, o Deputado Gustavo Capanema defendia a capacidade legisladora da União:

a Assembléia Constituinte, ao regular a competência da União quanto à legislação do ensino, não quis traduzir o seu pensamento somente com a palavra “diretrizes”, mas acrescentou ao texto a palavra “bases”, pretendendo significar, com isso, claramente, e quase

redundantemente, que à União compete, não apenas traçar os princípios gerais dos ensino de todos os ramos, mas também dar-lhe estrutura e disciplina, organização e regime. (...) Dessa justificação, adotada pela Comissão de Constituição e pela Assembléia Constituinte, se conclui que o legislador ordinário federal é que é o juiz da amplitude com que a União há de legislar sobre o ensino, e que, se essa legislação deve ser sumária e reduzida com relação ao ensino primário, já pode ser mais explícita quanto aos outros ramos de ensino, até o ponto de ser explanativa e pormenorizada quanto ao ensino secundário e superior (Capanema, 1949, p. 152).

As discussões acerca dos princípios centralizadores ou descentralizadores que deveriam estar presentes na definição das diretrizes e bases da educação nacional se estenderiam até 1958, quando um substitutivo do Deputado Carlos Lacerda redirecionaria o debate para a questão da “liberdade de ensino”.

Em meio àqueles debates que estavam acontecendo ao longo de 1952, contudo, Anísio Teixeira – que, desde 1951, ocupava o cargo de secretário-geral da Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – assumiu a direção do INEP e, a partir destas posições no governo federal, se colocaria ao lado daqueles que defendiam o princípio de autonomia para os sistemas estaduais de ensino. Em seu discurso de posse no INEP, pronunciado em 04 de julho de 1952, Anísio Teixeira defendeu a descentralização administrativa da educação, ao mesmo tempo em que sugeriu qual seria a inserção, no regime a ser implantado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de uma instituição federal de pesquisas educacionais:

Está já em curso no congresso a lei complementar à Constituição, que traçará as diretrizes e bases da educação nacional. Essa lei básica não poderá deixar, dentro dos princípios constitucionais, de proceder a uma ampla e indispensável descentralização administrativa da educação, graças à qual este Ministério poderá retomar as suas altas e difíceis funções de liderança estimuladora e criadora da educação ao invés da atuação restritiva e rígida com que cerceia e dificulta, hoje, o desenvolvimento e a expansão das iniciativas e experiências novas, e limita e empobrece a força vivificadora da autonomia e do senso de responsabilidade. No novo regime, a ser implantado, de descentralização e liberdade com responsabilidade, dentro do quadro das bases e diretrizes da educação nacional, os instrumentos de controle e coordenação passam a ser os delicados instrumentos das verificações objetivas, dos inquéritos reveladores, da troca de informações e esclarecimentos, entre os educadores, nas conferências educacionais. Será um regime de sanções mais de opinião pública e de consciência educacional, a se criar no país, do que de atos de autoridade (Teixeira, 1952, p. 77).

Este posicionamento favorável à autonomia dos sistemas estaduais de ensino e ao controle e coordenação de seus resultados por intermédio da realização de pesquisas e da troca de informações já era assumido por Anísio Teixeira desde a década de 1930. Na justificativa do anteprojeto elaborado pela Associação Brasileira de Educação para o capítulo referente à educação da Constituição de 1934, por

exemplo, Anísio Teixeira manifestava-se – em nome da “Comissão dos Dez” por ele presidida – de forma muito semelhante àquela defendida em 1952:

Transferiu-se da União para os Estados, a competência de organizar, administrar e custear os sistemas educacionais. Os argumentos que venceram o longo debate sobre esse assunto são numerosos e não podem ser expostos nesta apresentação singela do anteprojeto. Basta que acentuemos a necessidade de adaptação regional e local dos diferentes sistemas educativos, não somente às condições do meio, como aos recursos materiais e humanos, adaptação que não poderia ser realizada pela União. A esse argumento de natureza intrínseca, ao próprio organismo educativo e à sua administração, junta-se o da necessidade de se estimular o sentimento de responsabilidade, o que não se pode conseguir sem liberdade de organização e iniciativa. (...) Esses argumentos e vários outros ainda, levaram-nos à conclusão de que se tornava indispensável dar aos Estados completa autonomia na organização e administração dos sistemas educacionais locais (Teixeira, 1934, p. 14-15).

A competência da União se estende, entretanto, à fixação do plano geral, à coordenação suprema das atividades educativas nacionais, e ao exercício de uma ação estimulante ampla e vigorosa. Como conseguir isso? Fixando o plano geral, cuja estrutura deverá ser, como destacamos anteriormente, de extrema amplitude e flexibilidade, a ação coordenadora e estimuladora de exercerá, sobretudo pela informação. (...) A União, tomando a si, o estudo dos sistemas educacionais e mantendo um serviço permanente e autorizado de inquéritos, pesquisas e informações, atuará como poderosa força intelectual na direção da educação nacional (Teixeira, 1934, p. 15).

