BÖLÜM 3: KADIN VE ÇOCUKLARIN CAMİLERDEN BEKLEDİĞİ
3.7. Camilerden Beklenen Hizmetler
Um bom exemplo de como um mesmo tema referente ao funcionamento interno da escola foi sendo abordado de maneiras diversas ao longo do tempo, pode ser encontrado nos projetos de levantamento dos sistemas estaduais ou municipais de ensino e de caracterização dos cursos neles oferecidos – tema que apresentou maior quantidade de projetos propostos durante todo o período de funcionamento dos Centros.
Conforme comentado no primeiro capítulo deste trabalho, o INEP realizava levantamentos sobre os sistemas estaduais de ensino e sobre os seus cursos – cursos primário e normal – desde sua entrada em funcionamento. Baseando-se em dados estatísticos apurados pelo Serviço de Estatística do Ministério da Educação e pelos serviços estaduais de estatística, o INEP promoveu a publicação, a partir de 1939, de diversos estudos sobre a organização do ensino primário e normal nos estados. Quando Anísio Teixeira assumiu a direção do órgão, instituiu a Campanha de Inquéritos e Levantamentos do Ensino Médio e Elementar (CILEME), cujo objetivo principal era avançar com o trabalho de pesquisa no sentido da elaboração de interpretações dos dados apurados que resultassem em propostas de intervenção na organização dos sistemas e nas práticas de ensino. Com a entrada
em funcionamento do CBPE, o novo órgão responsável pela realização de pesquisas educacionais do INEP absorveu as atribuições da CILEME, através de sua Divisão de Estudos e Pesquisas Educacionais (DEPE/CBPE), dirigida, entre 1956 e 1973, pelo psiquiatra e educador Jayme Abreu.33 Cada um dos Centros Regionais, na medida em que iniciavam suas atividades de pesquisa, também foi orientado no sentido de realizar levantamentos sobre os sistemas de ensino em suas respectivas áreas de atuação ou, ao menos, nas capitais em que estavam instalados. Tanto no CBPE como nos Centros Regionais, a orientação em relação à elaboração desses projetos de levantamentos dos sistemas de ensino era para que fossem realizados estudos sobre os aspectos básicos da situação educacional da região focalizada, relacionando-os às condições econômico-sociais e culturais encontradas, com o propósito de elaboração de conclusões normativas a respeito dos problemas observados (CBPE, 1956b, p. 65).
Tomando a produção do CBPE como exemplo,34 pode-se observar que os objetivos propostos pelos projetos de pesquisa voltados à caracterização de sistemas escolares e dos cursos neles ministrados indicam uma alteração significativa na forma de abordagem do tema que predominou no primeiro qüinqüênio de atividades do CBPE em relação à adotada ao longo da década de sessenta. Entre 1955 e 1960 foram propostos seis projetos de levantamento da situação de sistemas escolares municipais ou estaduais e outros dois projetos voltados ao estudo da situação de cursos específicos – os cursos secundário e normal. Note-se que, neste período, foram convocados especialistas no estudo da
33
Jayme Abreu (1909-1973) formou-se em Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Bahia em 1930. A partir de 1927, exerceu os cargos de inspetor de ensino no Ginásio da Bahia, de inspetor federal do Ministério da Educação e Saúde para o ensino secundário e de técnico da Secretaria de Educação da Bahia, tornando-se um autodidata na área educacional, especialmente em relação ao ensino médio. Em 1947 foi convidado por Anísio Teixeira para ser seu assessor naquela Secretaria e, a partir de 1949, para assumir sua Superintendência do Ensino Médio. Quando Anísio Teixeira assumiu a direção do INEP, convidou Jayme Abreu para coordenar os projetos do ensino médio da CILEME, e, alguns anos mais tarde, para dirigir a Divisão de Estudos e Pesquisas Educacionais do CBPE. Através da CILEME, Jayme Abreu publicou os trabalhos “O sistema educacional fluminense” e “A Educação Secundária no Brasil”, ambos em 1955 (Britto, 2002, p. 524-529).
