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BÖLÜM 2: KADINLAR VE ÇOCUKLAR AÇISINDAN CAMİLERİN PSİKO

2.1. Çocuklar Açısından Camilerin Kullanımı

2.1.3. Bilinçaltı Eğitimi ve Camiler

Para colocar em funcionamento as principais linhas de pesquisa definidas para o INEP em seu discurso de posse como diretor da instituição, Anísio Teixeira,

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Este trecho de “Educação não é privilégio” também se encontra reproduzido no artigo “Educação – problema de formação nacional” (1958, p. 27-28).

ainda em 1952, começou a desenvolver estratégias com o objetivo de reunir os recursos financeiros e humanos necessários ao início dos primeiros projetos sob a nova administração.

A Campanha do Livro Didático e Manuais de Ensino (CALDEME) foi a primeira a entrar em funcionamento, sendo submetida à aprovação da Presidência da República, em 14 de julho de 1952, através da Exposição de Motivos n.º 795, assinada pelo Ministro Ernesto Simões Filho. Esta Campanha foi custeada por verba específica do Ministério da Educação e tinha por finalidade prestar assistência técnica aos professores de ensino primário e médio através do fornecimento de “guias ou manuais escritos especialmente para a sua orientação” (Bittencourt, 1959, p. 182). Estes guias deveriam ser dotados de uma nova orientação, baseada na “convicção segura dos males provindos entre nós do ensino verbalista” e no entusiasmo pelas “vantagens de uma mudança radical nesse ensino” (CBPE, 1956, p. 29). Através dos recursos provenientes da CALDEME, cujas funções seriam integradas, a partir de 1956, à Campanha Nacional de Material de Ensino,42 foram realizados acordos com especialistas de diversas áreas do conhecimento que resultaram na publicação pelo INEP, entre 1955 e 1967, de dez volumes dedicados aos professores do ensino primário, nove volumes para o ensino secundário, além de três livros-texto (Boletim Informativo CBPE n. 130, maio/1968).

O segundo programa a entrar em funcionamento na gestão de Anísio Teixeira no INEP foi a Campanha de Inquéritos e Levantamentos do Ensino Médio e Elementar (CILEME), instituída pela Portaria n.º 160, de 26 de março de 1953, com o seguinte objetivo:

medir e avaliar a situação real do ensino médio e do ensino elementar em todo país, com a profundidade e generalidade suficientes para ressaltar as modalidades sob as quais se apresentam, as circunstâncias que lhes deram origem, e o papel que representam no quadro geral das instituições sociais (Bittencourt, 1959, p. 197).

A CILEME, por funcionar sob o regime de financiamento próprio às chamadas “Campanhas Extraordinárias de Educação”, podia dispor dos recursos orçamentários que lhe foram consignados pelo Ministério da Educação com rapidez e independência, bastando, para isso, a apresentação de um plano de aplicação dos

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A Campanha Nacional de Material de Ensino (CNME) foi instituída pelo Decreto n.º 38.556, de 12 de janeiro de 1956, e passou a funcionar junto ao Departamento Nacional de Ensino, dirigido, até fevereiro de 1956, por Carlos Pasquale e, logo em seguida, por Heli Menegale. Com a criação da CNME, as funções da CALDEME foram a ela integradas, cabendo ao INEP a publicações dos livros e a realização dos levantamentos necessários à sua elaboração (Saavedra, 1988, p. 51).

recursos e posterior prestação de contas (Bittencourt, 1959, p. 01). Nestas condições, a Campanha pôde contar com especialistas e/ou equipes de auxiliares especialmente contratados nos estados em que as pesquisas foram desenvolvidas, modificando significativamente a forma como esses levantamentos passaram a ser realizados no INEP. Até então, a instituição fazia levantamentos sobre os sistemas estaduais de ensino a partir de dados estatísticos apurados pelo Serviço de Estatística do Ministério e pelos serviços de estatística existentes nos estados. A partir do momento em que a CILEME entrou em funcionamento, os projetos que a integraram puderam apresentar objetivos mais ambiciosos, que envolviam além do estudo das relações estabelecidas entre a escola e o meio social em que ela funcionava, a apresentação de propostas de intervenção:

O desejo é de apresentar à opinião pública do país e à opinião especializada dos educadores o conjunto de fatos e práticas educacionais existentes em suas escolas, o fundo social em que se apóiam e as tendências de desenvolvimento que aí se apresentam, para lhes indicar os possíveis rumos de uma redireção ou reconstrução desejáveis. A realidade educacional deverá mostrar até que ponto essas instituições se afastam ou se aproximam dos objetivos visados teoricamente ou explicitamente e revelar de que modo podemos e devemos intervir para a sua readaptação aos fins propostos (CBPE, 1956, p. 20).