A importância atribuída por Anísio Teixeira à pesquisa educacional para o controle e coordenação do funcionamento dos sistemas de locais de ensino, ainda nos anos trinta, já encontrava expressão concreta no Instituto de Pesquisas Educacionais, colocado em funcionamento durante a sua gestão na Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal, entre 1931 e 1935. As pesquisas realizadas por este Instituto, segundo Jayme Abreu, teriam servido como fundamento para a definição de diretrizes para os currículos, programas, livros-texto, orientação escolar e construção de prédios no Distrito Federal (Abreu, 1956, p. 112).34

Em 1947, ocupando o cargo de secretário de Educação e Saúde da Bahia, na gestão de Otávio Mangabeira, Anísio Teixeira mais uma vez defenderia a autonomia estadual e a descentralização dos sistemas de ensino, por ocasião das discussões acerca do capítulo relativo à educação na Constituição daquele estado:

Devo dizer que a grande revolução educacional já foi feita pela Constituição de 1946, que consagrou duas grandes medidas. Uma delas resultou de uma longa luta dos educadores brasileiros – é a que institui a autonomia da educação nos Estados, autonomia que é condição de liberdade, porque a centralização, antes de ser um erro administrativo, antes de ser um vício administrativo, é uma limitação de liberdade. Felizmente agora, por essa Constituição, poderemos ter 21 sistemas escolares no Brasil e isto significa 21 possibilidades para idéias boas e progressivas. Uma delas poderá ser a melhor e estimular os demais para imitá-la ou buscar ainda outras melhores, o que seria impossível com o sistema centralizador.

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Inicialmente dirigido por Delgado de Carvalho (Mariani, 1982, p. 171), o Instituto de Pesquisas Educacionais passou a ser dirigido, em 1935, após a saída de Anísio Teixeira da Diretoria de Instrução Pública do Distrito Federal, por Lourenço Filho ([Ruy] Lourenço Filho, 1999, p. 203), e por Everardo Backheuser, entre 1936 e 1937 (Barreira, 2002, p. 333).

(...) A segunda oportunidade é a da percentagem votada para a educação nacional, nos Estados e Municípios. (...) Esta idéia foi sugerida no Brasil dezenas e dezenas de vezes e nunca conseguiu vencer. Uma daquelas permanentes brasileiras, o espírito fazendário, sempre impediu a criação dos fundos autônomos para a educação (Teixeira, 1947, p. 99).

Em sua gestão da Secretaria de Educação da Bahia, Anísio Teixeira colocou em funcionamento três projetos que, por um lado, refletiam sua concepção de autonomia do sistema de ensino do estado e, por outro, serviam como mais uma demonstração prática de suas idéias acerca da função que deveria ser desempenhada pela pesquisa social e educacional e pela experimentação pedagógica em um contexto de descentralização administrativa. Estes projetos foram: o Centro Educacional Carneiro Ribeiro; o Programa de Pesquisas Sociais do Estado da Bahia/Columbia University; e, a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia; todos idealizados no contexto do plano de educação para a Bahia, elaborado por Anísio Teixeira, em 1947, ao retornar de uma experiência de trabalho como conselheiro de Ensino Superior na UNESCO que, segundo ele, havia lhe comunicado “o entusiasmo que, então, ressurgia, em todo o mundo, pela educação” (Teixeira, 1967, p. 248).35

O Centro Educacional Carneiro Ribeiro, localizado no Bairro da Liberdade, em Salvador, representava um exemplo da viabilidade de colocação em funcionamento de uma escola primária adequada a um grande centro urbano, com ensino em tempo integral, de cinco anos de duração e que procurava preparar seus alunos – provenientes de uma área extremamente pobre da cidade – às exigências de uma civilização técnica e industrial (Anísio Teixeira apud Abreu, 1960, p. 57). Esta instituição, inaugurada parcialmente em 1950, transformou-se em um “centro de demonstração do ensino primário, onde também se processa o trabalho de aperfeiçoamento do magistério primário” (Teixeira, 1967, p. 250), servindo, portanto, como um exemplo da possibilidade de extensão da escolaridade e de recuperação, ou reconstrução, do ensino primário, sob novas condições, melhor adaptadas à sociedade urbano-industrial.