34
O CBPE foi tomado como exemplo por ter sido o Centro que propôs maior quantidade de projetos de levantamento dos sistemas de ensino e caracterização dos cursos neles ministrados. Ao longo de todo o período de funcionamento dos Centros, o CBPE produziu 20 projetos sobre este tema; o CRPE/SP, 18; o CRPE/RS, 18; o CRPE/PE, 11; o CRPE/MG, 11; e, o CRPE/BA, 08; totalizando 86 projetos propostos. Verificar, no Anexo n.º 1, os quadros correspondentes à produção de projetos e publicações do CBPE sobre o tema “Caracterização de cursos, escolas e redes escolares”, localizados nas páginas 03 e 04.
situação educacional dos estados ou do nível de ensino em foco para desenvolver os projetos de pesquisa.
Entre os projetos de caracterização de sistemas escolares propostos nos Centros Regionais até 1961, destacaram-se o Levantamento do Ensino Primário (do município de São Paulo), coordenado por Renato Jardim Moreira, e o Levantamento do Ensino Secundário e Normal do Estado de São Paulo, coordenado por Maria José Garcia Werebe, ambos realizados no CRPE/SP; e, também, o Levantamento Econômico-Social da Educação em Minas Gerais, coordenado por José Nilo Tavares, no CRPE/MG.35
Entre 1963 e 1970, os projetos sobre este tema que foram propostos no CBPE – realizados principalmente por técnicos do próprio INEP – passaram a focalizar determinados aspectos do ensino médio, sobretudo na Guanabara, não sendo propostos outros levantamentos de sistemas estaduais ou municipais. Tais levantamentos parecem ter sido substituídos, neste período, pela realização do “Anuário Brasileiro de Educação”, um dos maiores projetos desenvolvidos durante a administração de Carlos Pasquale36 no INEP, cujo propósito era a elaboração de uma síntese dos principais aspectos das atividades educativas dos governos federal, estaduais e municipais, e da iniciativa privada, realizadas em todo o país:
O Anuário Brasileiro de Educação deverá registrar as principais realizações nos âmbitos federal, estadual, municipal ou particular, referentes aos vários graus e ramos do ensino, bem como a forma como vêm sendo aproveitados os recursos técnicos e financeiros de que os vários setores do Poder Público dispõem para o desenvolvimento da educação em todos os seus aspectos, níveis, formas, etc. Divulgará, outrossim, as medidas que estão sendo adotadas para ajustar os sistemas de ensino às necessidades nacionais e aos princípios fixados pela Lei de Diretrizes e Bases, os resultados alcançados e os problemas remanescentes (Boletim Informativo CBPE, 97, ago./1965).
O acompanhamento da forma como os projetos voltados à realização de levantamentos de sistemas de ensino foram tendo seus objetivos alterados ao longo do tempo demonstra que este tema foi inicialmente tratado no INEP de forma exclusivamente estatística (entre 1938 e 1955); passou a ser abordado em relação ao contexto social no qual operava (entre 1955 e 1960); e voltou a ser trabalhado de
35
As publicações relativas a esses projetos podem ser encontradas no Anexo n.º 1, páginas 14 e 36. 36
Carlos Pasquale (1906-1970) foi médico e educador. Exerceu diversos cargos na administração do ensino no estado de São Paulo e no governo federal. Em 1955, quando os Centros de Pesquisa do INEP foram criados, Carlos Pasquale era diretor-geral do Departamento Nacional de Educação e, quando Anísio Teixeira foi afastado da direção do INEP, em abril de 1964, assumiu a direção do órgão, nele permanecendo até abril de 1966 (Dias, 2002b, p. 225-229). Na administração do INEP, desenvolveu os projetos de elaboração do “Anuário Brasileiro de Educação” e do “Censo Escolar”, além das discussões relativas ao “Salário-Educação”.
forma predominantemente quantitativa, ainda que através de métodos mais sofisticados e abrangentes do que os inicialmente adotados (década de 1960). Ao mesmo tempo, os projetos voltados à caracterização dos cursos oferecidos partiram de uma abordagem estatística (entre 1938 e 1955); passaram a valorizar a realização de interpretações de seus problemas em âmbito nacional (entre 1956 e 1960); e, mais tarde, voltaram-se à análise de aspectos específicos de um determinado nível de ensino na região em que o Centro funcionava (década de 1960).