Dirigida por João Roberto Moreira, Técnico em Educação do INEP desde 1949 (Paixão, 2002, p. 555), esta Campanha publicou os seguintes volumes:

− “Acreditação das Escolas Secundárias nos Estados Unidos da América do Norte”, de Thales Mello de Carvalho, 1953.

− “A Educação em Santa Catarina”, de João Roberto Moreira, 1954; − “A Educação no Paraná”, de Erasmo Pilotto, 1954;

− “O ensino por unidades didáticas”, de Irene Mello de Carvalho, 1957;

− “A Escola Elementar e a Formação do Professor Primário no Rio Grande do Sul”, de João Roberto Moreira, 1955;

− “O Sistema Educacional Fluminense”, de Jayme Abreu, 1955;

− “Introdução ao Currículo da Escola Primária”, de João Roberto Moreira, 1955; − “Estudo sobre o Ceará”, de Joaquim Moreira de Souza, 1955;

− “A Educação Secundária no Brasil”, de Jayme Abreu, 1955;

− “Município e ensino no Estado de São Paulo”, de Carlos Correa Mascaro, 1959 (Boletim Informativo CBPE n. 130, maio/1968).

Paralelamente ao início desses programas, a direção do INEP entrou em negociação com a UNESCO no sentido de viabilizar a realização de um survey aprofundado sobre a situação educacional brasileira, que seria realizado por especialistas brasileiros e da UNESCO, “do qual resultassem elementos sobre os quais fosse possível planejar, em todos os níveis e graus de ensino, medidas de

longo alcance visando à reconstrução educacional do país” (CBPE, 1956, p. 37). A oportunidade para a sugestão desta idéia àquele organismo internacional foi encontrada por Anísio Teixeira por ocasião de sua participação em uma reunião em que estavam presentes o diretor do Departamento de Educação da UNESCO, William Beatty, e representantes dos ministérios da Educação e da Agricultura, na qual discutiu-se a possibilidade de instalação, no Brasil, de um centro latino- americano de preparação de educadores rurais e especialistas em educação de base (CBPE, 1956, p. 37). Frente à conclusão de que os centros agronômicos brasileiros não ofereciam condições para a instalação da instituição planejada, Anísio Teixeira apresentou sua proposta alternativa que, se por um lado era mais abrangente do que a idéia trazida por William Beatty, por outro, aproximava-se das recomendações, também mais abrangentes em relação às necessidades educacionais dos países do terceiro mundo, que vinham sendo elaboradas anualmente nas Conferências Internacionais de Instrução Pública, promovidas pela própria UNESCO. Segundo Libânia Xavier:

Um levantamento das questões mais enfatizadas nas recomendações formuladas pelas conferências anuais da UNESCO aponta a preocupação com a extensão da escolaridade para todos, enfatizando-se a necessidade dos governos estabelecerem a obrigatoriedade e a gratuidade da educação primária e, gradativamente, estenderem a gratuidade também ao ensino secundário, garantindo sua diversificação e articulação deste ao ensino primário e, sobretudo, facilitando o acesso ao ensino superior (Xavier, 1999, p. 90).

Em 1952, a UNESCO ainda estava promovendo a pesquisa sobre relações raciais no Brasil, realizada nos estados da Bahia, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, e alguns dos participantes desta pesquisa – que já haviam tido contato com Anísio Teixeira na Bahia por ocasião do início do projeto – começaram a se envolver no processo de colocação em prática da idéia de realização de uma pesquisa sobre a situação da educação brasileira. O antropólogo da Universidade de Columbia, Charles Wagley, foi um deles. Em agosto de 1953, com a colaboração de Carl Withers – enviado ao Brasil como técnico da UNESCO –, Charles Wagley elaborou, a pedido de Anísio Teixeira, um relatório que não se restringia, contudo, à definição dos objetivos de um projeto de pesquisa, mas apresentava sugestões sobre a organização e as finalidades de uma instituição de estudos de caráter permanente (CBPE, 1956, p. 38).