O Programa de Pesquisas Sociais do Estado da Bahia/Columbia University começou a ser planejado no segundo semestre de 1948, quando Anísio Teixeira iniciou a realização de contatos com cientistas sociais brasileiros e norte-americanos

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Este convite, segundo Marcos Chor Maio, foi feito a Anísio Teixeira por Julian Huxley – primeiro- secretário executivo da UNESCO –, mediante indicação de Paulo Berredo Carneiro, delegado permanente do Brasil naquele organismo internacional (Maio, 1997, p. 78).

com o propósito de colocar em funcionamento seu projeto de modernização da educação e da saúde na Bahia, tendo em vista a diversidade regional existente naquele estado e as mudanças sociais e econômicas que nele estavam se processando. Este projeto consistia na implementação de políticas públicas nas áreas de educação e saúde, baseadas em informações fornecidas por um conjunto de estudos de comunidade que caracterizassem os processos de mudança em curso nas diferentes regiões que compunham o estado da Bahia (Maio, 1997, p.81, e Wagley et al., 1950, p. 09). O Programa de Pesquisas Sociais entrou em funcionamento com o objetivo de “adquirir um conhecimento da sociedade e da cultura dos habitantes da região rural da Bahia e uma compreensão dinâmica de mudanças de cultura que agora se verificam e que se podem esperar nesta ampla área do Brasil”, que possibilitasse “aos administradores estaduais organizar planos mais eficientes para atender às necessidades educacionais e sanitárias da grande população rural” do estado (Wagley et al., 1950, p. 09).

Participaram da organização do programa, no início de 1949, além de Anísio Teixeira e da antropóloga do Museu do Estado da Bahia, Gizella Valladares, o antropólogo da Universidade de Columbia, Charles Wagley, e o etnólogo do Museu Nacional, Eduardo Galvão, juntamente com o médico-antropólogo Thales de Azevedo e com o sociólogo Luiz de Aguiar Costa Pinto (Wagley et al., 1950, p. 07- 09).36

Entre 1949 e 1950, Thales de Azevedo coordenou o levantamento dos dados históricos, econômicos e demográficos que serviu de base para a escolha das comunidades que seriam estudadas (Wagley et al., 1950, p. 09); e, em meados de

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O estudo de Marcos Chor Maio oferece diversas informações sobre esta equipe: A antropóloga Gizella Valladares sugeriu a Anísio Teixeira o contato com Charles Wagley, seu ex-professor no curso de pós-graduação em antropologia na Universidade de Columbia. Charles Wagley conhecia o Brasil desde o final da década de 1930, quando participou de um grupo de pesquisas sobre relações étnicas no país; depois disso, em 1941, lecionou no Museu Nacional; participou, entre 1942 e 1945 do esforço de guerra na Amazônia; e, em 1948, envolveu-se em um grande projeto de investigação e preservação da Amazônia (Instituto Internacional da Hiléia Amazônica), patrocinado pela UNESCO, no qual, junto com Eduardo Galvão, desenvolveria o estudo sobre Itá (“Itá, uma comunidade amazônica: estudo do homem nos trópicos”, publicado originalmente em 1953). Eduardo Galvão também havia sido aluno de Wagley em Columbia e trabalhava no Museu Nacional. Thales de Azevedo era professor de antropologia na Faculdade de Filosofia da Bahia e chefe da seção de Higiene da Alimentação do Departamento de Saúde da Secretaria de Educação e Saúde daquele estado. Costa Pinto, que foi o único sociólogo convidado por Anísio Teixeira para integrar a equipe, era professor de sociologia da Faculdade Nacional de Filosofia, da Faculdade Nacional de Ciências Econômicas e diretor do setor de pesquisas da Fundação Mauá, instituição de pesquisa voltada para o setor de comércio do Distrito Federal (Maio, 1997, p. 79-82). Deste grupo, Charles Wagley e Costa Pinto participariam, alguns anos mais tarde, das atividades iniciais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais.

1950, iniciaram-se os trabalhos em três regiões do estado: Recôncavo, Sertão e Chapada Diamantina (Consorte, 1997, p. 32). Em cada uma destas regiões, duas comunidades seriam escolhidas: uma representando as formas tradicionais de vida e outra inserida na dinâmica do desenvolvimento urbano e industrial; deste contraponto entre o “tradicional” e o “moderno” esperava-se “alcançar um conhecimento não só da sociedade e da cultura tradicionais em cada zona mas também da dinâmica da mudança social e cultural que agora se verifica em cada zona” (Wagley et al., 1950, p. 18).

Três estudantes de pós-graduação da Universidade de Columbia foram convidados por Charles Wagley para trabalhar em cada uma das três regiões selecionadas: Benjamin Zimmerman, auxiliado pelos estudantes Lincoln Alison Pope, Nilda Guerra de Macedo e pela antropóloga Gizella Valladares, realizou a pesquisa em Monte Santo e Euclides da Cunha, que representavam, respectivamente, as comunidades tradicionais e modernas na região do Sertão do Nordeste do estado; Harry William Hutchinson, auxiliado por Carmelita Junqueira Alves, estudou São Francisco do Conde, área tradicional de produção açucareira na zona do Recôncavo;37 e, Marvin Harris, juntamente com Josildeth Gomes [Consorte], trabalhou em Rio de Contas e Livramento do Brumado, na Chapada Diamantina (Wagley et al., 1950, p. 16-18 e Paoli, 1995, v.2, p. 57).

