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Cami Kavramı ve Camilerin Fonksiyonları

BÖLÜM 3: KADIN VE ÇOCUKLARIN CAMİLERDEN BEKLEDİĞİ

3.1. Cami Kavramı ve Camilerin Fonksiyonları

Desde sua posse como diretor do INEP, Anísio Teixeira já defendia a idéia da necessidade de que o órgão responsável pela realização de pesquisas no Ministério da Educação se dedicasse à realização de investigações sobre as “práticas educacionais”, desenvolvendo, inclusive, instrumentos de medidas capazes de identificar a qualidade do ensino oferecido pelas escolas brasileiras e a aprendizagem alcançada pelos alunos (Teixeira, 1952, p. 78). Um exemplo do posicionamento de Anísio Teixeira nesse sentido pode ser encontrado em 1956, quando o Centro Regional de Pesquisas Educacionais de São Paulo (CRPE/SP) estava sendo inaugurado. Nesta ocasião, Anísio Teixeira escreveu uma carta a Fernando de Azevedo sugerindo as linhas gerais de um programa de pesquisas a ser desenvolvido por aquela instituição e que estava voltado exatamente ao estudo de aspectos do funcionamento interno das escolas, relacionados às práticas de ensino nelas desenvolvidas, à aprendizagem e comportamento dos alunos, aos métodos de ensino utilizados e aos conteúdos curriculares. Estes estudos deveriam tomar por base os dados obtidos por instrumentos de registro qualitativo e acumulativo dos fatos escolares:

A minha idéia de “pesquisa educacional”, além de compreender tudo que é realmente pesquisa, incluiria algo de mais geral, que deveria transmitir a todo o sistema escolar, da classe à sala do diretor, a idéia de que todo esse imenso aparelho é um aparelho de coleta e registro de fatos; que tais fatos constituem a matéria-prima para a pesquisa; e que, portanto, se forem melhoradas as formas de registro dos fatos e os mesmo se fizerem cumulativos – na escola e na classe se encontrará sempre um material abundantíssimo para o estudo dos alunos, dos métodos e do conteúdo do ensino.

Isto posto, um dos primeiros trabalhos-raízes do Centro seria o preparo de formulário e fichas para o registro de fatos escolares. Substituir o espírito puramente estatístico ou, se quiser, quantitativo dos registros escolares, pelo qualitativo. Haveria então uma ficha do aluno, desenvolvida e cumulativa, que nos daria a história do aluno na escola. Uma ficha idêntica do professor. E, possivelmente, outra de fatos escolares, algo como o diário de bordo de um navio. Com esses três documentos, teríamos sempre um conjunto de fatos seguidos, e, repito, acumulados, isto é, longitudinais sobre o aluno, o professor e a escola: verdadeiro tesouro para pesquisas de toda espécie (Teixeira, 2000b [1956], p. 89-90).

A partir destas orientações, o Centro Regional de São Paulo (CRPE/SP) desenvolveu diversos projetos, entre eles a Ficha de Observação de Alunos e as Escalas de Escolaridade, que constituíam, respectivamente, um instrumento de acompanhamento das formas mais freqüentes de comportamento dos alunos e um

instrumento de verificação da aprendizagem dos alunos do curso primário.16 O objetivo da elaboração destes instrumentos era tornar possível ao professor um conhecimento mais pormenorizado acerca de seus alunos, seja em relação às suas formas mais freqüentes de reação, seja em relação aos conteúdos aprendidos em um determinado período. Utilizando-se destas informações o professor poderia, por exemplo, implementar um programa de orientação individualizada em sala de aula.

Outro grupo de projetos realizados pelos Centros que pode ser tomado como característico do tipo de pesquisa voltado ao estudo de aspectos internos ao funcionamento da escola é aquele formado pelos levantamentos dos sistemas estaduais ou municipais de ensino. Comentando acerca da utilização dos resultados obtidos por meio de levantamentos como subsídios à elaboração de propostas de modificação na política educacional, o sociólogo Renato Jardim Moreira17 afirmava, em 1959:

Um conhecimento que sirva para planejar uma política educacional tem certas características que o afastam do que é comumente valorizado como sendo de natureza científica. Não precisa ser exaustivo, mas apenas fornecer os elementos suficientes para o planejamento da ação política. Não precisa ser original quanto à sua matéria. Mais ainda, ao se realizar a pesquisa para obtê-lo, não deve haver preocupação de que ele venha a representar uma contribuição teórica, nem de se empregarem técnicas originais (Moreira, 1959, p. 36).

A utilização de levantamentos, por oferecer vantagens em relação à rapidez na obtenção dos dados e à possibilidade de generalização dos resultados obtidos, era defendida por Renato Jardim Moreira como passo inicial de um programa de pesquisas voltado à identificação das variáveis relevantes para o estudo da realidade educacional (Moreira, 1959, p. 36-37). Frente às criticas que comumente eram feitas às limitações apresentadas pelo emprego dos levantamentos, geralmente dirigidas ao caráter estritamente descritivo do conhecimento obtido, Renato Jardim Moreira argumentava que este era um procedimento bastante útil quando utilizado na fase inicial de desenvolvimento de um programa de pesquisas que, ao longo do tempo e na medida em que se acumulasse um conhecimento

16

Outras informações sobre os projetos de elaboração da Ficha de Observação de Alunos e das Escalas de Escolaridade podem ser encontradas no item 2.1.5 do terceiro capítulo deste trabalho. 17

Renato Jardim Moreira graduou-se pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Foi auxiliar de Florestan Fernandes na pesquisa sobre relações raciais no Brasil, promovida pela UNESCO, e também participou de uma pesquisa sobre relações raciais no sul do país, desenvolvida pela cadeira de Sociologia I da FFCL/USP. No Centro Regional de Pesquisas Educacionais de São Paulo, Renato Jardim Moreira exerceu, entre 1956 e 1960, o cargo de Diretor da Divisão de Estudos e Pesquisas Sociais (DEPS), onde foi o responsável pelo desenvolvimento do projeto de Levantamento do Ensino Primário no município de São Paulo.

ponderável de vários aspectos gerais da educação, deveria avançar no sentido da adoção de instrumentos de análise mais sofisticados: “será então a vez da entrevista, do estudo de casos, da observação e de todo o conjunto de técnicas sociológicas, antropológicas e psicológicas, até que se atinja, em alguns setores, a experimentação” (Moreira, 1959, p. 41). Os levantamentos, portanto, segundo Renato Jardim Moreira, quando utilizados na etapa inicial das do programa de pesquisas de instituições que se interessavam pelo conhecimento de um campo específico da realidade para finalidades práticas, como o Centro Brasileiro e os Centros Regionais de Pesquisas Educacionais, representavam uma forma satisfatória de atender tanto às demandas de informações por parte da administração pública, como às exigências de rigor metodológico impostas pelo trabalho científico.

O estudo dos aspectos internos ao funcionamento da escola – relativos principalmente à sua administração, composição de currículos e métodos de ensino – eram tomados, nos Centros de Pesquisas do INEP, como essenciais não apenas ao aprimoramento da administração dos sistemas escolares como também para servir de ponto de partida para outras pesquisas, dedicadas à interpretação das relações entre o funcionamento das escolas e as mudanças que estavam ocorrendo na sociedade, cujos resultados também seriam considerados em outros estudos sobre o funcionamento interno da escola, de forma a gerar subsídios à introdução de novas alterações no sistema educacional.

3.2. Pesquisas com ênfase na análise das relações entre a educação