Enquanto as negociações com a UNESCO ainda estavam acontecendo, Anísio Teixeira, no final de 1953, colocou o Centro de Documentação Pedagógica

em funcionamento. Organizado conforme a Portaria n.º 32, de 11 de novembro daquele ano, o Centro de Documentação foi criado com o objetivo de integrar os trabalhos realizados nas seções de pesquisas do INEP, na Biblioteca, na Revista

Brasileira de Estudos Pedagógicos e na Campanha de Inquéritos e Levantamentos

do Ensino Médio e Elementar (item I da Portaria n.º 32, de 11/11/1953). As tarefas relacionadas à administração do Fundo Nacional do Ensino Primário – construções escolares e cursos de aperfeiçoamento do magistério – continuavam independentes, sendo desenvolvidas pelo Serviço de Assistência Financeira e pela Coordenação de Cursos do INEP (itens V e VI da Portaria n.º 32). Com o Centro de Documentação Pedagógica, portanto, a direção do INEP dava o primeiro passo para separar de forma mais clara suas atividades de pesquisa daquelas relativas à administração da educação e ao cumprimento da política de expansão escolar do governo, fato que abriu espaço para a maior participação da UNESCO no planejamento e desenvolvimento de projetos de pesquisas sociais e educacionais da instituição.

Em janeiro de 1954, uma formulação dos objetivos da futura instituição – que havia recebido o nome provisório de “Centro de Altos Estudos Educacionais” – foi apresentada por Anísio Teixeira a William Carter, chefe do UNESCO Exchange of

Persons Programme (CBPE, 1956, p. 38). Esses objetivos, que serviram de base ao

recrutamento dos técnicos que seriam encaminhados ao Brasil para acompanhar a instalação do centro de pesquisas, foram definidos da seguinte forma:

A) a pesquisa das condições culturais do Brasil e suas diversas regiões, das tendências de desenvolvimento e de regressão e das origens dessas condições e forças – visando a uma interpretação regional do país tão exata e tão dinâmica quanto possível;

A.1) a formulação de uma política institucional, especialmente de referência à educação, capaz de orientar aquelas condições e tendências no sentido de desenvolvimento desejável de cada região do país.

B) a pesquisa das condições escolares do Brasil, em suas diversas regiões, por meio do levantamento dos seus recursos em administração, aparelhamento, professores, métodos e conteúdo de ensino, visando apurar até quanto a escola está satisfazendo as suas funções em uma sociedade em mudança para o tipo urbano e industrial de civilização democrática e até quanto está dificultando essa mudança, com a manutenção dos objetivos apenas alargados da sociedade em desaparecimento;

C) à luz da política institucional formulada pela pesquisa antropossocial e das verificações da pesquisa educacional:

1) elaborar planos, recomendações e sugestões para a reconstrução educacional de cada região do país, no nível primário, rural e urbano, secundário e normal, superior e de educação de adultos;

2) elaborar, baseados nos fatos apurados e inspirados na política adotada, livros de texto de administração escolar, de construção de currículo, de psicologia educacional, de filosofia da educação, de medidas escolares, de preparo de mestres, etc., etc.

D) Conjuntamente com esse trabalho de pesquisa, interpretação e planejamento e elaboração de material pedagógico e, por meio dele, o Centro treinará administradores e especialistas em educação para lotar os Estados e os Centros Regionais de Estudos Pedagógicos, que estão sendo criados nos Estados, ligados ao master center do Rio de Janeiro e, se possível, os próprios departamentos de educação das escolas de filosofia das universidades brasileiras (CBPE, 1956, p. 38-39).

Nesta definição de objetivos encontrava-se, fortemente marcada, a ênfase na importância da realização de pesquisas sobre a realidade social e educacional em cada uma das regiões do país, com o intuito de reunir informações que sustentassem uma política educacional compatível com o processo de mudança social e econômica em curso. Essa mudança em direção a uma sociedade urbano- industrial poderia estar sendo facilitada ou dificultada pelo sistema educacional existente. As pesquisas deveriam fornecer um diagnóstico da situação, que servisse de base à política de reconstrução educacional brasileira. Reunindo os esforços desenvolvidos pela CILEME e pela CALDEME, as pesquisas sociais e educacionais deveriam resultar tanto na elaboração de planos e sugestões de intervenção, como na organização de material pedagógico de apoio ao trabalho de administradores e professores. Outra atividade incluída nesta definição de objetivos foi a organização de cursos de treinamento de administradores e especialistas em educação, cujos participantes seriam preparados para atuar nos Centros Regionais de Pesquisas e nas faculdades de filosofia, com o propósito de promover a realização de pesquisas educacionais nestas instituições.