Nestes projetos que fizeram parte do Programa de Pesquisas Sociais do Estado da Bahia/Columbia University, portanto, duas ênfases podem ser identificadas: por um lado, buscava-se compreender o processo de mudança social e as demandas por ele colocadas ao poder público em relação às novas necessidades de saúde e educação da população; e, por outro, também estava em foco a diversidade existente entre as áreas urbanas e rurais localizadas nas regiões consideradas como “tradicionais” ou “progressistas”. O método privilegiado nas pesquisas era o de “estudos de comunidade” que, desde a década de 1940, vinham sendo concebidos como um “novo modo de fazer ciências sociais, de caráter ‘científico’, ‘positivo’, calcado no rigor da observação e na exigência da descrição

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Em função da não identificação de uma povoação nitidamente “progressista” nas proximidades de São Francisco do Conde, decidiu-se comparar esta comunidade com “um povoado formado por trabalhadores de uma grande usina industrial de açúcar”, existentes em pequenos centros como Jacuípe e Traripe (Wagley et al., 1950, p. 18).

minuciosa dos acontecimentos presentes em uma determinada realidade ecológica” (Maio, 1997, p. 83).

A Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia surgiu no contexto dos desdobramentos do Programa de Pesquisas Sociais. Com dotação orçamentária prevista na Constituição Estadual da Bahia de 1947,38 esta Fundação foi colocada em funcionamento em dezembro de 1950 e passou a administrar o Programa de Pesquisas Sociais do Estado da Bahia/Columbia University quando este foi integrado ao projeto de pesquisas sobre relações raciais no Brasil promovido pela UNESCO, entre 1951 e 1952.39 Vários membros deste projeto da UNESCO, inclusive, se reencontrariam com Anísio Teixeira logo em seguida à sua realização, quando o educador baiano assumiu a direção do INEP e passou a entrar em entendimentos com aquele organismo internacional para viabilizar o funcionamento daquilo que, a partir do final de 1955, tomaria a forma de Centro Brasileiro e Centros Regionais de Pesquisas Educacionais.

Juntas, essas três iniciativas desencadeadas por Anísio Teixeira no período em que ocupou a Secretaria de Educação da Bahia, entre 1947 e 1951, serviram tanto para articular conhecimentos pessoais e negociações institucionais, como para congregar pessoas em trabalhos conjuntos e, também, para experimentar formas inovadoras de trato com os problemas educacionais – sejam os que surgiam em um grande centro urbano, como Salvador, ou aqueles existentes em pequenas comunidades de diversas regiões do estado, como o Sertão, o Recôncavo ou a Chapada Diamantina – em um contexto político que abria possibilidades à tomada de decisões na esfera educacional com certo grau de autonomia em relação ao governo federal. Todas as três experiências, cada uma a seu modo, agregaram contribuições aos projetos que Anísio Teixeira desenvolveria, sob perspectiva nacional, a partir das posições ocupadas no INEP e na CAPES. O Centro Educacional Carneiro Ribeiro continuaria em funcionamento, conseguindo verbas adicionais do INEP para sua gradativa construção e, paralelamente a ele, outras escolas de demonstração seriam criadas em diversos pontos do país, colaborando,

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A Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia contava com 1% da renda tributária do Estado para seu funcionamento e compreendia serviços de informação sobre obras científicas, intercâmbio com instituições científicas e três departamentos (Araújo et al., 2001, p. 27-28). Os três departamentos que compunham a Fundação eram os de ciências físicas, de ciências biológicas e ciências sociais (Abreu, 1960, p. 54).

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Informações pormenorizadas sobre o programa de pesquisas raciais da UNESCO podem ser encontradas em Marcos Chor Maio (1997 e 1999).

através da experimentação educacional e do aperfeiçoamento de professores, para dar existência concreta àquilo que Anísio Teixeira denominava como reconstrução do ensino primário brasileiro, realizada em novas bases. A Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia, além de ser a primeira deste tipo no Brasil (Maio, 1997, p. 85), serviria de exemplo de utilização de recursos públicos no apoio ao desenvolvimento de pesquisas científicas. O Programa de Pesquisas Sociais, além da significativa contribuição que traria à pesquisa antropológica realizada no Brasil ao longo de toda a década de 1950 (Corrêa, 1988, e Consorte, 1997), também colaborou para experimentar a idéia de que o conhecimento obtido através da realização de pesquisas em ciências sociais era válido e relevante para agregar contribuições ao levantamento de informações e à interpretação de uma realidade social diversificada e em mudança, que poderiam ser utilizadas na administração e