Entre o final de 1954 e o início de 1955, a UNESCO promoveu a vinda para o Brasil do sociólogo britânico Bertram Hutchinson e do psicólogo social canadense Otto Klineberg, com o objetivo de discutir com a direção do INEP a organização e entrada em funcionamento da nova instituição de pesquisas (CBPE, 1956, p. 40). Otto Klineberg já conhecia o Brasil desde 1945, quando participou da organização do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Klineberg também foi um dos membros da UNESCO que, em 1950, se manifestou favoravelmente à ampliação do projeto de pesquisas sobre relações raciais no Brasil a outros estados, além da Bahia (Maio, 1999, p. 145). No INEP, Otto Klineberg, além de sugerir o nome de “Centro de Pesquisas Educacionais” para a nova instituição, elaborou três documentos que apresentavam sua concepção acerca da organização, das atividades e dos objetivos do órgão que estava sendo planejado. Bertram Hutchinson, por sua vez, elaborou um outro documento sobre problemas de pesquisa.

Em junho de 1955, antes mesmo que os documentos dos colaboradores estrangeiros fossem discutidos ou que fosse aprovado um documento legal acerca de sua existência, o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) começou a ser instalado. Charles Wagley e João Roberto Moreira, que já conheciam o funcionamento do INEP e seus projetos de pesquisa, promoveram a instalação da sede provisória do órgão,43 iniciaram a contratação dos primeiros pesquisadores e planejaram suas pesquisas iniciais. Luís de Castro Faria e Luiz de Aguiar Costa Pinto foram chamados para a coordenação dos trabalhos, e Josildeth Gomes, Carlo Castaldi, José Bonifácio Rodrigues e Orlando Ferreira de Melo foram contratados para iniciar as primeiras pesquisas (CBPE, 1956, p. 43).

Em 18 de agosto de 1955 realizou-se no Rio de Janeiro uma reunião com o propósito de discutir os documentos elaborados por Otto Klineberg e Bertram Hutchinson, o plano de trabalho de Charles Wagley e João Roberto Moreira para o ano de 1955 e a definição inicial de objetivos elaborada por Anísio Teixeira em 1954 (CBPE, 1956, p. 43-44). O sociólogo Florestan Fernandes, que já estava participando das discussões acerca da instalação do Centro Regional de Pesquisas Educacionais de São Paulo, também participou desta reunião, apresentando, principalmente, uma crítica aos objetivos e funções formulados por Otto Klineberg para a nova instituição.

Tomando como ponto de partida a idéia de que a educação brasileira precisava adaptar-se “às necessidades e exigências do povo brasileiro, nos vários níveis sociais, econômicos e educacionais e nas várias regiões geográficas” (Klineberg, 1955, p. 118), Otto Klineberg propunha como objetivo principal dos Centros de Pesquisas a elaboração de dois instrumentos de compreensão da situação social e educacional existente no Brasil à época: um “mapa cultural” e um “mapa educacional”.

O chamado “mapa cultural” deveria ser dotado das seguintes características:

A expressão “mapa cultural” está naturalmente sendo usada como um símbolo, para representar um conhecimento completo da cultura brasileira contemporânea, no seu sentido mais amplo, incluindo vida de família e criação de filhos; atividades econômicas e sociais, o uso do tempo de lazer, atitudes psicológicas, objetivos e ideais, com a devida atenção à herança religiosa e ética do povo (Klineberg, 1955, p. 118-119).

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O CBPE funcionou, até o início de 1957, numa sede provisória localizada na Rua México n.º 3, sendo então transferido para um edifício próprio na Rua Voluntários da Pátria n.º 107, no Rio de Janeiro (Ação do INEP..., 1961, p. 99).

O “mapa educacional”, por sua vez, deveria apresentar um quadro completo do estado atual da educação brasileira, contendo os currículos dos diversos níveis de ensino; o papel desempenhado pelas instituições de ensino particulares; aspectos psicológicos, como atitudes em relação à escola, níveis de satisfação e descontentamento, etc.; além de informações sobre:

a preparação diversificada dos professores, o tamanho das classes, a disponibilidade do material de ensino, a acessibilidade das escolas e os meios de transporte, a existência de bibliotecas adequadas, a regularidade de freqüência, a natureza da população escolar, o grau de cooperação da comunidade, o problema da língua (especialmente no caso de imigrantes), o contato com outras influências educacionais existentes, tais como jornais, cinema, rádio, etc (Klineberg, 1955, p. 120).

De posse desses dois mapas, segundo Otto Klineberg, o Centro atingiria seu verdadeiro propósito quando os comparasse, “de modo que possam ser obtidas informações sobre até que grau a prática educacional nos níveis nacional, regional e local, corresponde à realidade cultural e social” (Klineberg, 1955, p. 121). Desta comparação surgiriam as propostas para melhor adaptação das escolas às necessidades das comunidades em que elas funcionavam.

Segundo Florestan Fernandes, as funções do Centro, da maneira como formuladas por Otto Klineberg, eram “deveras acanhadas” frente às exigências impostas pela necessidade de ajuste da educação à realidade social brasileira (Fernandes, 1966 [1955], p. 569). A principal crítica formulada por Florestan Fernandes à idéia de elaboração de um “mapa cultural” e um “mapa educacional” era que esses instrumentos ofereceriam uma representação estática da realidade, insuficiente para colaborar no ajuste da educação às mudanças pelas quais passava a sociedade brasileira:

para descobrir como ajustar mutuamente a “educação brasileira” às “necessidades e exigências do povo brasileiro”, o procedimento é insuficiente, exatamente por que não pode expor ao campo de análise e de interpretação as conexões dinâmicas, que interessariam no caso, e que só poderiam ser retidas através de procedimentos que considerassem as relações entre a educação e a sociedade, nos seus diversos níveis, em termos dos processos que operam em situações concretas globais (Fernandes, 1966 [1955], p. 572).

As mudanças sociais em curso no Brasil, cujo sentido apontava para a consolidação de uma sociedade urbano-industrial no país, conforme Florestan Fernandes, exigiam “uma política nova no setor da educação” (Fernandes, 1966 [1955], p. 570), que, baseada nos resultados da investigação científica e nas condições da sociedade brasileira, concebesse a educação como um fator de progresso e uma influência que deveria ser dirigida de acordo com as possibilidades

de desenvolvimento do sistema social (Fernandes, 1966 [1955], p. 570). Nesse contexto, o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), enquanto instituição voltada à realização de pesquisas aplicadas, não poderia perder de vista suas finalidades práticas no momento de definição de seus objetivos:

O CBPE não pode escapar à contingência que dá sentido à sua constituição e que, portanto, deverá determinar a sua estrutura e os seus objetivos: ele nasce e deve operar como um núcleo de organização e de orientação da pesquisa científica, tendo em vista certos fins práticos (formalmente: relações entre a educação, a política educacional e os problemas educacionais emergentes) (Fernandes, 1966[1955], p. 572).

O problema da definição dos objetivos do CBPE, portanto, não podia ficar circunscrito à própria instituição, ele precisaria ser considerado em relação a todo um conjunto de renovações do aparelho administrativo, técnico e burocrático do Ministério da Educação, assim como à redefinição de sua política educacional, no sentido de que a educação fosse tomada como um fator dinâmico de mudança e de progresso na sociedade brasileira (Fernandes, 1966 [1955], p. 577-578):

Por isso, seria conveniente que os princípios fundamentais dessa política, pelo menos, fossem estabelecidos com clareza, antes mesmo do Centro começar suas atividades, pois esses princípios é que irão regular e dirigir as atividades do CBPE (Fernandes, 1966[1955], p. 578).

Ao estabelecer este estreito vínculo entre os propósitos que deveriam nortear as atividades de um centro de pesquisas educacionais localizado no interior da estrutura do governo federal com a política educacional definida por este governo, Florestan Fernandes enfatizava questões que já vinham sendo consideradas por Anísio Teixeira – que se encontravam expressas na definição de objetivos do Centro por ele elaborada em 1954 –, e que não haviam ganhado destaque nas proposições de Otto Klineberg: as pesquisas do Centro deveriam colaborar para a compreensão do processo de mudança que estava ocorrendo de forma diferenciada nas diversas regiões do Brasil, e que, em maior ou menor grau, apontava no sentido da consolidação, em todo o país, de uma sociedade de características urbano- industriais; esse conhecimento colaboraria para orientar a adaptação da educação às exigências dessa sociedade em mudança; e, finalmente, todo esse esforço somente adquiria sentido em um contexto político em que a descentralização administrativa da educação e a democracia política e social tivessem lugar.

Após as diversas discussões ocorridas no segundo semestre de 1955 e dada a constatação da necessidade de definição de um documento normativo de caráter legal que definisse a organização formal do CBPE (CBPE, 1956, p. 45-46), o